Corações Partidos Parte 2
5 Capítulo 5- Lara ou Alejandro?
Peguei no sono noite passada. Acordei com Lara rindo de mim:
–Porquê você está rindo?
–Seu rosto...- Disse ela rindo
Passei a mão no meu rosto. Estava sujo de lama.
–O que acontec... Nanda.
–Quem é Nanda?- Pergunta Lara.
Contei tudo à ela. Ela ficou com ciúmes, mas é bobeira da parte dela. Nanda é um anjo que veio pra me ajudar. Só isso. Quando coloquei a mão no bolso da bermuda, tinha um papel. Um papel da loteria. Eu sabia que tinha dedo da Nanda nisso. Então, fui até a loteria. Achei que era outra pegadinha de Nanda, mas não era uma pegadinha. Chegando lá, era um prêmio de três mil reais. Nossa, veio na hora certa. Peguei o dinheiro e coloquei no meu bolso.
Agora, precisamos encontrar um lugar onde ficar. Afinal, não íamos ficar na rua. Não queria uma casa na cidade, queria um pouco afastada. Achamos uma no meio do caminho, entre a cidade e minha antiga casa. Perfeito, nem longe e nem perto demais. Depois, fomos comprar utensílios domésticos, nada muito caro. Voltamos para casa. Tínhamos visitas. Era Eric, sentado no meio da nossa sala, de olhos fechados.
–Sejam bem vindos a nova casa.- Disse ele ainda com os olhos fechados.
–Sai daqui, você não é o nosso filho.
–Ora, vocês não iam querer me ver jogado em qualquer canto da cidade, ou iam?
–Não. -Disse Lara
–Como não? Ele não é o nosso filho! O nosso filho não está entre nos mais.
–Não interessa, ele é o corpo do nosso filho. Não quero vê-lo por ai.
Então chegou Nanda.
–O que esse maldito está fazendo aqui?
–Eu que lhe pergunto- disse Lara- Quem é você? Olha como fala do meu filho!
–Calma, Lara. -Falei — Essa é Nanda, nosso anjo. Obrigado, Nanda por tudo.
–De nada, Marcos. Você deve ensinar sua amiga a ser mais simpática com as visitas.
–Eu sou a namorada dele, idiota. -Disse Lara se referindo a Nanda.
–Olha, querida. Além de ignorante, você é burra. Não sabe que esse não é o seu filho?
–Sei.
–Então, por quê ainda o quer aqui?
–Não te interessa!
Enquanto isso Eric ainda continua no meio da sala, sentado de olhos fechados.
–Interessa sim. Estou aqui para defender o Marcos. E com esse demônio dentro de casa, vai ser mais difícil.
–Ela tem razão, Lara!- Digo defendendo Nanda.
–Não falei, você já está arrastando assas pra essa vadia, Marcos.
(Silêncio)
–Nossa, que cheiro é esse em você, Lara? -Fala Nanda.
–Que cheiro? É impressão sua.
–Não é impressão minha. Você está com cheiro de ferrugem...
–Não estou!
–Está sim. -Digo.
Nanda faz uma cara estranha. Enquanto, Lara vai até a cozinha com as sacolas.
–Achei estranho esse cheiro na Lara, Marcos. -Nanda fala desconfiada.
–Eu já tinha sentido antes, mas resolvi deixar quieto.
Me viro para olhar Eric, imóvel no meio da sala.
–Marcos, olha.
Quando me virei, vi Lara segurando uma faca, vindo na nossa direção.
–O que é isso, Lara?-Gritei para Lara.
Nanda sussurra em meu ouvido. O que ela me falou, me fez ficar perplexo. Ela tinha me dito que Lara era um demônio esse tempo todo. Como eu não percebi nada? Será que devo mesmo acreditar em Nanda?
Lara veio em minha direção com a faca, gritando:
–Você vai deixar meu filho quieto querendo ou não!
Me desviei dela. Nanda me disse que só podia espanta-la com minha autorização. Não sabia o que fazer. O cabelo de Lara estava ganhando uma tonalidade escura. Aos poucos seu cabelo havia mudado de cor. Estava em um castanho claro, quase escuro.
–Alejandro?- Gritou Nanda atrás de mim.
–Isso mesmo, Nandinha.
–Sabia, você não consegue ficar no corpo de uma pessoa sem modificar sua beleza.
–Ótimo, palpite. -Disse com uma voz rouca
–Eu te permito. -Grito para Nanda
Nanda corre em direção ao demônio chamado Alejandro, que há cinco minutos, eu achava que era minha namorada. Lara enfia a faca no peito de Nanda, que coloca a mão em sua barriga. A mão de Nanda entrou dentro da barriga do demônio. Que começou a se virar, morrendo completamente.
Essa foi a imagem de Lara, depois da morte do demônio.
Começo a chorar com a cena. Nanda me abraça e diz que tudo vai passar. A voz dela me acalma.
–Então, quer dizer que Lara está morta há muito tempo?
–Desde quando eu nasci, babaca. -Fala Eric. — Alejandro me disse que me salvaria se permitisse que Lara fosse tomada por ele, e eu por Lúcifer. Não gosto desse nome. Me chamem de pai.
–Você não é nosso PAI. — Grita Nanda para Eric.
Eric salta uma gargalhada debochada.
–E agora? O que eu farei? Estou sozinho nesse mundo!
–Não, você tem a Deus. E também tem a mim, para que quer mais? — Diz Nanda rindo, tentando me animar.
–Se você o matou, por quê não mata Lúcifer?
–Ele é muito poderoso. Apenas Deus pode o matar.
–Isso mesmo, lindinha. — Diz Lúcifer.
–Então por quê você não a mata, Lúcifer?
–Ora, porque não vale a pena. — Diz ele sem abrir os olhos.
– A faca não te machucou?
–Não! Só tem uma arma mata os anjos.
–Ah, tá.
Nanda foi até a parede na sala, tirou uma cruz de ferro do bolso de seu sobretudo e pendurou na parede. Automaticamente, Eric ou Lúcifer desaparece.
–Para onde ele foi?
–Não faço a miníma ideia. Mas aqui ele não vem nem tão cedo.
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