No capitulo anterior:

E então ele simplesmente me agarrou puxando-me para perto de si e dando um beijo em minha testa.

- Senti sua falta pirralha!

Capitulo 2:

Eu sorri, ficamos abraçados por um tempo no sofá em silencio apenas apreciando o momento, porém, fomos interrompidos com os suspiros de minha mãe que assistia a cena. Só faltou ela soltar fogos. Sério, ela realmente seria capaz disso.

Nos afastamos ambos constrangidos com a cena.

- Mãe você tá de brincadeira né?

- Perdão Saky, eu não resisti a dar uma espiada!

- Eu disse que sua mãe era louca, mas você não me deu atenção! – Dizia meu pai surgindo ao lado da velha.

- Cala a boca seu velho irritante! – disse ela e deu uma cotovelada no estomago de meu que a olhou indignado.

Sasuke riu com a cena deles dois discutindo.

- Já chega! – gritei

- Perdão Saky.

- Mãe pela milésima vez é Sakura, e pai para de implicar com a mamãe!

- Eu paro quando ela parar!

Revirei os olhos. Eles estavam me irritando.

- Calma pirralha sabe como eles são!

Eu fuzilei Sasuke com o olhar e ele se afastou de mim com medo.

- Vamos almoçar? Fiz reservas em um restaurante fabuloso!

- O que? Restaurante? – dizia meu pai.

- Mãe eu e o papai estamos cansados, porque não comemos aqui mesmo?

- Nem pensar eu quero ter um almoço especial com a minha filha e o meu filho, afinal Sasuke é como se fosse meu filho também, por favor, Saky não pode me negar esse jantar em família!

A velha me olhava triste, ela sabia que eu acabaria cedendo.

- Tá ok, vamos almoçar nessa droga de restaurante, mas depois vamos voltar direto pra casa ok? Sem inventar nada eu tenho um jantar importante essa noite e preciso descansar um pouco então vê se não inventa!

- Jantar? Mas eu queria que jantasse todos juntos.

A olhei com reprovação, ela sabia que o jantar era importante.

- Leda! Você sabe que o jantar dela com Gaara é importante, não invente nada! – dizia meu pai já cansado daquela conversa.

- Quem é esse tal de Gaara? – Perguntou Sasuke.

- Um idiota com roupa chique que tá namorando com a Saky, parece que eles vão trabalhar juntos aqui no Brasil! – dizia minha mãe sentando-se em uma cadeira já derrotada.

- Namorado? – Perguntou Sasuke com uma cara um tanto estranha.

- Que namorado o que, ele é meu amigo nos conhecemos na Califórnia e fizemos faculdade juntos e só, minha mãe viaja com essa história de namoro só porque eu o trouxe aqui no natal e ele fez um brincadeira!

- Eu não gostei nem um pouco daquela brincadeira e não me pareceu que ele estava brincando! – Dizia a velha enquanto levantava-se e ia marchando até a cozinha. Porque ela tinha que ser tão infantil?

- Que brincadeira? – perguntou Sasuke, ainda com a aquela cara estranha.

- Ele me pediu em casamento na frente da família inteira, mas era brincadeira!

- Que idiota faz algo assim? – Perguntou Sasuke alterando a vós.

- Foi por causa do meu pai, ele sempre desconfiou que tinha algo entre a gente, então ele fez isso para saber qual seria reação dele.

Ele bufou e levantou-se andando de um lado para o outro da sala. Eu o observei sem entender nada, até que parou de repente e sorriu.

- Eu vou nesse jantar!

Minha única reação foi rir.

- qual a graça? – Ele perguntou, eu apenas continuei a rir e ele me olhava já irritado.

- você não vai! – Eu consegui disser finalmente, após muitas risadas. Não resistir, só de imaginar a cena desses dois cara a cara no mínimo pratos iriam voar no restaurante.

- vou sim!

- não vai não!

- Sim eu vou!

- Sasuke, você não vai e pronto! – Disse enquanto me levantava.

- Porque não?

- Porque eu não quero que você vá! Vamos falar sobre trabalho e você vai ficar me importunando!

Ele me fuzilou e bufou já com raiva.

- Dan diz pra ela que está sendo ridícula! – disse sasuke pedindo ajuda para meu pai que simplesmente levantou as mãos e subiu as escadas até seu quarto nos deixando a sós. Sasuke cruzou os braços e me olhou.

- Ta agindo feito uma criança birrenta!

- Mas eu quero ir no jantar!

- Não tem porque você ir!

- Porque não quer que eu vá?

Respirei fundo, não é que eu não queira que ele vá é que eu não podia deixar -lo chegar perto de Gaara, eu não queria que ele descobrissem dessa forma e eu não queria ter que contar justo hoje sobre a minha “amizade” com ele.

- É complicado!

- Tá escondendo algo não é?

- To e não eu não vou dizer a você porque não tem nada a ver com você!

- Você é minha melhor amiga é claro que tem a ver comigo!

Meu coração se apertou ao ouvi-lo dizer ‘Melhor amiga’.

- Eu estou pedindo, não insista! – Eu disse já de saco cheio.

Ele me analisou por um tempo, depois suspirou e me abraçou. Eu sorri ao sentir seu perfume natural. Era bom, me dava uma sensação de lar.

- Não vou insistir, porque não quero brigar com você por causa de um cara idiota de roupa chique.

Eu ri e o abracei mais forte.

- Ele não é assim, você não o conhece.

- Mas já o odeio!

Me afastei e o olhei confusa.

- Porque?

- Ele roubou você de mim e ainda te pediu em casamento!

- Ele não me roubou de você e aquilo foi brincadeira! – Disse rindo. Sasuke sempre foi ciumento.

- O odeio! E é bom que ele não apareça na minha frente!

Revirei os olhos, idiota infantil.

- Mudando de assunto – ele começou a dizer já me puxando para mais um abraço, ele beijou minha testa e sorriu para mim, mas não era um mero sorriso. Era o sorriso, aquele que ele dava quando aprontava alguma coisa – advinha quem vai dividir o quarto com você? – Ele dizia.

- Meu pai! – eu disse já cortando o barato dele. Eu definitivamente não ia dormir no mesmo quarto que ele, sempre que fazíamos isso dava merda. Foram duas vezes, na primeira foi quando eu tinha 12 anos e ele 13, era meu aniversário e fizemos uma festa do pijama, Sasuke inventou que os pais iam viajar, mas era mentira ele sabia que o quarto de hóspedes estava lotado e ele acabaria dormindo no meu junto com um monte de meninas e meu primo Kankuro que também tinha 12 anos na época. Resultado, ele passou a noite provocando as minhas amigas e quando fomos dormir ele invadiu minha cama e me beijou. Meu primeiro beijo. Só me lembro de Kankuro quase o matar ele passou boa parte da madrugada correndo pela casa fugindo do meu priminho. Na segunda vez foi pouco antes de eu ir embora com meu pai. Meus pais precisavam viajar para resolverem as coisas do divórcio e me deixaram com Sasuke o fim de semana inteiro, resultado, perdi a virgindade com ele também. Meus pais sempre confiaram em nele, inocentes, não faziam ideia do quanto aquele idiota é pervertido.

- Seu pai vai dormir no quarto de hóspedes no final do corredor bem longe da sua mãe e eu vou dormir com você! Ordens da dona Leda!

- Então você dorme com ele! – Eu disse me afastando.

- Ele ronca demais! – reclamou – Deixa eu dormir com você? Sua mãe disse que não tem problema, na verdade a ideia foi dela!

- É claro que foi dela ela sempre me jogou para cima de você, aquela velha é louca!

Ele sorriu e me puxou para si, em seguida deu uma leve mordiscada em meu pescoço.

- Bem que o plano dela deu certo não é! – ele sussurrou em meu ouvido. Me arrepiei toda, aquele desgraçado sempre fazia isso vivia me provocando. Eu até que gostava, mas o problema era que ele só provocava não era nada além disso, meras provocações. Dei um chute em sua intimidade e ele ficou lá se remoendo no chão enquanto eu o encarava séria.

- Não faça mais isso, não somos mais adolescentes !

- Porra pirralha se eu fosse você corria! – Ele gritou

Eu sorri e cruzei os braços. Minha mãe surgiu da cozinha assustada com o grito.

- O que houve?

- Pergunta pra pirralha! – Ele dizia enquanto se jogava no sofá ainda se contorcendo.

- Saky?

- Ele mereceu! Quem manda se comportar feito um idiota!

Minha mãe me fuzilou com o olhar.

- Vocês acabaram de se reencontrar, precisava disso?

- Sim! Só to matando a saudade né papa anjo! – Eu disse apertando as bochechas de Sasuke. Ele me olhou com raiva. Eu sabia o quanto ele odiava ser chamado assim, eu adorava chama-lo assim. Quando ele tinha uns 14 anos fomos a uma festa ele bebeu mais do que devia e acabou ficando com uma menina de 10 anos que era um tanto evoluída demais para sua idade, mas era um verdadeiro projetinho de puta. Ela vivia correndo atrás dele, mas ele nem se quer a olhava, como ele estava pra lá de bêbado ela se aproveitou. Desde então eu chamo de papa anjo. Ele odeia, sério ele realmente odeia, ele dizia que sentia repulsa por garotas como ela e queria esquecer aquilo a qualquer custo. Mas eu como sendo sua amiga, obvio que não ia deixar passar.

- Sakura – ele disse baixo fechando os olhos, era um aviso para eu não continuar ou a coisa ia ficar feia, sorri vitoriosa.

- Achou mesmo que ia deixar passar, meeeeu bebê? – Ele olhava sério. Ele odiava ser chamado assim, era tão fácil irrita-lo ele se preocupava com coisas tão tolas.

- Agora é pra valer! – ele dizia enquanto se levantava eu arregalei os olhos e corri, com sasuke atrás de mim minha mãe sorria enquanto voltava para cozinha. Eu sei que vivia reclamando da infantilidade de meus pais, mas o fato era que com sasuke era capaz de eu ser até pior que minha mãe. Fala sério, era impossível ter uma convivência normal e pacifica com ele. Ele era um idiota que adorava me provocar, ele era o único capaz de despertar esse lado meu. Um lado que ficava correndo pela casa fugindo de um pervertido que estava puto de raiva.

Já em desespero, afinal era de sasuke que eu estava fugindo ele era capaz de tudo, eu subi as escadas em direção ao meu quarto e já ia fechando a porta, mas sasuke foi mais rápido. Ele segurou a porta e a abriu sem nem um pingo de dificuldade enquanto eu me matava para mante — la fechada. Ele não só riu da minha inútil tentativa de fechar a porta, mas também riu mais ainda quando percebeu que eu havia tropeça e caído de bunda no chão.

Nós estávamos cansados e tanto eu quanto ele arfávamos tentando recuperar o folego. Ele me olhou sorriu e depois fechou a porta trancando-a. O olhei com os olhos arregalados, agora eu estava ferrada. Ele se abaixou e me empurrou para que eu me deita-se no chão, tentei fugir, mas ele segurou meu braços no alto de minha cabeça. E foi se aproximando cada vez mais com um sorriso no rosto. Quando estava a milímetros do meu rosto pude sentir seu hálito fresco, ele tocou de leve meus lábios com os seus e em seguindo deu uma leve mordida.

- não se atreva! – sussurrei, eu estava fraca, ele me deixava fraca.

- vai dizer que não quer! – ele sussurrou.

Eu me arrepiei por completo quando ele começou a dar leves mordidas em meu pescoço. Era sempre assim ele me agarrava pelos cantos e me provocava. Eu ficava enfurecida, mas nunca reagia e ele adorava isso. Sasuke sabia do poder que tinha sobre mim e ele simplesmente o apreciava, mas dessa vez seria diferente eu não iria deixar que ele fizesse isso.

- Me solte! – desta vez minha vós saiu firme.

Ele se assustou com o meu tom de vós e se afastou surpreso, mas não soltava meus braços. Ele ficou lá me olhando sem saber ao certo o que dizer.

- Eu não quero! – Ele finalmente disse.

- Você não tem que querer, apenas me solte Uchiha! Não sou mais seu brinquedo! – eu disse puxando meus braços tentando escapar de seu aperto, mas ele apenas o intensificou. Doeu, ele estava me machucando, me segurava tão forte que não surpreenderia se deixasse marca.

- Você nunca foi meu brinquedo! Porque ta dizendo isso?

O olhei indignada, ele estava mesmo falando sério?

- Sasuke – eu disse calmamente – está me machucando!

- não respondeu minha pergunta!

Respirei fundo. Estava juntando todas as forças, eu sabia que ia me arrepender disso, já estava me arrependendo. Eu queria ser tocada por ele, sentir seus lábios novamente, seu cheiro e tudo mais. Eu o desejava, mas eu não podia, eu não queria continuar sendo a garota que ele agarrava quando esteva afim. Eu não era mais a mesma e ele precisava entender isso.

- Eu não quero que as coisas continuem como antes!

- Porque não? Você gostava Voc..

- Eu odiava! – O interrompi, as mão de Sasuke tremeram um pouco e ele tinha um olhar frio.

- Não parecia que odiava! – ele disse em um tom que me fez ter calafrios, eu não sabia decifrar o que estava por trás daquele tom de vós se era angustia, desapontamento, raiva..

- Você não me entende! – eu disse fechando os olhos.

- Então me explique! – Ele apertou um pouco mais o seu apertou uma lágrima escorreu em minha face, ele realmente estava me machucando. Ao se dar conta disso ele afrouxou suas mão e sussurrou um ‘desculpa’.

- Quando você me tocava eu me sentia perdida – confessei – eu gostava, você era o único que me fazia sentir dessa forma, mas.. – me interrompi tentando achar um meio de dizer aquilo que tanto me incomodava.

- Mas o que?

- Mas era só isso! – ele me olhou confuso, então continuei – Você me puxava para cantos no colégio e me beijava, você me agarrava em festas e me arrastava para um canto escondido e me beijava, mas era só. Você nunca realmente quis algo comigo, era só uma coisa física, eu me sentia seu brinquedo, você nunca quis nada sério comigo e literalmente espantava qualquer um que se aproximasse. Eu tinha que ficar calada assistindo você com outras garotas, mas você nunca me deixava ficar com outros caras. – Eu já chorava, aquilo havia ocorrido a muito tempo, mas ainda assim machucava. Sasuke apenas me observa, ele estava com o olhar perdido. – Era apenas capricho não era? – ele não me respondeu, apenas soltou meus braços e sentou-se encostado na porta ainda me olhava, sem saber o que dizer. Eu continuei deitada no chão. – Você sempre foi um idiota, galinha e possessivo, mas ainda era meu amigo, um amigo muito estranho – eu sorri – mas ainda era meu amigo, eu sabia que se dissesse algo você se afastaria, eu estava com medo de perder você! – Me calei por um momento o observei e ele estava de olhos fechados.

- Olhe para mim! – Eu disse me sentando ficando de frete para ele.

Sasuke abriu os olhos e pude perceber o quanto ele estava se forçando a não chorar, podia se ver de longe o quanto minhas palavras o atingiram e isso me partia o coração, mas eu não podia voltar atrás. Não podia simplesmente jogar tudo para o ar e voltar a ser aquela menina idiota apaixonada pelo melhor amigo.

- Depois de tanto tempo, eu aprendi que detesto ficar longe de você – eu sorri e toquei de leve seu rosto com minha mãe direita – mas.. eu posso sobreviver a isso!