Coração de Dragão
1 Começou
Há tanta coisa acontecendo, coisas que não consigo nem explicar e que se eu tentasse me chamariam de louca. Apenas fiquei com raiva da Elena Grace, minha colega de escola, ela me implica desde que eu tinha oito anos, fiquei com tanta raiva que uma cadeira a derrubou no meio da sala. Tenho certeza que a diretora já havia falado com minha mãe. Eu esperava que minha mãe chegasse a mim e se espantassem me largasse em algum hospício e teria medo de mim, mas na verdade nem tocara no assunto como se fosse da minha imaginação. Não vou à escola há duas semanas depois do que aconteceu, e nem quero, olhar para aquelas pessoas me chamando de aberração ou algo do tipo. Fico em meu quarto praticamente todos os dias desenhando em meu caderno imagens que vem em minha mente, às vezes desenho uma grande arvore, com galhos enormes que se mexem por vontade própria. Não sei como essa arvore aparece, falei com minha mãe e ela disse que eu simplesmente gosto de arvores, péssima desculpa.
Fiquei desenhando de novo a arvore e minha mãe apareceu dizendo:
—Preparada para amanha?
—Claro! – amanha é meu aniversário de 11 anos, minha mãe ficara me falando que algo grandioso irá acontecer nessa idade.
—Desenhando a arvore de novo? – disse minha mãe.
—Ela aparece na minha cabeça quando eu pego no lápis, não consigo pensar em outra coisa. — coloquei o caderno de lado na minha cama e me deitei. — Mãe, acha que papai vai ligar? – meu pai me abandonou quando eu era bebê nunca me ligara nem me mandara uma carta então nem tinha esperança.
—Não sei querida- minha mãe não gostava muito quando eu falava dele, eu não consigo evitar.
—Eu nunca ouvi a voz dele, queria ouvir.
—Desculpe querida, vá dormir, terá um dia cheio amanha- minha mãe saiu do meu quarto e fechou a porta.
Dia cheio? Eu esperava só um bolo caseiro em casa e uma canção de parabéns. Cobri-me e resolvi dormir.
A arvore continuava a se movimentar para perto de mim tentando me derrubar, corri para o lado e ela passou raspando esmagando o chão, outro galho se aproximou e me derrubou para longe. Atingi o chão e rolei para o lado tentando me levantar, porem não conseguia. Deitei-me olhando para cima e vi o galho subindo e descendo rapidamente em minha direção.
Acordei com ruídos, minha coberta e travesseiro estavam no chão e eu estava pregada de suor. Levantei-me e ouvi ruídos na minha janela, fui em direção a ela vi que era uma coruja segurando algo no bico. Abri-a e percebi que era uma carta, peguei ela e comecei a ler:
Prezada Weather,
Temos o prazer de informar que vsa tem uma vaga na escola de magia e bruxaria de Hogwart. Estamos anexando uma lista dos livros e equipamentos necessários.
O ano letivo começa no dia primeiro de setembro, estamos aguardando sua coruja ate 31 de julho, no mais tardar.
Atenciosamente
Minerva McGonagall
—Mãe!- gritei.
Minha mãe veio correndo e parou quando viu a carta em minha mão.
—O que isso significa?- perguntei.
—Queria ter te contado logo- disse minha mãe.
—Me contado o que?
—Você é uma bruxa Emma.
—Uma o que?!- Não sabia se era o sono me fazendo imaginar coisas, nada daquilo fazia o menor sentido.
—Bruxa- minha mãe dizia de uma forma séria e natural.
—Isso não existe, posso ter 11 anos hoje, mas sei que isso não é real.
—Mas é, seu pai também. – Ela ajoelhou em minha frente para ficar do mesmo tamanho que eu e sorriu.
—Você é também?
—Não.
—E nunca pensou em me contar?
—Eu ia só não sabia quando.
—Que tal desde que nasci? – sai correndo de meu quarto e desci as escadas em direção à cozinha.
—Muitas crianças ficariam felizes em saber que possuem poderes filha.- disse minha mãe descendo as escadas.
—Não é isso, é que você escondeu de mim o que eu sou. Sempre soube que havia algo de diferente em mim e você sabia o que era e nunca me disse!- as lagrimas escorreram de meus olhos, senti o sangue fervendo em minhas veias e de repente ouço um barulho fino e estridente no meu lado direito. Quebrei a janela da cozinha com a mente.
—Emma calma, eu contarei tudo o que precisa saber- ela se aproximou de mim e tocou em minha bochecha limpando a lagrima- tudo.
—Esta bem- respirei fundo, tudo começou a rondar minha cabeça naquele momento.
Minha mãe me explicara tudo, Hogwarts era uma escola preparatória para bruxos e seu diretor é Alvo Dumbledore, a arvore q eu desenhava todo dia fica em Hogwarts e se chama Salgueiro Lutador, em Hogwarts há quatro casas: Grifinória, Sonserina, Corvinal e Lufa-lufa e ela me contou também que cada uma tem sua fama, respectivamente, corajoso, mal, inteligente e bobo. Ela me informou de varias outras coisas e de que preciso ir para o Beco diagonal para comprar tudo que preciso e que iriamos hoje para eu olhar o mundo dos bruxos pela primeira vez.
—Vai entrando no carro, preciso pegar uma coisa- disse ela- como não sou bruxa não poderei entrar então de lá você irá com uma amiga minha.
—Como você sabe disso tudo?
—Do mundo da magia? Minha mãe era bruxa e se apaixonou pelo meu pai que não era, não peguei seu dom.
—Eu peguei do meu pai então.
—Sim.
Assenti e fui para o carro. Fiquei esperando e olhei para o céu pela janela, quando avisto uma forma nas nuvens, abri a porta do carro e sai para ver melhor, tentei decifrar a imagem que estava desenhada no céu. Formara um rosto com duas asas uma de cada lado no lugar das orelhas, e os olhos e boca aberta eram escuros e profundos. Fiquei pasma e paralisada isso não é uma simples forma que as nuvens fazem isso é algo impossível. Na verdade depois que descobri que sou uma bruxa nada é impossível.
—Emma?- senti a mão de minha mãe em meu ombro- você esta bem?
—Você viu? – desviei o olhar do céu para olhar para ela.
—Vi o que?
—O que está no céu- olhei para cima e vi que não tinha nada. “Deve ter sido da minha imaginação”. – deixe pra lá.
—Então vamos? – ela entrou no carro e eu fui junto- essa é sua lista de materiais.
Ela me entregou um papel que parecia ter sido guardado durante anos, todo amarelado e um pouco amassado. Abri e estava escrito:
Uniforme
Os estudantes do primeiro ano precisam de:
1. Três conjuntos de vestes comuns de trabalho (pretas)
2. Um chapéu pontudo simples (preto) para uso diário
3. Um par de luvas protetoras (couro de dragão ou similar)
4. Uma capa de inverno (preto com fechos prateados)
Obs.: As roupas do aluno devem ter etiquetas com seu nome.
Livros
Os alunos devem comprar um exemplar de cada um desses seguintes:
O Livro Padrão de Feitiços (1ª série), de Miranda Goshwak
História da Magia, de Batilda Bagshot
Teoria da Magia, de Adalberto Waffling
Guia de Transfiguração para Iniciantes, de Emerico Switch
Mil Ervas e Fungos Mágicos, de Fílida Spore
Bebidas e Poções Mágicas, de Arsênio Jigger
Animais Fantásticos e seu Hábitat, de Newton Scamander
As Forças das Trevas: Um Guia de Autoproteção, de Quintino Trimble
Outros equipamentos:
1 varinha mágica
1 caldeirão (estanho, tamanho 2)
1 conjunto de frascos
1 telescópio
1 balança de latão
Obs.: Os alunos podem ter uma coruja, um gato ou um sapo.
Lembrando aos pais que os alunos do primeiro ano não precisam usar vassouras pessoais.
—Quanta coisa- falei. Conseguirei tudo isso no beco diagonal?- Esperei minha mãe responder, mas ela não falou nada- Mãe? Esta me ouvindo?- Olhei para ela e parecia que estava hipnotizada.
—Mãe!- comecei a cutuca-la, ela parecia não me ouvir como se estivesse em outro mundo- Mãe!- gritava mais alto, de repente ela desmaiou fazendo o carro bater em um poste.
Eu havia batido a cabeça e percebi que ela começou a sangrar, mas não liguei. Estava muito preocupada para isso. Sacudi-a e ela não acordava, comecei a gritar por socorro e a chorar. Um homem apareceu ao meu lado do carro, era alto e magro, seus cabelos eram loiros e ficavam da altura do ombro e havia uma cicatriz em seu pescoço.
—Seu nome é Emma Weather?- confirmei com a cabeça, ele abriu a porta do carro pegou meu braço e me tirou de la. – venha comigo.
—Espere, minha mãe! – ele era um mero estranho e eu nunca deveria segui-lo, no entanto algo me dizia que eu deveria confiar nele.
—Eu cuido dela, agora preciso q venha comigo imediatamente- ele me levou ate uma hospedaria chamado Caldeirão Furado.- preciso que fique aqui, vou cuidar de sua mãe.
Comecei a sentir o chão desmoronar em meus pés e tudo começou a girar, senti o gelado do chão em minha pele. “ Fique acordada” eu estava desmaiando” fique acordada”.
—É ela?
—Absoluta certeza que é.
Eu estava em um quarto escuro e ouvia as vozes em volta de mim, vozes familiares que eu não sabia reconhecer.
—Devemos começar?
—Vamos esperar, ela precisa saber primeiro.
“saber oque?”
Acordei sem ar e ofegante com todos os lençóis jogados no chão e o suor escorrendo sobre minha pele. Olhei em volta e vi que estava em um quarto simples e grande, com uma janela enorme mostrando a rua e vi que já estava escuro. Levantei-me sentindo ainda zonza então fecho os olhos para tudo parar de girar.
—Você esta bem?- abro os olhos era aquele homem alto e loiro.
—Quem é você? Onde estou? Cadê minha mãe?- disparei as perguntas.
—Meu nome é Balthazar Gnilwor, você está em um dos quartos do Caldeirão Furado e sua mãe esta enfeitiçada por algo muito poderoso, mas está bem.
—Enfeitiçada? Por quem? Preciso vê-la.- corri para porta logo depois Balthazar entrou na minha frente- deixe-me passar imediatamente.
—Sua mãe não está aqui, ela esta sendo cuidada por vários bruxos confiantes.
—Quem fez isso com ela? – comecei a chorar incontrolavelmente.
—Quem fez isso não é uma pessoa boa Emma.
—Como sabe meu nome? E me diz quem fez isso.
—Te conheço desde que nasceu Emma, sou um velho amigo de sua mãe-ele disse isso com um sorriso depois desabrochou- não sei quem fez isso posso te assegurar que sua mãe ficará bem, mas quem fez isso com ela queria que ela sofresse.
—O meu Deus- ajoelhei no chão e comecei a chorar mais, quem faria isso com minha mãe?
—Agora se ele atacou sua mãe provavelmente irá querer atacar você também por isso é preciso que você fique aqui até sua ida para Hogwarts.- concordei tudo com a cabeça.- Cuidarei dos seus materiais, pode ficar tranquila.
Deitei na cama sem parar de chorar, Balthazar saiu do meu quarto e fechou a porta devagar. Fechei os meus olhos querendo dormir que amanha minha mãe acordaria desse pesadelo.
Eu não poderia estar mais enganada.
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