Coração Indomável
24 A Garota da Floresta
CAIUS VOLTURI
“É hora de encontrar quem você abriu mão... Encontre a garota da floresta.”
Isso lhe trouxe lembranças de sua vida ainda humana, de quando ainda vivia na Grécia Antiga e ainda podia dormir e sonhar. Naquela época, suas noites eram atormentadas pela visão de uma jovem mulher de pele acobreada e cabelos pretos tão compridos que o impedia de ver o rosto dela. Todas as noites em seus sonhos, Caius a via correndo, desesperadamente, pela floresta até chegar na beira de um penhasco, onde a garota parecia esperar por alguém. Ela estava sempre em sua cabeça, em seus sonhos e se tornaria a sua obsessão... Até o dia em foi transformado em um imortal e, enfim, os sonhos cessaram.
A jovem que no passado atormentava os seus sonhos, agora estava aqui diante dele e, dessa vez, ele podia ver o seu rosto tão nitidamente.
“A garota da floresta... Ela é o seu destino.”
LEAH
“Você está com medo?!” Sua voz tão forte e grossa me fez nervosa.
Era óbvio que estava com medo, meu coração estava martelando freneticamente no peito e era tão assustador, porque eu estava diante de um inimigo imprevisível que já havia demonstrado o quão perigoso poderia ser. Tenho um flashback da nossa batalha da noite passada e, por instinto, levei minha mão esquerda até o meu pescoço, pois a sensação dos seus dentes rasgando a minha pele ainda permanecia.
“Sinto muito pelo nosso último encontro.” Meus olhos se voltaram para ele e, momentaneamente, senti minhas pernas tremerem e meu coração bater ainda mais rápido, se é que isso era possível. “Acho que lhe causei uma péssima impressão.”
O Volturi agora está de frente para mim, revelando o seu rosto bonito e impecável, sua pele quase translúcida parecia combinar perfeitamente com o tom loiro platinado de seus cabelos compridos. Suas íris de tom vermelho-escarlate me causavam um arrepio por todo o meu corpo. Ele fingia que estava arrependido, mas no fundo sei que a criatura era egoísta e sádica.
“Não... não posso te deixar... me controlar assim!” Eu tropecei nas palavras e na barra do meu vestido que quase me fez cair, se não fosse pela rapidez e agilidade do Volturi ao me segurar em seus braços.
Foi inevitável não sentir a eletricidade que fluiu com a união de nossos corpos. Com ele tão próximo assim, instantaneamente senti um misto de medo e uma estranha atração que me deixou mortificada.
"Seu destino está entrelaçado ao dele. E em breve seus caminhos irão se cruzar."
"Como assim? Eu estou conectada a um maldito vampiro?"
"Assim como o seu destino está conectado ao de Jacob." A voz de Chiara ecoava na minha mente como uma lembrança assustadora.
O vampiro que apareceu para atormentar os meus sonhos, agora estava aqui bem na minha frente. E ele era bem real, com a sua postura refinada que escondia a sua verdadeira face.
“Me solta!”, esbravejei e tratei de empurrar o vampiro para longe de mim. “Nunca mais me toque assim!”
“Claro, senhorita Clearwater.” Ele mantinha uma postura elegante e tinha um sorriso arrogante que era extremamente sexy. “Fico feliz que nossos caminhos se cruzaram!”
“Não posso dizer o mesmo!”, cuspi a verdade.
“Edward tem razão. Você é uma Beleza Indomável.” Ele começou a andar em envolta de mim, como se fosse um tigre esperando o momento ideal para atacar a sua presa. “Achei a sua ousadia e petulância... bastante excitante." O sanguessuga me olhava com malícia e era muito desconcertante. "Mas se você fosse um mero humano, com certeza eu já teria arrancado a sua cabeça.”
“Você pode parar com o joguinho?! Fala logo o que você quer?”
“Certo. Você tem toda a razão. Vamos parar com toda a enrolação.” O sanguessuga se afastou um pouco me dando espaço para respirar. “Bem, você conheceu o meu filho. Agora sabe da habilidade especial dele. Um dom que a humanidade nunca poderá descobrir.”
Nesse caso o Volturi tinha razão. Realmente, a habilidade de Nahuel poderia ser usada para curar doenças, ou ressuscitar mortos como ele fez comigo. Era um dom incrível, mas que também poderia se tornar a sua Maldição.
“De um jeito ou de outro, preciso continuar protegendo Nahuel do mundo dos humanos. E também protegê-lo do meu irmão, Aro.”
Pobre Nahuel acabou nascendo em uma família bem disfuncional e repleta de sádicos.
“Por isso cogitei matar todos vocês. Mas...” Caius voltou a invadir o meu espaço, forçando-me a recuar na vã tentativa de impor uma distância segura entre nós. “Mas meu filho que tem um enorme coração como a mãe...”, ele admitiu com um tom que soava carinhoso, o que demonstrava que essa criatura não era completamente fria e ausente de emoções humanas. “Ele me convenceu a mantê-los vivos.” Lógico que este vislumbre de humanidade não durou muito. “Em troca... vocês irão me ajudar a alcançar o meu propósito.”
“Que propósito?!” O clima era de pura tensão.
“Primeiro de tudo, preciso reforçar a segurança de Nahuel. É por isso que coloquei o trio das Amazonas para proteger meu filho. E agora quero que você se junte a elas.”
Então, Zafrina, Kachiri e Senna eram guarda-costas do filho dele. Ele queria que eu fizesse parte disso também. Porque a sua espécie se tornava mais resistente quando vive em Clã.
“Porém, sei que um lobo só obedece a um Alfa.” E como se a situação já não estivesse ruim o suficiente, o sanguessuga italiano conseguiu torná-lo ainda pior. “Tudo bem. Eu posso me tornar uma... espécie de Alfa para você, querida!”
“Nunca!”, rosnei tomada por uma teimosia cega. “Eu já tenho um Alfa. E não me chame de querida!”
“Então, cadê o seu Alfa? Ele te abandonou, não é?” Ele tocou em meu cabelo.
Isso não era verdade. Minha mente foi dominada por lembranças de Jacob. Ele me deixou partir para que eu fosse livre e encontrasse a felicidade, mesmo longe dele. Entretanto, agora isso não faria mais diferença, pois estou sozinha em um país estrangeiro e cai nas garras do inimigo. Tentei fugir dele, mas acabei encurralada.
“Pare e apenas me escute!” Paralisei sob sua ordem. “Edward!” Nesse momento, o Cullen apareceu ao meu lado com uma expressão de ódio.
“Tínhamos um trato. Você não precisava nos forçar assim.” Seu maxilar travou e Edward fechou os punhos, enquanto os seus olhos se escureceram num sinal claro de fúria, porém foi forçado pelo Volturi a se conter. “Sinto muito, Leah.” Só que agora era tarde demais para se desculpar.
“O trato se mantém, mas resolvi mudar algumas coisas...” Ali o Volturi mostrou a sua verdadeira face calculista e inescrupulosa. “Vou te ajudar a proteger a sua família. Aro não vai tocar num fio de cabelo de sua filha. Entretanto...”
Nesse instante, os olhos dourados de Edward se tornaram vidrados e seu corpo ficou lá feito uma estátua, enquanto o Volturi para atrás dele e começa a sussurrar no seu ouvido.
“Você vai esquecer tudo o que viu e ouviu aqui. Você esquecerá tudo sobre Nahuel. Agora é hora de retornar para sua casa e dizer a todos que fez um pacto com os Volturi para proteger a sua filha. Depois você e sua irmã partirão comigo para Volterra.” Edward agora havia virado uma marionete na mão de Caius. “Vão, vão embora e nunca mais voltem aqui!” E assim, a sua vontade prevaleceu.
Edward desapareceu, deixando-me sozinha com aquele vampiro manipulador. Me arrependi de reclamar tanto dos Cullen. No fundo, queria ter ido embora com eles, porém agora eu estava presa em um beco sem saída.
“Como você pode ver…” O Volturi flutuou até parar a dois passos de mim. “Compartilhamos do mesmo sentimento. Não gostamos dos Cullens. Mesmo assim, reconheço que todos nós temos um objetivo em comum: Somos capazes de fazer até o impossível para proteger a nossa família.”
Por um instante, ficamos apenas nos encarando em silêncio, enquanto um pensamento se tornava constante em minha mente. Minha família era tudo o que tinha de mais valioso e imutável em minha vida. Para protegê-los, eu seria capaz de qualquer coisa... Até mesmo se aliar ao inimigo.
“No fim, a linha entre o bem e o mal irão te confundir. Então, para encontrar o que tanto procura, você precisará confiar no inimigo.” Ironicamente, me vi seguindo os conselhos de Utlapa.
10 Anos Depois
JACOB
O trânsito de Seattle estava um verdadeiro inferno, havia acontecido alguma coisa na estrada, assim, paralisando todo tráfego de automóveis que passavam exatamente por aquela avenida, nos forçando a ter que retornar e seguir por outra rua. Obviamente, isso acabou por nos atrasar ainda mais.
“Mas que merda!”, praguejei apertando furiosamente o volante do carro. “Isso tinha que acontecer justamente hoje?!”
"Tenha calma, Jake! Nós chegaremos a tempo!" Quil que estava sentando no banco do passageiro, tentava me tranquilizar e ser positivo. Ele só estava indo comigo porque estava interessado numa das bailarinas que era amiga de Nessie.
"Eu prometi que ia estar lá, sentado na primeira fila pra vê-la brilhar naquele palco. E mais uma vez... não vou conseguir cumprir essa promessa." Continuei a dirigir irritado por ter me atrasado.
Quando chegamos a apresentação já havia começado, o Teatro estava lotado, a música clássica tocava ao fundo, enquanto um silêncio dominava a plateia que estava completamente atenta a cada movimento dos corpos perfeccionistas dos bailarinos. Por sorte Sue havia conseguido guardar um lugar para nós, mas infelizmente não foi na primeira fila.
Logo, meus olhos encontraram a única bailarina que importava. Ela estava linda, vestida de branco, rodopiando nas pontas dos pés, flutuando leve como se fosse um passarinho, cada movimento de seu corpo era delicado e preciso. Enquanto Renesmee dançava sempre tinha uma expressão apaixonada no rosto.
Como ela mesmo dizia: “Balé é uma das minhas grandes paixões... Assim como você, Jake." Pensar sobre isso me deixou tonto e confuso. Imediatamente, tentei espantar esse pensamento para longe e apenas me concentrar no que realmente era importante, como por exemplo: Ela tem uma presença de palco incrível que era hipnotizante. Vendo-a ali radiante, como um lindo raio de sol, aqueceu meu coração e me fez se sentir tão orgulhoso.
"Jake, você sabe que não precisaria ter que se atrasar, se apenas relaxasse mais e deixasse que os outros caras fizessem o resto do trabalho. Afinal, eles são pagos pra isso!" Tive que ouvir mais um sermão de Bella, assim que a apresentação acabou. Ela estava acompanhada da vampira Barbie e de Emmett.
"Eu sei, eu sei", falei dando de ombros.
"É que como expandimos a nossa empresa para Seattle, o trabalho também se multiplicou." Emmett decidiu interferir na conversa. Com o tempo nos tornamos amigos e, posteriormente, sócios. "E vocês sabem... Jake às vezes é muito obcecado, não gosta de deixar um serviço mal acabado." Ele jogou um de seus braços pesados sobre os meus ombros, num abraço camarada que mais parecia um aperto de urso.
O pior era que Emmett tinha razão. Mesmo sendo o meu próprio chefe e tendo uma equipe qualificada que poderia dar conta do recado, eu sempre acabava colocando a mão na massa, especialmente quando chegava algum veículo diferente ou mais avançado, com peças difíceis de manusear ou que exigisse um cuidado minucioso. E, às vezes, ficava tão preso na minha Oficina mecânica que esquecia do mundo lá fora. Sem contar a responsabilidade que ainda tinha como o Lobo Alfa da matilha.
"Então, o garoto lobo, agora se tornou um homem de negócios!", ironizou Rosalie.
"Não. Na verdade você quis dizer... um Workaholic!" Quil se juntou aos outros para me provocar. "Não é mesmo, Chefe?"
"Ha, ha, ha... Tá querendo ser demitido?" Ri da sua cara chocada, depois me recompus, decidido a enfrentar qualquer crítica. "A verdade é que nossa empresa cresceu. E aqui em Seattle tem nos dado mais lucros. Portanto, é natural toda essa minha... dedicação."
"Mas seria bom se essa dedicação, também fosse para outras coisas mais importantes em sua vida", Bella falou fazendo um sinal na direção de Nessie, que segurava dois buquês de flores enquanto conversava com Charlie e Sue, até que seus olhos castanho-chocolate se cruzaram, por um breve momento, com os meus.
"Acha que ela... tá chateada comigo?" Dei um olhar rápido para a Bella que me olhava com um olhar que às vezes me deixava desconfortável.
"Sei que Nessie estava muito ansiosa pra te ver hoje aqui. E se você não viesse, ela ficaria de coração partido." Bella sempre conseguia me fazer se sentir o pior cara do mundo. “Já chega que o Edward... nunca está por perto.”
Após o nascimento de Renesmee, Edward acabou se juntando a Guarda Real dos Volturi. O motivo da sua partida foi porque Alice teria previsto um futuro terrível para todos nós. E a única forma de impedir esse futuro trágico, era se ambos os irmãos partissem para Volterra. E por isso a família Cullen estava incompleta.
“Oi...” Renesmee surgiu fingindo timidez. “E então... o que acharam do espetáculo?” Seus olhos brilhavam de expectativas.
“Foi lindo. Ainda mais com uma bailarina tão fofa como você”, a elogiei tentando demonstrar o quão orgulhoso eu estava dela e em resposta Nessie me deu um sorriso doce.
"Eu tô feliz que uma das minhas pessoas favoritas estava na plateia." Ela entrelaçou a sua mão na minha e parecia tão entusiasmada.
“Ah, o amor adolescente é um porre!” Eu ri com o comentário de Bella que fez Nessie mostrar a sua língua.
“Você era pior, Bella!”, Rosalie resolveu provocá-la. “Uma garota problemática.”
“Agora ela virou uma vampira amargurada... sem o Edward.” Emmett continuou com a provocação e ganhou um soco no braço da própria Bella.
“Eles são tão maduros!” Enquanto Nessie ria distraída, aproveitei para pegar no meu bolso um presente que tinha comprado especialmente para esse momento, porém antes que lhe entregasse, fomos interrompidos por Charlie e Sue que, rapidamente, vieram para se despedir da neta.
“Eu tô tão feliz que vocês também vieram.” Ela se jogou nos braços do avô toda entusiasmada. “Na verdade eu estou feliz que estamos todos aqui. Aliás, nós deveríamos aproveitar esse momento e sair pra jantar.” A garota realmente estava tentando forçar uma reunião, que eu sabia que nunca iria acontecer.
“Ah, querida… nós adoraríamos… mas não podemos…” Charlie passou a mão nervosamente nos cabelos grisalhos, se sentindo desconfortável por ter que decepcionar a neta. “Talvez, uma outra hora.”
“E por que não hoje?”, Bella se intrometeu a argumentar, encarando firme o seu pai. “A manhã é domingo, todos vão estar de folga.”
“Ah, infelizmente, meu turno começa cedo amanhã no hospital.” Sue sem hesitar deu uma justificativa mais plausível. "Eu não vejo a hora de chegar em casa, tomar um banho e me jogar na cama."
“Enfim, nós só queríamos dizer que estamos muito orgulhosos de você.” Charlie abraçou mais uma vez a neta.
“Pai…” Mais uma vez, Bella fez uma última tentativa de interagir com ele. “Não acha que já passou da hora de superar o passado?”
“Mas eu já superei.” Charlie decidiu responder, abaixando o tom da voz para não chamar a atenção, pois o teatro ainda estava movimentado. “Eu já superei há cinco anos, quando decidi que estava na hora de aceitar que a Minha Filha morreu há dez anos, ponto final. E agora eu tenho uma nova família e uma vida inteira pela frente para aproveitar.” Ele se reaproximou de Sue e beijou uma de suas mãos. “Eu acho que é VOCÊ que precisa superar isso!”
"Ei, eu não quero ver vocês brigando." Nessie tentou interferir, mas o clima já tinha azedado.
"Me desculpa, querida!" Charlie se desculpou e depois eles se despediram desajeitadamente.
A relação de Charlie e Bella ao longo dos anos só desandou.
Tudo começou há cinco anos, quando Charlie estava voltando de uma patrulha e quase sofreu um acidente de carro ao bater em alguma coisa enorme e tão forte que foi capaz de amassar totalmente a lataria do carro de polícia e fazê-lo quase capotar. O acidente foi causado por causa de um jovem Lobo que havia acabado de se transformar. A batida fez com que o animal e a sua parte humana entrasse em conflito por ainda não saber como se controlar. Foi nesse momento, que o Xerife testemunhou a nossa magia Quileute.
Por conta disso, decidi quebrar o nosso protocolo e revelar toda a verdade ao pai da Bella. Contrariando o Conselho, resolvi trazer Charlie para a noite da fogueira e ali revelamos todos os nossos segredos. O homem a princípio ficou chocado e tão assustado, ainda mais quando decidi me transformar bem na sua frente no Lobo castanho-avermelhado.
Confesso que foi um alívio poder contar toda a verdade, foi como tirar um peso dos ombros. E foi bom para Sue também que pode assumir uma relação romântica com ele e, posteriormente, dar o próximo passo (o casamento) sem ter que esconder mais nada dele. Pensamos que tudo tinha sido feito e dito e que tudo estava bem e tranquilo entre nós. E estava. Até que um certo dia, sua filha Bella decidiu retornar a Forks e visitar o pai.
Isabella foi egoísta e teimosa e se aproveitou da ausência de Edward para tomar essa decisão tão arriscada e perigosa, ainda trouxe consigo Renesmee que naquela época ainda era apenas uma criança, que também desejava conhecer esse avô humano e ter contato com esse outro lado da sua vida.
Foi um choque terrível para o Xerife Swan descobrir, daquela forma tão abrupta e irresponsável, que a sua filha tinha se transformada numa vampira. Para complicar ainda mais, ele descobriu que tinha uma neta semi-humana. Naquela época Nessie só tinha 7 anos, mas tinha a aparência de uma menina de uns 11 ou 12 anos, estava num processo acelerado de desenvolvimento que nos assustava e até hoje me assusta. Então, era lógico que para a mente humana e cheia de dúvidas, de solidão e de dor, toda essa informação seria um absurdo.
Entretanto, a presença de Nessie conseguiu, rapidamente, conquistar o seu coração e o homem a aceitou como sua neta. A garotinha sempre seria bem-vinda em sua casa, porém para Bella a situação foi outra.
"Será que ele nunca vai me perdoar?"
"Talvez um dia, Bells. Porém, você precisa aprender a ser paciente e parar de ser impulsiva." Tentei dar algum apoio moral, sendo sempre o seu ombro amigo.
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Depois de sairmos do Teatro, decidimos ir numa pizzaria ali perto. E bem, nós tentamos curtir o final da noite comendo pizza e bebendo. E foi meio bizarro e engraçado ter que ver Bella tendo que se comportar o mais humanamente possível, até mesmo se esforçando a comer alguns pedaços de pizza. Emmett e Rosalie decidiram curtir a noite sozinhos em outro lugar e nos abandonaram.
Enfim, continuei confraternizando com o mundo de Nessie que era composto pelo seu grupo de balé e a sua Professora que, após beber alguns copos de cerveja, passou a flertar comigo. Tentei levar na esportiva, vez ou outra retribuindo com bom humor as investidas descaradas da mulher. Ela estava agindo muito diferente do habitual que costumava ser rígido e sério, agora parecia despreocupada da vida. Isso me fez invejá-la. Ou melhor, invejar qualquer humano comum que pode fugir um pouco da realidade e ficar um pouco bêbado.
Em contrapartida, brincar de flertar com a Professora de Nessie, não foi uma boa ideia, pois logo comecei a ganhar alguns olhares ameaçadores de Bella e alguns olhares irritados de Nessie.
“Uau, parece que alguém conseguiu irritar mãe e filha”, provocou Quil me dando uma cotovelada em minha costela que doeu.
“Qual é o seu problema?!”, chiei.
“Particularmente, nenhum! Na verdade por mim é divertido vê-lo agir como um cara normal, flertando com uma mulher mais velha e gostosa...”, seu comentário idiota acabou sendo ouvido por Nessie que me deu um olhar magoado.
“Nessie!” Ela ignorou o meu chamado e saiu às pressas da mesa sem se despedir de ninguém.
“Droga! Você nunca conseguiu segurar a sua língua”, resmunguei apertando furioso a lata de cerveja que ficou toda amassada.
“A culpa não é dele, Jake. É sua”, Bella foi direta e dura enquanto também se levantava da mesa. “Vou esperá-la em casa. E é melhor que a traga com segurança.” Bella resolveu ir embora, me deixando sozinho para resolver a situação que sem querer acabei criando.
"Boa sorte, Jake." Quil me deu um tapinha camarada no meu ombro, antes de sair para namorar com a amiga da Nessie.
Saí da pizzaria já se deparando com uma noite fresca e com um céu tão escuro acompanhado de poucas estrelas. Estávamos entrando na Lua Nova. Aliás, para o meu povo a Lua Nova representava um novo começo para muitas coisas e era também o inicio de muitas mudanças, sejam elas boas ou ruins. Ter consciência disso, me fez se sentir tão inquieto.
Caminhei por pouco mais de cinco minutos, até chegar no lugar onde sabia que iria encontrá-la, ficava num dos principais parques da cidade, onde também se encontrava o Píer que dava acesso ao mar. No verão costumávamos fazer piquenique aqui e, por muitas vezes, Nessie também usava para treinar seus passos de balé ao ar livre, ou apenas nos sentávamos aqui para observar o pôr do sol. E foi ali que a vi.
No entanto, ela não estava sozinha, estava acompanhada de um cara que logo reconheci ser o seu parceiro de dança. O mesmo cara que já tinha deixado claro, pelo menos para mim, o quanto estava a fim dela. Parei no meio do caminho na dúvida se deveria prosseguir ou recuar.
Para os humanos que desconheciam a existem de nosso universo sobrenatural, ela era uma jovem universitária de 20/ 21 anos na flor da sua idade, com a liberdade para paquerar e namorar quem quiser e, naturalmente, também sofrer decepções. Bem isso era o que Nessie queria vivenciar em sua vida mortal, só que por muitas vezes, ela se esquecia que era também metade vampira, ou seja, ser apenas um Mero Mortal era impossível.
Olhei novamente para o par que estava a cerca de alguns metros de mim, foi quando vi um beijo acontecer. Uma parte minha estava gritando de raiva, fechei os punhos e decidi me controlar.
A última vez que tivemos uma discussão grave ainda estava fresca em minha mente. Foi há uns 2 anos quando a encontrei numa festa do colegial, beijando um garoto aleatório de uma forma nada inocente. Eu não só interrompi o momento do casalzinho, como também causei o maior terror entre os adolescentes que passaram a ter medo de se aproximar dela.
“Você tem que parar de agir como se fosse o meu pai. Eu já tenho dois: Edward que nem posso chamar de pai e o Carlislie.”
Isso era um fato inegável, pois como Edward e Bella serão eternamente jovens, eles nunca poderão assumir Renesmee Cullen como filha, pelo menos no mundo dos mortais. Obviamente, esse papel ficou para o Doutor Presas e a sua esposa.
“Então, você pode parar de querer me controlar, ou ser o meu dono.”
Consequentemente, a garota hibrida se sentiu isolada e rejeitada pelos amigos e me culpou por isso. Quer dizer, os caras sempre se sentiram intimidados por mim e suas amigas achavam que namorávamos em segredo, porque na época eu era um Universitário prestes a se formar.
“Eu nunca quis ser o seu dono, nem seu pai. No máximo sou irmão mais velho.” Naquela época tentei explicar isso, mas não foi suficiente.
“Você não é o meu irmão e nem é da minha família.”
“Mas, sou o seu PROTETOR! E caso você tenha esquecido, a minha vida e a sua estão ligadas até a morte. E eu também não escolhi isso!”
Lembro-me perfeitamente da raiva que sentia naquele momento. Foi a primeira e única vez, que havia gritado com a minha imprinting e isso me causou tanta dor física e mental que chega ser difícil descrever.
“Eu também queria ser um cara normal, viver a minha vida, sem ter que me preocupar todos os dias com você. E se eu pudesse ter escolhido… eu… eu teria…”
Eu teria escolhido ir embora com a Leah. No entanto, nunca me atrevi a dizer essas palavras em voz alta, apenas tenho mantido esse pensamento comigo. Um pensamento que até hoje vive a me atormentar.
O fato é que depois dessa briga com a Nessie, resolvi seguir os conselhos de Carlislie e decidi dar espaço para a garota, parei de invadir tanto a sua vida, principalmente depois que ela foi pra Universidade e começou a sua FASE ADULTA. Afinal, se ela pudesse ter uma vida normal e fosse bem sucedida nisso, eu também estaria feliz e, talvez… Apenas, talvez… Eu também pudesse tentar ter uma vida normal.
“Para! Me solta!” Sai dos meus devaneios, assim, que ouvi a minha imprinting gritar. Quando retornei meus olhos para o par, me surpreendi ao ver o corpo do cara ser jogado, violentamente, para fora do Píer e, em seguida, cair nas águas frias do mar.
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