Coração Malandro

15 Capítulo 14


Notas iniciais
Boa leitura :)

Mara nunca fora pessoa de fugir a um problema. Ou de fugir depois de ter dormido com alguém. Mas, como costumam dizer, existe sempre uma primeira vez para tudo. E aquela tinha sido a primeira vez que Mara tinha fugido de alguém depois de ter dormido com ele.

Naquela manhã, Mara acordou com Benjamin, nu, a seu lado. As lembranças da noite anterior invadiram a mente de Mara. Ela lembrava-se perfeitamente do que tinha acontecido. O único álcool que circulava no seu sangue era de apenas uma cerveja. A culpa não era do álcool. Ela tinha feito aquilo porque quis. Mas agora não sabia como reagir. Agora não sabia como haveria de encarar Benjamin depois da noite que tiveram.

Mara pegou nas primeiras peças de roupa que encontrou e correu para a casa de banho para se vestir fazendo o mínimo barulho possível. Ela não queria acordar Benjamin.

Assim como não fez barulho para se vestir o mesmo aconteceu quando tomou o pequeno-almoço e saiu de casa.

A primeira aula que tinha naquela manhã era Economia Política. Enquanto se dirigia para a sala, Mara mandou uma mensagem para Marcella para almoçarem juntas. Ela precisava de falar com alguém sobre tudo o que tinha acontecido nas últimas vinte e quatro horas.

—A noite foi longa. – comentou Anthony quando encontrou Mara à porta da sala.

—Nem me digas nada. – respondeu Mara – Vamos?

Aquela manhã de aulas foi a que demorou a passar desde que Mara começou a faculdade. Ela não conseguia estar atenta por mais de cinco minutos seguidos. Ela bem tentou, mas foi impossível. As últimas horas não saíam da sua cabeça e não era pelas melhores razões.

Quem também notou que Mara estava diferente foi Alex. Quando a avistou, Alex cumprimentou mas Mara simplesmente não reagiu ao facto de ele lhe ter chamado boneca. Respondeu como se estivesse a falar com outra pessoa e seguiu o seu caminho em direção à saída da faculdade.

—Algo me diz que tens muita coisa para falar comigo. – comentou Marcella quando Mara chegou junto de si.

—E tens total razão nisso. – respondeu Mara.

Juntas seguiram para o shopping que ficava perto do escritório onde Mara trabalhava. A hora de almoço era curta e não convinha ir almoçar a um lugar mais longe.

—Então conta-me lá o que se passou. – pediu Marcella enquanto dava a primeira garfada.

—Falei com a Ivy ontem. – começou a contar Mara – Ela pediu-me desculpas e eu desculpei-a. Mas não a perdoei. Deixei-lhe isso claro.

—Ainda bem que ela viu o mal que te fez e desculpou-se por isso.

—Eu senti-me tão bem quando ela o fez, Marcella. Tu sabes o quanto ela era importante para mim e só o facto de me ter pedido desculpas deixou-me feliz. E também senti-me mais leve. Consegui dizer-lhe tudo aquilo que estava entalado.

—Sem violência? – perguntou Marcella.

—Sem violência. – confirmou Mara – Mas isto não é tudo. Aconteceu outra coisa ontem à noite. – disse em tom mais sério.

—Com a Ivy?

—Não. Com o Benjamin.

—Não me digas que voltaram a discutir por causa da Ivy, Mara? – perguntou Marcella.

—Voltamos. Mas isso ficou resolvido. – esclareceu Mara — O que aconteceu a seguir é que é o que te quero contar. Eu e o Benjamin dormimos juntos. – revelou.

—Dormiram juntos? Como assim? – perguntou Marcella para confirmar se tinha entendido bem.

—Da forma que tu estás a pensar. – respondeu Mara – Eu não sei o que se passou. Aquilo simplesmente aconteceu.

—Mas tu gostas dele?

—Claro que gosto dele, Marcella. Gosto dele como um irmão. Por isso é que eu não sei o que me deu. O que aconteceu foi simplesmente carnal. Foi apenas por causa do físico dele. Disso eu tenho a certeza. Mas agora não sei o que fazer. Eu não sei o que o Benjamin vai fazer. – confessou Mara.

—Mas vocês não falaram esta manhã? – perguntou Marcella. Mara baixou a cabeça. Não, eles não tinham falado aquela manhã porque Mara fora demasiado cobarde para o fazer – Não me digas que fugiste? Mara, o Benjamin é o teu melhor amigo.

—Foi exatamente por isso que fugi. Os melhores amigos não fazem o que eu e o Benjamin fizemos ontem. A menos que gostem um do outro de maneira diferente. O que não é o caso. Marcella, o que é que eu fui fazer?

—Mara não vale a pena martirizares-te. Aconteceu e não há nada que possas fazer que altere o que aconteceu. Agora, acho que deves corrigir o teu erro. Tens de falar com o Benjamin.

—Eu sei. – concordou Mara – Só não sei como vou fazer.

—Tenho a certeza que vais achar uma maneira. – encorajou Marcella.

O resto do almoço correu normalmente. Mara acabou mais cedo e teve que ir embora pois estava quase na hora de trabalhar.

O que nem Mara nem Marcella repararam era que existia uma terceira pessoa a ouvir aquela conversa.

Alex tinha reparado que Mara estava diferente naquele dia e queria saber o que se passava. Por isso achou por bem segui-la porque sabia que Mara nunca lhe diria o que se passava. Mas Alex não esperava que fosse o que tinha acabado de ouvir. Alex não esperava que Mara tivesse dormido com o amigo. E, pior que isso, Alex não esperava sentir-se do modo como se estava a sentir depois de ouvir o que Mara contou.

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—Parece que te passou um camião por cima. – comentou Nicole quando viu Mara entrar.

—Eu sei. Já fizeram questão de mencionar isso hoje, várias vezes. – respondeu Mara sentando-se em frente à sua secretária – O Alexander já chegou?

—Ainda não. – respondeu Nicole voltando ao seu trabalho.

Mara fez o mesmo que Nicole. Começou a trabalhar. Começou por organizar uns documentos que Alexander tinha de analisar.

Alexander apareceu pouco mais de uma hora, atrasado. Murmurou um breve boa tarde e seguiu para o seu escritório.

Por mais que não quisesse, Mara reparou que Alexander estava diferente, naquele dia. Normalmente, ele mandava alguma boca, a ela ou a Nicole. Mas, naquele dia, não o fez. Naquele dia, ele agiu como alguém que ele não é.

Mara levantou-se, segurou nos papéis que tinha estado a organizar e seguiu para o escritório de Alexander. Bateu de leve à porta e entrou logo depois de Alexander ter dito para ela entrar.

—Estão aqui os documentos do caso da Senhora Felicity. – disse Mara entregando os documentos a Alexander.

—Obrigado, Mara. – agradeceu Alex – Podes ir.

Mara não reparou, mas ficou completamente paralisada a olhar para Alexander. Ela suspeitava que se passava alguma coisa, mas o facto de ele lhe ter chamado pelo nome acabava de confirmar as suas suspeitas. Realmente passava-se alguma coisa. Alguma coisa tinha mesmo afetado Alexander House.

—Precisas de alguma coisa? – perguntou Alex vendo que Mara não se tinha mexido.

—Não. – respondeu Mara voltando-se para sair. Mas acabou por parar antes de abrir a porta – Está tudo bem? – perguntou.

Alex levantou o seu olhar até Mara, examinando-a. Mara nunca lhe tinha feito questões daquelas. Aliás, ela preferia manter a distância entre eles. Ela não queria confiança com ela. No entanto, ali estava ela, parada à sua frente, a perguntar se estava tudo bem.

—Claro que está tudo bem, boneca. – respondeu Alex sorrindo provocador – Preocupada?

—Nunca. – respondeu Mara. Sem que esperasse, sorriu. Ela não queria admitir mas tinha ficado aliviada por estar tudo bem com Alexander.

Mara saiu deixando Alex sozinho. O sorriso que aparecera há instantes na sua face rapidamente desapareceu. A última coisa que lhe apetecia fazer era sorrir. Ele não sabia o que se passava. A única coisa que sabia era que a conversa entre Mara e Marcella, a amiga com quem Mara estava a almoçar, não lhe saía da cabeça.

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Benjamin nunca pensou acordar daquela maneira, naquela manhã. Ele estava completamente sozinho em casa.

Ele lembrava-se perfeitamente do que tinha acontecido na noite passada. Para ele era impossível de esquecer. Durante um tempo negou mas a verdade era que já tinha admitido para si próprio que o que sentia por Mara era algo mais que amizade. E ele pensava que, depois do que acontecera na noite anterior, Mara também admitisse que o que sentia por ele era mais que amizade. Mas ele estava completamente enganado. A prova disso era Mara ter fugido à socapa durante a manhã.

A tarde de Benjamin foi passada da mesma maneira que todas as outras desde que voltara. Benjamin andava à procura de um trabalho mas a busca estava difícil. Nenhum estúdio estava à procura de novos fotógrafos.

Benjamin Lewis (16:48)

Hei :) Voltei para Seattle. Encontramo-nos no Black & White?

Oliver Danvers (16:49)

Há quanto tempo, bro :) Chego dentro de cinco minutos.

Benjamin conheceu Oliver na escola. Oliver sempre fora uma pessoa sossegada, alguém que vivia no seu próprio mundo. Era muito difícil alguém conseguir falar mais do que cinco minutos com ele. Mas tudo mudou no dia em que Benjamin impediu que Oliver sofresse um ataque de bullying. A partir desse momento, Benjamin e Oliver tornaram-se grandes amigos. Oliver era o seu grande confidente.

—Pensei que tinhas desaparecido do mapa. – disse Oliver abraçando Benjamin – Como é que estão as coisas?

—Neste momento, nem sei bem. – desabafou Benjamin.

—Estou a ver que precisas de falar. – observou Oliver ­– Quem é a autora desse teu olhar perdido?

—Como é que sabes que isto tem a ver com uma mulher? – perguntou Benjamin.

—Há quantos anos é que nos conhecemos? – perguntou Oliver sorrindo – Eu sei perfeitamente quando estás mal por causa de uma mulher. Para quem é que ligaste quando acabaste com a Romelia?

—Para ti. – respondeu Benjamin – Foi a Mara.

—A Mara? A pequena Mara? – perguntou Oliver, sem acreditar. Ele conhecia Mara e sabia a grande amizade entre ela e Benjamin.

—Sim. – confirmou Benjamin – Eu tenho tanto para te contar.

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—Achas que se eu for fazer uma visita ao Alex, ele se vai importar? – perguntou Nicole chamando a atenção de Mara.

—Conhecendo-o como conheço, acho que ele não se vai importar. – respondeu Mara voltando a atenção para o computador.

—Não sei. Tenho receio de estar a parecer demasiado oferecida. – disse Nicole

—Sabes que só pelo facto de quando ele te chama, tu estares completamente disponível já pode parecer isso. – observou Mara recebendo um olhar mortal por parte de Nicole – Desculpa Nicole mas é verdade. Tu sabes que ele só te está a usar. Ele não se importa realmente contigo.

—Isso é o que tu dizes. Parece é que estás cheia de inveja por eu já o ter tido e tu não. – provocou Nicole. Mas a única coisa que Mara fez foi gargalhar.

—Acredita no que quiseres. Se isso te faz sentir melhor pelo rumo que estás a dar à tua vida, isso é lá contigo. – respondeu Mara voltando a sua atenção, novamente, para o computador à sua frente.

—Eu vou até lá e vou provar-te que estás errada. Em tudo. – disse Nicole, levantando-se. Mas não precisou de dar um único passo pois Alex apareceu.

—Vou sair. Se o meu pai perguntar por mim, diz que eu tive de ir resolver umas coisas. – disse Alex dirigindo-se a Mara.

—Está bem. – disse Mara.

Alex saiu sem notar Nicole. Esta voltou para a sua secretária e não trocou mais nenhuma palavra com Mara.

Mara sabia que podia ter arranjado ali uma inimiga. Ela não queria isso. Ela queria que os seus dias no escritório fossem o mais normal possível. Mas depois do que disse a Nicole, Mara achava que isso não ia voltar a acontecer.

Chegadas as dezoito horas, Mara começou a arrumar as suas coisas para sair. Nicole tinha saído há cerca de cinco minutos e nem sequer se tinha despedido dela.

Quando chegou ao exterior, Mara reparou que se tinha esquecido do seu telemóvel. Frustrada por ter de voltar para trás, Mara caminhou de volta.

Quando chegou ao andar pretendido, Mara começou a ouvir uns barulhos estranhos, o que era estranho visto que só o dr. House é que estava a trabalhar aquela hora.

Mas quanto mais se aproximar, mais familiares lhe pareciam aqueles sons. Ela sabia perfeitamente o que se estava ali a passar. Ela só estranhava porque não tinha visto Rebecca House a entrar no edifício.

A porta do escritório de Bryan estava um bocado aberta e Mara acabou por ver o que nunca pensou ver. Não era Rebecca que estava com Bryan. Era Cheryl DiLaurentis. Ela e Bryan tinham um caso.

Chocada pelo que tinha acabado de ver, Mara pegou no seu telemóvel e saiu dali o mais rápido possível. Pelo menos era isso que ela queria fazer. Quando estava a alcançar o elevador, Alex apareceu.

—Por aqui ainda, boneca? – perguntou Alex com um sorriso de lado.

—O que é que estás a fazer aqui? – perguntou Mara, sem esconder a cara de medo que estava naquele momento.

—Eu trabalho aqui. – respondeu Alex mostrando o óbvio.

—Sim, eu sei. – respondeu Mara – Mas a hora de expediente já acabou.

—Calma boneca, eu só vim terminar o trabalho que deixei por terminar. Eu tenho que ver o arquivo da Felicity Brown.

—Acho que devias deixar isso para amanhã. – disse Mara indo atrás de Alex. Este continuava a andar, dirigindo-se para o seu escritório.

Mara sabia o que ele veria. Qualquer pessoa que entrasse ali veria Bryan e Cheryl. Por muito que Mara desgostasse de Alex, ela sabia que ninguém merecia ver o pai a trair a mãe. Mara sabia que só havia uma alternativa para evitar aquilo. E decidiu fazê-la. Aproximou-se de Alex e beijou-o. Começou a empurra-lo em direção ao seu escritório, batendo na sua secretária para que Bryan reparasse que estava ali mais alguém.

Alex não esperava que Mara fizesse uma coisa daquelas. Não depois do que ouviu na hora de almoço. Mas não era por isso que ia negar o beijo dela. Porque ele queria. Ele sabia que há muito que queria um beijo de Mara. Por isso, sem pensar muito, correspondeu. Agarrou-a pela cintura e deixou que Mara o guiasse. Ele sabia para onde ela o estava a levar. Para o seu escritório.

Alex pegou em Mara, pelas pernas, e colocou-a em cima da sua secretária. Isto sem nunca a deixar de beijar. Ele não queria que isso acabasse. Mas, quando menos esperava, Mara afastou-o.

—Para Alexander. – pediu, sussurrando, Mara.

—Porquê boneca? Não estás a gostar? – perguntou Alex no seu tom provocador. O que Mara não sabia era que ele estava com medo que ela o deixasse ali.

—Larga-me, por favor. – voltou a pedir Mara, sem encarar Alexander.

Alex acabou por larga-la. Ele podia ter muitos defeitos mas não era homem de agarrar uma mulher à força.

Mara saiu do escritório a correr. Inicialmente, tudo aquilo era um plano. Um plano com o objetivo de Alex não ver o seu pai trair a sua mãe. Agora, o que Mara não esperava era que aquele beijo mexesse completamente com ela. De uma forma que nenhum outro beijo mexeu.

Notas finais
Que acharam da atitude da Mara? Acham que ela fez bem em fugir do Benjamin? E o Alex ouviu a conversa entre a Mara e a Marcella e não gostou nadinha do que ouviu...o que é que vocês têm a dizer sobre isso? E o que têm a dizer sobre o tão esperado beijo? Contem-me tudo nos comentários :) Beijos :)