Corações Represados
11 Capítulo 11
Notas iniciais
William olhava para a pessoa em seus braços e pensava se era possível ser mais feliz. Beijá-la o havia deixado encantado. Seu coração havia batido como louco e agora sua cadência voltava ao ritmo normal. Ouvia a respiração dela entrando num ritmo mais lento e suave e isso lhe dava uma paz. Uma paz diferente, que ele não conhecia. Então isso era amar de verdade. Só conseguia pensar no que podia fazer para deixá-la cada vez mais feliz. Naquele instante não sentia necessidade de falar. Estava feliz. E ela precisava saber.
— Minha querida?
— Humm! O que? – Ele puxou o queixo dela para poder olhar bem em seus olhos.
— Estou muito, muito, feliz. Eu te amo. — O sorriso sonolento dela foi amplo e preguiçoso.
— Também estou feliz e de uma forma maravilhosa. Eu te amo! Acho que quando se ama, sempre é incrível. Um complementa o outro. E juntos ficamos perfeitos.– Se beijaram. Um fez carinho no outro. A conversa se estendeu pela madrugada. Beatriz acabou adormecendo nos braços dele olhando o fogo.
William acordou com os primeiros raios de sol da manhã. Olhou para aquela pessoa em seus braços. Não se cansava de apreciar seu rosto. Acordou-a com um beijo. Já havia pedido antes no dia anterior o desjejum e deviam chegar com ele a qualquer momento. Beatriz não acreditava que havia dormido ali. Tudo bem que o tapete era macio e a lareira lhe dera uma preguiça enorme, mas devia ter mantido a compostura. Depois de deliciar-se com os quitutes que lhes trouxeram começaram a se arrumar para voltar.
Com pesar deixaram o hotel. Almoçaram chegando na cidade num restaurante pequeno. Passaram no hospital antes de voltar pra casa. Passaram alguns momentos com Isadora. Leram poesias de amor para ela. William contou para a mãe que eles dois estavam namorando, mesmo sem saber se ela entenderia ou não. Próximo do final da tarde retornaram pro apartamento de Beatriz.
Depois de guardar as coisas no apartamento da mãe, William foi pro de Beatriz. Acenderam a lareira e resolveram ver um filme. Não chegaram até o final. Beatriz estava cansada e depois de abrir a boca muitas vezes. William disse que iria dormir porque também estava com sono. E começaria muito cedo suas atividades.
Enquanto comiam, mais cedo, ele contou que precisaria se ausentar no outro dia. Teria que viajar para Dubai para resolver os negócios que tinha lá. Sua presença era muito importante para fechar outros contratos futuros e até para conseguir ser indicado para outros clientes. Sentia-se consternado porque não desejava se ausentar naquele momento, mas não tinha escolha. Disse que iria mais despreocupado sabendo que ela estaria cuidando de sua mãe. Ficaria fora durante a semana e faria tudo para estar de volta até sexta-feira.
Embora já houvesse mostrado a decisão de ir embora ele continuava abraçado a ela. Por fim...
— Você vai me deixar ir embora?
— Vou pensar no seu caso.
— Pense com carinho. Pois se não vou lhe encher de cosquinhas – E para provar que falava sério avançou pronto para cumprir o que tinha dito. Beatriz se afastou rápido. E lhe provocou de longe.
— Posso deixá-lo ir sob uma condição.
— E qual seria?
— Muitos beijinhos, beijões, beijocas...
Os dois riram deliciados. O tempo foi muito bem aproveitado. E cada um foi descansar em seu quarto pensando no outro e fazendo planos acordados. Como era bom dividir experiências e sonhos com outra pessoa. Mas era horrível a hora em que precisavam se separar.
Acordaram cedo e passaram o que foi possível de tempo juntos antes de William sair para o aeroporto. Ela o levou para pegar o avião e ficou com o carro. Ele havia insistido para que o usasse, pois ficaria na garagem e não queria ela andando no frio. E se fosse necessário ficar até mais tarde no hospital, ela estaria segura para voltar pra casa.
No hospital, ela se inteirou do progresso da recuperação de Isadora com o médico. William havia comunicado ao hospital que ela estava ficando como responsável e chegou até a assinar um documento para que pudesse resolver qualquer problema, se fosse necessário.
Depois ela foi para o quarto e passou a ler para Isadora. Conversou. Quer dizer, contou-lhe as novidades sobre ela e William. Do meio da tarde em diante começou a trabalhar em seu manuscrito. Estava absorta no trabalho, quando ouviu uma movimentação e vozes alteradas do lado de fora da porta. Resolveu ver o que estava acontecendo.
Uma mulher loira, vestida elegantemente, estava discutindo com a enfermeira responsável pelos quartos daquele corredor. Exigia ver Isadora de qualquer forma. A enfermeira desculpou-se com Beatriz pelo transtorno.
— Dona Beatriz, já expliquei a essa senhorita, que ela não pode entrar. Que Dona Isadora precisa de repouso absoluto e não pode receber visitas, mas ela não aceita.
— Sou Beatriz Piagentinni. Sou responsável pela Dona Isadora. E a senhorita quem é?
— Evelyn Pearson. Cuido dos interesses do William aqui. Como ele não está, sou responsável pelos cuidados e decisões referentes a mãe dele.
— Senhorita Pearson, creio que há algum engano. William me deixou responsável pela Isadora.
— Creio que quem está enganada aqui é a senhorita. Cuido de todos os assuntos do William na ausência dele.
— Bom, se formos até a secretaria ou a direção do hospital, a senhorita irá verificar que há um documento me autorizando a cuidar e tomar todas as decisões referentes a mãe dele.
— E por que ele faria isso? Você deve ter fraudado esse documento. Ele não deixaria uma estranha cuidando justamente da mãe dele.
— Isso mesmo. Não sou uma estranha.
— Podemos ir até a secretaria? Faço questão de que veja o documento. A minha cópia está no carro.
— Eu disse ao William que cuidaria da mãe dele. Ele não deixaria ela aos cuidados de qualquer uma.
— Novamente, insisto que não sou qualquer uma. Por favor, me acompanhe.
A moça saiu pisando duro atrás de Beatriz. Na secretaria ela não pode continuar insistindo, pois os documentos tinham todas as formalidades legais, indicando Beatriz como única responsável por Isadora. Juntamente, uma procuração para resolver tudo o que fosse necessário e ainda mexer nas contas bancárias, cuidados com o apartamento e demais bens até o retorno dele.
— Não sei como conseguiu isso, mas com certeza não ficará assim. Vou tomar providências. Você não vai continuar no controle. Vou falar com William e ele vai colocar você no seu devido lugar. Onde já se viu uma estranha cuidando da mãe dele.
Girou nos calcanhares e foi embora ventando. Beatriz ficou parada olhando sem entender nada. Parecia que um furacão havia passado por ali. Reconheceu que era a loira da reportagem. Por que será que estava tomando aquela atitude? Se William deixou-a responsável e com documento e tudo, devia saber o que estava fazendo. O que viria a seguir depois disso? Precisava falar com William, mas teria que esperar. Ele ainda estava viajando. Provavelmente só conseguiria fazer isso no dia seguinte.
Voltou pro quarto. Isadora parecia tão tranquila. Procurou concentrar-se no que estava fazendo antes, mas não conseguiu. Começou a recordar o fim de semana maravilhoso que tivera. O amor a tinha encontrado e sem ela procurar. E ela estava feliz de uma forma que nunca havia suspeitado ser possível. Deixaria a vida acontecer.
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