Coração Malandro
14 Capítulo 13
Notas iniciais
Faltava pouco mais de dez minutos para as quatro quando Rose saiu de casa. À saída ainda encontrou Luena, Caleb e Alex. Luena passara por ela furiosa. Possivelmente algum dos seus irmãos tinha feito alguma coisa com ela. Estes deram um breve boa tarde a Rose e seguiram para dentro de casa. Ação que Rose agradeceu. Se Alex não tivesse chegado um pouco aborrecido provavelmente perguntaria onde ela iria e se havia coisa que Rose não conseguia fazer era mentir ao irmão.
Rose acabou por se atrasar por alguns minutos. Quando lá chegou, receou que Ezra tivesse ido embora. Mas rapidamente esse receio fluiu. Ao aproximar-se, conseguiu observar através dos vidros da Starbucks, Ezra. Reparou que este olhava para o telemóvel incontáveis vezes. Acabou por sorrir. Esperava que toda aquela ansiedade fosse por sua causa.
Rose entrou na Starbucks e dirigiu-se à pequena mesa onde Ezra se encontrava.
Este mal a viu, sorriu. Rose estava linda. O seu cabelo ruivo estava solto. Maquilhagem não existia no rosto de anjo de Rose. Se havia coisa que Ezra gostava era de ver uma mulher na sua forma natural. Não cheia de base e assim. Depois, Rose vinha com um vestido salmão que lhe assentava muito bem.
Rose reparou que Ezra a encarava, fascinado, e corou. Não estava habituada a este tipo de olhares vindos de Ezra. Ou pelo menos nunca os notou.
—Estás linda. – disse Ezra mal ela se sentou.
—Obrigada. – agradeceu Rose timidamente. Ezra sorriu para ela, docemente. Ele adorava a timidez de Rose.
Mais nenhuma palavra foi proferida até porque o empregado chegou à mesa para anotar o pedido. Só aí é que Rose reparou que Ezra ainda não tinha pedido nada. Ele tinha estado à sua espera.
—Uma cerveja e um misto. – pediu Ezra. Este olhou para Rose à espera que ela pedisse.
—Um misto e uma água.
O empregado anotou os pedidos e deixou Ezra e Rose sozinhos.
—Por momentos, pensei que não ias aparecer. – desabafou Ezra chamando a atenção de Rose – Quando as quatro horas deram e tu não estavas aqui, eu comecei a ficar impaciente. A cada minuto olhava para o relógio e nada de ti.
—Desculpa, eu pensei mesmo que ia chegar a horas.
—Não há problema. O importante é que estás aqui. – comentou Ezra agarrando as mãos de Rose. Esta olhou para as suas mãos, entrelaçadas e sorriu. Sempre esperou que este momento chegasse. E finalmente tinha acontecido. Tantas coisas com que Rose sonhou, mas nada se podia comparar aquilo. Eles estavam ali, em carne e osso, num encontro.
—É verdade. Mas hoje de manhã não estavas tão aberto a este relacionamento. – comentou Rose de uma forma natural. Não era uma acusação. Não, longe disso! Era apenas um comentário inocente de Rose.
—Eu sei. Mas tens de entender que eu tenho medo de te magoar. Eu nunca estive assim com uma mulher, sabes, num encontro. Todas as mulheres com quem eu estive foram casos de uma noite.
—Como aquela rapariga ontem? – perguntou Rose curiosa. Era verdade que eles estavam ali num encontro mas ainda ontem Ezra estava com outra.
—Entre mim e a aquela rapariga não era para existir nada. Quando te vi entrar na casa do Anthony, fiquei fascinado. Eu já estava interessado em ti há algum tempo mas ontem tu conseguiste deixar-me sem palavras. – a cada elogio que Ezra dava, Rose corava. Era instintivo. Simplesmente acontecia – Eu estive a observar-te a noite toda. Mas parecia que tu não reparavas. Eu não sabia se havia de ficar frustrado ou feliz. Como te disse, eu acho que não sou homem para ti.
—Não sou da mesma opinião. – confessou Rose arrancando um sorriso de Ezra.
—Quando te vi a dançar com aquele amigo da Mara, passei-me. Eu vi a forma como ele te agarrava na cintura. Aquilo estava a deixar-me louco. A outra rapariga estava lá e já me tinha mandado alguns olhares antes por isso decidi atacar. Eu precisava de esquecer o que tinha visto antes. Tu nos braços de outro homem. – confessou Ezra.
—O Benjamin é só meu amigo, nada mais.
—Eu acredito em ti. É nele que não confio.
—Também não precisas de te preocupar com ele. Tenho a sensação que ele gosta da Mara. Ela não sabe mas dá para ver pela forma como ele olha para ela. – Rose tocou de leve a mão de Ezra. Este agarrou-a – Mas nós não viemos para aqui para falar da Mara e do Benjamin, certo?
—Certo. – respondeu Ezra atrapalhado. Ele não sabia o que se passava com ele. Ele já estivera com imensas mulheres e nunca se tinha sentido assim. Até parecia que ele e Rose estavam a inverter os papéis. Ela, que sempre fora tão tímida, era a que mais falava entre os dois. Ezra bem tentava falar alguma coisa, mas as palavras simplesmente não saíam. Ele sentia-se ridículo.
—Nós viemos falar do que aconteceu esta manhã. – comentou Rose voltando a corar.
—O beijo… — sussurrou Ezra – O teu irmão vai-me matar.
—O meu irmão tem de respeitar as minhas decisões. O Alex vai compreender.
—Até parece que não conheces o teu irmão, Rose. Não viste o que aconteceu quando a Rowena começou a namorar com o Anthony?
Era claro que Rose se lembrava perfeitamente do que aconteceu quando Rowena apresentou Anthony como namorado à família. Alex ficou tão furioso pela sua irmã mais nova ter arranjado namorado que foi preciso que Ezra o tirasse da mesma divisão em que estava Anthony. Anthony percorreu um imenso caminho para conseguir a confiança de Alex. Mas, por fim, Anthony mostrou-se merecedor de namorar com Rowena. Claro estas foram as palavras de Alex.
—Já para não falar que ele nunca me vai aceitar. Ele vai achar que eu estou apenas a usar-te. Eu conheço-o Rose.
-E vai ser o meu irmão que te vai impedir de ficares comigo? Tu não consegues ir contra o meu irmão? – perguntou Rose já sem esperança. Ela não estava a acreditar. Possivelmente, o seu irmão iria separá-la do único rapaz de quem ela tinha gostado.
—Eu não disse isso. – respondeu Ezra arrancando um sorriso do rosto de Rose – Eu estou disposto a lutar por ti.
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Depois de Mara deixar Amy e Dominique no orfanato, seguiu para casa. O dia tinha sido completamente cansativo e ainda tinha de colocar a matéria em dia.
Para sua surpresa, Benjamin não estava em casa. Desde a discussão que tinha tido com ele por causa de Ivy que eles não tinham voltado a falar. E aquilo tinha sido um recorde. Eles nunca tinham ficado tanto tempo sem falar um com o outro. Simplesmente não conseguiam.
Mara foi até ao frigorífico e pegou num tupperware. Colocou-o no micro-ondas para aquecer a comida enquanto ligava o seu computador.
Quando Mara ligou o seu Facebook, ela tinha duas mensagens. Uma de Rose e outra de Ivy. Abriu primeiro a de Rose, pois esta era mais importante.
Rose Weasley (18:48)
O encontro correu lindamente. Depois conto-te tudo, pessoalmente
Mara sorriu. Ainda bem que o encontro entre a Rose e o Ezra tinha corrido bem. Ela não queria que Rose ficasse magoada por causa dele. Ela não merecia.
Mara Martin (20:13)
Espero bem que sim. Quero saber se o Ezra esteve à altura da minha ruiva favorita :)
Depois de responder a Rose, Mara decidiu abrir a mensagem de Ivy. Ela sabia que não podia fugir a isso para sempre.
Ivy Anderson (19:20)
Olá Mara :) Podes aparecer hoje no Black and White para conversarmos?
Mara Martin (20:14)
Estarei lá
Mara não sabia o que fazer em relação à aproximação de Ivy. Benjamin deixou claro que era contra isto. Ivy tinha-a magoado muito e ele não queria que a amiga voltasse a sofrer. Já Marcella disse-lhe que o ideal era seguir o seu coração. Que deixasse a conversa acontecer para depois se decidir sobre o que fazer.
Benjamin não apareceu em casa enquanto Mara lá esteve. Provavelmente estaria a evitá-la. Mas Mara teria de deixar isso para mais tarde. Agora tinha um encontro para ir.
O Black and White estava cheio, como normalmente acontecia. Grupos, casais por todos os lados a dançarem, a beberem.
Mara dirigiu-se até ao balcão e pediu uma cerveja. Ela sabia que não podia abusar da bebida pois no dia seguinte tinha aulas, mas também era só uma cerveja.
Mara Martin (22:34)
Já estou aqui…onde estás?
—Olá Mara. – cumprimentou Ivy sentando-se ao lado de Mara. Ivy trajava um mini-vestido azul.
—Olá Ivy. – cumprimentou Mara, em tom mais sério. Ela não queria que Ivy pensasse que estava tudo resolvido entre as duas.
—Uma cerveja, por favor. – pediu Ivy ao barman – Então Mara? Como tens estado?
—Como se tivesses alguma coisa a ver com isso. – respondeu Mara em tom magoado. Ela queria ouvir o que Ivy tinha para lhe dizer, mas a voz de Benjamin não lhe saía da cabeça.
—Calma, Mara. – pediu Ivy tentando amenizar o ambiente que ali se estava a formar.
—Agora pedes-me calma? – perguntou Mara em tom incrédulo — Tu não tens o direito de me pedir calma. Eu estou no meu direito de te dizer o que quiser. Dizer-te tudo aquilo que não te disse antes. Quando te pedi para me ouvires, tu também não quiseste saber. Preferiste ouvir o teu “namoradinho” do que a tua melhor amiga. Eu tinha-te em grande consideração, naquela altura. Agora, tu estás cá em baixo.
—Eu sei que te magoei. Tu tens de perceber o quanto eu estou arrependida. Depois de descobrir que o Scott me traía, eu não quis acreditar. Eu martirizei-me durante dias por te ter feito o que te fiz. Eu sei que fui cruel. Eu sei que o que te fiz foi horrível. Eu nem sabia que era pessoa de fazer uma coisa daquelas. Eu não consigo deixar de pensar um dia sequer sobre o que te fiz.
—E queres que eu tenha pena de ti, agora? – perguntou Mara, ironicamente.
—Não, não quero que tenhas pena de mim. Eu mereço o tratamento que me estás a dar. Eu mereço. Eu sei que mereço. E sei que estraguei a nossa amizade para sempre. Mas o meu único objetivo nesta conversa era pedir-te desculpas. Desculpa Mara por todo o mal que te causei. Desculpa por ter não acreditado em ti. Desculpa por tudo.
—Sabes que isto é quase impossível de perdoar. – disse Mara em tom mais calmo – Tu magoaste-me como ninguém me tinha magoado. Nem quando eu e o Richard acabamos, me senti assim. Eu aceito as tuas desculpas, mas isso não quer dizer que te perdoo.
—Eu não te pedia mais que isso. Só espero que um dia me consigas perdoar e que consigamos voltar a ser amigas. – disse Ivy – Queres outra cerveja?
—Tenho de ir embora. Tenho aulas amanhã. – respondeu Mara – Adeus Ivy.
—Adeus Mara.
Mara saiu do bar. Pela primeira vez, em anos, sentia-se leve. Todo aquele rancor, todas aquelas palavras encravadas na sua garganta finalmente tinham saído. Finalmente ela tinha dito tudo aquilo que tinha ficado entalado naqueles anos.
Uma lágrima escorreu pelo seu rosto. Mas não era uma lágrima de tristeza. Era uma lágrima de alívio por finalmente estar livre de todo aquele rancor. Ivy pedira-lhe desculpas. Ela não admitiu, mas ficou feliz por Ivy o ter feito. Era verdade que não a tinha perdoado, nem sabia se algum dia a perdoaria, mas pelo menos tinham avançado um pouco.
Mara conseguia ver pela frincha da porta que a luz estava ligada. Benjamin estava em casa.
Mara abriu a porta e encontrou um Benjamin, sem camisa, sentado no sofá a assistir televisão.
—Olá Benjamin. – cumprimentou Mara fechando a porta – Já chegaste há muito?
—Há algum tempo. – respondeu Benjamin olhando para a amiga. Como sempre, ela estava linda – Onde estiveste?
Mara hesitou em responder. Ela sabia que Benjamin ia criticá-la por ir falar com a Ivy. Mas Mara também não era pessoa de mentir.
—Estive com a Ivy. – respondeu sentando-se ao pé do amigo.
—A sério, Mara? – perguntou Benjamin, encarando-a – Depois da discussão que tivemos, tu insististe em falar com ela. Depois de todo o mal…
—Eu sei, Benjamin. Eu não quero voltar a falar sobre este assunto. As decisões são minhas e mesmo que não aproves, tens de respeitar. Nós não concordamos em tudo.
—Isso não impede de tentar proteger-te, Mara. Fogo, tu sabes o mal que ela te fez.
—O melhor é eu ir dormir a casa de alguém. – disse Mara, levantando-se e pegando na sua mala pronta para sair. Mas Benjamin foi mais rápido, agarrando-a na mão e voltando-a para ele.
—Esta casa é tua, Mara. Não vás. – pediu Benjamin sem largar a mão de Mara. Ele gostava do contacto que tinha com ela.
—Eu só não quero que nós discutamos mais. – disse Mara em tom baixo.
—Nós não vamos discutir mais. Eu prometo. – prometeu Benjamin puxando Mara para si e abraçando-a.
Benjamin tinha realmente mudado. Mara conseguia sentir o abdómen de Benjamin. Para além de que o coração dele batia freneticamente. Quase que parecia que ia ter um ataque cardíaco.
Mara levantou a cabeça encarando Benjamin. Este também a olhava. O seu olhar alternava entre os belos olhos verdes de Mara e os seus lábios carnudos.
Por muito que Mara não quisesse, ela notou o que Benjamin estava a fazer. E, quase sem perceber, começou a fazer o mesmo. O seu olhar deslizou, lentamente, até aos lábios de Benjamin. A pequena cicatriz que Benjamin tinha por cima do lábio era perfeitamente visível aos olhos de Mara, naquele momento. Mara não sabia o que estava a fazer. Quando se apercebeu já os seus lábios estavam tão próximos dos de Benjamin que as suas respirações estavam completamente misturadas. E, como o destino já previa, Benjamin terminou com a distância que os separava. Mas Mara não o afastou. Mara beijou-o de volta. Um desejo carnal apoderou-se dela, naquele momento. Ela não queria pensar em consequências. Naquele momento, ela só queria beijar aquele homem à sua frente.
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