Coração Indomável
23 Um Belo Paradoxo
Notas iniciais

Brasil Imperial
Século XIX
Uma jovem estava sendo preparada para mais um casamento arranjado com um dos vários colonizadores que viviam por ali. A bela nativa de nome Ceuci odiava todos os homens brancos que invadiram a sua terra e foram responsáveis por exterminar boa parte de sua tribo.
Então, por que hoje ela tinha que ser forçada a casar-se com um maldito colonizador e assassino?
Sem outra saída, Ceuci decidiu que iria fugir enquanto todo mundo estivesse na igreja a sua espera. Com a ajuda de sua irmã caçula Huilen, ela aproveitou a passagem do dia para a noite, acreditando que o deus do Sol“Guaraci” e a deusa da Lua “Jací” iriam protegê-la e lhe mostrar o destino certo.
No meio de sua fuga, o tempo virou, nuvens escuras dominaram o céu. A jovem fugia montada em sua égua fiel, correndo indomável cada vez mais para dentro da floresta, enquanto sentia a chuva só aumentar e tornar o caminho mais difícil. Quando estava a um passo de atravessar o rio, uma bala atingiu o animal,fazendo-a cair. Consequentemente, seu Noivo havia descoberto sobre sua fuga e juntou alguns homens da vila para capturá-la.
O vestido branco de noiva — que era para ser símbolo de sua virtude — estava todo encharcado e sujo de barro, mas nem isso a parou. A jovemnativa rasgou parte do tecido e retirou os sapatos elegantes que uma freira havia lhe forçado a vestir e, assim, continuou correndo descalço e usando toda força que suas pernas possuíam. Até que os homens montados em seus cavalos conseguiram encurralá-la.
Ceuci só tinha duas saídas: se render, ou se jogar nas águas escuras e tortuosas do rio Amazonas. Sem saída a jovem fecha os olhos e reza silenciosamente. Nesse instante um trovão retumba furioso, assustando os cavalos que derrubam os seus donos e fogem pela mata. Em seguida, algo impressionante acontece.
Um vulto preto, grande que se move tão veloz como um raio, surgi para salvá-la, fazendo o noivo e seus capangas caírem mortos ao seus pés.
Para Ceuci aquele dia ficaria marcado, como o dia em que o próprio Tupã com seu manto preto, cabelos brancos esvoaçantes e sua beleza incomparável, desceu do céu somente para salvar a jovem donzela. E essa historia se espalharia por todo o povoado e, em breve, para as outras tribos indígenas,dessa forma, ninguém mais ousaria tocar nela.
A partir daquele momento, se iniciou uma relação particular e estreita entre a inocente nativa e o Espírito da Chuva. Entretanto, com a mesma rapidez que a divindade surgiu em sua vida, ele teve que partir.
Passou-se mais alguns anos e Ceuci continuou a rezarpara que chovesse e ela pudesse reencontrar Tupã. Certo dia suas preces foram ouvidas e Ele retornou num dia de tempestade só para vê-la.
Curiosamente, algumas noites antes de seu caminho se entrelaçar com os da jovem humana, o misterioso homem conheceu uma Cigana que lhe fez uma profecia: “A garota da floresta... Ela é o seu destino.”
Por coincidência ou não, ele passou a pensar que a linda nativa poderia ser a garota que a Cigana lhe falou e que no passado atormentou tanto os seus sonhos. E isso, talvez, explicasse o porquê Ele se sentiu tão atraído por ela.
“Há outros povos pelo mundo que não me vê como uma divindade. Para eles sou um monstro. Um monstro da noite que vem para seduzir as donzelas e assassinar os seus homens. Certamente, eles não estão errados”, Tupã lhe contava a sua história e a jovem ria divertida e fascinada, mesmo não entendendo metade das coisas que ele lhe dizia.
Apesar de não falar a sua língua, de alguma forma inexplicável, a bela humana lhe entendia. Aliás, eles possuíam uma linguagem especial e particular que só ambos podiam compreender.
“É por isso que os meros mortais nos temem e nos invejam.” Ele parou e olhou para aqueles olhos pretos como a noite sem luar e aquele sorriso apaixonado, que era capaz de lhe fazer fraquejar. “Mas, você... Você é diferente deles.”
Eles haviam se tornado amantes, se encontravam nas noites de tempestade e se amavam. E não havia nada mais perfeito e bonito do que tê-la aqui em seus braços, com seus corpos nus entrelaçados, com o coração dela batendo tão forte contra o seu peito frio, penetrando a sua pele dura de mármore e o fazendo sentir como se o seu próprio coração morto pudesse voltar a reviver. E o sentimento era mais forte que o desejo por sangue. Talvez, por isso ele conseguiu manter sob controle o seu monstro interior e nunca ousou beber do sangue dela.
Poucas coisas nesse mundo poderiam lhe fazer tão fraco. Na verdade após ter se tornado um imortal, nunca mais aquela criatura foi capaz de sentir sentimentos tão humanos, como medo, dor, saudade e, o maior e mais perigoso sentimento, o AMOR. Em seus mais de 2 mil anos vivendo nesse mundo, nada seria capaz de deixá-lo de joelhos. Até que aquela inocente nativa surgiu em seu caminho,com o seu jeito radiante e cheio de vida. E, de repente ele se viu desejando-a para si, mesmo sabendo dos riscos.
Estar aqui ao lado da indomável Ceuci era como ter um pedaço do paraíso. Todavia, esse paraíso poderia ser ameaçado por seu irmão Aro, que não aceitaria ter algo ou alguém entre eles, que pudesse fazê-los fraquejar, que pudesse atrapalhar os seus planos de obter o poder absoluto.
Marcus, Aro e Caius tinham feito um pacto de lealdade e obediência para toda a eternidade. Eles venceram tantas batalhas, destronaram o CLÃ ROMENO e assumiram o poder supremo. Assim, eles passaram a ser conhecidos como os temidos Volturi, a família de vampiros mais antiga e poderosa que o mundo sobrenatural já conheceu. O trio nunca respeitou a vida humana, mas gostavam das ciências e das artes e, sobretudo, das leis.
A propósito, eles possuíam uma lei que era absoluta: – Guardar segredo sobre a existência de sua espécie. Ou seja, nunca se expor para os humanos, caso contrário o vampiro seria punido com a morte.
Por isso Caius sabia que precisava partir, antes que sua relação íntima com a humana fosse descoberta. Dessa vez, ele decidiu que iria partir para nunca mais voltar.
Então, segunda Ceuci, Tupã esperou que ela adormecesse para subir de volta aos céus, sem saber que havia deixado uma semente dentro dela. Em questão de dias, a jovem se viu grávida e sozinha. Uma gravidez totalmente diferente e isso se espalhou pela vila. No fim, a jovem acabou sendo rejeitada pela família e pelo povoado, não tendo outra escolha, senão se embrenhar pela floresta com a intenção de conseguir se refugiar no meio de alguma tribo indígena.
Huilen decidiu partir com a sua irmã. As duas chegaram às margens do rio Negro, dali pegaram uma canoa e seguiram seu trajeto até chegar onde as águas escuras se encontravam com as águas barrentas do Rio Solimões.
E foi nas margens do rio Solimões que Ceuci deu a luz a Nahuel. Infelizmente, ela não resistiu ao parto. E Huilen se viu tendo que assumir o lugar de mãe e entender que o bebê não era normal, especialmente após ele mordê-la.
Eventualmente, Huilen passou pela terrível transformação, sua vida mudou drasticamente, mas ao menos ela acabou se tornando a guardiã de Nahuel. Posteriormente, os dois acabaram encontrando um refúgio com os Ticunas.
Levaria quase 100 anos, para que pai e filho se conhecessem...
Naquele dia tinha caído uma tempestade tão forte, mesmo assim, Nahuel e alguns Ticunasbravos saíram para caçar a criatura que estava causando muitas mortes na região. Por ironia do destino, a tal criatura era um vampiro nômade que, estava sendo caçado também pelos Volturi.
Caius que havia sido enviado para liderar a tal missão, resolveu parar atrás de uma árvore e observar a luta que se desenrolava a alguns metros dele. E ficou fascinado pelos movimentos habilidosos de Nahuel enquanto ele enfrentava com violência e coragem o outro vampiro, que era bem mais experiente e brutal.
Mas, mesmo que o jovem indígena fosse ágil, em algum ponto da batalha, ele cedeu ao cansaço dando vantagem para o inimigo conseguirvencê-lo. O inimigo tinha uma habilidade especial capaz de fazer um órgão vital do corpo humano, simplesmente parar de funcionar.
Nahuel caiu no chão, sentindo o seu coração começar a bater muito fraco. O inimigo riu se achando tão vitorioso, estava tão distraído que não viu Caius se aproximar atrás dele e, com um golpe certeiro e mortal, decapitar a sua cabeça.
Agora a sua missão havia sido concluída com sucesso. Caius estava pronto para retornar à Volterra. Mas, primeiro decidiu dar um fim decente ao jovem nativo que estava agonizando.
“Tupã... Pai... Você veio me buscar?!” Não foram apenas aquelas palavras que lhe paralisaram, foi o choque de olhar para a face do jovem e constatar a imagem e semelhança de Ceuci. Além disso, o corpo humano que havia sido tão machucado durante a batalha, rapidamente foi cicatrizando diante das suas íris vermelho-escarlate. Logo, o coração de Nahuel voltou a bater normalmente, lhe dando uma prova viva de que não estava diante de um mero mortal.
“Sim. Ele é seu filho. Seu e de Ceuci.” Ele precisou ouvir a confirmação dos lábios de Huilen que agora havia virado uma vampira. Ela era a única testemunha do romance do Volturi com uma humana, que lhe rendeu um fruto.
Daquele momento em diante, Nahuel se tornaria o seu verdadeiro calcanhar de Aquiles. E o seu calcanhar de Aquiles precisava ser protegido, sobretudo, dos olhos ardilosos de Aro.
LEAH
De tantas coisas bizarras que ocorreram ao longo dos meus vinte e dois anos, nada seria comparado com este momento assustador e medonho. Para começar eu me vi parada olhando para o meu próprio corpo nu deitado inconsciente, enquanto algumas mulheres Ticunas pintavam cada canto de minha pele de vermelho, preto e branco e desenhavam vários símbolos indígenas que eu estava aprendendo ainda a decifrar. Aliás, a única coisa que cobria minha pele eram as pinturas.
“O que está acontecendo aqui? O que vocês estão... fazendo comigo?!” Porém ninguém me respondeu.
Olhei a minha volta reconhecendo o lugar. Estávamos num dos pavilhões que usavam para guardar seus artesanatos. Zafrina e Senna estavam a minha frente apenas me observando, enquanto Huilen e Kachiri ajudavam a preparar o meu corpo para o... tal Ritual.
De repente, um pensamento impertinente me surgiu: “Seria esse um ritual funerário? Eu morri?”
Não. Não era um ritual funerário, porque eu já tinha assistido um e com certeza não era assim. Voltei a olhar para o meu corpo, reparei que eu tinha uma expressão serena no rosto, como se tivesse dormindo profundamente.
“Não tenha medo, Leah! Você é forte.” Me virei imediatamente para me deparar com mulher Ticuna que eu nunca tinha visto antes.
“Quem é você?” Seu corpo também estava todo todo pintado igual ao meu.
“Uma mensageira. Ou talvez, simplesmente um espírito livre que veio lhe fazer companhia.” Ela olhou no fundo dos meus olhos. De repente, senti que estava sendo atraído para dentro de suas íris pretas e, por algum motivo inexplicável, senti que a conhecia de algum lugar. “Nós já nos conhecemos?”
“Talvez.”
“Só isso? Talvez?!” Isso me frustrou. “Você tem um nome?”
“Para os nativos daqui, sou chamada de Ceuci, a Mãe das Estrelas.” Eu fiquei fascinada por toda aquela história. “Mas para os Quileutes sou conhecida como uma força invisível... Um Coração Indomável.” Ela continuou a me surpreender.
“Como Chiara?”, perguntei e Ceuci sorriu em resposta.
Se eu estava sonhando com uma das minhas vidas passadas, isso significava que... algo ruim estava prestes a acontecer.
As mulheres começam a cantarolar uma música indígena na língua Ticuna. Nesse instante, vi um vulto se aproximar do meu corpo que ainda estava inconsciente.
“Você já está pronta para o ritual. É hora de despertar e enfrentar o seu destino!”, ele me sussurrou no meu ouvido, fazendo meu corpo se levantar e se mover, como se eu fosse uma marionete nas suas mãos.
“Utlapa?! O que ele está fazendo aqui? E o que está acontecendo comigo?” Subitamente, me vi encarando a mim mesma... Era como se tivesse tendo uma experiência fora do meu corpo.
Talvez, eu tenha morrido e virado um espírito errante.
“Vamos, o ritual já está começando.” Senti que estava sendo empurrada por Ceuci. Nós começamos a seguir Utlapa e a LEAH zumbi, até chegarmos onde havia uma grande roda com o povo Ticuna. O próprio Edward Cullen também estava ali como um mero espectador.
Eles abriram passagem para que meu corpo Zumbi fosse parar no meio da roda, ao lado de Nahuel que me deu um olhar estranho, depois se virou para falar com a sua tribo. Nesse momento, Utlapa já havia desaparecido.
“Hoje iremos testemunhar uma batalha entre o bem e o mal”, assim que Nahuel disse essas palavras, a minha versão Zumbi se virou para a escuridão e rosnou. “O Bem está em Tupã.” No mesmo instante, um trovão retumbou pela Selva Amazônica, demonstrando sua fúria e, das sombras das árvores, surgiu uma criatura vestida toda de preto. Não podia ver seu rosto e isso me deixou tão intrigada e nervosa. “O Deus do Trovão veio para salvar a sua tribo e derrotar Anhangá”, continuou o híbrido agora agindo como o Pajé. “Anhangá é traiçoeiro, pode se transformar em qualquer animal e nos enganar.”
Nesse momento, a outra LEAH se transformou na loba Cinza e estava pronta para enfrentar aquele sanguessuga, que Nahuel tolamente chamava de Tupã.
“A partir daqui a sua jornada será perigosa e mortal, pois os caminhos entre o bem e mal irão se entrelaçar e se confundir”, Ceuci tentou me alertar.
De fato uma batalha brutal se seguiu entre Anhangá (a Loba Cinza) e aquele vampiro.
O pior e mais angustiante de tudo, era estar aqui somente como uma mera espectadora, sem poder interferir. Era uma sensação tão terrível.
“Aqui estamos nós, renascidos como inimigos naturais. Destinados a se confrontar até a morte.” Então, pela primeira vez, ouvi a voz do meu inimigo. Sua voz era tão sedutora e, ao mesmo tempo, cruel. “Hoje a noite você irá se render, ou irá morrer.”
Instantaneamente, vi seu rosto e o reconheci como o vampiro que atormentava meus pesadelos.
“Não! Pare! Caius, não machuque ela!” Edward tentava se livrar das mãos de Zafrina e Kachiri que estavam o impedindo de me ajudar. “Nãoooo!”, seu grito foi tão assustador quanto a cena a seguir.
O vampiro de olhos vermelho-escarlate saltou sobre mim e fincou suas presas em minha jugular. A mordida de vampiro era... venenosa, portanto seria fatal. Rapidamente, o veneno foi espalhando-se por cada célula de meu corpo até chegar ao meu coração.
Em contrapartida, os Ticunas começaram a festejar a minha morte enquanto reverenciavam aquele deus fajuta. Aquilo era a coisa mais medonha e terrível que presenciei no meu curto tempo de vida.
“Espera, Leah! O ritual ainda não terminou.” Ceuci me conteve, segui o seu olhar de volta para o centro da roda, onde ainda repousava o meu cadáver e onde se encontravam o Sanguessuga (Tupã) e Nahuel. Foi então que vislumbrei o híbrido cortar os seus pulsos e deixar o sangue escorrer para dentro de várias cuias. Depois as cuias cheias de seu sangue foram servidas somente para os homens considerados os mais bravos da tribo. Por fim eles beberam o líquido escarlate como se fosse vinho.
“Aí que nojo!”, murmurei perplexa e tensa ao ver Nahuel derramar uma das cuias com o seu sangue sobre o pescoço da Loba cinza. Imediatamente, o animal se transformou em humana. Fiquei em choque ao ouvir meu coração voltar a bater. “Mas, o que foi isso?”
“Um milagre, Chiara! Um milagre!” De forma súbita, ressurge Utlapa substituindo a voz e a presença de Ceuci. Ele me abraça por trás, fazendo-me sentir como se eu estivesse sendo abraçada pela própria escuridão. "Até mesmo um imortal cruel pode gerar vida. Pode gerar um milagre.”
Claro, agora eu havia entendido. O sanguessuga que os Ticunas veneravam como uma divindade, era o pai de Nahuel.
"Ele é uma grande ironia do destino e um belo paradoxo, não acha, Chiara?”
“Por que você está me mostrando isso?” Minha voz estava tão trêmula, demonstrando o quão assustada eu estava.
“Talvez, seja porque isso já aconteceu... Ou talvez, porque isso ainda irá acontecer." Ele me vira para que eu encare o seu rosto, suas mãos permanecem segurando meus ombros e seu toque permanece gélido, sufocante. "Mas, a verdade é que... o passado, presente e futuro estão se colidindo. No fim, a linha entre o bem e o mal irão te confundir. Então, para encontrar o que tanto procura, você precisará confiar no inimigo.”
“Se isso é algum conselho... Por que eu confiaria em você?” E mesmo apavorada, consegui achar um último resquício de coragem.
“Talvez você não tenha escolha.” Seus olhos cor de carvão continuavam a me arrastar para um precipício da qual tinha certeza que não conseguiria me salvar. “Mas, sinceramente... só há um conselho do qual você deve se lembrar até concluir a sua jornada... Você não pode fugir do seu destino.”
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“Leah, acordou.” Alice Cullen veio saltitante e parou ao lado meu lado. Eu me sentei sentindo o coração ameaçar explodir no peito e com vontade de vomitar.
“Se acalme, Leah. Agora você tá segura.” Olhei de canto para o marido de Alice que sempre tinha uma expressão de dor e que também era conhecido pela matilha como o General, ele usou da sua habilidade para me fazer aos poucos relaxar e aquele mal-estar foi se dissipando.
“O que aconteceu... comigo?”, indaguei ainda um pouco grogue, percebendo que Alice e seu marido trocaram olhares estranhos. “E o que vocês estão fazendo aqui?”
“Viemos atrás do Edward”, Assim que Alice me respondeu, meus olhos se desviaram para o vampiro telepata que estava quieto e tinha um olhar perdido.
Por um instante parei para reconhecer o lugar onde estávamos, constatando que era o mesmo pavilhão do meu pesadelo. Me levantei desesperada para fugir dali.
“É melhor você se acalmar!” Entretanto, a vampira vidente com a sua voz meiga e irritante, resolveu bloquear o meu caminho.
“Saia da minha frente!”, rosnei, mas logo a minha raiva foi sendo substituída por uma calma. A troca repentina de sentimentos soava forçada, então, mudei a minha atenção para o General e lhe dei meu olhar fuzilante. “Para de manipular as minhas emoções!”
“Sinto muito. Mas preciso te manter sob controle. Nós estamos em Território inimigo, um passo em falso e... ninguém sai vivo daqui.”
“Jasper tem razão. Nós não temos escolha, Leah", Edward resolveu se pronunciar com uma expressão humana de cansaço. "Mas eu prometo que nós vamos sair daqui. E eu vou te levar de volta pra casa."
"Eu não posso voltar." Parei sentindo um gosto metálico de sangue na boca e tive um pressentimento ruim.
"Não pode ou... você não quer voltar?" Então, Edward vê na minha mente sobre a Maldição de Utlapa, o motivo real que ainda me mantinha longe da minha família. "Jacob sabe sobre essa coisa de..."
"Não, ele não sabe e vai continuar sem saber. E é mais seguro para todo mundo que eu me mantenha longe." Dei um passo mais perto de Edward e o confrontei. "Por isso você não vai dizer nada para o Jacob, nem mesmo que me viu aqui.”
“Jacob se culpa pela sua partida. Você fez ele acreditar que foi tudo por causa do imprinting.” Ele retrucou com impaciência.
"Agora você se importa com os sentimentos do Jake?", o provoquei.
“Ei, fiquem quietos!” Jasper nos repreendeu com um olhar que me deixou inquieta. “Alice teve uma visão!”
“Nahuel está vindo para falar com todos nós.” Nós três olhemos para Alice que estava com os olhos arregalados e vidrados. “Mas, eu já sei o que ele vai dizer...” Ela fez uma pausa e olhou diretamente para mim e depois para o irmão. Ambos pareciam estar tendo uma conversa mental.
“Caius já tomou a decisão dele. Ele quer ter um encontro particular com... a Leah.”
“Quem é Caius? E o que ele quer comigo?”
Nesse instante, Nahuel apareceu. Seus olhos negros me olharam da cabeça aos pés, me forçando a dar um passo para trás quase tropeçando na barra do vestido rendado que eu vestia.
“Caius está lhe esperando. Mas, ele fez uma exigência...” Nahuel desviou o seu olhar para Edward, eles se encararam demoradamente. A tensão era palpável.
“Caius quer te ver em forma humana” , respondeu-me Edward. “Ele quer conhecer a humana LEAH, porque ele já teve um encontro com a loba cinza e... não foi bonito.”
Instantaneamente senti vontade de vomitar, sobretudo, porque o gosto de sangue ainda persistia em minha boca, como um lembrete tenebroso.
“O que você fez comigo?” Ergui meus olhos para confrontar Nahuel.
“Eu salvei a sua vida.”
“Eu preferiria ter morrido!”, esbravejei indignada. Naquele momento me senti tão violada, com raiva e com nojo. Queria chorar, queria gritar...
“Leah, eu sinto muito!”, Nahuel tentou se desculpar comigo, mas eu me sentia traída.
“Eu tinha confiado em você, mas você me enganou com a sua carinha angelical.”
“Eu fiz o que achei que era o certo. Eu não queria que você morresse. Eu quero provar para o meu pai que você não é uma ameaça.” Nahuel continuou tentando se explicar. Ele tentou tocar o meu rosto, porém o empurrei.
Edward me agarrou para me impedir de pular no híbrido e fazer uma grande merda. O pior era que eu estava vulnerável e a mercê deles.
“Você precisa ter em mente que Caius não é um vampiro comum.”, Nahuel continuou cuspindo um monte de avisos sobre o seu querido papai. “Ele é um Volturi e tem uma habilidade especial... Ele pode te persuadir a fazer qualquer vontade dele. E você não tem escolha... a não ser obedecê-lo.”
Caius Volturi
“Eu deveria arrancar a sua cabeça, Zafrina! Como você ousa trazê-los aqui?!”, o vampiro vociferava possesso, segurando o pescoço da vampira. “Eu confiei em você para proteger Nahuel. E o que você faz?!”
“Para com isso, Caius! Solta ela!” Se havia alguém que poderia fazê-lo ceder era seu filho e, mesmo assim, não era uma tarefa fácil.“Fui eu que permiti que ela trouxesse os Cullen aqui. E, em nenhum momento, me senti ameaçado por eles.”
Caius deu um passo para trás e deixou que o corpo pesado de Zafrina caísse no chão.
“Você realmente acredita que eles não são uma ameaça?” Ele caminhou até seu filho e o encarou, os dois se equiparavam em tamanho, mas se diferenciavam em força e poder, pois Caius era um imortal muito antigo e, praticamente, invencível. “Eles trouxeram consigo um inimigo para sua tribo! Ela deveria estar morta!”
“Leah não é um inimigo. E não foram eles que a trouxeram aqui. Eu a encontrei e deixei que ela ficasse. E eu quero que ela faça parte do meu Clã.”
“Leah! É esse o nome daquela fêmea?!” O nome lhe soou muito bonito, mas logo tratou de se livrar desse pensamento banal e focar no que de fato importava. “Eu não vou permitir isso! Assim como não vou permitir que os Cullen saiam daqui vivos!”
Caius estava determinado a impedir qualquer ameaça que colocasse em risco o seu segredo. Foi nesse instante, que Edward, Alice e Jasper surgiram em sua frente.
“Parece que temos algo em comum, Caius!”, Edward ousoudizer. “Compartilhamos de um mesmo segredo.” Nessa hora Caius soltou uma gargalhada sarcástica.
“Não seja ingênuo. Não pense que isso nos faz aliados”, ele cuspiu na cara de Edward, irritado com a sua presença. “Eu poderia simplesmente matá-los, ou fazê-los esquecer o que viram aqui.”
“Você não pode fazer isso, Caius!” Alice decidiu interferir,chamando toda a atenção do vampiro mais velho para si.
“Por que não?!” Ele virou o rosto para confrontar Alice.
“Num futuro próximo, eu vi uma guerra acontecer... Mas nessa guerra... você e Aro não estarão do mesmo lado.” Imediatamente, isso provocou tanto o pânico quanto a raiva de Caius que tentou atacá-la, mas foi impedido pelos dois vampiros e Nahuel.
“Me soltem!” Assim que as palavras saíram de seu lábios furiosos, os três homens foram persuadidos a soltá-lo. Num estalar de dedos, o Volturi tinha Alice presa contra uma árvore.
“Me diga o que mais você viu!”, ele rosnou mostrando suas duas presas de vampiro. Em resposta os olhos dela se arregalaram e suas pupilas se dilataram.
Nesse momento, o céu começou a se fechar e um vento forte se iniciou. Era um prenúncio para uma tempestade.
“É hora de encontrar quem você abriu mão... Encontre ela! Encontre ela! Encontre ela!” E a voz de Alice ecoou pela floresta, tão forte e nítida. “Encontre a garota da floresta.” Como se tivesse levado um soco no estômago, ele a solta e dá um passo desajeitado para trás, suas pernas de repente se sentiram moles, quase fazendo-o perder o equilíbrio. “A garota da floresta... Ela é o seu destino.”
{Continua...}
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