Notas iniciais
Surpresas... Emoções... Encanto! Um dia para guardar na lembrança.

Pra quem tinha o coração fechado para relacionamentos, William estava perdido no meio da necessidade de estar com Beatriz. Ele havia saído do apartamento dela fazia alguns minutos e já sentia uma falta terrível. Queria sentir seu cheiro, seu calor, seu beijo. Como podia ser aquilo? Resolveu que controlaria suas emoções. Ele estava fora do seu equilíbrio. Precisava trabalhar. Não ia conseguir dormir logo mesmo.

Estava agitado. Mandou um e-mail para sua assistente dando instruções para que ela viesse e trouxesse uns documentos que seriam necessários. Deveria estar preparada para ficar alguns dias. Explicou-lhe quais seriam suas atribuições nos próximos dias. Orientou-a sobre como queria que aparelhasse o novo escritório e recomendou sobre o que dizer aos velhos e os novos clientes. Afinal foi tomar um banho considerando que isso poderia ajudá-lo a dormir melhor.

Beatriz refugiou-se nos cobertores sentindo mais frio do que normalmente sentia ao deitar-se em dias frios como este. Sentia como se algo estivesse faltando. Rolou pela cama durante um tempo até adormecer. E como na noite anterior, sonhou com olhos verdes expressivos, cabelos castanhos, um abraço firme e um beijo que a fazia derreter, estremecer.

Ao acordar no domingo, Beatriz foi surpreendida por uma batida na porta. Quando a abriu viu uma linda cesta de café-da-manhã. Havia croissant de chocolate com morangos e de queijo; mamão papaia, morangos, uvas; iogurte; o cappuccino estava quente e cheiroso. Olhou ao redor e não havia ninguém. Um bilhete estava pregado na alça da cesta. Nele William dizia:

— Fui até o hospital e mais tarde passo para pegá-la para almoçarmos juntos. Vista algo confortável para passear no campo. E prepare mais alguma coisa para passarmos a noite fora. Como não sei, ainda, de todas as suas preferências, coloquei na cesta o que achei que poderia lhe agradar. Espero ter acertado em alguns itens além do café. Estou com saudade!

Beatriz não sabia o que a deixava mais feliz. Se era o carinho e a delicadeza de ele lhe trazer aquele desjejum fantástico ou se a frase “ Estou com saudade!”

Carregou a cesta para dentro. O cappuccino ainda estava bem quente. Sentou-se e comeu com vontade. Estava tudo delicioso. Depois correu pro quarto para arrumar... o que levaria? Para onde iam? O que vestiria?

Optou por um jeans escuro, uma blusa azul royal no mesmo tom da calça e botas de montaria. Como estava frio pegou a jaqueta de couro creme. Arrumou uma bolsa pequena de viagem com itens que considerou necessários. Às 11:00 horas, já estava pronta e ansiosa. Foi até o quarto olhar-se no espelho grande, novamente. Guardou as roupas que havia deixado espalhadas em cima da cama. Organizou o banheiro e foi para a cozinha. Não conseguia ficar quieta. Guardou o que estava fora do lugar. Limpou a louça e a pia. Voltou ao quarto para pegar um casaco de lã mais comprido, quando a campainha tocou. Ela correu quase caindo ao desviar-se do móvel que estava no corredor.

Ao abrir a porta lá estava ele com um sorriso amplo. Não houveram palavras apenas um abraço apertado e um beijo de tirar o fôlego.

— Já te disse que estava com saudade hoje?

— Creio que já ouvi em algum lugar isso hoje.

— Está pronta? Teremos que viajar um pouquinho , mas valerá a pena.

— Pra onde vamos?

— Surpresa!

— Ahhhh! Só uma pista!

— Nada de pista. Basta saber que o lugar é lindo, que teremos horas agradáveis e poderemos namorar bastante. Por falar em namorar... – Tirou do bolso da jaqueta uma caixinha que abriu e estendeu na direção dela – Não sei se ainda se faz isso, mas... Beatriz, você quer namorar comigo? Creio que estou apaixonado e preciso te conhecer melhor.

Beatriz ficou muda e sem palavras pela surpresa do pedido e pela joia dentro da caixinha. Era um anel simples trabalhado em ouro branco e amarelo num trançado delicado. Ela balançou a cabeça em afirmação, pois tinha medo de que se falasse a magia daquele momento precioso se desfizesse. Ele pegou o anel e colocou no dedo dela e depois beijou o anel e os lábios de Beatriz.

— Obrigado! Vamos? Já reservei o almoço e não quero chegar muito tarde. Suas coisas?

— Estão no corredor. Ela voltou-se, mas ele foi mais rápido e passou por ela e pegou a mala pequena.

— Só isso?

— É. Você disse uma noite!

— Acabo de gostar mais ainda de você. – Beijou-a e saíram.

— Como está a Isadora? Alguma mudança?

— Não. Manteve-se estável. O médico disse que será assim até que o inchaço no cérebro passe. Eles irão mantê-la sedada para que a recuperação possa ser mais rápida. Quanto a cirurgia e a perna estão se recuperando bem.

— Graças a Deus!

William dirigiu o carro para o sul da cidade. E pegou uma estrada menor que Beatriz não lembrava de ter conhecido antes. Acreditou que estavam indo para algum hotel fazenda. Havia muitos ao redor da cidade.

Depois de uns quarenta minutos eles saíram da estrada principal e entraram numa estradinha menor e ladeada por cercas brancas. Havia uma grama verdinha, podia se dizer pasto, dos dois lados da estrada. Após uma subida íngreme e rodear uma elevação, que era quase um morro, começaram a descer e foi possível ver mais abaixo uma construção em estilo germânico e muitas flores coloridas, apesar de estarem no inverno.

William olhou para ela e abriu um sorriso. Ela estava linda. O rosto corado. Os cabelos esvoaçando com o vento. O dia estava perfeito. Ele queria que fosse memorável.

No hotel foram direto para o restaurante. Almoçaram e depois foram fazer um passeio a cavalo. Percorreram um caminho que chegava em uma cachoeira. O lugar era lindo. Desceram dos cavalos e andaram até a beira do rio. Admiraram a paisagem. A água era tão límpida que era possível ver o fundo e os peixes nadando.

William voltou ao cavalo e retirou uma manta e uma espécie de cesta. Estendeu na grama a manta e convidou Beatriz para sentar. Conversaram. Deitaram e observaram o céu. Lá pelo meio da tarde comeram o lanche que estava dentro da cesta. E fizeram uma caminhada por um trecho da trilha, voltando para o hotel, puxando os cavalos. Quando o caminho ficou mais íngreme voltaram a subir nos cavalos.

Já no hotel, subiram para a suíte que ele havia reservado com dois quartos. Beatriz foi acomodada no maior com banheira e vista pras montanhas. Ela pegou a calça de lã bege e uma blusa também de lã caramelo e deixou em cima da cama. Agradeceu ao céu por ter lembrado de pegar o casaco mais comprido pois a noite parecia que seria muito fria.

Tomou um banho demorado na banheira. Admirou a aliança em sua mão. Como ele tinha sido cuidadoso. Tinha pensado em cada detalhe. O que lhe aguardava naquela noite? Que outras surpresas haveriam?

Notas finais
Pessoal, não sei a opinião de vocês que tem lido a minha história. Comentem. Digam se gostaram, o que mais gostaram ou se está uma porcaria. Estou escrevendo no escuro. Por um lado é bom, mas não tenho medo de opiniões contrárias. Quero saber o que vocês estão achando.