Coração de Vidro - Trilogia
1 Prólogo e Poesia - Cura-me
Notas iniciais
Fecho os olhos tentando evitar
Que minhas lágrimas vermelhas caiam
Um silêncio vazio torna a assombrar
Enquanto os últimos resquícios de esperança se apagam
Não tente enxergar-me como fui um dia
Veja-me apenas como sou agora
Antes perdida em promessas vazias
Deixada apenas com um coração que chora
Abraça-me e afasta o medo em mim
Sussurra que sempre fui tua querida
Apague as lembranças amargas e por fim
Cura com um beijo está alma ferida
~*~
Prólogo
O amor cura… mas também destrói. Aprendi isso da forma mais difícil.
Sei que posso estar parecendo dramática, mas nem por isso deixa de ser verdadeiro.
É incrível como a vida de uma pessoa pode desmoronar de um segundo para o outro. Em um instante você tem família, amor, amigos, namorado… coisas importantes e essenciais que levou consigo durante uma vida inteira, guardando com carinho. E no outro… você perde.
A vida é algo tão delicado quanto cristal, ao qual muitos não dão o devido valor e que tantos outros não merecem. Você a tem em suas mãos, e se não segurá-la com algo que não seja gentileza… ela quebra. Eu sei, pensando mais a fundo isso é um pouco cruel, mas é assim que vejo as coisas agora. É assim que uma pessoa que teve seu mundo desmoronando em pedaços em poucos minutos passa a enxergar tudo. Uma pessoa que perdeu todos aqueles em quem confiava no momento mais inesperado. Mas é assim que as coisas acontecem, não é mesmo? De repente. Parece que o destino espera o momento em que tudo está indo bem, quando você está mais feliz… para destruir tudo. Para levar tudo que você tem.
Bem, não exatamente tudo.
Algo me restou e é por esse motivo que ainda não desisti totalmente.
Mas, coisas trágicas deixam cicatrizes para aqueles que ficam. Não, não cicatrizes, feridas abertas em carne viva seriam uma descrição mais correta para esse tipo de sofrimento. Muitos superam com o tempo, principalmente se procuram ajuda. Outros, se fecham em si mesmos, sofrem em silêncio esperando que um dia a dor se torne mais suportável. Criam uma fachada para o mundo. Deixam de se importar, ou é ao menos isso que elas querem que os outros acreditem. Eu sou esse tipo de pessoa.
Dizem que os cinco estágios da dor são: Negação, raiva, barganha, depressão e aceitação.
No início – por mais ou menos uns trinta segundos –, não consegui me fazer acreditar que tudo aquilo tinha acontecido. Não comigo. Primeiro estágio: Negação. No entanto foi algo passageiro, coisas assim acontecem a todo momento. Estava tão claro como água.
Segundo estágio: a raiva. Ela veio… e ainda está lá. Totalmente presente. Sussurrando a todo momento. Sussurrando que eu deveria desistir…
Não há barganha. Sem negociações. Tudo isso por um simples motivo: Eu não tenho escolhas. Devo apenas aceitar tudo que vier com um sorriso – um doloroso sorriso. – de agradecimento no rosto. E provavelmente de cabeça baixa.
Creio que ao lerem isso, vocês já devem ter percebido que estou em uma linha tênue entre o quarto estágio – a depressão. – e a realidade.
Porém não posso me deixar desmoronar. Um único motivo me mantém de pé e tenho fé de que ele seja o suficiente. Alguém precisa de mim. Não posso mais viver no passado, embora tenha sido um passado tão recente.
– Senhorita. – disse o motorista, no banco da frente. Sua voz indicava que ele vinha tentando chamar minha atenção a algum tempo. – Chegamos.
Olhei a mansão luxuosa me esperando lá fora – uma nova vida me esperando lá fora. –, e apenas um pensamento persistia em sussurrar minha mente: Faltavam apenas seis meses para conseguir minha carta de alforria. Seis longos meses.
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