Coração Inglês
14 Reconciliação Inusitada, Ataque e... O Fim de Tudo?
Notas iniciais
– Amanda?? – ganiu Ginevra.
– Relaxe, Pereira. Ouvi a conversa toda... não precisam repetir.
Raven e Josh se entreolharam, chocados. Amanda podia muito bem estragar tudo, e era de se esperar que nem conseguisse mais olhar para eles depois do que acontecera.
Mas lá estava ela, parada ali, falando com eles.
O que surpreendeu Raven ainda mais era o fato de que Amanda não estava olhando nem falando com desprezo, ódio ou desdém. Parecia apenas cansada, e estranhamente amargurada.
– Amanda... Silveira... – ia gemendo Mila, como se engasgasse à cada palavra – você... querendo... ajudar?
Amanda fez uma careta triste.
– Quero... eu acho... – Amanda olhou para o lado, com uma expressão cheia de conflito. Para a surpresa dos meninos, ela começou á soluçar, desabando em cima da carteira de Raven.
– Amanda! – exclamou Raven, sem saber o que fazer.
Ela deu um tapinha nas costas de Amanda; ficou surpresa ao notar que não sentia desprezo ou aversão alguma por ela naquele momento, e ficou confusa ao ver aquela garota que a odiava parecer tão vulnerável, logo diante dela – o que foi?
Mila puxou uma cadeira para Amanda, e ajudou-a á sentar. A menina soluçava sem parar, e Raven tentou faze-la se acalmar, mal acreditando que se sentia penalizada por ela.
Amanda levantou a cabeça, olhando para Raven com os olhos vermelhos. Encarou a expressão preocupada dela com amargura.
– Depois de todo... esse tempo... você... consegue se preocupar... comigo.... – ela soluçou mais baixo.
Raven de repente percebeu, ao ver o sincero arrependimento tingir o rosto de Amanda, manchado de lágrimas, que estava fazendo o que era certo, tentando ajudar aquela que, á pouco tempo, era sua pior inimiga.
Pareceu também um pouco chateada ao notar que também não fora justa com ela, desde o começo; afinal, enquanto Amanda a detestava por suas origens desde o início doa ano, ela também não ajudara em nada para melhorar as brigas entre elas. Apenas devolvera na mesma moeda.
– É o que eu devia der feito á muito tempo – suspirou Raven – Ah, Amanda... não precisava ter sido assim... podíamos ter sido amigas desde o começo, não acha?
Raven sentiu que o que dizia era verdade. Algo realmente mudara Amanda; ela não parecia mais aquela garota arrogante e detestável; parecia apenas uma garota triste e arrasada, que parecia completamente confusa com o que estava sentindo.
Amanda assentiu, ainda soluçando.
Raven esperou que ela dissesse algo, mas, em vez disso, se surpreendeu quando Amanda a abraçou.
Raven deu mais alguns tapinhas amigáveis no ombro da garota.
Ela se ergueu, recomposta, mas com os olhos ainda vermelhos..
– Desculpem... eu fui uma...
– Não, Manda... – Raven sorriu, e riu sem graça ao ver a surpresa de Amanda por ela dizer seu apelido – tá tudo bem... agora conta pra gente o que aconteceu.
Amanda fungou, antes de tirar uma foto do bolso da blusa do uniforme. Era de um garoto parecido com ela, com os mesmos cabelos loiros — só que sem mechas — e um sorrisinho malicioso.
– Meu irmão... o João... está no hospital... em coma... foi atropelamento... – ela soluçou de novo.
– Ah, Amanda... – Raven abraçou a colega de novo – eu sinto muito.
Amanda aceitou o abraço, e fez um esforço para sorrir.
– Ele vai ficar bem, Amanda. Eu sei que vai – disse Josh.
– Eu também espero... – suspirou Amanda – então... – ela engrolou as palavras seguintes, arregalando os olhos como se não acreditasse no que iria dizer — eu posso... ajudar?
– Entre para a turma – sorriu Ginevra.
Raven se sentiu alegre, ao ver que ao menos alguma coisa acontecera de bom naquele dia.
Nunca imaginara que um dia iria finalmente ser amiga de Amanda. Parecia que aquele inacreditável dia finalmente chegara.
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Raven estava se mordendo de nervoso com a atividade de História, tentando se lembrar de todos os nomes de artistas que marcaram o Iluminismo francês, quando seu celular vibrou, tão de repente que a menina pulou quase dez centímetros na cadeira de susto.
Algumas colegas riram dela, que estava com cara de quem tinha sido eletrocutada.
– Ahn, professora? – murmurou Raven – posso olhar meu celular?
A professora fez uma expressão martirizada, pondo a mão na testa, e bufou. Foi até a carteira da menina e ciciou:
– Você leu o contrato pedagógico, Summer? Sabe que não pode atender o celular durante a aula! – mas, ao ver a expressão suplicante de Raven, a professora revirou os olhos e suspirou, torcendo as mãos como se estivesse segurando-se para não enforcar a menina – O.K., mas só se for mensagem... não deixe os outros alunos verem.
Raven fez que sim com a cabeça, e pôs o celular na perna, escondido da vista dos colegas. Realmente havia uma mensagem.
R., a gente vai se encontrar na biblioteca assim que der o sinal do intervalo. Leve aquele canivetinho que você sempre traz na mochila; afinal, precaução não custa nada, não é? Acho que é melhor levar o seu celular também, e um bloquinho de notas e caneta. A gente se vê lá, honey. Até mais.
Jo$h.
Raven guardou o celular, sorrindo. Nem numa “investigação” — na qual, com certeza, ficariam enrascados – Josh deixava de demonstrar seu carinho por ela.
Com pressa, ela escreveu qualquer coisa no caderno sobre os artistas iluministas, e discretamente, após isso, foi guardando na calça do uniforme um pequeno canivete decorado, a agendinha e uma caneta.
Assim que o sinal tocou, Raven saltou da cadeira, e foi esperar Amanda no fundo da sala. A menina escrevia febrilmente no caderno, e nem parecia ter percebido a sineta.
– Amanda?
– Hum? – Amanda levantou a cabeça, distraída, e piscou ao ver Raven – ah, sim... já está na hora?
– Está – Raven puxou o braço de Amanda – vamos logo!
As meninas, então, saíram correndo corredor afora.
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Raven e Amanda acharam Ginevra, Josh e Helena, como combinado, dentro da biblioteca. O atendente havia saído para conversar com o coordenador, o que fazia deles os únicos ali.
Helena fuçava insistentemente numa pequena estante de revistas da Veja no canto esquerdo da “sala” redonda, procurando por algo anormal. Ginevra mexia no computador, o que a fazia sacudir a cabeça toda hora em direção á porta, com medo de que alguém entrasse. E Josh simplesmente ia de uma prateleira de livros didáticos para a
outra, com a expressão pensativa.
– Oi, gente! Acharam alguma coisa? – indagou Raven.
– Nada – bufaram, em coro, Ginevra e Helena.
– Nossa, eu não sabia que tinha tanta coisa legal na biblioteca – comentou Ginevra, olhando para alguns livros empilhados nas mesas – puxa, tem Drácula, O Livro da Selva... tem até o Arthur Conan Doyle, putz...
–Ginevra , meu bem, dá pra você se concentrar na missão aqui? – resmungou Helena, literalmente sapateando de ansiedade.
– Nossa, uma missão, puxa vida – aquele velho tom de zombaria de Amanda ameaçou aparecer, mas ela não parecia zombeteira; apenas brincalhona.
Raven sorriu para Amanda, pensando em como tudo mudara rápido entre elas. Num momento, eram inimigas quase mortais, e agora...
– Achei! – exclamou Ginevra – ah, não... é só o interruptor do ventilador... que jumenta eu sou... nada incomum...
– Vocês são um bando de molengas, sabiam? – brincou Raven, andando distraidamente para trás.
De repente, ela tropeçou num enorme exemplar de As Crônicas de Nárnia que estava caído no chão, e se estatelou na prateleira de livros de Geografia. A prateleira sacolejou ao receber o peso da menina, e uns dois livros caíram sem cerimônia na cabeça dela.
Amanda não conseguiu segurar o riso ao ver a expressão desorientada da colega, mas Josh fechou a cara para ela e ajudou Raven a se erguer. Apesar de tonta, Raven riu também.
– Ah, reformulando minha frase: eu é que sou uma molenga. I am very crazy, know...
Josh sorriu levemente, ainda levemente preocupado com o vermelho nada saudável que estava tingindo a testa da menina depois da pancada na cabeça.
Ginevra ria baixinho enquanto juntava os livros que haviam caído e os colocava de volta na prateleira. Sem aviso algum, porém, ela deu um gritinho.
– Gente... essa prateleira está bem... solta....
– Solta? – ganiu Amanda – mas as prateleiras não são parafusadas na parede?
– Sim, todas... – arfou Raven – mas, pelo visto... essa aqui não.
– Caracóis, você acha que é...
– Se eu acho que aí existe algum buraco que leva á uma passagem subterrânea de criminosos ladrões de escolas? – disse Josh, dando uma risadinha estranha para Raven – achar, eu acho, minha linda, mas só tem um jeito de saber...
Ginevra mal esperou Josh terminar a frase, e pôs-se á empurrar a prateleira para a direita. Amanda foi ajudar a colega, e, para a surpresa de todos, após tirarem a prateleira do lugar, um buraco apareceu diante de todos.
Era um pouco menor do que o comprimento dela, mas havia espaço suficiente para uma pessoa entrar nele com algo volumoso nos braços.
– Bloodly hell! – exclamou Raven.
– É, gente – Ginevra tinha a mesma expressão chocada de Raven – acertamos em cheio. Viu, a Raven e o Josh tinham razão.
– Caçarola, Ray – Helena olhava para o buraco, parecendo estar medindo a altura da queda – você podia fazer faculdade em investigação criminal. Aquele “não sei o quê” forense.
Raven deu uma risada estranha, uma mistura de diversão e histeria.
– Espera um tiquinho, Helena – Amanda deu um passo em direção ao buraco e tirou uma moeda de um real do bolso, jogando-a nele em seguida. Menos de um segundo depois, ouviu-se o tilintar da moeda batendo no chão.
– Desperdício de dinheiro – bufou Josh.
Raven riu.
– Bom, quem vai ser o primeiro á pular nesse lindo buraquinho, hein? – disse Amanda.
– Pular? E ir atrás dos ladrões ou seja lá o que foram? E as aulas? – gemeu Helena.
– Cara, eu já te falei bilhões de vezes que... – começou Raven.
– Eu sei, eu sei. Isso é mais importante, vamos ajudar a escola, salvar o dia, etecetera, etecetera. Diga o que quiser... mas te digo outra coisa: essa história vai ter um fim, e não sei se vai ser um fim feliz.
– Pessimista... – Amanda balançou a cabeça.
– Tá, esquece. Eu pulo – Raven suspirou. Ela sentou na beira do buraco e se preparou para dar impulso, quando Josh segurou levemente seu ombro.
– Pombas, Josh, o que foi? – Raven bufou. Josh deu um sorriso indefinível.
– Tome cuidado, fofa.
Raven revirou os olhos, rindo. Mila fingiu se enforcar com as próprias mãos.
– Putz... nem numa investigação esse cara deixa de ser amoroso, mano? – guinchou Ginevra, fazendo uma careta com a boca, como se tivesse bebido óleo diesel.
Josh riu.
– Ah, Gi... – o rapaz disse – você só vai entender quando se apaixonar, baixinha...
Raven deu um beijinho em Josh antes de pular no buraco.
Não se passou nem meio segundo quando ouviram o som dela pousando no chão.
– E aí, Ray? Como é aí embaixo? – perguntou Helena para a escuridão.
A voz de Raven respondeu, produzindo pequenos ecos.
– É bem sujinho e tem cheiro de mofo... vai piorar minha rinite, mas... é seguro, por enquanto. Podem pular!
Um por um, os meninos foram pulando no pequeno buraco. Amanda foi por último, e teria se espatifado no chão duro de uma espécie de túnel que se prolongava à frente, se Raven não tivesse ajudado a colega. Ginevra ligou a luz do celular, iluminando o caminho adiante enquanto andavam.
– Gente, esse túnel é compriiido....
Josh abraçou a cintura de Raven com o braço direito, e afagou o rosto da namorada com a mão esquerda. Raven corou e riu baixinho.
– Eu protejo você, amor. Não precisa ter medo do escuro.
Raven deu um soco de brincadeira no peito do rapaz.
– I don1t am a child (eu não sou uma criança).
– Ei, casalzinho feliz... não quero estragar o clima aí atrás, mas nós temos uma missão aqui, captaram? – disse Mila.
Raven e Josh reviraram os olhos, mas acompanharam as colegas.
Andaram por uns bons minutos, até esbarrarem com uma parede de terra batida. O túnel parecia acabar ali.
– Mas... acabou? Como é que... – Raven começou, antes de Josh cutuca-la e indicar o teto. Um tipo de alçapão de ferro estava ali, e parecia estar meio aberto, deixando um pouco de luz passar pela fresta.
– Caramba... – gemeu Amanda – deve ser aí... onde estão as coisas roubadas.
– Bom, Manda... – Raven disse com voz sombria – só tem um jeito de saber. Vamos ter que entrar.
– Pode ser perigoso – alertou Mila.
– Mas vamos ter que arriscar. Vamos! – disse Raven, erguendo-se em direção ao alçapão e levantando-o. Os meninos a imitaram, entrando no que quer que houvesse do outro lado do alçapão.
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– Oh, my God... – ciciou Raven, quando todos já estavam do outro lado.
– O que... ai! – sussurrou Amanda, ao se erguer; batera a cabeça em algo acima deles. O baque surdo indicou que era uma mesa de madeira.
Raven engatinhou silenciosamente por baixo da toalha que cobria a mesa, olhando furtivamente pelo buraco. Os meninos também se agacharam, olhando para o lado de fora.
– Santo Deus – gemeu Josh, baixinho.
Parecia um galpão iluminado, com paredes amareladas.
Grandes caixas de madeira circulavam todo o local. Em um canto, havia duas espingardas e bananas de dinamite, ao lado de outra mesa, na qual dois homens jogavam baralho, falando alto e fumando. No outro canto, estavam vários objetos jogados aleatoriamente por cima das caixas de madeira: celulares, um troféu prateado, fios de cobre.
Como que para contradizer com o cenário, um Ranger preto estava estacionado perto de um portão de ferro quase ao lado da mesa onde os meninos estavam.
– Olha... – cochichou Mila – é o carro do professor Pedro...
– Cara! – gemeu Ginevra – isso é um depósito de coisas roubadas!
– Legal – Helena bufou baixinho – e qual é a novidade, Gi?
Raven pôs o dedo indicador em frente á boca, pedindo silêncio, e balançou a cabeça em direção ao portão. Todos se esconderam, á tempo de ouvir o portão se abrir, seguido do som de passos e de uma voz grossa e visivelmente irritada.
– Mas que... porcaria... vocês pensam que estão fazendo aí?
– Jogando truco, André. Que pergunta – respondeu outra voz, vinda da mesa dos jogadores de baralho.
– Vocês deviam estar arrumando essas tralhas para vender! – o homem chamado André rosnou – sabem muito bem que logo vamos ter que mudar de esconderijo, Paulo!
– Calma, cara! Ainda tem algumas coisas pra roubar naquela escolinha. Depois que a gente rapar tudo, nós derrubamos a passagem e caímos fora daqui. – disse outra voz, vinda do portão; uma voz feminina.
– Essa voz... – murmurou Ginevra, arregalando os olhos.
– Não pode ser... – Raven engoliu em seco.
– A professora Maria? – gemeu Amanda – aquela que dá aula de Matemática nas oitavas... eu não acredito...
– Aquela japonesinha sem-vergonha! – arfou Mila – eu sabia que tinha alguém da escola metido nisso! Quem mais ia roubar as chaves dos carros e a patota toda sem chamar a atenção? Ela é coordenadora... tem as chaves de
tudo na escola!
– O.K., Mari... – bufou André – mas mesmo assim, era melhor se livrar do que a gente já tem... vender pelo menos esses troféus empoeirados...
– Aí, André... – Paulo resmungou, sarcástico – e você não está preocupado em alguém nos descobrir antes?
André riu.
– Claro que não, Paulo. A Maria aqui está encobrindo a gente... eles não tem nem a menor ideia de como roubamos tudo. E como ela só “dá aula” – ele usou um tom de voz irônico na expressão – na sexta, não teve problema em vir aqui hoje. E, francamente... quem sequer iria achar que existe um esconderijo naquele porão que chamam de biblioteca?
Josh olhou para Raven, alarmado.
– A gente precisa buscar ajuda!
– Tem razão... – Raven assentiu – vou descer o alçapão pra ligar pra polícia...
Antes que Raven pudesse descer, porém, Mila arqueou a cabeça para trás, e, antes que sequer percebessem o perigo, a menina espirrou.
– Ai, é o pó... desculpa... – choramingou Mila.
– O que foi isso? – indagou Paulo.
– Ai, droga! – gemeu Josh – vão! Desçam o alçapão!
Infelizmente, o alçapão parecia ter emperrado. Antes que pudessem abri-lo, a mesa foi jogada para o lado, e Raven só pôde sentir uma mão grossa agarrando seu uniforme e levantando-a no ar.
– Me solta! – gritou ela, se debatendo.
– São alunos da Hermes, André! – falou Paulo, que parecia ser quem agarrara Raven.
– Solta a gente! – ganiu Mila, tentando se desvencilhar do colega de Paulo, que também imobilizara Josh. Ginevra e Amanda estavam presas nos braços de um terceiro homem, e Helena bufava tentando se libertar da professora Maria.
André olhou de um para o outro, com a expressão meio surpresa, meio cínica.
– O que estão fazendo aqui, moleques? Como chegaram aqui?
– Pergunta besta – rosnou Amanda – passando pelo seu túnel fedorento, claro.
Raven teve que se surpreender com a coragem de Amanda numa situação daquelas, como se não temesse levar uma facada ou coisa pior do criminoso.
Helena bateu os pulsos em Maria.
– Por que, professora? Por que virou criminosa da noite para o dia, hein?
– Você acha que dá pra sobreviver com o salário miserável que me pagam, Helena? – a professora deu uma risada zombeteira – e, depois, isso me dá um dinheiro muito mais fácil e em quantidade bem maior.
– O que fazemos com eles, André? – indagou o homem que segurava Amanda e Ginevra.
André deu um sorriso desagradável para Raven.
– Amarrem os seis juntos... depois vamos ver o que faremos. Quem sabe podemos pedir um resgate pelos moleques... ou podemos só mata-los.
Ginevra engoliu em seco, com a expressão assustada.
– Vou ter que dizer “é ruim, hein!” pra esse seu plano, mané – rosnou Raven, dando uma cotovelada com toda sua força em Paulo.
O bandido cambaleou e caiu, se contorcendo de dor, e a menina aproveitou para armar seu canivete. Ela o brandiu ameaçadoramente na direção dos ladrões.
André só riu.
– Você acha que isso vai nos impedir, garotinha?
– Isso aqui não – Raven ergueu as sobrancelhas. Era um sinal.
Só podiam se ver, em seguida, os homens no chão, massageando pés, costelas e barrigas. Os meninos se desvencilharam deles e se juntaram á Raven.
– A distração é uma maldição – disse Mila, sorrindo – nossa.. eu fiz uma rima?
Josh revirou os olhos.
André sacou um revólver do cinto, com a expressão raivosa, dando um urro de frustração.
– Boa hora pra correr – gemeu Amanda.
Não foi preciso dizer duas vezes; todos correram na direção do portão, desviando de um tiro que passou raspando pelo ombro de Raven. O berro de André ecoou pelas paredes.
– Qual é o plano, Ray? – ganiu Mila, correndo ao lado de Raven pelo longo corredor à frente.
– Bom... basicamente, é não morrer – Raven gemeu.
– Amei o plano – choramingou Helena.
– Amanda! Se esconda! – gritou Ginevra.
– O que? – Amanda exclamou – mas por quê?
– Agora! – Ginevra se desviou de outra bala que explodiu contra a parede.
Amanda piscou, aflita, mas obedeceu, se escondendo atrás de uma caixa.
– Por que, Gi..? – Raven começou, antes de sentir uma dor torturante na perna.
A menina caiu, gritando, com a mão num buraco que se abrira na jeans, que foi ficando cada vez mais molhado e quente. A menina fora atingida por um dos disparos.
– Ray! – Ginevra tentou ajudar a amiga, mas também foi alvejada por um tiro, que acertou em cheio suas costas.
Ela desabou no chão, onde ficou imóvel.
– Gi! – soluçou Raven, tentando aguentar a dor e estancar a umidade quente que começava á banhar sua perna.
Josh surgiu de um corredor ali perto, e gritou ao ver Raven caída no chão. O rapaz pegou-a nos braços, aflito, sem saber o que fazer.
Helena e Mila pareciam ter se perdido dentro do prédio, pois não se via sinal delas.
– R-Ray... – Josh sussurrou, embalando a cabeça da menina.
– Eu tô bem... – gemeu Raven, fazendo uma careta de dor – ajude a Ginevra...
– Que meigo – riu André, que surgiu na frente dos meninos, com o revólver ainda em mãos. Josh rosnou, apertando o ombro de Raven.
– Fique longe dela! –berrou o rapaz.
O som de outro tiro ecoou pelo corredor.
Raven gritou quando o corpo de Josh deu um solavanco e o rapaz caiu ao seu lado, gritando de dor, deixando-a cair também.
– Não! Não! – soluçou Raven, se arrastando até ficar na frente de Josh, que ficou terrivelmente quieto, estatelado no chão – não o machuque, por favor...
André só sorriu, sadicamente.
– Não é uma garotinha qualquer que vai estragar tudo agora...
Raven ergueu a cabeça fracamente para o bandido, com uma expressão intensa.
Sua voz era fraca, mas suas palavras não podiam ser mais claras.
– Mas eu não sou uma garota qualquer... sou alguém... que com certeza... é melhor do que você...
O rosto de André se contorceu de raiva, e ele ergueu o revólver, mirando-o no coração de Raven.
Ela ouviu a explosão do tiro, e então tudo escureceu.
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