Notas iniciais
Cheguei com o 40! E hoje teremos Gab encosto da Núbia virando mocinho hehehe vamos ver no que isso vai dar.

—Darei um tempo para que você pense. —Ramsés fala com a esperança de que eu vá embora.

—Você quer me separar dele, não quer? Nunca aceitou de verdade o meu casamento com Hur. —Pergunto. Em minha voz é visível a minha irritação, a voz paciente e zelosa dá espaço a algo mais grave.

—Estarei esperando por sua resposta. —Ramsés desconversa e em seguida sai da cela com um sorriso cínico nos lábios.

Ramsés nunca aceitou Hur! Essa é a verdade? Claro que é! Mas eu não vou desistir de Hur tão facilmente agora que temos dois filhos. Nenhum rei, nenhuma praga ou qualquer coisa que exista poderá me separar do homem que eu amo. Se Ramsés pensa que eu vou embora para a Núbia ao lado de Gab ele está muito enganado! Eu não sou uma de suas servas para que ele mande e desmande.

—A senhora tem mais uma visita. —O guarda fala comigo e logo dá espaço para que a pessoa que veio me visitar entre.

—Princesa Henutmire. —Gab fala ao entrar na cela e me olha admirado. O guarda se retira indiscreto e me deixa a sós com o príncipe.

—Não pense que eu vou me tornar sua esposa por quê não vou...

—Eu não estou aqui para isso. —Gab fala me deixando confusa. —Eu não quero levá-la para a Núbia comigo porque eu sei que você ama Hur.

—E então o que faz aqui? —Pergunto.

—Estou aqui para saber se você tem algum plano em mente para fugir e ir para a vila. —Mal pude acreditar ao ver que Gab está disposto a me ajudar. —Você tem algum plano em mente?

—É impossível fugir daqui sem que me vejam!

—Pense em algo prático antes que o rei anuncie o nosso falso matrimônio. —Gab fala me deixando ainda mais surpresa. —Porque ele fará isso muito em breve.

—Mas eu não quero! Eu já sou casada! —Exclamo.

—Todo o Egito sabe, Henutmire! —Gab ressalta. —O que pretende fazer para fugir?

—Não faço a mínima ideia do que fazer!

—Eu tentei elaborar um plano enquanto esperava o faraó sair da cela, mas de fato nada poderá ajudar na sua fuga. —Gab fala um pouco pensativo.

—Você vai agir sozinho? —Pergunto incrédula e faço Gab rir.

—O sumo sacerdote e sua dama de companhia estão me ajudando. —Gab revela. —Foi graças a Leila que soube tudo sobre Yunet.

—Yunet não vale nada, Gab. —Falo.

—Eu soube disso graças a Leila e ao sumo sacerdote. —Gab fala ainda mais pensativo. —Não sente medo por estar em um lugar tão asqueroso como este? Esse lugar não foi feito para você.

—Eu enfrentei Ramsés e por isso estou aqui, Gab. —Falo nostálgica. —Desista em me ajudar. Será impossível!

—O que faz aqui? —Paser pergunta ao entrar em minha cela e ver Gab comigo. —Eu avisei para não vir até aqui!

—Eu não poderia fingir que estou bem sabendo que Henutmire está presa, Paser! —Gab fala exaltado.

—Fui até a cozinha e pedi para que Gahiji preparasse uma bandeja farta para a senhora se alimentar. —Paser muda de assunto e então põe a bandeja farta sobre a cama.

—Eu não posso comer. —Falo e os assusto. —Talvez Yunet tenha envenenado toda a comida!

—Eu mesmo vi Gahiji preparar a bandeja! —Paser fala e me serve vinho. —Por favor, não fique sem se alimentar.

—Paser tem razão, Henutmire. Se você não se alimentar vai enfraquecer aos poucos. —Gab alerta. —Você precisa estar forte para quando for levada para a vila.

—Pensou em algum plano? —Paser pergunta.

—É impossível tirar Henutmire deste palácio. Precisamos da ajuda de alguém que conheça bem o sistema de segurança daqui! —Gab fala e volta a pensar.

—Ikeni pode nos ajudar. —Paser fala sugestivo.

—E quando sentirem a minha falta? —Minha pergunta faz com que Paser e Gab fiquem mudos.

—Até amanhã de manhã teremos uma noção do que fazer pela senhora. —Paser fala calmo e em seguida tenta fazer com que eu beba o vinho. —Beba o vinho, princesa.

—Eu não me atrevo. —Falo fazendo com que Paser olhe para Gab como sua última esperança.

—Se alimente pelos seus filhos, Henutmire. De nada vai adiantar para Djoser e Anippe uma mãe fraca em meio a toda essa confusão! —Gab pede suplicando e em seguida retira o cacho de uvas da bandeja. Eu rapidamente me lembro de Hur.

Flash Back On

—Você não acha que está exagerando? —Pergunto para Hur pela milésima vez ao ser alimentada por ele. —Não é porque estou grávida que você deve me obrigar a comer tanto. —Paro de falar imediatamente quando Hur põe a uva em minha boca novamente.—Você não fez isso quando eu estava esperando Djoser. —Falo.

—A sua barriga estava enorme quando carregava Djoser. Dia após dia sua barriga crescia... —Hur lembra da minha primeira gestação e me faz rir. —Não entendo porque nesta gestação sua barriga seja tão pequena...

—Paser já disse que é natural. —Falo. —Onde está nosso filho?

—No jardim com Uri e Leila. —Hur revela e mais uma vez uma uva é colocada em minha boca.

—Já chega. —Falo afastado sua mão. —Não estou mais com fome...

—Mas você precisa se alimentar. —Hur insiste mais uma vez. Eu o olho inconformada e faço ele rir com isso.

—Da forma como me alimento nenhuma liteira será capaz de me aguentar, Hur. —Minha piada surte efeito em Hur. —Não vejo graça!

—Mas eu vejo! —Hur fala ainda rindo. —Eu apenas me preocupo com você e com a nossa filha que está para nascer, Henutmire.

—Como tem tanta certeza de que é uma menina e não outro menino? —Pergunto curiosa.

—Eu sempre quis ter uma filha. —Hur revela. —E se depender de mim teremos várias filhas.

—Não exagere tanto, Hur. Eu quase não resisti ao parto de Djoser e nem sei se irei resistir no próximo parto que me espera. —Falo aflita e começo a acariciar o meu ventre. Ficamos em silêncio por algum tempo até Hur pôr suas mãos em meu ventre junto com as minhas.

—Nada de mal vai acontecer com vocês duas porque eu estarei por perto. —Hur promete.

Flash Back Off

—Vamos, princesa. Se alimente! —Paser insiste me fazendo voltar a realidade. Eu nego mais uma vez e então Gab olha para Paser como se pedisse para ele sair. —Eu já vou, mas amanhã eu volto. —Ele fala ainda olhando para Gab com uma certa desconfiança.

—Você precisa se alimentar. Ou por acaso está desistindo da vida? —Gab pergunta ao ver Paser sair pela porta.

—Meus filhos e Hur ficarão bem na vila sob os cuidados de Moisés. Eles não precisam mais de mim. —Falo ao me sentar na cama.

—Você não pode desistir! Por acaso está louca? —Gab pergunta. —Qualquer um poderia dar tudo para ter a família que você tem, Henutmire. —Gab fala sobre si mesmo. Vejo uma certa tristeza em seu olhar enquanto ele tenta esquivar seu olhar do meu. —Volto amanhã de manhã.

—Até lá irei pensar em como fugir daqui. —Falo. Gab fica prestes a sair da cela, mas antes disso me olha pela última vez.

—Eu sinto muito pelo o que você está passando. —Gab lamenta.

—Eu também sinto. —Falo para sua tristeza aumentar ainda mais. Gab então se vai com a preocupação em seu olhar enquanto eu me lembro de suas palavras.

"Qualquer um poderia dar tudo para ter a família que você tem, Henutmire."

Flash Back On

—Eu não sei se vou conseguir! —Falo apavorada ao ter meu corpo tomado pela dor. Dor esta que anuncia a chegada do meu filho, ou filha como Hur prefere.

—Mas é claro que vai! —Hur fala me assustando.

—O que pensa que está fazendo aqui? Não pode ficar aqui! —Falo nervosa. Hur não pode me ver neste estado!

—Se retire, por favor! —A parteira pede nervosa.

—De modo algum! Eu vou ficar! —Hur fala sério e então a parteira olha para Leila e em seguida para mim.

—Eu permito. —Falo para a mulher e então Hur permanece ao meu lado. —Eu estou com medo. —Falo para Hur.

—Já sabe. Quando sentir dor é preciso que a senhora faça força. —Leila pede nervosa. Não demorou muito para a dor se intensificar e eu fazer força como foi pedido.

—Segure a minha mão. —Hur pede ao entrelaçar a sua mão na minha. Meu marido passa a sorrir ao ver o anel que ele me deu ao me pedir em casamento em meu dedo, todavia volta a sua atenção para mim.

—Vamos! —A parteira pede nervosa e em seguida faço força novamente, mas o meu esforço não é o suficiente. —Não está fazendo força o bastante!

—Eu não vou conseguir... —Falo assustada. —Sinto muitas dores!

—Pense que em breve estará com essa criança nos braços, senhora. —Leila fala tentando me acalmar. Quando a dor surge novamente eu me esforço ao máximo para meu filho nascer, seguro forte a mão de Hur enquanto a sua outra mão acaricia o meu rosto.
O choro suave de meu filho alegrou a todos nós e por fim pude descansar.

—É uma menina. —A parteira fala admirada. Ela entrega a minha filha para Hur que em seguida passa a sorrir para mim. Por fim a tão esperada filha que Hur desejou em ter chegou.

—Como ela vai se chamar? —Hur pergunta ao ter nossa filha em seus braços. Minha filha não para de chorar, seu choro agora é mais intenso e assusta Hur.

—Se chamará Anippe.

Flash Back Off

—Será que Hur perdoou Anippe? —Pergunto para mim mesma ao lembrar do dia em que Anippe nasceu. Meu marido tem que perdoar a nossa filha, assim os dois poderão viver em paz.

(...)

—Quem é você? —Pergunto ao ver uma criança perto de mim. —De onde veio? —Pergunto mais uma vez ao ver a criança se aproximar de mim aos poucos. Minha visão está um pouco embaçada, por via das dúvidas vejo nitidamente os olhos da menina.

Olhos estes que me lembram os olhos de Disebek. Quem é essa menina de olhos amendoados que passa a sorrir para mim com tanta felicidade? E porque se parece tanto com Disebek? Aliás, o que ela faz nesta cela?

—Seus pais permitem que venham até a cela? —Pergunto preocupada. A menina deita seu corpo próximo ao meu, tentando ganhar espaço na cama desconfortável.

—Posso dormir com a senhora? —A menina pergunta já se aninhando.

—Claro que pode, mas... —Paro de falar imediatamente ao sentir o franzino corpo da criança se aninhar ao meu. —Quem te mandou para cá? —Pergunto e tento acariciar o rosto da garotinha.

—Meu pai. —Ela responde me deixando ainda mais curiosa.

—E quem é o seu pai? —Pergunto ainda mais supresa pela atitude da menina. —Quem é o seu pai? —Pergunto novamente e sou surpreendida por um abraço.

—Não importa quem é o meu pai. Ele apenas me pediu para ficar aqui com a senhora até meu avô chegar. —A menina revela.

—Você pode me dizer quem é o seu avô? —Pergunto.

—O faraó Seti. —A menina me surpreende ao falar de meu pai. Será que essa criança é alguma filha bastarda de Ramsés? Não pode ser!

—Mas ele está morto. —Falo, todavia ela não se entristece. Seu olhar novamente me faz lembrar de Disebek e eu tento associar a sua semelhança com o que ela fala, mas é impossível esta garota ser filha bastarda de Ramsés ou ter algum parentesco com Disebek. —Me diga quem são os seus pais!

—Henutmire? —Gab surge na porta da cela com uma bandeja de frutas em suas mãos. Ao voltar minhas atenções para onde supostamente a garota deveria estar, me deparo com o nada. —Com quem estava falando?

—Tinha uma garotinha dentro desta cela. —Falo me levantando da cama. Para onde a menina foi?

—Não tem ninguém além de nós dois nesta cela, Henutmire. —Gab fala ao olhar toda a cela. —Não sonhou?

—Não! —Respondo eufórica. —A menina estava bem aqui! —Falo e faço Gab me olhar com uma certa desconfiança.

—Você estava delirando... —Ele presume preocupado.

—De forma alguma!

—Henutmire você está delirando! —Gab ressalta mais uma vez. —Por acaso sente fome? Sede?

—Muita. —Respondo para seu espanto. —Mas não posso comer o que me trazem. Yunet pode ter envenenado toda a comida sem que você tenha visto!

—De fato está delirando! —Gab fala assustado. —Não se sente fraca?

—Muito. Mas eu não posso comer essa comida, Gab. Preciso resistir. —Falo e vou me deitar novamente na cama desconfortável. —Moisés e Hur vão vir me buscar mais cedo ou mais tarde.

—Não se iluda. —Gab pede.

—Não estou me iludindo. —Falo. —Moisés irá me levar para Canaã, Gab. Canaã não deve ser muito longe daqui! —Falo extrovertida, todavia Gab me olha assustado. —Moisés e Ramsés farão as pazes e então poderei vir para o Egito nas festas. Irei criar os meus netos, os filhos de Moisés... —Falo. Gab lança um olhar penoso sobre mim, todavia não ligo para isso. —Por que me olha assim?

—Me ouça bem, Henutmire. —Gab pede ao se sentar na cama e ficar ao meu lado. —Eu já tenho um plano para te tirar daqui.

—E qual é? —Pergunto.

—Você terá que falar para o rei que aceitou ir comigo para a Núbia. —Gab explica aos poucos. —Mas você não irá comigo...

—E para onde irei? —Pergunto curiosa.

—Para a vila dos hebreus. —Gab responde me deixando surpresa. —Não é isso que quer desse o princípio?

—Você seria capaz de fazer isso por mim? —Pergunto ainda mais surpresa.

—Claro que sim. Se não posso ser feliz ao seu lado quero pelo menos me contentar em saber que você é. —Gab deixa claro o seu amor novamente. —Ramsés vai pensar que você está na Núbia quando na verdade vai estar na vila dos hebreus, escondida e pronta para partir com Moisés.

—Você pensou em tudo isso? —Pergunto surpresa. Gab passa a sorrir ao me ver tranquila por ter um plano para fugir. —Mas Jahi vai saber que você não voltou para a Núbia comigo.

—Jahi está nas minhas mãos, sempre esteve. —Gab fala presunçoso e seguro de si. —Radina irá me ajudar com a sua fuga, Henutmire. Tudo está pronto...

—Eu não sei como agradecer. —Falo fazendo ele rir.

—Me agradeça se alimentando. —Gab fala me oferecendo a bandeja com frutas.

—Eu não confio. —Insisto mais uma vez, todavia Gab me oferece a bandeja novamente.

—Você precisa estar forte para o dia da fuga. —Gab fala com o pleno intuito de me alimentar. É então que eu ponho algumas uvas em minha mão e em seguida as desfruto pouco a pouco. —Darei a notícia para Ramsés.

—Acha que ele vai me tirar daqui assim que você falar da minha decisão? —Pergunto.

—Claro que vai. —Gab fala contente por me ver me alimentando. —Agora eu preciso ir. Mas não vou demorar a voltar para você. —Ele fala e vai até a porta. —Muito em breve você estará com a sua família. —Assim que Gab saiu da cela eu de imediato me deitei na cama, mesmo que desconfortável, e logo em seguida adormeço enfraquecida.

(...)

—Ainda consegue dormir sabendo que seu filho está fazendo mal ao nosso povo? —A pergunta de Yunet faz com que eu desperte de imediato.

—O que faz aqui? —Pergunto assustada, porém firme.

—Vim lhe trazer essa saborosa bandeja de frutas. —Yunet fala, debochada como sempre.

—De você eu não aceito nada. —Falo.

—Então descanse. —Yunet aconselha. —O rei já anunciou a sua ida para a Núbia com o príncipe Gab. —Ela fala e em seguida lança um olhar curioso. —Acho que Hur já deve saber que sua amada irá abandona-lo e partir com outro. —Ela fala tentando me irritar, todavia não me importo. —Todos já sabiam que a senhora não o amava, princesa. Mas que infortúnio!

—Pense o que quiser. —É a única coisa que eu falo. Yunet então arrasta a barra de seu vestido no chão imundo da cela e vem até mim.

Descanse, princesa. —Yunet pede aproximando seu rosto do meu. —E tenha lindos sonhos com os bebês que a senhora perdeu. —O nó em minha garganta foi inevitável. Yunet então se retirou da cela com um sorriso diabólico nos lábios, mas eu me segurei para não falar para ela que vou fugir. Aliás, Gab está demorando a vir me buscar. Será que algo deu errado?

—Será que eu nunca mais irei ver a minha família? —A minha pergunta fez com que meus olhos se enchessem de lágrimas e aos poucos gotas luzentes brotaram de meus olhos. A preocupação é constante em minha mente enquanto as saudades ferem o meu coração. Como Hur deve estar? Como ele deve estar se sentindo sem mim e cuidando de nossos filhos?

Sei muito bem que Moisés deve estar ajudando Hur, mas não é a mesma coisa. Eu sou a mãe de Anippe e Djoser, somente eu sei o que eles sentem e como eles são. Hur não deve estar suportando a presença de nossa filha, disso eu tenho certeza!

—Que o Deus de Israel cuide de meus filhos por mim...

(...)

Sinto dores em algumas partes de meu corpo, talvez seja consequência da cama desconfortável em que durmo. Para quem sempre teve o conforto como eu tive e ser aquecida com lençóis finos, não é nada fácil se acostumar com o colchão de uma cela fria e suja.
Mas ao abrir os olhos e notar que já é manhã, sento-me na cama e de imediato vejo feridas em meus braços. Ou seja, não sinto dor por causa do colchão, mas sinto dor por que fui envenenada por Yunet.

Como ela conseguiu? —Pergunto incrédula ao sentir bolhas em meu rosto. Não pode ser! Yunet conseguiu me envenenar! A dor se alastra por todo o meu corpo pouco a pouco, assim como o possível veneno deve estar correndo por minhas veias até chegar em meu coração. —Meu Deus, não me deixe morrer sem ver os meus filhos. —Peço ajoelhada no chão imundo e frio da cela. Toda a minha esperança é levada com a oração que ofereço á Deus.

Antes mesmo de me levantar do chão sinto uma tontura infame tomar conta de mim. Minha visão fica turva, sinto meu corpo enfraquecer com uma rapidez inexplicável, a dor é gigantesca ao ponto de fazer com que o meu coração acelere e bata descompensado. Talvez seja o veneno se alastrando em meu corpo, talvez eu esteja morrendo. —Lágrimas brotam de meus olhos enquanto eu sinto o ar faltar em meus pulmões. —Com tamanho desespero temendo morrer sem ver meus filhos e Hur, lembranças amargas e doces rasgam a minha mente enquanto meu coração palpita forte.

O dia em que me casei com Hur e os anos felizes em que vivemos juntos...

O dia em que descobri que estava grávida e o meu medo de morrer quando a criança nascesse...

O nascimento de Djoser e o seu primeiro choro...

E em seguida a notícia que eu seria mãe novamente, mas desta vez eu daria uma filha á Hur. A filha que ele tanto desejou ter e eu fui capaz de dar...

Em meio a doces e dolorosas lembranças, lágrimas de pavor e medo que sinto por ver a morte tão perto de mim, suspiro pesadamente e desmaio no chão frio da cela. Sozinha nasci, sozinha agora ficarei...

Notas finais
Chama o samuu! Ai meu deus! Chamem Paser!