Coração de Aço
2 Capítulo 2- A Guerra Latina
Desci daquele avião e pus-me em fila para marchar em direção a um acampamento.
Era estranho, um frio dominava o lugar, estavamos na Bolívia, mas nem sol nem as chamas que avistei no horizonte puderam nos aquecer.
Do céu caia uma chuva de cinzas, fruto de alguns conflitos que ja ocorriam a dias.
A Venezuela havia sido derrubada por um grupo europeu que pretendiam dominar a América Latina.
Passamos por um pequeno vilarejo, ao fundo uma criança chorava.
Ó Guerra como pode ser tão cruel!Pecisávamos apertar o passo para chegarmos logo.
Adimito,não era facil caminhar entre morros com um fuzil nos braços e uma mochila cheia de coisas pesadas, mas tudo aquilo era necessário.
Então chegamos, o acampamento tinha em torno de uns 120 metros de comprimento.
Àquele ponto a unica coisa que vinha à minha mente era aquela criança chorando.
–Soldados descansem, que amanhã cedo partiremos rumo à primeira missão!
Como se aquilo me tranquilizasse.
Mesmo assim fui para uma das barracas, guardei minhas coisas e fui explorar um pouco daqueles arredores.
Achei um tronco no chão, fiz dele um banco e sentei-me.
O cenário não era nada agradável, cinzas ao chão, estrondos à quilômetros podiam ser ouvidos.
Um homem aproximou-se e sentou no chão.
–Que horrível ter que largar o conforto de nossas casas por esses sacos presos ao chão e este cheiro terríveldde pólvora.
Disse-me balançando a cabeça.
Olhei para ele e disse:
–Que coisa, né? Pensava que com nosso Novo Governo as coisas iriam melhorar. Mas pelo jeito teremos que passar por coisas piores. Meu nome é Lucas e o seu?
Disse ele a mim: -Antônio, mas a partir de hoje sou apenas mais um que serve esses tiranos podres.
Passamos algumas horas conversando sobre nossas idéias, família e amigos.
–Meu sonho era ser dono de uma loja, poderia ser ate de brinquedos, contanto que eu não vivesse mais a custa de um patrão! _Disse-me Antônio.
–Então Antônio, desde pequeno fui fascinado por tecnologia, sempre achei fantástico os robôs e sistemas criados pelo homem. Talvez fosse com isso que eu gostaria de trabalhar.
Entao nos levantamos e nos despedimos, precisávamos descansar pois a guerra nao iria nos esperar trocar figurinhas . Após 4 horas de descanso, o dia novamente raiou perdido entre as cinzas.
Partimos e começamos a adentrar terrenos acidentados, a partir daí era cada grupo por si.
Alguns soldados experientes haviam passado algumas recomendações a nós.
Mas era complicado acompanhar os mais fisicamente preparados, eu cansava fácil demais. Antônio e Andrey, aquele rapaz do avião, estavam no mesmo grupo porém separados do meu.
Comecei a correr, foi quando me deparei com um pequeno grupo, eram 6 soldados que caminhavam.
Parei atrás de alguns escombros e mirei minha arma em sua direção.
Parece facil, mas no momento comecei a tremer e suar. Nao era simplesmente matar. Me perdia em meus pensamentos, pois estava me questionando o porque matar pessoas que nunca me fizeram mal. Porque tirar aqueles homens de suas famílias?
Mas ao mesmo tempo eu sabia: ou eu ou eles iriam morrer. Apesar de um pequeno grupo, eu continuava estar em desvantagem pois estava sozinho. Passei a analisar o terreno para encontrar algo que me favorecesse. Era um dia de sorte para um atirador pois em um determinado ponto todos eles estariam alinhados, algo que 1 ou 2 tiros ja resolvessem. Mas minha consciência nao me permitia fazer aquilo, sentei e me encostei nos entulhos.
Entao ouvi tiros. Cobri meus ouvidos porque tinham sido disparados de muito próximo.
Quando me levantei, me deparei com 6 corpos. Era horrível ver o sangue e as cinzas misturadas no chão.
A Guerra não me agradou nem um pouco , mas ouvi pessoas rindo e zombando dos 6. Eu não acreditava que algumas pessoas se sentiam tao bem naquela situação.
Parti em direção a alguns prédios, lá vi ruas vazias, escombros e um parque abandonado.
Os brinquedos ainda estavam jogados no chão do parque. Foi quando ouvi um soldado dizer:
–protejam-se um bombardeio esta a caminho!!!Entao corri para o ponto mais seguro possível, lá senti o chão estremecer e ouvi barulhos terríveis. Após isso parti para o parque, lá andei com cuidado e sempre alerta.
O medo me atrapalhava muito mas tinha que prosseguir.
De repente um tiro quebra um galho próximo a mim. Um atirador à vista.
Corri para me esconder. Meu coração estava a mil. Ou eu ou ele. Dessa vez não tinha o que pensar.
Olhei por um vidro de um carro que estava pouco a frente e vi que o atirador encontrava-se no segundo andar de um prédio.
Passei a observar o local e planejar um contra ataque. Parecia que os jogos de estratégia e guerra da minha infância estavam servindo para algo.
Avistei uma estrutura de concreto a 20 metros de onde eu estava, porem 5 metros nao tinham obstáculo nenhum que me defendesse.
Por descuido do próprio atirador pude perceber que o mesmo encontravasse mirando para o lado oposto da onde eu gostaria de ir.
Apressei-me e passei para o outro lado, alcancei onde queria.
Achei um buraco de uns 15 centímetros no muro, de lá mirei.
Engoli em seco, fechei os olhos e atirei. Foi horrível esta sensação, mas aquilo foi uma recepção da guerra para mim, uma espécie de boas vindas.
Corri para longe, o homem agora era um atirador morto em um prédio.
Corri até um ponto de encontro dos grupos, chegando la notei que o grupo 3 estava reduzido, senti falta dos meus recém amigos . Naquele dia Antônio Carlos e Andrey Silva morreram durante um bombardeio. Lembro do sonho do lojista e da preocupação do pai de família.
Agora tinha 2 crianças que não iriam mais ver o pai e um homem sonhador que se foi . Porque a Guerra fez aquilo comigo, era difícil eu chorar, mas não aguentei.
Partimos para uma zona de conflitos e por um ódio momentâneo, minha esperteza e senso de estratégia massacraram nossos inimigos.
Gastei 22 tiros precisos, 5 por acabar com sonhos , 10 por nao deixar meus amigos retornarem suas casas e 7 pelas crianças que não tinham mais o pai.
Após este combate instalamos um acacampamento lá mesmo, do norte veio a confirmação da conquista feita pela Guiana e equador ao nosso favor. Missão estava concluída.
Parei olhando para o horizonte, às lágrimas corriam meu rosto. A guerra é cruel.
Fomos então encaminhados a alguns helicópteros e transportados, apenas alguns , para a América Central. Vamos partir para conquistar o mundo agora . porém ouvi um assobio de longe, quando olhei pela janela, um míssil.
Parecia o fim , um piscar de olhos e a explosão, a carne queimando e as esperanças indo com o vento. Será o fim?
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