Corações Problemáticos
1 O Começo
Notas iniciais
Eu sou Daivid, tenho 16 anos no momento. Eu estudo em um internato para pessoas especiais.
Isso mesmo, aquelas escolas que crianças com problemas morar lá para curar seus problemas, então resumindo, é aquele tipo de escola que você não pode sair sozinho a noite ou pode ser atacado por algum aluno problemático e ficar gravemente ferido. Se as outras não são assim, a minha certamente é.
Porem nem todos aqui são problemáticos, alguns só estudam aqui para fugir de casa, não é meu caso, mas é o caso do meu colega de quarto. Anthony, ele é um garoto de cabelos castanhos curtos e olhos claros, ele sempre usa roupas simples apesar de ser filho de uma família rica. Ele era uma pessoa muito legal mesmo que as vezes ele me fala umas coisas estranhas que eu ignoro. Já eu, eu tenho alguns probleminhas, você pode traduzir como TBH, sigla para Transtorno Bipolar de Humor, eu sofro de bipolaridade. Isso não acontece sempre, as vezes eu acordo com voltado de ficar na cama, triste com tendências suicidas, mas sempre Anthony me ajuda e os professores também, ah, e os remédios, claro.
Ah, minha aparência. Bem, quando eu me olho no espelho eu vejo um garoto simples. Cabelos pretos curtos e olhos escuros, não tem nada de especial em mim. Anthony fala que minha aparência chama muita atenção, mas eu não acredito nele. Mesmo que algumas meninas se confessem para mim frequentemente, eu ainda me recuso a acreditar. E continuarei recusando!
Minha escola.
Minha escola é grande, grande tipo... enorme! Deve ter pelo menos mais de cem salas de aula aqui. E eu nem sei aproximadamente quantos alunos devem ter. No prédio dos dormitórios tem sete andares e dois elevadores. Os dormitórios obviamente são separados por sexo, são dois prédios, o masculino e o feminino, e os dois prédios ficam colados. Então se as janelas estiverem abertas você pode ver o outro dormitório, ou seja, meninas trocando de roupa. Eu não estou dizendo que faço isso, estou somente dizendo que isso é possível. Anthony também não tinha interesse nisso, teve somente aquela vez em que os garotos nos deram binóculos e nós fomos pegos pelo diretor, mas não estávamos espiando nem nada desse tipo e... Ah! Vocês entenderam.
Segunda feira.
Quando acordei meu quarto não estava muito claro, estava chovendo. Legal! Sai da cama e tomei em banho quente. Vesti minha cueca, obviamente, vocês nem precisavam saber dessa parte, calças jeans escuras, uma camiseta branca de mangas longas, mais longas que os meus braços e meu tênis cinza de cano alto. Arrumei o cabelo de um jeito estranho que eu particularmente adoro e por ultimo vesti meus óculos de grau. Um óculos grande e quadrado no estilo “retro”.
Caminhei até a cama de Anthony e o acordei, mas não de um jeito normal, vocês podem imaginar, eu já fui logo dando socos e chutes nele até ver seus olhos se abrindo.
–- Ai – Ele gemeu – Não me bata de manha, me abrace.
–- Levanta logo! Senão eu vou me atrasar por sua causa! E não me peça abraços, me peça... hum... Ah! Foda-se! Vamos logo para aula seu inútil.
Ele levantou com relutância. Trocou-se. Vestia uma camiseta branca e um moletom com o capuz sobre a cabeça, calças de moletom e tênis. Nós descemos pelo elevador, só sétimo andar para o primeiro. Isso mesmo, eu fico no sétimo andar, é o andar para os alunos mais problemáticos, e eles vivem sozinhos eu que pedi para o Anthony ficar lá também, não gosto de ficar sozinho. Parece meio infantil, mas eu sou assim.
Nós descemos para o refeitório, era grande como o resto da escola. Tinha varias mesas, varias mesmo, mas elas eram separadas por números, assim melhorava a localização. Eu tomei somente um chocolate quente. Anthony pediu uma xicara de café e comeu torradas com manteiga. Nós nos sentamos à mesa numero 102. Eu rapidamente terminei meu chocolate e ficava observando ele comer
–- Tony, você como igual a uma garota. Todo delicado e gentil – Eu brinquei com ele
–- E você come igual a um animal selvagem! – Ele retrucou e começou a jogar pedaços de torrada em mim.
Quando desviei de um pedaço foi a primeira vez que a vi. Entrando no refeitório, uma garota sozinha, ela vestia um short curto preto listrado, botas de tamanho médio e um moletom cinza. Seus cabelos eram pretos e longos, ela parecia ter gastado um tempão penteando ele hoje no quarto. Meu coração teve um súbito surto de velocidade e meu rosto eu tinha certeza que havia ficado vermelho assim que nossos olhares se cruzaram, mas ela somente virou a cara a foi fazer seu pedido. Me virei para Anthony e ele fez uma cara estranha.
–- O que foi? Seu rosto está vermelho. – Ele olhou na mesma direção em que eu estava olhando, seus olhos se arregalaram – Não!
Saiu um pouco alto demais e os outros alunos sentados ficaram nos olhando.
–- Porque você gritou?
–- Aquela garota, você estava olhando para ela não estava? – Ele segurou firme a sua xicara de café – Não faça mais isso.
Eu não entendi o porque dele estar com tanto medo assim, ela parecia somente uma garota normal, apesar de quase ninguém é normal nessa escola
–- Ela por acaso vai me matar se eu olhar para ela? – Eu perguntei, soou meio idiota da minha parte, mas ele segurou a xicara com mais força ainda, parecia que ia quebra-lá.
–- Provavelmente. – Ele deu um gole no seu café – Essa garota tem sérios problemas.
–- Como assim provavelmente? E sérios problemas? Todos aqui tem, mas ninguém mata pessoas isso é um internato.
–- Bem, acho que devo te contar. – Ele sentou mais a frente na cadeira e chegou mais perto de mim – Seu nome é Bianca De Martino, ela é descendente de italianos. Sua família mora aqui na cidade, seu pai é um renomado homem de negócios e sua mãe também não esta pior. O único problema era a filha deles. Bianca, ela tem sérios problemas mentais e psicológicos. Eu ouvi dizer que ela é assim desde pequena...
–- Assim como?
Ele suspirou
–- Ela ataca as pessoas – Ele disse olhando em volta para se certificar de que ninguém estivesse nos ouvindo – Ela tem um serio problema, eu não sei ao certo o que é, mas ela simplesmente ataca as pessoas e as vezes as machuca seriamente. Eu já conheci alguns garotos burros que se evolveram com ela e foram parar no hospital em um estado grave – Ele respirou um pouco – Ele tinhas varias marcas de cortes de faca. Desde quando ela veio para cá, ela foi tratada de modo especial, ela tem aulas particulares em uma sala especial e também tem um quarto especial para ela.
Eu gelei na hora, como aquela garota poderia ser tão tentadoramente perigosa, mas também poderia ser gentil.
–- Os alunos aqui tem medo dela – Ele continuou – Até os professores tem medo dela. Ela toma uma lavada de remédios por dia, mas as vezes não consegue controlar e passa a ter tendências agressivas.
–- Qual é realmente o problema dela?
–- Transtorno de Personalidade Dissocial – Ele terminou seu café e suas torradas também.
–- Ela é uma psicopata?
–- Mais ou menos isso. Então não se envolva com ela, você pode perder a vida.
Depois disso ficamos alguns minutos em silencio, eu olhei nos olhos dele
–- Posso ir falar com ela...
–- Não! – Ele se apressou em dizer – Por favor não faça isso, eu não quero que você termine como meus amigos no hospital. Não se envolva com ela!
–- Certo – Eu disse, e logo em seguida me levantei e sai andando deixando ele sozinho na mesa – Talvez só um “oi” não tenha nenhum perigo.
Eu sai rindo ele ficou fazendo um sinal de reza sentado a mesa.
–- Daivid! – Ele gritou
Eu me sentei a mesa 422, a mesa dela, sorri, ela estava comendo omelete de café da manha e estava com garfo e faca nas mãos. Ela me olhou, seus olhos eram verdes penetrantes e frios
–- Oi – Eu disse
...
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