Corações Partidos Parte 2
6 Capítulo 6- 666
Novamente, me vejo com a minha solidão. Sentado, no quarto sem ninguém. Lara, se foi, minha última paixão. Não me resta mais ninguém, a não ser a mim mesmo. Eu tenho que ser forte, tenho que confiar. Não é fácil confiar quando se estar na pior. As pessoas vem e vão a todo momento. Nada permanece na minha vida. Me sinto em um completo jogos, onde a pessoa que manda, tem um ótimo senso de humor. E esse alguém é Deus. Por que todo esse sofrimento? Um pai não deveria fazer isso com um filho.
Não adianta eu ficar aqui, julgando o culpado da história, tenho que seguir em frente. Faço pequenas modificações na casa, arrumo e vou dormir um pouco. Esfriar a cabeça.
Na manhã seguinte, Nanda está em casa, não sei explicar a cena que vejo. Porém é muito bizarra. Nanda cozinhando. Anjos cozinham? Anjos tem fome? Eu não sei, mas achei muito engraçado.
-O que você está fazendo?
- Estou preparando um feitiço para demônios.
-Serio? E como funciona?
-É claro que não, né?! Estou cozinhando, afinal você não vive de vento.
Ri um pouco, embora no momento, eu não esteja preparado para rir.
-Vocês anjos comem e dorme como nós humanos?
-Não, nós temos uma força que nos alimenta sem precisarmos comer. Uma força que nos descansa sem dormir. Queria falar com você sobre isso.
-Isso o que?
- Eu não sou um anjo. Não mais.
-Como assim?
-Ontem, quando cheguei aos reinos celestiais, meu pai me disse que eu tinha que descer. No começo não entendi muito bem. Porém, ele me mostrou como você estava ontem à noite, sozinho. Você precisa de alguém que te faça companhia. Deus me enviou, em forma humana para te ajudar aqui na Terra. Não voltarei mais ao reino celestiais, não antes de morrer.
-Então, você irá ficar aqui comigo? Pra quê?
- Pra fazer comida, você é péssimo com isso, credo.
- Eu não sou tão ruim assim. Você só fala isso porque uma vez, eu coloquei açúcar no arroz. Uma única vez.
-Ou aquela vez em que, você misturou batata frita com leite.
-Ah, tinha ficado bom.
-Você passou mal quando comeu isso.
Então, Nanda e eu comemos, rimos e conversamos a tarde inteira. Quando me dei conta, Nanda está dormindo com a cabeça em cima do meu braço. Não queria acorda-la ou incomoda-la. Era sua primeira noite de sono, Decidi dormir também, embora não estivesse com sono.
-Acorda, criatura.
-O que foi?
-O que foi? Você dormiu segurando o meu cabelo.
(Silêncio)
-São que horas? -Nanda me pergunta
Eram vinte pras dezessete. Não tinha nada pra fazermos. Até aparecer uma mancha de sangue no teto. Escrito 666 e jogando sangue nos nossos rostos.
Fale com o autor