Coração Dividido
10 Capitulo 10
Notas iniciais
Depois da revelação feita pela rainha das fadas, Liadrel e Radathra estavam deitados na mesma cama num quarto de hóspedes da rainha enquanto relembravam a conversa, e tentavam instigar a memoria para ver se algo que foi revelado batia com alguma memória já esquecida. Eles também estavam preocupados com o irmão Órion que já fazia tempo que tinha sido capturado. Radathra tinha que pensar em algum plano para acha-lo e resgatá-lo, mas nada lhe vinha à mente, enquanto estava deitada com Liadrel em seu colo enquanto afagava seus cabelos sedosos e loiros.
– Drel? – chamou Radathra.
– Hm? – respondeu Liadrel sonolento enquanto a irmã fazia carinho em sua cabeça.
– Eu sei que você é estudioso e já leu todos os livros da biblioteca do papai. Você saberia me dizer um jeito de procurar Ori? – perguntou a irmã.
– Hm, tem um modo, mas não acho que teríamos permissão para fazer. – disse Liadrel ainda de olhos fechados.
– Diga qual é. – disse Rada.
– Bem, nos tempos antigos os vários deuses possuíam oráculos que prediziam o futuro, ou buscaria nele as informações desejadas se fossem pagos pra isso. – respondeu Drel.
– Um oráculo hein? E onde se acha um? – perguntou Radathra.
– O último oráculo que ainda existe, é o do povo do mar que é chamado de Sibila. Desde os tempos antigos, que o sangue do primeiro oráculo é passado de geração em geração sendo sacerdotes de Netuno. – respondeu Drel virando a cabeça e colocando o queixo sobre a barriga da irmã para olhar em seus belos olhos azuis esverdeados.
– Ah, então nós iremos achar a sibila. Como disse a rainha das fadas, minha mãe é a rainha do mar não é? Já chegou a hora de ter uma conversinha com ela que me jogou de escanteio logo que nasci. – disse Radathra puxando Drel para cima o abraçando e pondo seu queixo encostado em sua cabeça, com a cabeça de Drel apoiada nos peitos.
– Isso não vai ser tão fácil vai? Afinal o povo do mar não gosta muito dos Elfos. – disse Drel com um bocejo enquanto fechava os olhos.
– Não importa o que eles gostem ou não. Iremos atrás de todas as maneiras possíveis para resgatar nosso irmão. – disse a irmã fechando os olhos abraçada com o irmão e caindo no sono.
Algumas horas mais tarde depois de uma boa noite de sono, os irmãos se dirigiram até a sala de Titânia com suas bagagens prontas para partir. Falando com a fada que guardava a porta da rainha, pediu permissão para falar com ela. Um suspiro depois, o guarda acenou e abriu as portas de granito.
Ao entrar, encontrou a rainha sentada a uma mesa olhando vários papeis que pareciam ser importantes. Com sua chegada, a rainha sorriu e olhou para eles notando que estavam preparados para partir.
– Vocês já vão meus queridos? – perguntou Titânia suavemente já sabendo o que Rada iria pedir que era o motivo dela estar analisando bem aqueles papeis da corte das fadas e do reino élfico que Theraradel tinha enviado por magia.
– Claro. A senhora com certeza já saberia não é? Bem melhor assim. Eu preciso de um favor da senhora. – disse Radathra meio nervosa.
– Diga meu bem. – respondeu a fada.
– Precisamos de permissão para entrar no reino do mar, e falar com minha cara mãe a rainha. – disse Radathra meio de má vontade ao falar da mãe.
– Eu já sei disso meu bem, e estava terminando de redigir as cartas que você precisará apresentar para entrar na corte submarina. E não se preocupe em perder as cartas ou serem roubadas. Lançarei feitiços de localização e os prenderei a você até que chegue nas mãos de sua mãe. Assim se você for roubada ou perder, os papeis voltarão a você dentro de 5 minutos após o inconveniente. – disse a rainha com um sorriso.
– Ora, obrigada. Esse feitiço é muito útil. Poderia me ensinar depois? Por favor? – pediu Radathra animada com essa proteção extra.
– Claro que sim querida. Quando você voltar a Álfheim venha até aqui que ensinarei aos dois. Então vocês irão atrás da sibila? – perguntou Titânia.
– Sim. De acordo com os livros que Drel leu na biblioteca élfica, ela é o ultimo oráculo que pode nos ajudar. – disse a princesa elfa.
– Certamente. Mas devo avisá-los, que a sibila não gosta muito dos Elfos por terem levado seu marido para a guerra lhe causando a morte. Somente uma ordem direta da rainha funcionará para que ela os ajude. – disse Titânia lembrando bem da linhagem dos oráculos quando os consultou na juventude muitos milênios atrás.
– Então eu terei essa ordem, mesmo que eu precise dela. – disse Radathra pegando os papéis necessários.
– Um último aviso meus queridos. Vocês estão indo como diplomatas do povo Élfico, e por isso devem ir não como a filha da rainha, e sim como embaixadores das fadas e príncipes reais dos Elfos. Vão trajados com roupas de caça reais e com suas coroas de direito. Por isso antes de irem a Atlântida, voltem até seu pai em Álfheim. A batalha já terminou. – disse a rainha.
Após isso, encontraram Liam que eles não tinham visto há algum tempo para informar que iriam voltar para casa. Mas antes disso, Radathra procurava por Ren para se despedir. Perguntou para as fadinhas pixies onde poderia encontra-lo, e aos risinhos elas apontaram para a borda da floresta perto do campo de flores. Ao procurar por ele quando chegou no campo de flores, o encontrou deitado encostado numa árvore girando uma rosa nas mãos. Sem querer incomodar, Radathra observava o garoto fada enquanto ele estava distraído. Seus belos cabelos azuis brilhantes, seu nariz esbelto, rosto fino e másculo delineado por uma leve barba, lábios cheios, olhos de violeta e aquele corpo escultural. Radathra sentia um grande carinho por Ren por ser seu amigo de infância, mas uma coisa nova surgia lentamente sem ela saber o que era, quando o reencontrou tanto tempo depois já adulto. Dando um suspiro, se aproximou fazendo-o virar a cabeça e sorrir com sua presença. Sentou-se ao seu lado e respirou fundo.
– Você já está indo não é Rada? – perguntou Ren com um olhar meio triste.
– Sim Ren. Eu já estou indo, e não sei quando voltarei novamente. – disse Radathra com um suspiro.
– Vou sentir sua falta Rada. Não queria que você fosse embora de novo, depois de tanto tempo que ficou sem vir me ver. – disse Ren meio pra baixo.
Radathra sentiu seu coração apertar ao ver o amigo assim, e pegou seu rosto com as mãos virando-o para ela, e deu um beijo em suas bochechas que o fez corar um pouco.
Ele abriu os braços e ela se aconchegou neles com a cabeça encostada no seu peito largo e forte, e ficou escutando seu coração enquanto era cercada pelos seus braços fortes e musculosos que a embalavam no calor tenro de seu corpo. Ela podia sentir seu cheiro doce de fada que era meio cítrico e um cheiro amadeirado típico de machos. Ela respirou fundo para guarda-lo na memoria.
Ren estava com a mulher de sua vida nos braços enquanto ela descansava em seu peito. Ele não queria se separar dela novamente, e deixar que ela e o irmão corressem perigo sozinho no meio do mar. Passaram muito tempo abraçados, com ele sentindo o doce perfume de seus cabelos vermelho escarlate que tanto amava caindo por seus braços.
Mas depois de um tempo, Radathra levantou e Ren a acompanhou até o arco dourado, Liadrel e a rainha que os esperavam. A rainha olhou diretamente em sua direção como se ouvisse seus pensamentos e sorriu.
– Você tem algo que deseja me falar meu caro Ren? – perguntou a rainha solidária com o amor de seu jovem filho com a princesa elfa.
– Ah sim mamãe. Eu peço humildemente que me permita ser o guarda-costas dos príncipes em sua viagem. – pediu Ren. Ele não costumava chamar a rainha por mãe na frente dos outros, mas não resistiu a apelar para a mãe e não sua rainha.
– Se os príncipes assim o aceitarem. – disse Titânia olhando para os Elfos que assentiram com a cabeça com um sorriso de aprovação.
– Então assim será feito. Você meu filho, Ren príncipe das fadas da corte de Seelie, será o guardião da princesa escarlate e do príncipe Liadrel, e os defenderá com sua vida se preciso, honrando a casa de Seelie e sua própria honra. – disse Titânia não mais como a mãe e sim como a rainha que todos obedeciam e admiravam.
–Será um prazer fazê-lo. – disse Ren ajoelhado.
– E para isso, você precisa dos equipamentos certos. – disse Titânia enquanto estalava os dedos. Uma magia rodeada pela luz cercou o príncipe numa nuvem que o encobriu por completo. Segundos depois, ele surgiu com toda a beleza que alguém da casa real deve ter. seus cabelos azuis normalmente desgrenhados e rebeldes, estavam agora alinhados para trás presos sob a coroa delicada que repousava em sua cabeça. Trajava uma roupa de caça com botas de couro, calças, e uma camisa de seda que adornava seu corpo completamente acentuando seus músculos bem desenvolvidos. Atrás de si sob a capa azul, aparecia a ponta de um arco e aljava de flechas, junto do cabo de uma espada na outra ponta do ombro, junto a mochila a suas costas. Decididamente era um príncipe do reino das fadas.
– Mãe, eu tenho mesmo que me vestir assim? –perguntou Ren meio desconfortável com toda aquela roupa espalhafatosa.
– Claro que sim menino. Afinal você é o príncipe das fadas. E também como você se recusa a vestir isso no dia-a-dia, é uma boa oportunidade para que eu possa vê-lo asism tão lindo, mais do que normalmente é claro. – disse Titânia beijando a cabeça do filho com seus lábios rubros e acariciando o rosto do filho.
– Volte são e salvo meu menino. – disse a rainha.
– Voltarei mamãe. – disse Ren se inclinando e beijando a cabeça da mãe. Apesar dos dois serem altos, o filho era um pouco maior que a mãe.
Com um adeus de sua mãe, e das fadas que choravam por sua partida, com um último sorriso para todos, Ren foi para perto dos Elfos, que foram envolvidos pelo arco dourado num turbilhão de vento, e foram levados dali para a terra dos Elfos.
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