Corações Entrelaçados
1 Capítulo 1
Voltar pra casa depois de tanto, não me parecia tão assustador quanto agora. Eu só conseguia pensar em como seriam as coisas daqui pra frente.. Uma parte de mim queria que fosse exatamente igual a antes e outra deseja grandes mudanças, mas eu sabia que nem tudo poderia ser igual então acho que a parte das grandes mudanças vence.
Não sou mais a mesma garota de cabelo rosa que amava os domingos em família, muitas coisas aconteceram. Agora sou uma adulta, minha família dividiu-se e não vejo meu melhor amigo a anos. Pergunto-me como ele estaria. Aquele Uchiha idiota.
E enquanto me lembrava de nossos momentos juntos, simplesmente não pude deixar de sorrir.
Meu pai era um grande escritor e quando se divorciou de minha mãe decidiu viajar pelo mundo em busca de inspiração, ele me chamou para ir com ele e eu fui, minha mãe compreendeu eu a visito todos os fins de ano. Viajar o mundo com meu pai seria uma grande aventura e na época eu só pensava nas coisas maravilhosas que encontraria no caminho nunca passou pela minha cabeça as coisas maravilhosas que eu estava deixando para traz... Eu nunca mais vi Sasuke, minha mãe disse que ele havia se mudado para a casa de uma tia de fortaleza depois que a mãe morreu, eu fiquei triste em saber da morte da dona Mikoto, e mais ainda quando soube que não o veria novamente nem tão cedo e talvez nunca. Mas agora, com 26 anos, estou voltando para casa, após nove anos. É estranho e louco, mas só consigo pensar em Sasuke, sempre pensei nele. E a cada lugar novo que eu conhecia eu pensava em no que ele acharia. Faz muito tempo.. Muitas coisas aconteceram me tornei uma médica pediatra e Sasuke provavelmente se tornou um advogado ou professor de história e deve estar casado também. Dói imaginar ele com outro alguém, mas se ele estiver feliz, creio que essa dor possa ser suportável. Não sei exatamente o que espero ao voltar para casa, mas sei que seja lá o que for vou receber de braços abertos e sorrindo, porque este é meu lar, minha nova vida em minha antiga casa. O mundo não é nada comparado ao meu lar, pois é para ele que posso sempre voltar sabendo que a alguém estará me esperando.
- Saky ! Minha filha voltou! – Gritou minha mãe assim que me viu descendo do taxi, ela veio correndo e me agarrou tão forte que achei que ou ela me mataria sufocada ou quebraria os meus ossos – minha menina, minha menina voltou!
- Também te amo velha! Mas eu também me amo e preciso respirar! – a dona Leda sorriu e me soltou secando as lágrimas de alegria que inundavam seu rosto rosado.
- Já disse pra não me chamar assim!
- E quantas vezes tenho que dizer que é Sakura e não Saky!
- Eu gosto mais de Saky! Sempre te chamei assim e sempre vou te chamar assim, isso foi coisa daquele velho rabugento do seu pai que fica querendo botar você contra mim..
- Ei eu to ouvindo! – disse meu pai logo após fechar o porta-malas do carro.
- E quem disse que ligo? E quem foi que te chamou aqui em? Porque não fica na casa daquela Bruxa velha da sua mãe?
- Não ofenda a mamãe ok, e bruxa velha é você que tem até essa verruga horrenda no nariz!
- É uma pinta!
Eu revirei os olhos e respirei fundo, todas as vezes que esses dois se encontravam era a mesma coisa minha mãe ofendendo a vovó Chyo e meu pai falando da pinta que minha mãe tem no nariz.. Ai Cristo haja paciência.
- Pai pela milésima vez isso é uma pinta e mãe pela milésima vez deixa a vovó fora disso!
- desculpa Saky! – Disse minha mãe me abraçando.
- É Sakura! – Disse meu pai se colocando ao nosso lado logo após o taxi ter partido.
- Para mim é Saky! Vamos filha seu antigo quarto está prontinho pra te receber de volta, e você seu velho nojento vai dormi com o Tobi!
- Tobi? Quem é Tobi?
E como uma resposta do destino um labrador veio correndo e pulou em cima de meu pai o derrubando no chão e o lambendo como se fosse uma criança e seu sorvete.
— Esse é o Tobi, o encontrei na rua e o peguei, ele é um doce e vai te fazer companhia!
Eu soltei diversas gargalhadas enquanto minha mãe me arrastava para dentro de casa.
- Tenho uma grande surpresa pra você! – Dizia minha mãe quase pulando de alegria enquanto me jogava pra dentro de uma casa completamente escura, me fazendo tropeçar em algo e cair de cara em um amontoado de almofadas.
- Mãe enlouqueceu de vez? – gritei
- SUPRESAAAAAAA! – gritou enquanto acendia a luz e mostrava uma sala totalmente decorada com balões e faixas enfeitadas com diversos corações e mensagens do tipo “ Bem vinda de volta” e “ sentimos sua falta Saky”.
Eu observava aquilo tudo indignada, eu entendo a alegria dela com a minha volta, mas precisava exagerar tanto assim? Fala sério só um almoço já estava bom até demais. A velha sabia perfeitamente o quanto eu detestava essas surpresas dela, mas ela nunca muda desde sempre foi assim.
Meus pensamentos foram interrompidos com as diversas risadas do meu pai que havia entrado e visto todo o show de horrores que era aquela sala.
- Agora você se superou! – Ele dizia e voltava a rir cada vez mais parando apenas quando minha mãe pegou um jarro de flores e tacando toda a agua que havia dentro em sua cabeça. Esses pareciam duas crianças eu sinceramente não sei a quem eu havia puxado, por diversas vezes até pensei em adoção.
- Cala boca! Seu imprestável! – dizia ela enquanto me ajudava a levantar. Meu pai simplesmente a olhou furioso e estava prestes a fazer um comentário quando arregalou os olhos e literalmente congelou. Será que ele tinha visto um fantasma ou algo assim? Minha mãe olhou para algo atrás de mim e sorriu.
- Saky, há outra surpresa pra você!
- Mãe eu acho que já chega de surpresas né!
- Assim você me magoa pirralha! — Dizia uma vós atrás de mim.
Eu congelei assim como meu pai. Aquela voz.. Não podia ser não é mesmo? Não podia ser aquele velho amigo que tanto sentia falta. Eu não virei, eu não disse absolutamente nada. Simplesmente não dava eu não sabia o que fazer ou o que dizer. Olhei para meu pai em busca de socorro, ele sabia que eu não estava pronta pra isso. Ao perceber o meu olhar ele simplesmente deu um sorriso cansado. Meu pai me conhecia melhor que ninguém, por diversas vezes enquanto viajávamos de um canto a outro ele me pegava observando uma foto de Sasuke, ele sempre me abraçava e secava minhas lágrimas. Certa vez ele até tentou me convencer a voltar, mas eu me recusei eu não queria desistir e voltar. Sasuke nunca me perdoaria.
- Saky ele veio até aqui só pra te ver! – Disse minha mãe com um sorriso estampado em seu rosto.
- É irritante não quer me ver ou o que? Porque não olha pra mim? – ele dizia com aquele mesmo tom presunçoso do qual eu me recordava. Respirei fundo e me virei, assim que o vi meu coração se apertou. Ele sorria aquele sorriso perfeito.. Sasuke estava encostado na parede com os braços cruzados, revelando seus músculos bem definidos. Eu simplesmente não conseguia fazer nada a não ser olha-lo. Ele sorriu ainda mais a perceber o meu desconforto. Pronto me perdi de vez em seu sorriso travesso, seus olhos ônix que brilhavam e me observavam com tanta intensidade. Céus como sentia falta dele.
- Eu acho que ela teve um treco! – dizia minha mãe enquanto estalava os dedos na minha frente, fazendo-me despertar.
- Oi .. – Eu disse simplesmente.
Sasuke riu.
- Pirralha faz quanto tempo que não nos vemos? 6 anos?
- Eu acho que são 8! – disse meu pai
- 8 anos? Isso tudo?
- É! 8 anos! – confirmou meu pai
- 8 anos sem me ver e tudo o que tem a dizer é oi?
Eu sorri. De fato havia muita coisa a dizer, mas por onde começar? Eram tantas histórias, tantas perguntas que eu queria lhe fazer, tantas coisas que eu queria saber. Não sabia se começava com um ‘como você está?’, ou um ‘Me conte como foram esses anos?’, ou talvez eu perguntasse se ele havia encontrado alguém, ou não, na verdade eu não tenho certeza quanto a última.
- Bem! Eu acho que eu e seu pai vamos deixar vocês conversando! – dizia minha mãe enquanto literalmente arrastava meu pai para fora de casa.
Eu e Sasuke ficamos ali parados nos olhando. Até que eu finalmente desisti de bancar a estatua e me joguei no sofá soltando um longo suspiro.
- Você pedia ter esperado! Chegar de Madri e da de cara com você no mesmo instante em que piso dentro de casa é pedir muito da minha sanidade! Mas não né? Claro que era pedir muito – Falei com ironia.
Sasuke deu uma gargalhada e sentou-se ao meu lado.
- Eu não queria esperar, quando a Leda disse que você estava voltando eu nem acreditei, só queria vê-la de novo!
- Só não me diga que a ideia de redecorar a sala foi sua!
- Eu disse a ela que você ia odiar, mas ela me ignorou e ainda me fez encher todos esses balões!
- Nossa, eu até poderia dizer que sinto pena de você, mas não sinto! – Eu me acabava de rir imaginando a cena da minha mãe dando diversas ordens a Sasuke.
- E ainda se diz minha amiga né! Tudo culpa sua em pirralha!
- Ei culpa minha nada!
- Relaxa, eu até que gostei de ajudar sua mãe, era como nos velhos tempos quando dava essa crises nela – ele riu um pouco, olhou nos meu olhos e disse por fim – senti falta disso tudo!
Eu sorri e encostei minha cabeça em seu ombro.
- Senti sua falta!
- Eu não senti um pingo de falta sua, na verdade eu até dei uma festa quando você foi embora – o interrompi de falar mais asneiras com um soco no estomago ele gritou e se contorceu um pouco no sofá. – Era brincadeira sabe que te amo né!
E então ele simplesmente me agarrou puxando-me para perto de si e dando um beijo em minha testa.
- Senti sua falta pirralha!
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