Notas iniciais
CHEGUEI! Agradeço a chegada da nova leitora (Que se esforçou bastante em ler todos os capítulos em tão pouco tempo) e também a todos que aqui comentaram. Agradeço aos leitores fantasmas também hehehe Aviso que irei demorar mais um pouco a postar por quê estarei atarefada com o colégio e também com algumas pesquisas que farei para acrescentar aqui na história, tudo para agradar vocês. Vem surpresa por ai!

Dias se passaram após a partida do povo hebreu e eu choro todas as noites com saudades de Moisés e Anippe. Somente Deus sabe a falta que eles fazem! Moisés tem uma tarefa muito difícil, uma missão muito pesada em seus ombros. E a minha Anippe... A minha Anippe irá entrar em Canaã ao lado de Moisés e Arão, mas eu não estarei lá para ver isso. Não que eu esteja me queixando, não estou. Mas me dói saber que não verei Anippe se tornar uma mulher. Mas Deus cuidará de nós duas, aliás, de todos nós.
Cada vez que entro nos aposentos de Anippe eu mesma vejo-a em minha frente. Uma lembrança vaga e ao mesmo tempo real que me faz crer que um dia Anippe, ou até mesmo sua descendência venha ao Egito. Eu ainda posso sentir o cheiro de Anippe pairando no ar de seu quarto, ainda posso ouvir a batida de sua música favorita no jardim real, assim como eu também a vejo dançando da forma como lhe ensinei desde pequena. Também posso ouvir sua voz branda quando estava enfurecida com algo, mas também posso ouvir sua risada de quando ela se juntava ao irmão e Amenhotep para passearem.

—Eu sabia que ia encontrar você aqui. —Ouço a voz de Hur e então trato de enxugar minhas lágrimas. —Sente a falta dela,não é?

—Da mesma forma como sinto de Moisés e Uri. —Falo e então olho para a coroa de Anippe que está em minhas mãos. —Mas nós criamos os filhos para o mundo, não para nós mesmos.

—Você tem razão. Mas eu ainda não me acostumei com a ideia de que Uri morreu. —Hur deixa claro toda a sua dor. —Parece que foi ontem que levei Anippe nos braços para Uri conhecer.

—Apesar de tudo, ele e Anippe se davam muito bem. —Falo.

—Uri já amava Djoser desde o dia em que ela nasceu. Até porque ele sempre quis ter um irmão. —Hur fala nostálgico. —Mas eu me lembro até hoje da reação dele ao ver que em meus braços eu trazia sua irmã. Aquela oficina ficou pequena demais para os sentimentos de Uri. —Lágrimas foram brotando aos poucos dos olhos de Hur. —Uri pegou Anippe nos braços sabendo que ela tinha sangue real, mas que também tinha o seu sangue. Foi então que Anippe abriu os olhos e olhou para Uri.

—O primeiro sorriso de Anippe foi para você e Uri. —Relembro que na época fiquei enciumada com isso. —E agora eles se foram.

—Eu não posso culpar Deus, não é? —Hur pergunta magoado e eu nego. —Eu não sei o que pensar agora, Henutmire. Eu não sei.

—Não faça nada por enquanto. —Peço e então Hur me abraça carinhosamente. Eu tento amenizar sua dor, mas isso é impossível. A dor de perder um filho é impossível de se amenizar.

—Mas, você está carregando um filho meu. —Hur se preocupa ao interromper o abraço e pôr suas mãos em meu ventre.

—Você vai ter tempo suficiente para cuidar de nós dois. Mas antes você precisa cuidar de si mesmo e sentir toda dor que precisa sentir agora, precisa sofrer o luto e depois seguir em frente. —Falo ao segurar o rosto de meu marido e em seguida depositar um beijo em seus lábios. Sinto suas mãos puxarem meu corpo para mais perto do seu com delicadeza.

(...)

—Seu pai precisa ficar sozinho, Djoser. —Falo para meu filho ao vermos Hur sozinho do jardim.

—Mas isso não vai ser pior? —Meu filho pergunta assim que começamos a andar. —Sei que a senhora o deixou sozinho no jardim para ele pensar, mas ele precisa de apoio.

—Ele precisa viver o luto pela morte de Uri. Seu pai está forte por fora, mas está um caos por dentro. —Falo enquanto andamos sozinhos lado a lado. —Seu pai vai se reerguer, Djoser. Mas ele precisa canalizar força, entende?

—Entendo sim, mãe. Mas eu sinto muito medo que meu pai se afogue em sua própria tristeza. —Djoser fala o seu temor, todavia eu tento não me preocupar com Hur. Prefiro acreditar que ele vai ficar bem com o passar do tempo. —Foi assim que meu avô se sentiu quando o outro filho dele morreu?

—Sim. —Respondi triste ao lembrar de meu pai. Eu então olho tudo ao meu redor e sinto uma dor aguda em meu estômago.

—Mãe? —Djoser pergunta assustada ao me ver chorar. —Eu não devia ter falado do meu avô...

—A culpa não é sua se eu ainda não o perdoei, filho. —É a única coisa que falo ao deixar a tristeza invadir o meu leito. —Mas a verdade é que eu ainda espero por ele.

—Pelo meu avô? —Djoser pergunta ainda mais assustado. —Como assim?

—Eu ainda espero ver o seu avô em minha frente. Ando pelo palácio, dou voltas pelo jardim e pelos corredores procurando por ele,sabe? —Desabafo ao pôr uma de minhas mãos em meu ventre quando na verdade o que dói fisicamente é o meu estômago e o que dói ainda mais é o coração.

—Uma vez Nefertari me disse que sofremos apenas por quem amamos. Quando um desconhecido morre nada fazemos, nem choramos. E quando a mágoa é muito grande, é por que você ama muito essa pessoa. —Djoser fala nostálgico e eu acabo chorando ainda mais forte. —A senhora o amava, mãe. Se não o amasse não ficaria assim, não dessa maneira.

—Não,Djoser. —Minto sem olhar para meu filho.

—Não faz mais sentido, mãe! Não faz mais sentido por que a senhora seguiu em frente! —Djoser fala firme e brando. —Nem a senhora nem ele vão ter paz enquanto esse perdão não acontecer.

—Ele nunca vai acontecer. Sabe por qual motivo? —Pergunto brava. —Por que seu avô nunca se arrependeu de nada,Djoser. Quem me garante que ele de fato sentia muito por ter falhado como pai? —Minhas pergunta faz meu filho abaixar o olhar. —Ele nunca se arrependeu de nada. Ele não hesitou em passar por cima dos meus sentimentos, Djoser. Veja o seu pai e Anippe. Apesar de tudo, Hur nunca arrancou nada de sua irmã. —Minha comparação faz meu filho voltar a olhar para mim. —Moisés era a única fagulha de amor que eu tinha naquela época, Djoser. E seu avô não tinha nenhuma, e se tinha, essa fagulha não era eu.

—Quem garante? —Djoser pergunta e me deixa confusa. —Pelo o que eu sei ele era louco pela senhora.

—Não, ele não era. Por que se ele fosse louco de amor por mim certamente não teria criado uma barreira entre nós. —Minhas próprias palavras me magoam. —A verdade, Djoser. É que seu avô nunca me amou de verdade, nunca soube amar um filho, nunca soube amar ninguém. —Falo. —Se seu avô me amasse de verdade nunca teria me feito chorar pela ida de Moisés. Volto a repetir, nesta vida eu e Seti fomos tudo, menos pai e filha...

(...)

—Beba mais um pouco. —Paser pede e então eu bebo mais um pouco do chá. —Isso não vai funcionar. O mal que atinge a senhora é a mágoa.

—Você sabe disso melhor que ninguém. Vivenciou tudo. —Falo e então Paser força um sorriso.

—É um luto misturado com mágoa, soberana. —Paser fala sabiamente. —Não há fórmula alguma que cure isso.

—Eu penso que vou enlouquecer com isso,Paser. Mas eu vejo meus filhos e Hur e tento ser forte pela situação. —Falo. —Agora mais do que nunca Hur precisa de mim.

—E a senhora precisa do perdão. —Paser me surpreende com suas palavras. —Vamos, senhora. Não é tão difícil assim.

—A mágoa é enorme. —Falo com o olhar baixo. —Eu já tentei dar o perdão ao meu pai,Paser. Mas a verdade mesmo é que eu não consigo, eu não entendo. As vezes eu mesma me surpreendo comigo mesma.

—Isso não é nada bom nem para a senhora. Justamente agora. —Paser fala e então eu olho para o meu ventre. —Como está crescendo rápido, soberana.

—Essa criança já pesa com tão pouco tempo,Paser. —Falo e o faço rir. —Talvez isso faça Hur sorrir e esquecer um pouco a dor que ele sente pela morte de Uri.

—Um filho não pode substituir o outro, mas é certo que essa criança encha o coração de Hur com tanta alegria. —Paser fala entristecido. —Apesar desta gestação ser perigosa.

—Eu sei o risco que corro. —Falo amedrontada, mas ao mesmo tempo tento me manter calma. —Sei que Hur pode me perder quando chegar a hora dessa criança, Paser. E se isso acontecer, Paser. Quero que faça um grande favor para mim.

—Está me assustando, senhora. Mas fale o que deseja. —Paser então mantém toda a sua atenção em mim.

—Se caso eu morrer, ajude Hur a ir embora com a criança e Djoser. —Meu pedido assustada Paser. —Djoser é o futuro rei, mas ele deve partir ao encontro do povo de Moisés.

—O rei não vai permitir...

—Por isso mesmo você deve ajudá-los. —Insisto ainda com medo da remota possibilidade de morrer ao dar mais um filho para Hur. —Hur não terá mais pelo o que viver aqui no Egito se eu não suportar a dor do parto. Pode fazer esse favor para mim?

—Seu pedido é uma ordem. —Paser fala risonho e então eu sorrio antes de sair de sua sala. Sinto uma leve tontura, mas sigo andando em passos lentos e leves.

—Henutmire. —Ouço Gab me chamar eufórico, mas ao me ver com minhas mãos em meu ventre, Gab suspira e então se acalma. —Não te encontrei em nenhuma parte do palácio.

—Algo aconteceu para você estar assim? —Pergunto curiosa e então Gab olha para o chão, mas em seguida olha para mim.

—Ramsés vai atrás do povo hebreu com seu exército. —Gab fala de uma vez e então eu pisco os olhos várias vezes tentando acreditar no que acabo de ouvir. —Vai matar todos.

—Ele não pode fazer isso, Gab. Meus filhos estão lá! —Falo apavorada com a remota possibilidade de ter meus filhos mortos. —Moisés pode não ter o mesmo sangue que Ramsés, mas Anippe tem! Ele não pode fazer tamanha crueldade!

—Eu tentei evitar de todas as maneiras,Henutmire. Mas Ramsés quer vingança pela morte de Amenhotep. —Gab fala e suspira pesadamente antes de me falar a pior notícia. —Djoser irá conosco.

—Ele não vai. —Falo nervosa, quase fora de mim e então Gab tenta me acalmar. —Meu filho não vai matar o próprio povo,Gab! Prefiro eu mesma matá-lo do que vê-lo derramar o sangue do povo de Israel! —Falo enquanto me debato nos braços de Gab. —Eu prefiro ver Djoser morto do que contra o seu povo!

—Não diga isso! Ele é seu filho! Seu sangue! —Gab fala enquanto segura em meu rosto. —Nada vai acontecer com Djoser por que eu estarei com ele.

—Acha mesmo que Deus, aquele que trouxe todas as pragas, vai gostar de saber que seu povo está sendo ameaçado pelo exército de Ramsés, Gab? —Minha pergunta foi pesada demais para Gab responder. —Meu filho, Gab. Você tem noção do que esse menino vale para mim? —Pergunto em relação à Djoser. —Eu amo todos os meus filhos, amei até Uri que era meu enteado, mas Djoser é uma parte muito importante minha,Gab. —Gab então se afastou um pouco tentando entender ou procurando uma maneira de ajudar Djoser. —Eu carreguei esse menino durante luas. Eu senti cada chute, cada movimento dele durante as noites em que tentava dormir, senti o seu peso enquanto eu andava por este palácio. Senti todas as dores antes mesmo de Djoser nascer, senti a dor maior quando soube que ele poderia morrer ainda dentro de mim, mas eu me arrisquei.

—Eu entendo. Sei que ele vale muito também por quê foi o primeiro filho que você teve, o primeiro que saiu de suas entranhas. —Gab fala sem olhar para mim com toda a preocupação que lhe aflige. —Eu não vou deixar que nada de mal aconteça para Djoser, Henutmire.

—Você não pode me garantir isso, Gab. Não pode. —Falo e então Gab me olha assustado. —Eu preciso impedir que Ramsés leve Djoser para essa guerra.

—Você não pode...

—EU SOU A MÃE DELE! —Interrompo Gab ao alterar minha voz. —Ramsés vê Djoser apenas como um príncipe regente!

—FALE BAIXO! —Gab grita impaciente comigo e então eu ponho a mão sobre meu estômago. —Tente se acalmar, Henutmire. Seu temor não vai ajudar em nada.

—E o que vai ajudar? —Pergunto. —Ramsés perdeu o filho dele e agora quer que eu perca os meus também!

—Mãe? —Ouço Djoser me chamar e então tento me acalmar para que meu filho não note meu nervosismo. —Ouvi vozes alteradas...

—Ouviu errado. —Gab fala e então meu filho vem até nós com uma certa desconfiança.

—Deve estar ouvindo coisas, Djoser. —Falo tentando enganar meu filho. —Deve estar com saudades da sua irmã.

—Estou com saudades de todos. —Noto plena tristeza na voz de meu filho. —Perdi todos de uma vez só.

—Você ainda tem os seus pais. —Gab fala confiante e põe sua mão no ombro de meu primogênito. Djoser então segura a minha mão firme e solta um sorriso para mim. —Quer mais que isso? —Noto uma certa tristeza na pergunta de Gab. Certamente por quê ele ainda se sente afastado, talvez deslocado por ser um filho bastardo.

(...)

Eu não quero que Djoser vá com Ramsés atrás do povo de Moisés, mas o que eu vou pode fazer para impedir isso? Eu sou a rainha, mas o exército obedece apenas Ramsés. Se eu pudesse mandar meu próprio filho para longe com certeza eu mandaria. Eu não quero Djoser em uma guerra contra o próprio povo! Não quero!

—Tudo o que os deuses tinham dado a Henutmire e Ramsés negaram á Gab. —Ouço Amun falar assim que passo pelo santuário. —Gab é um filho bastardo sendo que por lei deve ser rei.

—Mas não podemos falar isso,Amun. Ramsés pode considerar isso uma traição. —Oritia fala nervosa e então eu me escondo por detrás da porta. —É insano pensar que Gab assuma o trono!

—Insano é ver que Henutmire roubou tudo que era de Gab. —As palavras de Amun me fizeram chorar, mas mesmo assim eu abafei meu choro. —Seti poderia assumir Gab, Oritia. Mas isso seria o mesmo que deixar Henutmire de lado.

—Seti era louco de amor pela única filha, todos sabem disso até hoje. Se existia alguma migalha do coração dentro daquele homem, então elas pertenciam somente á Henutmire. Nem Kamés, nem Ramsés, muito menos Gab poderiam invadir os sentimentos de Seti. —Oritia completa. —Já notou?

—Como assim? —Amun pergunta confuso.

—Henutmire era a primogênita de Seti, se ele não tivesse tido outros filhos, ela quem iria governar o Egito sozinha. —Oritia fala pausadamente como se quisesse buscar mais alguma ideia em sua mente. —Mas então se sabe que Gab nasceu dois dias antes que ela.

—Seti poderia alegar que Henutmire e Gab eram gêmeos. Mas Tuya não iria aceitar Gab como seu filho. —Amun fala sugestivo. Eu então me afasto do santuário e deixo Amun e Oritia conversando.

"Tudo o que os deuses tinham dado a Henutmire e Ramsés negaram á Gab."

Cada palavra que ouvi da boca de Amun pesou em minha consciência assim como em meu peito. Agora o peso de meu ventre pode-se considerar leve comparado ao peso em minha consciência por ter roubado tudo o que era para ter sido de Gab. Oh céus! Que mal meus pais fizeram para Gab, quanto mal Gab fez para mim! Será que isso não vai acabar nunca? Será que todas as gerações desta família será assim? —Creio que agora somente a minha geração sofrerá com isso. Até porque eu sou a única dos três irmãos que tem filhos. —Quanta ironia. A princesa envenenada por uma rameira agora é rainha e está a espera de seu terceiro filho. Somente eu dei uma descendência para meu pai, justo eu que tanto nego o perdão que ele pediu. Neguei o perdão para meu pai, mas lhe dei muito mais que isso. Lhe dei netos. A sua descendência irá crescer em Canaã por causa de Anippe. E seu nome será lembrado no Egito porquê Djoser será o próximo rei. E a criança que carrego poderá ser algo ainda mais que tudo isso.
Meus, meus filhos são os encarregados de lembrar o meu nome, o nome real da casa de Seti, de Ramsés I, meus filhos! Agora eu entendi tudo! Deus fez esse milagre em mim com um motivo. Agora eu entendo o motivo de meu filho de fato ter nome de rei, entendo também porque tive Anippe pouco tempo depois de Djoser. Deus me deu Moisés para criar e cuidar do libertador de um povo que foi escravizado por vários faraós. Mas ele também me deu Djoser por que ele seria o futuro rei do Egito. Deus tinha planos de pôr um príncipe egípcio de sangue hebreu no trono que foi de Seti e de Ramsés. E esse príncipe teria o sangue de Hur, viria de mim, iria crescer durante nove meses em meu ventre e seria educado por mim durante toda sua vida. Ele tinha planos também para Anippe, é graças a ela que meu sangue entrará em Canaã. Agora eu entendo tudo...

Assim como eu também entendo que o plano que Deus traçou para mim e para Gab ainda não está claro. Algo me diz que se Gab é meu irmão, é porque algo irá acontecer e eu terei que me unir á ele, ou talvez eu deva ficar contra. Seja lá o que for, Gab é o verdadeiro rei e eu não posso aceitar isso. Não me imagino governando o Egito ao lado dele! Ramsés não vai aceitar isso! Ele não pode e nem deve! Gab é um filho bastardo, por lei deveria estar morto agora, mas nem eu e muito menos Ramsés temos coragem de fazer algo agora.
Ramsés está mais concentrado em matar o meu filho, matar Moisés e todo o povo hebreu do que ver que seu trono corre perigo por causa da existência de Gab. Se bem que eu não tenho coragem de matar Gab apenas pelo poder, esse nunca foi o meu objetivo. Não sou como Ramsés e meu pai que faziam de tudo para ter o poder em mãos. Não, essa não sou eu. Mas eu não vou aceitar e muito menos permitir que Gab sente-se no trono que será de Djoser por direito. Isso é apenas o começo da guerra pelo trono entre mim e Gab caso ele mesmo tente algo contra mim.

—Eu sei que tirei tudo de você, Gab. —Falo ao ir até a varanda e sentir a brisa fresca em meu rosto. A essa altura os raios de sol refletem em minha coroa feita por Hur. —Mas o trono é de Ramsés, mas um dia será de Djoser. —Falo e então ponho as mãos em meu ventre. —Se Djoser não sentar naquele trono, que o Egito vá á decadência se isso acontecer! —Falo. —Djoser é o único da família que pode ser rei, não há outro príncipe! Há apenas Anippe que está no deserto e essa criança em meu ventre. —Falo pensativa e então uma ideia surge em minha mente. —Ao menos que você seja um menino. —Falo. Sinto uma brisa leve e fresca em meu rosto novamente, mas desta vez parece que o próprio Deus tenta me dizer algo. —Meu filho, o que vai ser de nós se algo der errado? Para onde irá o nome de nossa família? —A angústia tomou conta de meu peito ao imaginar a possibilidade remota de ver toda a minha família na miséria já que agora o reino está em crise.

—É verdade que Djoser irá com Ramsés? —Meu corpo inteiro tremeu com a pergunta de Hur. Tratei de me virar lentamente para olhar firme para meu marido, mas ao ficar de frente para ele não consigo falar nenhuma palavra. —Ele vai mesmo...

—Sim. —Respondo bruscamente e deixo claro que estou apavorada com a hipótese de ver Djoser do lado adversário ao de Moisés. —E eu não sei como impedir isso. —Minhas palavras deixaram Hur ainda mais inerte, mas parece que meu marido está prestes a infartar em minha frente. —Pela primeira vez eu me vejo sem saída ao tentar salvar um de meus filhos.

—Ramsés não pode fazer isso, Henutmire. Tente convencê-lo! Djoser é o único da família que pode sentar no trono depois de Ramsés. —Hur fala sugestivo e então uma ideia começa a brotar em minha mente. —Djoser tem que ficar no palácio.

—Você falou a verdade. Djoser é o herdeiro, o único que pode suceder Ramsés e sua vida deve ser preservada. —Falo um pouco aliviada, mas resta saber se Ramsés não vai passar por cima disso. —Eu estou com um pressentimento ruim,Hur. Eu acho que algo de muito ruim vai acontecer. —Falo amedrontada e então nos abraçamos. —Não nego que estou com medo de que todos nós...

—Não vamos morrer. —Hur me interrompe manso e então eu o abraço ainda mais forte. —Eu não vou perder mais ninguém. Henutmire. Não vou suportar ver você morrendo. —De imediato lembro que o preço em ser mãe novamente pode me custar a vida.

—Eu digo o mesmo sobre te perder. —Falo. Meu coração pesa, pesa mais que minha mente plena de preocupações e de meu ventre. Sinto como se Hur estivesse escorrendo pelos meus dedos como o vento. Algo em meu íntimo diz que vou perder algo e por isso abraço Hur ainda mais forte.
Uma sensação de medo e de perda me fazem crer que algo de muito ruim está por vir e eu não vou poder fazer nada para impedir. Não quero perder a minha vida porque sei que Hur e Djoser vão ficar sem rumo, mas também não quero perder a criança que carrego. Não quero perder nada! Eu quero apenas viver em paz como eu vivia antes de todas as pragas chegarem ao Egito. Estava tudo tão perfeito durante os anos em que vi Djoser e Anippe crescendo,embora eu tivesse receio sobre a vida de Moisés e onde ele estava.

Flash Back On

—Quem te deu isso? —Pergunto ao ver Djoser com uma pequena miniatura de madeira, um cavalo de madeira de cor clara. Meu filho não responde e volta suas atenções para Anippe que está com uma de duas bonecas.

—Não deveriam estar dormindo? —Leila pergunta admirada com a energia de meus filhos. —Como eu posso pensar nisso se ainda são crianças.

—Mas você tem razão. Eles deveriam estar exaustos. Eu mesma não me aguento mais de tão cansada que estou. —Falo sonolenta e então vejo Djoser e Anippe brincarem na minha cama. —Mas eles tem quase a mesma idade.

—E isso é bom para ambos. —Falo e sorrio ao ver Djoser tão amigo de Anippe.

Eu e Leila então rimos ao ver Djoser e Anippe se abraçarem. Djoser está crescido com os seus devidos três anos assim como Anippe com seus pequenos e doces dois anos de vida. Mas logo em seguida Anippe parece se aborrecer com o irmão e começa a gritar olhando para mim. Enquanto isso Djoser parece abraçar a irmã ainda mais forte.

—Djoser, a sua irmã não gosta disso. —Falo risonha enquanto Leila me ajuda com meus filhos.

—Ouvi gritos. —Hur nos surpreende ao entrar no quarto e se deparar com tamanha cena. —Gritando,Anippe? —Hur pergunta ao se aproximar da cama e ver Anippe erguer os braços para ele.

—Posso me retirar? —Leila pergunta risonha.

—Pode ir, Leila. Eu mesmo coloco meus filhos para dormir hoje. —Falo com Djoser em meus braços e então Leila se retira. Mas antes ela olha para Anippe com um sorriso no rosto. —Anippe não gosta do afeto de Djoser.

—Anippe é um pouco mais séria. —Hur brinca ao se acomodar na cama com Anippe nos braços. —Mas é tão bela quanto você. —Hur me elogia e então põe sua mão em meu rosto. Sinto seu dedo polegar acariciar o meu rosto, mas de imediato eu saio do transe dos seus olhos graças á Anippe que Djoser que voltam a brigar.

—Mamãe! —Djoser chama por mim ao se embrenhar com Anippe.

—Solte seu irmão... —Hur pede e então Anippe se recolhe em seus braços. —Vocês dois deveriam estar dormindo.

—Acha que eles dormiram muito de tarde? —Pergunto preocupada, mas é então que Hur passa a sorrir para mim.

—Eles são assim mesmo. —Hur fala ao embalar Anippe em seus braços, mas nossa filha então passa a rir. —Feche os olhos e durma, Anippe. Eu estou pedindo... —Hur fala manso e então Anippe obedece. É incrível como Hur é o único que consegue ter esse poder sobre Anippe.

—Você é o único que consegue fazer isso com ela. —Falo risonha ao olhar bem para Anippe nos braços de Hur. Djoser então tenta fazer o mesmo e eu acabo voltando minhas atenções para ele.

Flash Back Off

—Sabe a época exata em que concebeu? —A pergunta de Hur me faz voltar para a realidade. Veneio a cabeça tentando esquecer minhas lembranças trazidas pela falta que Anippe está fazendo.

—Concebi antes da sexta praga. —Minhas palavras fizeram Hur pôr suas mãos em meu ventre. A particula de vida em meu ventre foi concebida antes mesmo de Ramsés me prender por ter traido sua confiança. —Eu não estava sozinha naquela cela. —Falo ironicamente. Sinto os braços de Hur me envolver novamente, mas desta voz o toque foi mais macio, mas ao mesmo tempo preocupado. —Mas agora me deixe ir. Preciso convencer Ramsés de não levar Djoser para a guerra.

(...)

—Já disse que Djoser vai comigo com ou sem sua permissão, Henutmire. —Ramsés insiste ao me ver desesperada. —Ele é o futuro rei, deve saber como é uma guerra.

—Por tudo que há de mais sagrado, Ramsés. Não leve Djoser com você. —Peço angustiada pela possibilidade remota de saber que meu filho morreu. —O que você quer que eu faça para ele não ir? —Minha pergunta faz Ramsés me olhar incrédulo. Meu irmão mas parece estar assustado ao ver que estou disposta a qualquer coisa para fazer Djoser não ir.

—Djoser não tem preço, não é? —O faraó pergunta já sabendo a resposta. —Ele é como as linhas brancas do céu que não se pode tocar nem se pode prever quando vem e vão. Fruto de um amor verdadeiro, o filho mais cobiçado, o mais importante por ter sido o primeiro a conseguir sair de seu ventre ileso e com saúde. —As palavras de Ramsés foram me deixando sem chão a cada momento. —Eu sempre vi como você olhava para aquele menino. Aliás, eu sempre notei desde que esse garoto estava em seu ventre que algo o ligava até você, que tudo favorecia-o. Desde pequeno Djoser se mostrou diferente de todos, mais bravo, mas ao mesmo tempo manso e sábio apesar da pouca idade.

—Ele é o único que pode herdar o trono. Sua vida deve ser obrigatoriamente preservada, Ramsés. Djoser é uma grande parte minha, metade de mim está nele, não duvide disso...

—A outra metade me lembra nosso pai. —As palavras de Ramsés me fez rir como uma louca que acaba de rasgar suas vestes em meio ao salão durante uma cerimônia. —Qual a graça?

—Essa parte de que tanto fala que Djoser tem de nosso pai na verdade é a minha. Djoser é meu sangue, minha carne e até mesmo meus pensamentos. —Falo ainda rindo como uma louca. —Você não vai levar ele Ramsés. Por que se levar meu filho para essa guerra e Djoser perder sua vida, garanto que eu mesma serei louca ao ponto de arrancar cada um de seus dentes. Cada dente para cada lágrima minha, e quando não restar mais algum, tenha certeza que irei sangrar sua boca até outros dentes surgiram de sua gengiva. —Minhas palavras fizeram Ramsés me olhar como se eu fosse um monstro.

—Me assusta, Henutmire. —Ramsés fala como uma criança que não sabe se defender.

—Você não é rei. —Falo séria, mas em seguida volto a rir. —Eu sou a rainha. Nem mesmo Gab que é mais velho deve ser rei. —Minha voz é rouca como o uivo de um cão. —Eu vi nosso pai arrancar a língua de traidores na sala do trono. Vi-o decepar mãos de ladrões. Vi sangue ser derramado naquela sala do trono quando eu ainda era uma menina e nunca falei isso para ninguém. —Meu olhar foi vago para o nada ao lembrar de cada ato de meu pai. —Mas quando Kamés morreu, eu vi nosso pai esmurrar as paredes daquela sala até seu sangue surgir de sua carne. Vi um pai louco. Louco porque não sabia o motivo da morte do filho e nada poderia fazer. Ele não poderia matar, nem decapitar... —Falo. —Ele estava louco por si mesmo. E agora você faz o mesmo. Mas se Djoser morre nessa sua vingança absurda, Ramsés. —Falo e então ponho minha mão no ombro de meu irmão. —Não volte para casa. —Deixo-o confuso. —Mate-se no deserto. Por quê se você voltar para este palácio sem meu primogênito, eu farei você sentir toda minha dor junto com toda minha fúria.

—Você...

—EU AINDA NÃO TERMINEI! —Grito tão louca que começo a achar que estou delirando. —Eu não sou igual ao nosso pai, Ramsés. Eu sou terrivelmente pior que ele.

—Não, não é. Você não pode ser pior que ele. —Ramsés fala na súbita intenção de me fazer sentir melhor. Suas mãos seguram firme o meu rosto, mas eu então sorrio para ele.

—Eu sou pelo simples fato de não
fazer o mal para mostrar meu poder. Mas faço-o porque não tenho medo das consequências e porque não quero o poder. —Falo antes de dar as costas para meu irmão. Mas antes de ir, olho para ele por cima de meu ombro e torno a falar. —Imagine se minha meta fosse o poder. Se quiser mesmo levar Djoser, leve-o. Mas se meu filho morre, sua irmã também morre e então, meu amado irmão, verás a filha de Seti com a coroa real na cabeça e sentada no trono em seu lugar.

—Henutmire... —Ramsés me chama, mas eu torno a falar.

—Você sabe onde me encontrar. —Falo me referindo ao trono e então saio. Mas eu não saio infeliz embora lágrimas lutem em cair. Um sorriso tão envenenado surge em meus lábios deixando claro que algo mudou. Meu coração bate forte, mas ao mesmo tempo quer parar. Tremo por dentro, mas por fora estou concreta como o marfim. —Eu espero que seu irmão volte, meu filho. Ou caso contrário quem irá esmurrar as paredes será eu mesma.

Notas finais
Ninguém mexa com o Djoser que a Henutmire fica uma fera, ushaushuash Enquanto as perguntas sobre a segunda temporada: Ela irá demorar um pouco a chegar e não será totalmente centralizada no acampamento hebreu e em Moabe, a segunda temporada será centralizada na vida de Anippe no deserto e contará alguns acontecimentos em seu ponto de vista (Já que Henutmire não estava presente em todas as travessuras da filha rebelde). Outra coisa, venho recebendo perguntas sobre Henutmire perdoar o pai. Para isso digo apenas uma coisa, aprendam com ela e se preparem para esse momento porque ele irá chegar. Se preparem, o mar vai se abrir...E Anippe estará lá hehehe.