Coração Malandro

13 Capítulo 12


Notas iniciais
OLÁ :) Sei que não tenho postado muito ultimamente, e peço imensas desculpas, mas aqui estou eu hoje. Hoje é um dia especial. Coração Malandro comemora um ano :) Prometo que vou tentar postar com mais regularidade :) Agora, fiquem com o capítulo :) Boa leitura :)

—Já viste a ceninha que estás a fazer? Pensei que eras outro tipo de homem. – comentou Ivy cinicamente.

—Eu já disse que nós vamos ter uma conversa. – disse Benjamin puxando Ivy para uma ruela ali perto onde quase ninguém passava.

—Dá para me largares. – berrou Ivy tentando soltar-se de Benjamin. – Estás a magoar-me. – queixou-se.

Esta última frase fez Benjamin despertar. Realmente ele estava a segurar no braço de Ivy com alguma força. Soltou-a e repudiou-se pelo que tinha feito. Ele era estritamente contra a violência. Ele percebeu que estava completamente descontrolado e precisava controlar-se.

—Afasta-te da Mara. – avisou Benjamin encarando Ivy. Ivy encarou-o de volta para mostrar que não tinha medo dele nem dos seus avisos – Ela estava muito bem antes de voltares a aparecer na vida dela.

—Tu não mandas em mim. Sou maior de idade e faço o que quiser. – respondeu Ivy. Benjamin riu-se. Notava-se os anos de convivência que Mara e Ivy passaram juntas. E, apesar do tempo que passaram separadas, elas continuavam parecidas. Até as mesmas frases diziam. – Não estou a ver onde está a piada.

—Eu não quero saber do que tu queres. Eu só quero o bem da Mara. E contigo por perto, ela não estará bem.

—Como te atreves a dizer isso? Eu fui amiga dela durante oito anos! – contrapôs Ivy já começando a perder a paciência.

—E viu-se o quanto valorizaste a amizade dela. Valorizaste tanto que mal o teu namoradinho disse que ela se andava a atirar a ele, não quiseste mais saber dela. Pior, ainda a humilhaste sem que ela tivesse culpa de alguma coisa. O cabrão do teu namorado é que te metia os cornos…

—EU SEI! – berrou Ivy silenciando Benjamin – Eu sei a merda que fiz, sei o quanto cabrão o Scott foi. Não precisas de me atirar isso à cara. – por momentos, Benjamin teve pena de Ivy mas depois lembrou-se do mal que ela fez a Mara.

—Claro que preciso. Porque quem sofreu com isto tudo foi a Mara. A que tu consideravas como melhor amiga e bastou um par de mentiras para tu a tratares como trataste.

—A Mara não foi a única a sofrer. Eu também sofri. Como achas que me senti quando descobri que tinha perdido a minha melhor amiga por causa de uma estúpida mentira que eu acreditei? – Ivy parou para recuperar o fôlego e continuou – Não preciso que respondas, sei que nunca vais entender o meu lado. Mas ficas com um aviso. Eu não vou desistir da Mara. Eu sei a merda que fiz e o quanto fui injusta mas as pessoas têm direito a uma segunda oportunidade. E espero sinceramente que a Mara me dê essa chance. E também sei que farás de tudo para que ela não me perdoe mas estou pouco me lixando para ti.

Ivy saiu daquela ruela deixando Benjamin sozinho. Ele sabia que ela não desistiria.

—----//-----

Marcella estava no supermercado quando Mara lhe ligou. Pelo tom de voz, Marcella percebeu que alguma coisa acontecera com Mara. Combinaram encontrar-se num café perto do orfanato para puderem falar melhor.

Terminadas as compras, Marcella foi até ao orfanato levá-las para depois seguir para o café. Decidiu que era melhor não contar a Dominique e a Amy que veria Mara naquele dia. Elas precisavam conversar.

O dono do café onde se encontrariam já era um conhecido das duas, afinal já há muitos anos que iam lá. Aliás, era praticamente um amigo das duas. Mal as viu entrar, Arthur perguntou se era o mesmo de sempre e elas confirmaram.

Sentaram-se numa mesa mais encostada para falarem.

—Encontrei a Ivy – disse Mara lançando logo a bomba. Marcella sabia que a Mara não gostava de enrolar, ela gostava de ser direta. – Ela disse que queria falar comigo.

—E como é que tu reagiste?

—Eu acho que só depois é que me caiu a ficha de que a tinha voltado a encontrar. Naquele momento a minha única preocupação era a Rose e somente a Rose. Ela não estava bem por causa do Ezra que ironicamente estava enrolado com a Ivy. Mas resumindo foi um encontro breve.

—Querida, tu estás disposta a perdoá-la? – perguntou Marcella encarando Mara. Ela, tal como Benjamin, também conhecia toda a história entre Mara e Ivy. Ela também sabia o quanto Ivy tinha magoado Mara. Mas, ao contrário de Benjamin, Marcella via o bem em todas as pessoas e acreditava que, se Ivy tinha pedido para falar com Mara, talvez estivesse arrependida do que tinha feito.

—Eu não sei. – respondeu Mara – Eu realmente não sei.

—Tu não precisas de decidir isso já. Deixa que a conversa aconteça e depois logo vês. Eu sei o quanto vocês eram amigas. Eu sei que ela era muito importante para ti.

—Obrigada. – agradeceu Mara agarrando a mão de Marcella em forma de agradecimento – De verdade.

A conversa prolongou-se e Mara e Marcella acabaram por almoçar naquele pequeno café. Depois, Marcella teve de voltar para o orfanato para ajudar Sybil com as crianças. Mara acabou por acompanhar Marcella. Ela levaria Dominique e Amy a passear. Estava um belo dia de sol e nada melhor que uma ida ao parque.

Quando chegaram ao orfanato, todas as crianças vieram cumprimentar Mara. Já há algum tempo que Mara não ia lá por isso todas estavam com saudades dela afinal Mara sempre foi uma irmã mais velha para todas as crianças que ali viviam.

Dominique e Amy prepararam-se para sair com Mara. Elas estavam muito contentes com o convite de Mara. Elas sempre tiveram uma relação próxima com Mara.

O parque a que as três foram não ficava muito longe do orfanato. Era um parque pequenino perfeito para passeios em família. Por todo ele estavam espalhadas mesas de piquenique com bancos de madeira, no centro existia um lago onde as crianças costumavam dar de comer aos patinhos que lá estavam. Mas o predominante naquele parque era o verde e a limpeza do ambiente. As árvores ali nunca eram de mais.

Mara levou as pequenas gémeas até ao centro do parque para que estas dessem de comer aos patinhos. Já era algo habitual das vezes que lá iam.

Mara acabou por se sentar encostada numa árvore enquanto Dominique e Amy brincavam como crianças que eram. Mara observava-as. Por diversas vezes as gémeas convidaram Mara a participar da brincadeira mas esta sempre recusava. Ela gostava de vê-las divertirem-se.

Ao longe, Mara avistou um menino de cabelos ruivos que observava Dominique e Amy. Mas para Mara, aquele rapaz não lhe era estranho. Por estar distante, ela não conseguia ver se realmente conhecia o rapaz. Mas rapidamente reconheceu quem era quando ao lado dele apareceu nada mais nada menos que Alexander. Mara concluiu que aquele pequeno rapaz de cabelos ruivos era Caleb, o irmão mais novo de Alexander.

Inutilmente, Mara tentou não chamar a atenção. Ela não estava com paciência para aturar Alexander. Ela só queria aproveitar uma tarde sem aturá-lo. Mas parecia que o destino estava contra ela. Quando ela deu conta já Alexander seguia em sua direção enquanto Caleb se juntava às pequenas gémeas.

—Olha se não é a minha loira favorita. – disse Alex sentando-se ao lado de Mara. Instintivamente, Mara afastou-se. Alexander tinha-se sentado muito próximo. – Eu sei que sou irresistível, escusas de fugir.

—A humildade mandou saudades, querido. – Mara respondeu ironicamente recebendo apenas uma risada de Alexander – Pelos vistos a ressaca foi curta.

—Não houve ressaca. Não consegui divertir-me depois de a rapariga mais bonita ter ido embora. – provocou Alex mas claramente Mara não se deixaria intimidar.

—Tira-me só uma dúvida. Essa conversa funciona com as outras? É que eu estou realmente curiosa. – disse Mara tentando manter a postura séria. Mas, na realidade, o que ela mais queria era rir da cara que Alexander fazia naquele momento.

—Pelos vistos não funciona com todas. A rapariga com quem me ando a meter não quer conversa comigo. – disse Alexander não deixando Mara levar a melhor.

—Coitado. A rapariga não sabe o que está a perder.

—Mas eu posso mostrar… — repentinamente Alex aproximou-se, perigosamente, de Mara. Já era a segunda vez naquele dia que eles se encontravam tão próximos. Próximos demais, pensou Mara. Mas mais uma vez, Mara era orgulhosa demais para dar parte fraca tanto que não se afastou. Pelo contrário, encarou Alexander, olhos nos olhos, para mostrar que não se deixava intimidar.

—Isto já está a ficar um pouco repetitivo. – Alex tentava prestar atenção nas palavras que Mara proferia mas o simples movimento dos seus lábios deixava-o louco. Ele queria beijá-la. Ele queria muito beijá-la. – Querido, eu já te disse que não me afetas. Quantas vezes vou ter que repetir?

—Muitas. Eu não percebo muito bem as coisas à primeira. – comentou Alex de maneira sedutora.

Mas aquele momento que Alex estava a aproveitar da melhor maneira foi interrompido pelo seu irmão. Alex queria barafustar com o irmão, afinal ensinara-lhe que não se devia interromper outro homem quando este estava a seduzir uma mulher, que era o caso de Alex naquele momento.

—Diz Caleb. – disse Alex tentando disfarçar toda a sua frustração. Mara apenas ria. No fundo, ela queria agradecer ao Caleb por ter interrompido aquele momento mas claro que nunca o faria. – O que é assim tão importante para vires até aqui?

—É a Luena. – respondeu Caleb com a sua pequena voz de criança que começava a sofrer as primeiras alterações – Ela está aqui no parque. Com um rapaz.

Aquela afirmação chocou Alex. Luena tinha apenas catorze anos. Ela não podia andar a passear sozinha, com um rapaz. Ela era muito nova para ter um namorado.

Alex levantou-se rapidamente, despediu-se brevemente de Mara e seguiu, com Caleb, até ao local onde se encontrava Luena. Ele não permitiria que nenhum marmanjo se aproximasse da sua irmã.

Enquanto Alexander se afastava, Mara permaneceu encostada a rir-se. A vida era irónica. Alexander era um mulherengo nato mas não permitia que qualquer homem se aproximasse das suas irmãs. Por sina, tinha três. Rowena tinha namorado, Rose estava prestes a ter, mas essa informação Alexander ainda não sabia e Mara imaginava a cara dele quando soubesse que era por Ezra que Rose estava apaixonada. Por fim, tinha a pequena Luena, de apenas catorze anos, que naquele momento se encontrava num encontro. Realmente a vida era muito irónica.

—----//-----

Naquele momento, enquanto Alexander estragava o encontro da sua irmã mais nova, Rose escolhia a roupa que levaria para o encontro com Ezra.

Notas finais
E esta conversa entre o Benjamin e a Ivy? Que acharam? E este encontro entre a Mara e o Alex? Contem-me tudo nos comentários :)