Coração de Aço
1 Capítulo 1 - Do Menino à Guerra
Notas iniciais
Era uma tarde fria, 6 de Agosto, quando começou a chover. Estava encostado em um poste de fronte à um lago. Estava pensativo, não sabia o que fazer.
A dias havia sido confirmado os rumores de uma guerra. O Novo Brasil havia sido escolhido para ser uma das nações responsáveis por gerar mantimentos e soldados.
Logo sai daquele lugar e comecei a caminhar, pessoas bebiam nos bares, para esconder o temor desta guerra embriagando seus medos.
Os parques estavam vazios, os portões das casas ja não eram mais encontro das senhoras que conversavam à tarde.
Parei diante da escola que estudava quando mais novo. E lembrei...
22 de Outubro de 2005
O dia parecia mágico, estavamos ansiosos para conhecer uma tal feira de tecnologia. Nem o dia nublado, nem o trânsito aplacaram nossa alegria.
Nao tinha muitos amigos, mas os poucos que eu tinha preenchiam um vazio do meu coração com piadas e risadas.
Mas eu vi após um tempo naquela feira, algo que me maravilhou.
Um robô, devia ter um metro de altura mas movia-se com uma destreza espetacular, levantando objetos e tudo mais.
Olhei naquels vidros escuros, não sabia o porque mas aquele robô estava tentando se libertar de sua prisão e submissão ao homem, mas era coisa de pensamento de criança.
Mesmo assim aquilo nao saiu mais da minha cabeça. Um robô ter sentimentos parecia algo impossível.
Voltando à perceber que a chuva aumentava, corri ate minha casa. Sentei no sofá vermelho e acendi uma lampada bem fraca que tinha na sala. Faltava pouco para o dia da guerra. Fui esquentar um achocolatado e pegar alguma comida. Encostei-me novamente no sofá vermelho, comecei a ler um livro, mas logo os olhos cansados se entregaram ao sono.
Precisava descansar para a morte, talvez.
Acordei de madrugada, havia dormido com o livro sobre meu peito, levantei-me e fui em direção ao banheiro.
Parei diante do espelho, pensei:
–Como pode? 23 anos e estar magro e com esta expressão de medo no rosto.
Pois é ,diante da guerra até os fortes tremem, mas eu ainda tentava imaginar que tudo não passava de um sonho.
Mas nao era um sonho.
Passou-se uma semana, um representante do governo veio a minha casa e ordenou que eu comparecesse ao tiro de guerra, logo me apressei e fui com ele mesmo.
Chegando ao temido lugar, vi tantos chorando escondido, com medo de perderem a oportunidade de verem suas famílias novamente.
Fazia ja um tempo que eu morava sozinho, mas eu nao deixava de pensar na minha mãe.
Vi alguns se jogarem ao chão e implorar para serem poupados, mas guerra é guerra.
–Todos fiquem em fila para receberem seus armamentos e mantimentos para ir à guerra!
Aquela frase soou de maneira horrível aos nossos ouvidos, mas tínhamos que obedecer
Depois de recebermos tudo, nos organizamos e então entrou o general Menezes:
–Boa Tarde soldados, espero que todos estejam cientes de que nao estamos indo à uma excursão e nem à uma festa. Nosso país se envolveu à este conflito de maneira corajosa. Espero poder contar com os senhores. Boa sorte irmãos.
Eu sabia que não passava de armação do novo governo para enfraquecer o povo, pois há alguns anos a corrupção havia sido derrubada do poder.
Mesmo assim esse novo governo nao passava de ilusão de que o nosso país havia melhorado . saímos daquele lugar e fomos em direção à alguns caminhões que nos aguardavam.
Pois é, estava ali eu com meu corpo tremendo, indo à guerra.
Que sensação horrível, ter que defender mas com medo da morte.
Desde a ascensão do novo governo, o exército nacional recebeu vários investimentos. Mesmo assim continuei pouco confiante. Às vezes penso se era melhor o antigo governo, pelo menos a corrupção estava à amostra.
Os homens bons que haviam assumido o poder se corromperam, eu sabia , homem e poder nunca combinaram para o bem.
Três dias se passaram e estavamos sobrevoando a grande floresta amazônica, a medida que íamos chegando ao nosso destino, o céu perdia suas cores para um cinza, o horizonte perdia suas matas para o vermelho do fogo e as canções das bombas vinham de longe.
Apenas 1 km me separava da guerra. O Novo Brasil se uniu à Aliança do poder. Contra 6 países que tiveram seu poder roubados por grupos anti-governo .
Eu sabia, agora é a hora da guerra!
Queria eu voltar à antiga cidadezinha do interior que eu morava quando era criança, mas agora morava na chamada Zona Sul-Leste, antigas regiões Sudeste e Sul.
Olhei para o meu lado e um homem estava quieto e pensativo, seu medo podia ser sentido de longe.
Tornei a olhar para frente então ele me disse:-Vida cruel né? Tenho 2 filhos para criar e minha esposa para ajudar e nem sei se irei voltar .
Aquilo me fez pensar o quão pequenos somos. Tínhamos um governo que por interesses próprios nos enviou a uma guerra.
–Não se preocupe, seus filhos ainda te abraçarão muito, você verá.
Disse eu tentando consolar aquele homem, mas pelo estado que me encontrava, quem necessitava de consolo era eu mesmo.
Então soldados chegamos!
Minha mente ficou neutra, meus músculos se contraíram e minha alma perturbou-se. Ali estava o fantasma da Guerra.
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