Coração Inglês

13 Castigos, Alegrias e Um Verdadeiro Mistério


Notas iniciais
Oe, pessoas! Novo capítulo para vocês, meus lindos e lindas! Cuidado: esse capítulo é ENORME e pode causar cegueira kkkk Boa leitura! *u*

Foi uma balbúrdia. A escola inteira ficou sabendo.

Quando Amanda chegou na direção, não só o coordenador, como o diretor e a vice-diretora, já haviam ouvido a gravação e as explicações de Raven e Josh.

Ela nem sequer pôde se defender; após quase um ano inteiro sendo conhecida pelas atitudes radicais, Amanda acabou sendo mandada para um Conselho de Classe provisório que aconteceu naquela tarde mesmo. Apesar de metade do corpo docente concordar com a expulsão da garota, a “sentença” foi outra: Amanda repetiria de série, já que todos os professores concordaram em abaixar sua nota de participação e comportamento para zero, durante todos os próximos meses, o que a faria repetir por nota insuficiente.

Todo mundo descobriu em quem recairia a culpa se a Hermes não vencesse o Campeonato.

Quando Amanda saiu para o pátio, cabisbaixa, foi recebida com vários “uuuuu!!”, um banho de refrigerante, jogado nela por uma menina da 7ª série, e vários empurrões de uma turma do 3ª ano.

Raven não cabia em si de alegria ao ver que Amanda pagaria por tudo que fizera de ruim para ela, Josh e suas amigas. Tanto foi que o 2º G armou uma “festinha” na segunda aula vaga do dia, que foi chamada por Fausto de “A Festa Mais Feliz do Mundo”. Raven ficou surpresa ao ver que havia muita gente que também detestara Amanda desde o começo do ano.

Josh largou a muleta por um aflitivo segundo e quase matou Raven de medo, que saiu correndo para apoiá-lo antes que batesse a perna boa. O rapaz deu uma gargalhada, sentou na carteira de uma Érica indignada e puxou a namorada para um beijo alegre. Mila, pela primeira vez, não fez gracinha nem revirou os olhos; afinal, ela estava muito ocupada, beijando Fausto, para sequer notar que o irmão e a amiga existiam.

– Eu seria capaz de sapatear de alegria! – brincou Raven, abraçada em Josh..

– Eu também... – sorriu Josh — só que se fizer isso, com certeza vou arrebentar a única perna que me sobrou.

Helena e Ginevra riram. Raven revirou os olhos.

– Você tem que ir em casa hoje, pra comemorar – disse Raven para o rapaz – e você também, beijoqueira! – completou, rindo, para Mila, nesse momento agarrada no pescoço de um Fausto alegre

– E o garoto da Camargo? Que diabos aconteceu com ele? – indagou Ginevra.

– É mesmo – Raven franziu as sobrancelhas e torceu a boca; o que evidentemente tentara fazer — uma expressão perigosa e vingativa — não deu certo, e o que ela conseguiu foi quase fazer Érica urinar nas calças de tanto rir – eu tenho que ir matar aquele pivete.

– Nem pensar! – falou Josh.

– Oh, dear... love...- Raven se inclinou para cima e para baixo como se fosse uma alavanca – só um copinho de veneno...

– Não.

– Enforcamento?

– Raven... – riu o garoto.

– Atropelamento? Ataque de pit bull..?

– Chega! – Érica se sacudia na carteira de tanto dar risada – fala sério, Summer!

– É... e não teríamos conseguido se não fosse uma garota dessa sala – disse Helena para os colegas – a honra vai toda pra você, Ingrid.

Ingrid, que estava empoleirada na carteira de Fausto, corou e sorriu.

– Que isso... – riu a menina – sabe, Raven, eu sempre achei horrível o jeito que aquele monstro que se dizia chamar Amanda te tratou até agora. Foi um prazer ajudar vocês.

– Acho que as coisas vão melhorar á partir de agora – sorriu Ginevra para as amigas.

– Tem razão, Gi – sorriu Raven para si mesma – tem toda a razão.

–-----------------------------------------------------------

Como combinado, algumas horas mais tarde, Raven, Josh e Mila já estavam na casa dos Summer, ainda comemorando o que parecia ser o começo da “Nova Era pós-Amanda”. A Sra. Summer, que cuidara de fraturas, tombos e outros acidentes por toda a vida dos filhos, parecia um pouco obcecada para cuidar de Josh. Volta e meia, ela perguntava se ele queria algo, oferecia biscoitos, ou tentava colocar sua perna engessada numa almofada fofa. Josh se esforçava educadamente para dispensar essa atenção “desnecessária”, enquanto Mila rolava de rir, e Raven olhava para ela com uma mistura de raiva e humor.

– For God sake, mammy! (pelo amor de Deus, mãe!) – bufou a menina em um momento, já não aguentando mais ver o rosto da mãe aparecer na fresta da porta do quarto, mas também um pouco brincalhona – He have a baby-sitter... me! (ele tem uma babá... eu!)

A Sra., Summer não sabia se ria ou brigava com a filha. No meio-termo, ela fez uma careta.

– OK, dear. Sorry... he is your boyfriend, isn’t... (OK, querida. Desculpe... ele é seu namorado, não é...)

Quando a Sra. Summer saiu da porta, Mila riu.

– Oh... o Josh tem uma babá... que meigo...

– É meigo mesmo – brincou Josh, antes de puxar Raven para si daquele seu jeito maníaco – é a babá mais linda do mundo...

– Olha... – Raven sorriu, piscando loucamente – olha a sem-vergonhice...

– Ah, Santo Deus – Mila tapou os olhos – se beijem logo antes que eu vomite...

Josh olhou feio para a irmã, mas foi surpreendido com um beijo nada delicado de Raven. Mila deu um gemido estranho, como se tivesse engolido um rato, quando viu a menina jogar-se em cima de Josh na cama, sem sequer parar de beijá-lo.

– Ei, ei, casal ardente... o Sr. Summer tá aí hoje, viu... só pra avisar...

Josh levantou tão rápido que derrubou Raven no chão.

– Credo, Josh... – Raven reclamou, esfregando o braço – pra quê a afobação?

– Foi mal, doçura – desculpou-se Josh, também acariciando onde ela batera – é minha reação quando ouço o nome do seu compreensivo pai...

Raven riu.

– É compreensível a sua reação.

Ouviu-se um miado alto ao lado de Josh. Quando Raven se virou, viu o seu gato, Snow, se arrastar até o colo do rapaz e ali se deitar.

– Caramba, é o Snow? – disse Josh, surpreso.

Raven assentiu sorrindo.

A surpresa de Josh não era para menos: Snow havia ficado bem maior; ele crescera de um filhotinho minúsculo á um gato um tanto magro, de um rabo longo e fino, mas ainda tinha o pelo tão branco e sedoso quanto o de filhote. Tinha chocantes olhos azuis, que, apesar de bonitos, davam um arrepio só de olhar.

– Meu Deus, esse bicho cresceu! – exclamou Mila.

Snow começou a ronronar no colo de Josh, quando o rapaz afagou suas orelhas.

– A perna está melhor, Josh?

– Bem melhor... – Josh sorriu – afinal, tenho um ótimo analgésico para a dor... – ele deu um sorriso sugestivo para Raven, que riu gostosamente.

– Beijinho, beijinho... – Mila fez uma careta – nossa, vocês são tão...

– Quem quer cookies? – a Sra. Summer surgiu tão de repente no quarto que os três quase morreram de susto.

– Mammy! – bufou Raven – que susto!

– Desculpem – ele riu, estendendo uma bandeja prateada com vários cookies. Mila pegou um com tal velocidade que Raven nem viu.

– Hum... gotas de chocolate! Eu adoro! – Josh se serviu de dois cookies – obrigado, Sra. Summer.

– You’re welcome (de nada)– disse a Sra. Summer – bom, qualquer coisa, filha...

– Eu te chamo, mãe – Raven revirou os olhos – vá na paz.

A mulher franziu as sobrancelhas antes de sair do quarto.

– Mamães – riu Raven – sempre nos verão como bebês que amam ter as bochechas beliscadas.

– Verdade – concordou Josh.

– Sei não – Mila discordou – mamãe pode até ser protetora com o Josh, mas se um dia eu fugir de casa, ela só vai notar quando eu voltar depois de vinte e cinco anos, casada e com trigêmeos.

Raven e Josh riram.

–-----------------------------------------------------------

Uma semana inteira passou sem que nada de irregular acontecesse, exceto o fato de que Amanda Silveira não estava xingando nem infernizando ninguém. A garota agora ficava quieta na sua carteira, não falava com ninguém, nem com os professores – muito menos com os professores – e estava sempre de cabeça baixa; se estava triste ou com qualquer outra coisa, era impossível dizer. Devido á esse afastamento de Amanda, Raven, Josh e as meninas assaram uma das semanas mais gostosas do ano, desde o começo das aulas.

Josh tirou o gesso quase no final da tarde da quinta-feira daquela semana, já que o médico havia o examinado e, para a surpresa de todos, anunciado que ele já podia ficar sem, se prometesse não fazer movimentos bruscos nem jogar nenhum esporte por mais duas semanas. O garoto não gostou muito de se afastar do time de futebol, mas por outro lado, ficou feliz de saber que podia namorar Raven com um pouco mais de “conforto”.

Mila tagarelava para todo mundo sobre o presente que Fausto lhe dera no dia seguinte: um buquê de flores artificiais que pareciam extremamente verdadeiras — tal fora o capricho nos detalhes -, uma caixa de bombons de luxo e um chaveiro muito fofo. Raven não foi esquecida, pois Josh, assim que pôde, também a presenteou com um lobinho de pelúcia, um pen drive com formato de coração e – ela gemeu de carinho quando viu – um lindo colar de ouro, com um pingente escrito I love you, cercado por pequenos brilhantes. Á partir daquele dia, Raven nunca apareceu sem aquele colar, fosse na escola, fosse em qualquer outro lugar.

– Fala sério, é muito lindo – dizia Mila.

– Umas florezinhas de plástico, grande coisa –riu Raven – isso sim é que é uma lindeza, beautiful, handsome... (lindo, fofo) — ela mostrou para as colegas o colar dourado – foi o Josh que me deu.

– Mentira... – Érica ganiu, olhando surpresa para a joia.

– Deve ter custado uma nota – comentou Ingrid, rindo.

– Ou duas... ou cem... – riu Mila.

– Tudo do bom para meu molhinho inglês... – brincou Josh, abraçando-a pela cintura e lhe dando um beijo na bochecha.

– Molho... tipo Worcestershire? – Ginevra arriscou, também dando risadinhas.

– É... picante – Josh encostou o queixo no ombro da namorada. Raven fingiu se arrepiar; depois de tanto tempo, ela finalmente abandonara aquela pavorosa timidez de quando começara o namoro, e já não tinha tanta vergonha de ficar ao lado dele.

– Você gasta muito money comigo – Raven fez um beicinho – não...

– Shh.. – Josh tampou a boca dela – você não vai falar que não era necessário, mocinha.

– Tá, eu não ia falar isso – ele murmurou pelos dedos da mão dele.

Josh destampou a boca dela, desconfiado.

– Não precisava! – Raven exclamou, e riu de um jeito maroto.

Josh revirou os olhos e balançou a cabeça.

– Você é terrível – disse ele.

– E os meninos são todos uns malvados – brincou a menina – cruéis, monstruosos...

– Bota malvado nisso – riu Mila – o Faustinho me deixa doidinha com essa mania de futebol...

– Falando em futebol... agora fiquei curiosa, Ray... – falou Helena – na Copa do Mundo, pra qual país você torce?

– Brasil e Inglaterra, ué.

– Tá... mas se for um contra o outro?

Raven franziu a testa.

– Ainda torço pra eles... sabe... na verdade, pra mim, tanto faz qual deles vai ganhar. É só um jogo. Pra mim, os dois, e todos os outros países do mundo, são os melhores. Ninguém é melhor ou pior do que o outro, nem nos esportes, nem como sociedade. Acho que todos deviam respeitar uns aos outros. Devíamos ser uma família global.

Mila piscou, aturdida.

– Caçarola, Ray... você podia ser filósofa.

Josh riu.

– Ela fala tão bonito – riu ele.

– Puxa saco nojento – brincou a menina, dando um soco de brincadeira no queixo dele.

– Blerg! Vocês estão me dando náuseas, sabia? – murmurou Ginevra.

Josh bagunçou o cabelo dela com a mão, enquanto Raven revirava os olhos e ria. Em vez de ficar chateada, Ginevra também riu.

–-----------------------------------------------------------

Mais tarde, Raven estava na cama, lendo o livro para a prova de leitura de Português – havia duas opções; entreHarry Potter e Dom Casmurro, ela preferiu mil vezes o primeiro, assim que a professora disse que o segundo livro não tinha final feliz, que o protagonista tentava envenenar uma criança, e, ainda por cima, que a única menina importante da história morria sem mais nem menos.

Snow deslizou até o colo da garota, ronronando. Seus olhos de gato percorreram o livro, como se o achasse tão interessante quanto Raven achava, e então levantou a cabeça para a dona, começando á brincar com uma mecha do cabelo dela. Raven riu, e acariciou as orelhas de Snow.

– Ah, Snow... – suspirou Raven, sorrindo, enquanto virava mais uma página do livro – você já imaginou que eu ia chegar até aqui, depois de tanta coisa?

– Falando com animais irracionais. Nunca um bom sinal.

Raven pulou na cama de susto, fazendo o livro cair no chão com um baque surdo.

– Josh??

A porta se abriu, e Josh surgiu no quarto, com uma expressão realmente marota.

– Não, é o coelhinho da Páscoa. Claro que sou eu, bobinha! – riu o rapaz, sentando ao lado de Raven.

– Mas o que você está fazendo aqui, criatura nefasta? – brincou a menina, rindo.

– Vim visitar minha beautiful girlfriend – ele abraçou-a pela cintura – não posso?

– Claro que pode – a menina fez uma careta pensativa – espera aí, galã do cinema... como você passou pelo guarda-costas com vida, hein?

– O Bob? – Josh riu – ah, agora a gente também já é amigo. E depois que eu disse que ia me enforcar no telhado da sua casa se eu não te tratasse bem...

– Não, mané – Raven revirou os olhos – o outro guarda-costas.

O rapaz deu um sorriso malicioso.

– Ah, seu pai? Ele saiu.

A menina corou.

– Mamãe?

– Foi comprar frango no mercadinho, disse o Bob.

– E o dito?

Josh sorria de ponta a ponta antes de responder.

– Acabou de sair pra jogar Guitar Hero na casa do vizinho, pelo que eu entendi.

Raven ficou decididamente escarlate, só de pensar que ela e Josh estavam completamente á sós.

Josh olhou para o rosto dela.

– Que foi? Você parece preocupada...

Raven lançou um olhar assustado, mas sugestivo, para ele. O rapaz gemeu baixinho.

– Ah... você está com vergonha por que estamos sozinhos, é?

Foi então que Raven fez a coisa mais involuntária que já fizera na vida; se jogou em cima de Josh, derrubando-o no colchão. Ele riu, arfando, quando ela o beijou.

– Caramba – o menino sorriu quando Raven se ergueu e piscou, como quem saiu de um transe.

– O que aconteceu? – murmurou a menina, fingindo confusão.

– Você pirou, foi isso – Josh a abraçou, e foi sua vez de jogá-la nas almofadas fofas. A menina mostrou a língua para ele, rindo.

– Ô louco, meu – guinchou uma voz.

Os meninos se endireitaram na hora, olhando para a porta, assustados. Quando Raven viu quem era, fez uma careta.

– Oh my, Bob! My heart stopped now! (Céus, Bob! Meu coração parou agora!) – ralhou ela, com a mão no peito.

– Sorry, little sister (desculpe, maninha) – desculpou-se Bob, que não parecia nada arrependido – and... what you are doing? (e... o que estavam fazendo?)

– Go away! (cai fora!) – bufou a menina, antes que o irmão desaparecesse porta afora, rindo.

Josh fez uma careta abobada.

– Quando quer, o Bob é uma tremenda pedra no sapato, hein?

Raven riu, e abraçou o rapaz outra vez.

–-----------------------------------------------------------

A Sra. Summer, assim que voltou para casa, entrou no quarto de Raven. A menina e Josh estavam jogando Banco Imobiliário no computador, e, pelo ar aflito de Raven, parecia que ela estava perdendo. Os dois se viraram para a mulher, sorrindo.

– Oi mãe.

– Oi, Sra. Summer – cumprimentou-a Josh.

– Ei, crianças... venham até a cozinha – sorriu a Sra. Summer – eu comprei pizza.

– Oba! – Raven fingiu bater palmas, como uma criança.

– Não se preocupe, querido... – a Sra. Summer falou para Josh — sua mãe falou que você tem intolerância á carne de porco, então comprei de atum e queijo. Raven adora de atum, então acho que vai dar.

– Isso se eu não comer a pizza inteira – brincou a menina, dando uma piscadela brincalhona para Josh.

Os meninos foram para a cozinha e, em seguida, devoraram nada menos do que três gordas fatias de pizza, acompanhadas por Coca-Cola, no caso de Josh; Raven preferiu uma Soda diet. Em seguida, após comer uma torta de frutas que deixou Josh maravilhado, ficaram até tarde jogando Verdade ou Desafio. Por alguma estranha razão, eles só escolhiam Verdade.

– Beleza – Josh estralou os dedos, pensativo – ah... é verdade... que você já colou de alguém na escola?

– É, sim – Raven fingiu vergonha – que seja... bom... é verdade que... – ela deu uma pequena arfada, temerosa – você já teve alguma outra namorada... ou já gostou de outra menina?

Josh sorriu de um jeito estranho antes de responder.

– Não. Não é verdade, e nunca vai ser.

Raven sorriu, aliviada e envergonhada.

– Ah...

– Agora pare de fazer perguntas óbvias – brincou o rapaz – e é verdade que você casaria comigo se pudesse?

Raven corou, mas respondeu sem rodeios:

– Sim, é verdade.

Foi a vez do garoto se surpreender e sorrir.

– Blerg! Vocês já estão me enjoando... – soou a voz "enojada" de Bob, que apareceu na cozinha.

Raven e Josh se entreolharam, revirando os olhos.

– Cai fora, Bob – disseram os dois – ninguém te chamou.

– Credo. Só vim ver o que estavam aprontando – Bob fez uma careta e saiu da cozinha.

– O louco – riu Raven.

– Josh? – a Sra. Summer pôs a cabeça para dentro da cozinha, sorrindo – Sua mãe ligou... disse pra você ir pra casa, que tem uma tonelada de louça esperando por você. E pediu pra você passar no mercadinho e comprar pão antes de ir.

– Ah... – Josh fez uma careta triste para Raven, que sorriu com carinho – bom... então eu já vou, princesa....

O rapaz se levantou e beijou Raven na boca, rápido o suficiente para a Sra. Summer não “pirar”. A menina o abraçou.

– O.K.... a gente se vê amanhã, então.... – disse ela, dando outro beijo na bochecha do garoto – até mais, Josh.

A menina olhou o rapaz sair pela porta da frente, sorrindo. Quando ela se fechou, porém, Raven sentiu uma tristeza mansa tomando-a por dentro.

A Sra. Summer pareceu perceber, e riu.

– Você gosta mesmo dele, não é, Ray?

Raven deu um sorriso amarelo para a mãe.

– É, mammy... – a menina suspirou – você não faz ideia.

–-----------------------------------------------------------

No dia seguinte, um sol tímido mal iluminava a entrada da Hermes. Os alunos que moravam perto da escola, ao olharem para o céu, voltaram correndo para dentro de casa, atrás de um guarda-chuva, por que ele prometia desabar um dilúvio daqueles mais tarde.

Mila esticou o pescoço para o alto, só não caindo porque Fausto segurou sua cintura á tempo dela não cair de cabeça no chão.

– Mila, sua louca – riu o garoto, dando um tapinha no traseiro da menina. Ela arregalou os olhos por um segundo, como se fosse espancá-lo, mas logo depois sorriu envergonhada.

– E aí, povinho? – Ginevra apareceu do nada, se jogando encima dos garotos – como foi o dia?

– Um saco, como sempre – Helena murmurou, encostada ao lado da sala dos professores de Educação Física – cadê seu maninho, Mila?

Mila deu de ombros.

– A última vez que eu vi o cara, ele se mandou pra casa da Ray. Quando o mané voltou, pelo que entendi, eu já estava roncando no vigésimo sono.

Ginevra e Helena riram.

– Ah... falando no dito... – Ginevra sorriu ao olhar para o portão.

– Uau – riu Mila.

Josh entrou pelo portão, carregando nos braços alguma coisa muito risonha e vermelha, que se debatia levemente.

– Josh! Ray!

Raven desceu do colo de Josh, ainda corada, e cumprimentou as amigas.

– Oi, gente...

– Mas que cena esquisita foi essa? – indagou Fausto, rindo.

– Esse maluco aqui – Raven indicou Josh com o polegar, também sorrindo – me agarrou na entrada... disse que tinha que me proteger do toró que vai cair daqui á pouco.

– Claro... – o rapaz beijou o nariz de Raven. O pouco corado que ela perdera até o momento voltou – você é muito valiosa pra tomar essa chuva suja de São Paulo.

– Oh, que fofo – Ginevra deu outra risada.

– Puxa-saco – Raven murmurou, beijando o garoto.

– Ai, dá pra parar com essas ceninhas românticas logo cedo? – resmungou Mila, tapando os olhos.

– Não – chiou Josh, antes de voltar á beijar Raven.

Mila fez cara de quem queria torcer o pescoço do irmão e da amiga, mas apenas revirou os olhos.

Quando os meninos foram para a sala, porém, uma aglomeração no corredor do pavilhão impediu a entrada de quase todos os alunos. Josh levou um empurrão de um garoto do 3º colegial que tentava ver por cima da massa de gente, e o rapaz quase caiu em cima de Raven.

– Mas o que está acontecendo, hein? – bufou Mila.

– Saiam da frente! O diretor quer passar! – disse a voz do inspetor.

A pequena multidão se dividiu ao meio, para dar passagem ao diretor da escola. A vice-diretora, uma mulher baixinha, olhou para o aglomerado de estudantes antes de explicar o ocorrido, com uma voz de sotaque espanhol:

– Não há necessidade de pânico. Aconteceu algo muito surpreendente essa manhã na nossa escola. Ontem, tudo estava em perfeita ordem... bom, enfim... concluímos que ocorreram vários roubos na Hermes.

– O quê?? – gemeu Raven.

Os alunos começaram á cochichar, enquanto a vice-diretora continuava.

– Alguns documentos importantes, os troféus da escola, dinheiro, coisas de valor... sumiram todos. Também roubaram alguns carros dos professores, e aparelhos eletrônicos apreendidos dos alunos.

Raven ouviu uma menina choramingar “meu celular, não!...”

– Enfim... vamos fazer o possível para recuperar as coisas roubadas e pegar os responsáveis. Bom, isso é tudo. Podem ir para a sala.

Os alunos foram se dispersando, ainda falando sobre a notícia.

Ao chegar na sala, Raven se sentou na sua cadeira, olhando para baixo. Josh pareceu reconhecer sua expressão.

– Ray... você está pensando nesse roubo esquisito, não é?

A menina se virou para Josh. Mila, Ginevra e Helena chegaram mais perto para ouvir a conversa.

– Isso é estranho, Josh... como conseguiram roubar tudo aquilo, sem ninguém perceber? A escola fica aberta quase o dia inteiro...

O rapaz tamborilou o lápis na mesa, pensativo.

– Ray... a biblioteca fica em frente á diretoria, não é?

– Fica...

– E o estacionamento dos professores também, certo, Mila?

– Certo.

– A sala dos arquivos fica dentro da diretoria...

– Aonde você quer chegar, Josh? – indagou Raven, com a testa franzida.

– Fácil, Ray. É na biblioteca que estavam os troféus. Os documentos importantes estariam no arquivo. Os objetos de valor e todas aquelas tranqueiras que os professores catam dos alunos estão na diretoria. Os carros roubados, no estacionamento.

– Então você está sugerindo que... – disse Helena.

– Que o ladrão ou ladrões podem ter usado uma única “rota” para roubar tudo, e além disso... não saíram da escola por meios visíveis. Então, poderia ter sido por...

– Como assim... tipo uma... passagem subterrânea? – sugeriu Raven.

– Talvez – disse o rapaz.

– E onde seria essa passagem, por acaso? – falou Ginevra – nossa, isso está muito James Bond.

– Na diretoria... talvez.... – Helena suspirou.

– Como poderia ser lá? – comentou Mila – a diretoria nunca fica vazia!

Raven arregalou os olhos, ao pensar numa ideia.

– Mas a biblioteca fica vazia, não é?

Todos arfaram.

– É... ela só fica aberta no horário de aula, e não abre...

– Não abre de noite! É claro! – exclamou Josh – o horário perfeito para o roubo!

– Sugerindo que seja lá mesmo... – pensou Helena — as coisas roubadas da diretoria teriam tomado chá de sumiço quando os coordenadores não estavam olhando... os troféus não teriam sido problema, já estariam ali, onde ninguém podia ver...

– A gaveta com as coisas dos alunos fica aberta direto... e a chave dos carros dos professores também fica aberta, e depois, o portão do estacionamento está quebrado, era só ir lá e abrir.

– Mas tem falhas nessa sua “teoria”, Mila – comentou Raven, fazendo aspas com os dedos na palavra teoria – mesmo estando tudo aberto ou coisa parecida... o ladrão ou os ladrões deveriam ter algum disfarce ou coisa assim para o caso de serem percebidos, não é?

– Então... você acha que alguém da escola esteja envolvido? – Josh perguntou.

– Sim... alguém para encobrir o roubo. Um professor... ou alguém da própria diretoria... de um jeito ou de outro, alguém com acesso á biblioteca e permissão para entrar na diretoria.

– Sua hipótese é genial, Ray – disse Helena – mas, em primeiro lugar, temos que certificar que essa “passagem” realmente existe, afinal tudo isso, por enquanto, é apenas uma teoria criativa... e doida, muito doida. Temos que ir á biblioteca.

– Helena tem razão. Vamos lá no intervalo – disse Ginevra.

– E se perdermos as aulas bancando o Sherlock Holmes, hein? – disse Mila, preocupada – que eu saiba, nem foi o seu pen drive que roubaram...

– Qual é, Mila... isso é bem mais importante do que as dobradinhas de Matemática e Física! Já imaginou se descobrimos onde as coisas estão?

– Tá, tá, entendi... – Mila ergueu as mãos, num gesto exasperado – não precisam me pregar na estaca...

– Combinado, então – Raven acenou com a cabeça – nos vemos lá, no intervalo.

– Não vão ser só vocês, Summer – disse uma voz conhecida.

Todos se viraram para encarar o rosto de Amanda Silveira..

Notas finais
Comentários? Pedradas? Gritos? Beijinhos e até o próximo!