Coração de Dragão
2 Hora de pegar o trem
—Emma? – senti uma mão quente tocando em meu ombro e sacudindo- acorde.
Abri os olhos devagar e ao abrir fiquei com a visão embaçada mesmo assim consegui ver a forma esguia de um homem em pé ao lado da minha cama, a figura foi se tornando mais nítida ate formar a imagem de Balthazar.
—Bom dia- havia mais de dois meses em que fiquei hospedada no Caldeirão furado e hoje seria o dia em que finalmente regressaria para Hogwarts.- alguma noticia de minha mãe?
—Continua na mesma situação- na mesma situação desde que tudo isso começou.- pode ser uma coisa boa também, ao menos ela não piorou.
Fiquei quieta observando sua expressão no rosto de como eu conseguia ler facilmente, ele sempre quer mostrar que há esperança mesmo nos momentos em que tudo está em pura escuridão. Como agora.
—Trouxe algo para você- ele saiu do quarto e voltou um momento depois- feche os olhos.
Obedeci imediatamente mesmo sabendo o que seria a surpresa pelos ruídos que comecei a ouvir no momento em que ele abriu a porta, comecei a sorrir antes de abrir os olhos e ouvi o barulho ficar mais alto.
—Pode abrir- ele me entregou uma gaiola com uma belíssima coruja negra como a noite.
—Ela é linda!- peguei a gaiola e olhei-a bem de perto- Balthazar não precisava.
—Claro que precisava- ele sentou ao meu lado da cama, logo depois colocou o dedo para acariciar a coruja e ela quase o bicou. — como vai chama-la?
—Noturno.
—Noturno? Tem certeza- vi pela expressão que ele não gostara do nome.
—Absoluta- levantei e coloquei a gaiola em cima do criado mudo- não acredito que irei para Hogwarts.- falei sem tirar os olhos de Noturno.
—É estranho no começo- ele se aproximou de mim- ao menos estará segura.
—Me prometa me falar tudo que acontecer com minha mãe, mesmo que não seja nada.
—Esta bem.
—Me prometa!- senti uma lagrima escorrer pelo meu rosto “não posso chorar agora” pensei.
—Prometo Emma.- vi pelo canto do olho algo q nunca vi durante esses meses, um rosto sem esperança. Ele se recompôs antes que eu me virasse para ele e sorriu- se arrume precisamos pegar o trem.
Esperei Balthazar sair do meu quarto para eu começar a me arrumar para minha ida para Hogwarts finalmente, planejei esse dia durante o tempo que passei aqui ate a roupa exata. Peguei a roupa que ja estava no cabide-uma blusa branca solta, uma jaqueta e uma calça jeans e meu all star preto favorito- então fiz uma trança em meus cabelos loiros.
—Esta pronta?- a voz de Baltazar saiu abafada por tras da porta.
—Estou. — respirei fundo, estava prestes a entrar de cabeça na minha nova vida, no meu novo mundo que ha dois meses eu nem fazia ideia que existia.
Abri a porta do quarto e vi Balthazar encostado na parede do outro lado do corredor, seu rosto não continha àquela chama de alegria e sim um ponto de desespero e tristeza. O olhei com soslaio tentando faze-lo perceber que eu estava em sua frente quando ele ficava olhando para o nada como se tivesse visto um fantasma.
—Balthazar?- toquei-o no ombro fazendo-o acordar do devaneio. — esta tudo bem?
—Sinto muito Emma-Balthazar era o tipo de homem que fazia o humor das pessoas de acordo com seu próprio, se ele esta feliz todos estão. A mesma coisa quando ele esta triste. — acabei de receber o telefonema do bruxo que esta cuidando de sua mãe...
—Ela morreu?- senti meus olhos ardendo e as lagrimas começarem a escorrer.
—Não, mas temo que possa não haver uma cura.
Senti meu mundo girar e o chão desabar em meus pés. Ela não estava morta, porém é como se ela estivesse. Nunca vi meu pai agora nunca mais verei minha mãe, não escutarei mais a voz dela falando que esta tudo bem. Se não vai ser ela que vai me dizer que tudo ficará bem, quem mais dirá?
—Eu mesma.
—O que?
—Nada — não havia percebido que falei meu pensamento em voz alta. -melhor irmos senão perderei o trem.
Senti o espanto de Balthazar ao ver que eu não estava ajoelhada no chão chorando pela minha mãe. Por dentro eu estava gritando, chorando e estava destruída, por fora eu estava calma para acalmar minha mente.
Saímos do Caldeirão Furado e imediatamente senti o frio penetrando através da jaqueta e atingindo minha pele. Balthazar foi em direção a um carro preto no outro lado da rua com os braços se envolvendo por causa do frio, ele estava com um longo casaco.
—Entre- disse Balthazar apontando para o carro.
Entrei e logo senti o cheiro de carro novo, sentia o frio diminuir ao fechar a porta do carro. Suspirei e fechei meus olhos “Essa é minha vida agora?" pensei. Ouvi Balthazar entrar no carro, esperei ele liga-lo, no entanto ele demorou a ligar.
—Aconteceu alguma coisa?- abri meus olhos e vi Baltazar parado em frente ao volante olhando para a rua.
—Conheço sua mãe desde que ela era pequena éramos muito amigos, ate estava lá quando você nasceu- sua voz começou a ficar tremula.
—Não chore- era a única coisa que pude falar naquele momento, ele estava triste precisava falar mais- não sabia que você conhecia minha mãe, nem me lembro de você.
—Quando nasceu sua mãe me pediu para que eu não a visse tanto, ela queria que você ficasse longe do mundo da magia.
—Por quê?- fiquei incrédula, eu descobriria com 11 anos do mesmo jeito, por que não antes?
—Ela queria que você vivesse...
—Não- interrompi- o que adiantaria viver 11 anos tendo uma vida normal quando depois toda a verdade me atingiria.
—Ela só queria seu bem.
—Melhor irmos- senti as lagrimas saírem e eu não queria que caíssem.
—Não há problema em chorar Emma.
—Chorar significa aceitação Balthazar- eu estava falando um pensamento que eu nunca havia pensando antes ate agora- e não aceito minha mãe ficar enfeitiçada para sempre.
—Mas Emma...
—E nunca irei- eu queria sair correndo daquele carro e ver minha mãe- vamos.
Balthazar ligou o carro e foi em direção a estação de trem, o silencio penetrou pelo caminho só se ouvia os barulhos da rua afora. Senti uma pontada de tristeza no meu coração ao imaginar que terei que lidar com tudo sozinha, com meu novo mundo, com meu novo eu e ainda ter na mente que minha mãe nunca ira acordar.
—Chegamos. -Sai do carro e senti a chuva imediatamente, corri para dentro da estação e Balthazar foi logo atrás e mim levando minhas malas.
Ao entrar na estação King's cross escorreguei no chão molhado por causa das pessoas molhadas pela chuva entrarem e alguém me segurou. Imediatamente pensei em Balhtazar, porém quando me virei era um menino um pouco mais alto que eu e aparentemente da mesma idade. Ele tinha cabelos loiros quase chegados ao branco e seus olhos eram verdes como esmeralda. Ele era lindo.
—Desculpe- falei.
—Sem problemas- ele esboçou um sorriso e foi andando.
—Por aqui Emma.- disse Balthazar passando diretamente por mim- ele era bem bonitinho ein?
—Fique quieto Balt-por um momento percebi que acabara de criar um apelido para ele- desculpe, Balthazar.
—Pode me chamar de Balt, Balthazar é muito formal.
Ele esboçou um longo sorriso, uma felicidade brotou dentro de mim ao vê-lo sorrir. Percebi que o dia não se alegrava se ele não estivesse alegre.
—Aqui esta seu bilhete do trem- Balt me entregou um bilhete com partes douradas escrito "Plataforma 9³/4".
—Hã...acho que tem um engano, não existe...
—Você verá.
Fomos avançando as plataformas ate que ficamos entre as plataformas 9 e 10, via as pessoas andando pelas plataformas e pegando os trens para sua vida normal "vida normal" pensei" essa é a minha vida normal agora".
—Atravesse a parede.
—O que?
—Atravesse aquela parede, entre a plataforma 9 e 10.
—Esta bem Balt- deu um passo a frente- você esta louco!
—Confie em mim- ele ficou ao meu lado e apontou para a parede. — pode correr se quiser, eu levo suas malas e o Noturno.
Assenti. Minhas malas e a gaiola de Noturno estavam em um pequeno carrinho em frente a Balthazar. Olhei para a parede e respirei fundo. "3" pensei "2...1". Corri o mais rápido que pude contra a parede esperando pelo impacto, mas ele não veio. Vi as pessoas passando por mim com seus carrinhos que tinham malas e algumas ate gaiolas de corujas.
—Boa sorte em Hogwarts querida- disse uma mãe para sua filha, ela tinha cabelos curtos pretos e entrou no trem que estava escrito na frente "Expresso Hogwarts".
—Isso é um adeus. — me virei para Balt que estava atrás de mim.
—Muito obrigada por tudo.
—Nos veremos logo, quem sabe eu de uma visitinha em Hogwarts, sou um grande amigo do diretor Alvo Dumbledore.
—Por favor- agora era ele é a pessoa mais próxima de mim, quem posso confiar- sentirei saudades. — Ele sorriu e me abraçou.
—Irei colocar suas malas no trem, enquanto isso pode entrar.
Fui em direção a lateral do trem onde há a entrada, houve um pequeno tumulto lá dentro que depois foi se amenizando então entrei. Tive que me espremer para passar pelas pessoas-muitas da minha idade- a medida que eu passava os vagões estavam lotados, então vi um que só tinha uma menina de cabelos castanhos. Bati na porta do vagão e então abri:
—Com licença- fiquei com vergonha de pedir para entrar- se importa de eu me sentar aqui?
—Pode entrar- ela erguei o braço mostrando o assento.
Sentei-me e fiquei olhando pela janela avistando Balt lá fora olhando para mim, sorri para ele e me voltei para a menina a minha frente. Ela devia ter minha idade cabelos e olhos castanhos, ela tinha uma blusa escrita "Don't trust ducks" algo que estranhei imediatamente.
—Gostei da blusa- falei interrompendo o silencio.
—Obrigada, foi meu irmão que comprou- disse ela mostrando mais a blusa- meu nome é Katherine Sparks.
—Emma Weather.- senti uma pontada de felicidade ao falar com Katherine, que eu poderia ter uma amiga nesse mundo desconhecido.
Senti o trem se mover com um estrondo e engoli um seco "é agora". Olhei para janela e acenei para Balt que acenou de volta. Senti um pouco de saudades mesmo sabendo que o veria logo.
—Seu pai? -perguntou Katherine.
—Não, ele é... um velho amigo.- abaixei a cabeça, ouvir a palavra pai fazia-me sentir triste por nunca ter conhecido o meu.
—Ah, e onde estão seus pais se me permite perguntar.
—Bem, minha mãe...- como falar que minha mãe esta em um coma e que poderá nunca voltar- esta doente então não pode vir e nunca conheci meu pai.
—Oh- senti o arrependimento da pergunta de Katherine.
—Não tem problema você ter perguntado.
—Sou curiosa demais, desculpe.
—Também sou, e agora que descobri que sou bruxa estou enlouquecendo.
—Espere- a expressão de Katherine mudou para espanto- você não sabia que era bruxa?
—Não, descobri ha pouco tempo.
—Eu já nasci sabendo, pois minha família inteira também é meu irmão ate já estudou em Hogwarts.
—Eu nem sabia a existência dessa escola ate receber a carta.
O trem andava depressa fazendo toda a imagem a fora ficar embaçada. Ouvia as pessoas ao redor falando sobre magia e assuntos que eu nunca ouvira falar, tudo que ficava em minha cabeça eram minha mãe e o que eu poderia fazer para ajuda-la.
Emma?- Katherine me tirou de todo o devaneio.
—Sim?
—Que Casa você acha que irá?- Katherine fez depois uma feição pensativa- se você souber claro...
—Eu sei delas e não faço ideia em qual irei- ainda ficava confusa sobre as Casas de Hogwarts.- na verdade nem sei como eles fazem isso, como selecionar.
—Há um chapéu seletor que indica qual Casa você pertence de acordo com você. — Katherine começou a olhar pela janela observando a paisagem.- cada uma é famosa por algo, Grifinória por sua coragem, Corvinal por sua inteligente, Lufa-Lufa por sua bondade e Sonserina por sua maldade.
—Maldade?
—Sim, todos que são maus vão para lá.
—Isso é horrível.
—Chamam os que estão na Lufa-Lufa de bobos também, mas não acredito nisso porque eu tenho uma prima de lá e ela é tão inteligente quanto vários da Corvinal que conheço.
—Não posso discordar por não conhecer ninguém.- senti meus olhos pesando e se fechando lentamente.
—Se quiser dormir...
—Me acorde quando chegarmos, por favor. — fechei os olhos e dormi.
—Emma acorde!
Sentia minha cabeça rodar enquanto meus olhos ficavam fechados e só via a pura escuridão, abri os olhos devagar vendo tudo embaçado. Ao conseguir ver mais nitidamente consegui enxergar Katherine em minha frente.
—Chegamos?- perguntei.
—Sim, chegamos em Hogwarts.
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