Coração Indomável
25 Penhasco
Notas iniciais

JACOB
Nessie se virou para mim assustada pelo o que havia acabado de fazer. Passei por ela como um furacão, jogando meu paletó no chão antes de mergulhar atrás do seu amigo. Em questão de segundos, consegui retirá-lo da água com segurança. O cara cuspiu um pouco de água antes de adormecer de novo. Eu podia sentir o cheiro de álcool, provavelmente, havia bebido muito.
"Ele vai ficar bem? Eu não calculei a minha força... Eu só... Eu sinto muito." Olhei para ela ajoelhada do outro lado do corpo dele, chorando e se lamentando.
"Tá tudo bem. Ele vai ficar bem, mas temos que levá-lo de volta ao Campus, antes que o cara tenha uma hipotermia." Peguei meu paletó e coloquei nele, depois mandei Nessie buscar o meu carro. Em questão de segundos, a garota já estava de volta.
A viagem de volta para Forks foi silenciosa, embora minha cabeça estivesse latejando de preocupação e irritação. Dirigi furiosamente pelas ruas da cidade, não se importando de sermos pegos. No momento, acho que tinha ligado o 'Foda-se!'
"Sinto muito!", eventualmente a garota sentada no banco do passageiro se atreveu a falar. "Jake, eu sinto muito mesmo!" ela continuou a se desculpar, esperando que eu reagisse a sua voz doce e melancólica. "Por favor... diz alguma coisa!"
"Você mordeu ele?", falei entredentes.
Antes de retornarmos a Forks, tivemos que deixar o cara em seu dormitório no Campus da UW (Universidade de Washington) e ainda tive que trocar a roupa dele. Bem, enquanto Nessie se distraiu procurando por um pijama, eu percebi que na camisa molhada do rapaz havia mancha de sangue, bem como um corte nos lábios dele. Também descobri duas pequenas marcas de presas no lado esquerdo de seu pescoço, que já havia se transformado numa cicatriz.
"Você mordeu ele, Nessie? Como pôde fazer isso?" Freei meu carro bruscamente a assustando. "Nós temos um tratado com os Cullens... Se um de vocês quebrarem o trata..."
"Eu sei, eu sei! Conheço bem as regras!", ela soava como uma garotinha apavorada. "Foram só duas vezes. E eu juro que foi um acidente." Então, hesitou e me olhou com o rosto corado de alguém que está envergonhado e com o coração acelerado, a fazendo parecer mais humana do que nunca. "Da primeira vez, nós estávamos... bem... no meu dormitório e eu... decidi que queria perder... a minha virgindade com ele." A garota desviou os olhos e se encolheu ao meu lado, talvez, porque o meu olhar se tornou ameaçador.
"Prossiga. É melhor que eu saiba tudo de uma vez." Respirei fundo, tentando controlar o meu lado lobo.
"Eu estava tão excitada que... senti um desejo incontrolável de provar o sangue dele, que sempre teve um cheiro tão intoxicante." Meu estômago se revirou ao ouvir aquilo e foi impossível não me sentir enojado. "Mas consegui parar, antes que perdesse o controle de vez. Jimmy apesar de ter ficado assustado com a minha atitude, achou que era apenas um fetiche meu. Depois disso, resolvi me afastar. Cheguei a cogitar em desistir do grupo de balé."
"Mas não desistiu! Decidiu continuar se arriscando a se expor e colocar esse cara e os seus amigos em perigo."
"Olha, na maioria das vezes, eu posso me controlar. Você sabe disso. Quantas vezes, me deixou beber do seu pulso ou do seu pescoço e eu nunca me descontrolei." Sim, isso era verdade.
Quando Nessie era pequena, algumas vezes, passei a deixá-la beber do meu próprio sangue, a fim de mantê-la sob controle. Acreditávamos que, assim, seria uma forma de controlar o próprio instinto assassino dela. Eu dizia que era uma forma de controlar o seu lado Monstro.
"Você tem consciência que poderia tê-lo matado? E se a alcateia descobre e passa a te ver como uma ameaça para a tribo? Isso se tornará um baita problema pra nós dois e pra sua família", suspirei nervosamente, porque esse pensamento era perturbador demais. "Além disso, ainda têm os Volturi no meio dessa equação. Temos que ter cuidado pra não acabarmos encurralados pelos dois lados."
"Eu sei. Você tem toda razão", ela concordou, mas depois me fez um pedido. "Jake, sobre o que eu te disse... Por favor, não conta isso pra Bella e nem pro Carlislie."
"Eles precisam saber."
"Não! Se eles souberem vão me proibir de continuar frequentando a Universidade e vão me obrigar a sair do grupo de balé e parar com o estágio. E isso não é justo!" Ela me olhou com os seus olhos lacrimejados, me deixando quase fraquejar.
"Você queria fazer parte do mundo dos humanos. Então, você precisa entender que... não dá pra ter tudo. Às vezes, você tem que abrir mão de alguma coisa."
"Jake, você já teve que abrir mão de alguma coisa que... você queria muito?"
Imediatamente desviei o olhar e uma lembrança me veio à mente:
"Olha, você não precisa mais se preocupar comigo. Eu vou sumir daqui. Não serei mais um problema pra você ou pra matilha."
"Claro, claro. Você planejou ir embora sem se despedir? Você ia fugir?"
"O plano era simples, você nem ia sentir a minha falta."
"Você prometeu que ficaria sempre do meu lado." Eu a abracei apertado com medo de perdê-la. "Leah, eu não quero que você vá embora!"
"Eu não quero ficar... presa a você e ao seu imprinting... da mesma forma que fiquei presa a Sam e a Emily..." Suas palavras era cruéis, me magoaram, mas eram a sua verdade.
"Espero que pelo menos longe daqui, você seja feliz de verdade. Eu só queria..." Naquele momento, eu só queria ter lhe dito o quanto a amava, porém acabei perdendo a chance e isto se tornou o meu maior arrependimento.
"Leah? Leah Clearwater?" Bastou apenas um toque em meu braço para a híbrida sondar a minha mente e descobrir o meu segredo. "Você e a filha da Sue... já namoraram?" Mesmo não olhando para a garota, ainda podia sentir seu olhar astuto me queimar. "Por que você nunca me falou sobre a Leah?!"
"Ela era a minha melhor amiga e por alguns dias foi a minha Beta. Mas não era a..." Hesitei. "Leah, não era minha namorada."
"Eu pensei que a minha mãe fosse a sua melhor amiga. Aliás, você não teve uma queda por ela, antes de eu nascer?"
"Ah, Nessie... isso faz tanto tempo!"
"Tá na cara que a Leah era mais que uma amiga..."
"Para!", exclamei frustrado. "Esqueça dessa história."
O resto do trajeto fizemos em silêncio. Até que estacionei meu carro na frente de sua casa e a garota retornou a azucrinar o meu juízo.
"Leah foi embora, por minha causa, não é?!" Sua voz estava chorosa.
Nessa hora me lembrei do presente dela e percebi que era um bom pretexto para mudar de assunto e tentar aliviar o clima.
"Ei, eu esqueci de lhe dar o seu presente." Abri a palma da mão, revelando uma pulseira de prata com três pequenos pingentes: um tinha a forma de uma bailarina, outro de um coração e por último de um cachorro. Isto foi suficiente para capturar um sorriso feliz dela. "É um talismã pra te proteger." Coloquei em seu pulso, percebendo como a sua pele clara se arrepiou sob meu toque. Depois a puxei para um abraço demorado, beijando o topo de sua cabeça.
Naquele momento, fui me dando conta que alguma coisa estava começando a mudar em nossa relação. As cordas invisíveis do imprinting estavam cada vez mais me prendendo à Renesmee Cullen e tornando quase impossível de lutar contra essa atração.
"Ei, Jake..." Ela se afastou um pouco e ergueu seu rosto para me olhar. "Você por acaso... tem algum... interesse romântico pela minha professora?!"
"O quê? Como?" Eu arregalei os meus olhos, surpreso pela pergunta. "Não. Claro que não... Foi só um... flerte. Mas, por que a pergunta?", resolvi perguntar ganhando um olhar travesso dela.
"Eu tenho tentado ter uma relação normal com os humanos. Mas sempre que tento ter um relacionamento romântico, a coisa se complica", ela falava mexendo na pulseira que lhe dei. "Antes do Jimmy, eu já tinha tentando com outros caras e até com... garotas."
"Uau! Com garotas, é?!", a provoquei.
"Sim, com garotas. Isso te incomoda?" Ela me deu seu olhar mais afiado.
"Ah, não... não me importo. Só me surpreendi um pouco."
Eu não tinha realmente nenhum problema com relacionamentos homo afetivos, porque durante a faculdade acabei esbarrando com várias pessoas de grupos diferentes, incluindo gays, lésbicas e até fiz amizades com alguns. Além disso, eu tinha o meu melhor amigo, Embry que por um tempo manteve uma relação secreta com o seu ex-Professor. É claro hoje eles não precisam mais se esconder, os dois estão morando juntos há um ano.
"O que estou tentando dizer é que... estou investindo meu tempo e o meu coração... nas pessoas erradas... Porque a pessoa certa... é você, Jake."
Nesse breve instante, eu podia até sentir as cordas invisíveis do imprinting me atraindo para Renesmee: nossos olhos se fixaram, seu rosto estava a um centímetro do meu e sua boca estava prestes a tocar os meus lábios. E era quase impossível resistir a garota ao meu lado.
"Me deixa te fazer feliz, Jake!"
Por um minuto, fechei os meus olhos e cedi a sua vontade, deixei que ela me beijasse. Seus lábios no começo pareciam frios, mas de repente se tornaram quentes, famintos e me fizeram perder a razão. Eu a puxei para o meu colo e era tão bom sentir o seu corpo macio e febril em meus braços. A beijei tão cheio de saudade, decidido que não deixaria mais que... a minha Leah fosse embora.
Por um instante, achei que a mulher nos meus braços fosse Leah. Era uma doce ilusão, um pedaço de felicidade que, logo, se desfez quando abri meus olhos e encarei o rosto pequeno, rosado e triste de Renesmee.
"Você não consegue esquecer dela!" Ela saiu do meu colo e pulou no banco ao meu lado. "Se a Leah te amasse, ela nunca teria te abandonado, Jake." A cada palavra sua mais meu peito doía, como se tivesse uma faca fincada no meu coração. "Mas eu ainda estou aqui e sempre vou estar ao seu lado. Porque eu te amo, Jake."
"Nessie, isso foi um erro", murmurei friamente sem olhar pra ela. "E essa... coisa entre nós... nunca vai dar certo. E eu não sou o cara certo pra você."
"Você é o meu imprinting... não era pra sermos a alma gêmea um do outro. Ou as lenda da sua tribo é uma mentira?"
"O que eu sei é que... eu te vi nascer. Então, para mim... você ainda é uma criança."
"Você é um idiota!" Nessie saiu do meu carro batendo a porta com raiva. Assim que ela se foi pisei no acelerador e sumi dali.
Quando estava chegando na reserva, abandonei meu carro e fugi para a floresta. Depois deixei que o Lobo castanho-avermelhado tomasse o controle, correndo livremente pela escuridão da noite, até ultrapassar os limites de La Push e chegar a um riacho. Mergulhei nas suas águas frias e escuras, que pareciam ser a única coisa que sempre me acalmava.
"Aqui já é o MEU lugar... E eu quero ficar sozinha."
"Correção: é o Nosso lugar... que virou o nosso ninho de amor." Segurei seu pulso e a puxei mais próximo de mim, fazendo-a me encarar. "Eu senti a sua falta."
"Pare de ser pegajoso! Afinal, o que você quer?!"
"Eu quero lhe manter aqui comigo, presa em meus braços." Agarrei a minha garota teimosa pela cintura, prendendo mais o seu corpo ao meu. Então, um segundo depois, eu lhe dei um beijo de tirar o fôlego.
Estar naquele lugar... Quer dizer no nosso Lugar, sempre deixava meu coração em paz. Ali foi onde nós tivemos a nossa primeira vez, onde nos amamos e fomos felizes por um momento lindo e perfeito.
Leah era aquela pessoa que sempre esteve lá nos meus bons e maus momentos, sempre sendo o meu ombro amigo, ou a minha bússola moral, a minha fortaleza. Eu sentia tanta saudade daquele seu olhar duro, ou de sua voz afiada, dos seus sorrisos sarcásticos, da sua teimosia irritante e até do seu mau humor.
"Tá tudo bem, Jake. Eu também quero que você seja muito feliz." Nadei até à margem, com a minha mente ainda relembrando da última vez que a vi e do nosso último beijo. Era uma memória dolorosa que deixou uma ferida aberta, impossível de cicatrizar.
"Leah, onde você está? Será que... você já se esqueceu de mim?" Minha voz retumbou pela floresta escura e foi consumida pelo silêncio.
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Eu nunca me senti tão solitário como agora. Nos últimos anos essa sensação de solidão foi aumentando cada vez mais, que comecei a sentir como se não pertencesse a esse lugar e nem a essa tribo. Como se eu tivesse Usurpado a vida de outra pessoa.
E Se eu fosse um forasteiro infiltrado na tribo inimiga? E se aquele jovem Quileute da Beira do Penhasco tivesse conseguido alcançar as mãos da linda moça? E se os dois jovens amantes tivessem conseguido fugir? E se aquele monstro de olhos vermelho-escarlate não tivesse surgido e levado a sua amada para longe dele? E se aquela flecha não tivesse atingido o seu coração e o matado?
No entanto, não importa o quanto me questione sobre isso. Todas as noites vou reviver aqueles momentos de puro terror e desespero. Um loop infinito onde estou caindo do Penhasco enquanto ouço uma voz feminina a me chamar. E, naquele momento em que continuo a cair, meus olhos sempre vão vislumbrar o rosto daquela jovem que se parece tanto com a Leah.
"Kenaeee!" Só que não é o meu nome que ela está gritando.
Entretanto, não importa o quanto ela grite, ou o quanto eu tente alcançá-la, a distância entre a gente só aumenta, assim como o meu medo e a dor. Eu continuo caindo cada vez mais, até que meu corpo se choca contra o mar frio e violento. E o rosto da Leah se torna a última lembrança que tenho na hora da minha morte.
De forma cruel e sinistra o meu pesadelo nunca termina ali, porque no minuto seguinte, eu desperto na beira da praia. Estou sujo de areia e sangue, em seguida, me levanto e me viro só para me deparar com um sujeito parado atrás de mim, esperando para me confrontar.
"Você acha que pode enfrentar o destino? Acha que poderá vencê-lo? Mas está enganado. Porque não importa o que faça... o final sempre terminará do mesmo jeito... Sempre terminará numa tragédia." Algumas noites o sujeito que me confrontava se transformava num vampiro vestido com um manto preto, de cabelos brancos compridos e olhos vermelho-escarlate.
"Nossos destinos foram entrelaçados. Suas escolhas e o seu egoísmo foram o que nos transformou no que somos."
Em outras noites, ele se transformava num antigo Quileute, cuja face sempre estava pintada de branco e vermelho. O vermelho era o sangue de seus inimigos. Como eu sabia disso? Sabia porque podia sentir o cheiro metálico do líquido escarlate. Aliás, esse cheiro também emanava do sanguessuga.
E, talvez por isso, os dois homens confundiam tanto a minha mente que, às vezes, eu achava que eram a mesma pessoa. Outras vezes, achava que pertenciam a linhas de tempo distintas — como se um estivesse ligado ao meu passado e o outro conectado ao meu presente e futuro.
"Não importa o quanto você tente salvá-la ou segurá-la em suas mãos. No final, você sempre irá perdê-la."
Nesse instante, a voz do Quileute e do vampiro retumbava em uníssono.
"Por quê?!", inquiri com o coração pesado de angústia.
"Esta é a punição para o Traidor da tribo e para o Usurpador."
"E quem eu sou nessa história?"
"Você é o Usurpador!"
Quando ouço os dois murmurarem aquilo, sinto meu peito doer.
E, de repente, a cena muda e eu retorno para a beira do Penhasco, só que agora é a Leah que está segurando um arco e uma flecha nas mãos. Atrás dela, vejo o vampiro abraçando-a e sussurrando em seu ouvido:
"Enquanto ele sempre teve tudo, você foi destinada a não ter nada. Nem um pingo de felicidade. Mas agora você pode ser livre e retomar o seu lugar por direito, Leah."
Sinto nojo, raiva, medo. E, sobretudo, sinto uma vontade desesperada de correr até Leah e puxá-la para longe das garras dele. Quero uma chance de nos salvar daquele fim trágico. Todavia, me encontro impotente, mortificado, incapaz de reagir.
"Você tem que matá-lo, Leah! Só assim você será livre. Mate-o... mate-o... mate-o..." E, então, sinto a flecha me atravessar o peito, consequentemente me derrubando do Penhasco.
É nessa hora que eu acordo e, por vários minutos, fico remoendo aquele pesadelo. Meu corpo todo está suando frio e meu coração está batendo acelerado, até que sou varrido por uma sensação maravilhosa de alívio, quando me dou conta que estou seguro em meu quarto improvisado na pequena oficina. E não há nada mais reconfortante no mundo que constatar que nada daquilo foi real.
"Tio, Jake... Tio, Jake!" De repente a porta se abre e o casal de gêmeos de 5 anos, invadem o meu quarto e começam a pular em cima da cama e em cima de mim.
"Ei, criaturinhas, vão com calma!" Eu pego Sarah no colo e começo a lhe fazer cócegas, a menina tem um gargalhada infantil tão gostosa, seu irmão Harry fica com ciúmes e pula nas minhas costas.
Eventualmente, me distraio com os meus sobrinhos sapecas e esqueço daquele pesadelo.
"Ei, parem de perturbar o seu tio e vamos tomar café", Rachel chama a atenção deles. "O último que levantar vai ficar sem bolo de chocolate."
Peguei as duas crianças e os levei para a cozinha, o cheiro do café, de ovos fritos e bolo de chocolate me abriram o apetite. Me sentei ao lado de papai que me deu um puxão de orelha por demorar para visitá-los. Prometi que vou passar o dia com ele e ajudá-lo a consertar algumas coisas da casa. Até que escutamos uma discussão vindo lá de fora.
"O que tá acontecendo?", Rachel perguntou olhando entre mim e Paul.
Lá fora, na casa vizinha, estava rolando uma discutindo entre Seth e Jared, por causa de Kim. Isso não era nada bom.
A relação de amizade entre Seth e Kim aos poucos foi desabrochando e se transformando numa relação mais íntima e complicada, um romance que ambos tentavam manter em segredo. Quer dizer, agora parece que não era mais segredo.
"Então, o que tá rolando entre você e a Kimberly?"
"Não que seja da sua conta, mas somos amigos."
"Para, Seth! Fala a verdade..." Kim olhou entre os dois e corajosamente soltou a bomba. "Nós estamos namorando, Jared."
"O quê? Você não tá falando sério, Kim."
"Sim, é verdade. Nós estamos juntos", Seth retrucou, depois entrelaçou a sua mão na dela. "E é um alivio não precisar esconder mais isso."
"Seu filho da puta!" Jared veio para cima de Seth, Kim tentou se colocar entre eles e quase se machucou.
"Parem!", gritei, mas hesitei em usar o tom Alfa, ainda assim, os dois lobos me encararam com raiva.
"Vocês sabem que isso é um erro?", Jared ainda não conseguia segurar a sua língua mordaz. "Ele ainda vai partir o seu coração. E você vai sofrer Kim."
"Seth não é você, Jared!" Mais uma vez, Kim o enfrentou com convicção.
Ela não era mais uma garota do colegial insegura e com baixa autoestima. Kimberly se tornou uma mulher independente, advogada bem sucedida que estava demonstrando que sabia muito bem o queria. Jared por outro lado estava demonstrando uma postura de ex-namorado ciumento, que não suportava vê-la feliz.
"Você quase machucou ela, seu babaca!"
"Já disse pra pararem!" Tive que me intrometer se colocando no meio deles e pedindo para que Seth cuidasse de Kim que parecia ter torcido o pulso.
"Kim, me desculpa! Eu só..." Jared estava preocupada com ela e, ao mesmo tempo continuava gritando revoltado, enquanto eu e Paul o puxávamos para longe do casal.
"Jared, deixa eles em paz!", deixei que Paul tentasse dialogar com ele, mas o cara é um cabeça quente e estava testando a minha paciência.
"E se o Seth tiver um imprinting, hein?"
"Já faz 12 anos que nenhum outro lobo teve um imprinting", Paul relembrou, trocando um olhar comigo.
"Além disso, você já teve uma chance com a Kim e estragou tudo. Agora ela seguiu em frente", joguei na cara dele. "Tá na hora de você superar isso!"
"Assim como você já superou a Leah?" Assim que ouvi a sua provocação, voei para cima de Jared querendo descontar toda a minha raiva sobre ele. O barulho, consequentemente, atraiu olhares curiosos de outros vizinhos.
"Jake, solta ele! Vocês estão assustando as pessoas..." Paul era o único capaz de me puxar para longe daquele imbecil.
"A verdade dói, Jacob!" Jared limpou o sangue dos lábios, mas não se calou. "Leah, nem era o seu imprinting, mas você ainda pensa nela, não é?"
Fechei os punhos, tentando controlar a minha fúria enquanto o encarava, percebendo que aquele cara não parecia o meu parceiro de alcateia. Seu tom era diferente, havia algo estranho e sinistro pairando sobre aquele momento que eu só não sabia explicar.
"Talvez Leah já tenha seguido em frente com outro cara... formado uma família..." Aquelas palavras eram tão mordazes que me atingiram, como se eu tivesse levado aquela apunhalada no coração. "Mas você ainda está aqui, parado no tempo, esperando por uma mulher que provavelmente já te esqueceu."
"Cala a boca!", gritei sentindo a dor no meu peito aumentar enquanto pensava em Leah. "Você está proibido de falar e pensar no nome... DELA!" Eu usei a ordem Alfa, olhando diretamente nos olhos castanhos de Jared. "E você vai deixar a Kim e Seth em paz. Agora some da minha frente!"
Jared foi embora me deixando com um Paul que me olhou com uma expressão preocupada.
"Jacob, o que você tem?" Paul se aproximou de mim e segurou os meus ombros.
Eu não conseguia mais falar e nem respirar, coloquei a mão no peito quando a dor se tornou insuportável. Fechei os olhos e de repente me vi de volta naquele Penhasco, confrontando o próprio olhar mortal de Leah.
{Continua...}
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