Coração De Neve

7 Capítulo 7 - Triângulo - Uma missão de Resgste


Notas iniciais
Capítulo interessante, porém um pouco complicado. Mesmo assim espero que dê para entender.

O garoto não parecia muito experiente, mas mesmo assim ele avançou na direção da criatura grotesca e a cercou. Não consigo olhar sem sentir nojo, é algo muito difícil de descrever. É como se fosse um enorme cão muito bombado, porém sua carne está em estado de decomposição, em algumas partes dá para ver seus ossos e sem contar parte de seus órgãos expostos. Merlin lançou seus chakrans que partiram velozes circulando o monstro, cortando-o simultaneamente em ambas suas laterais. A arma voltou graciosamente para as mãos do filho de Atena e eu aqui ainda parado.

- Faça alguma coisa. — ele gritou para mim enquanto desviava de investidas do monstro horrendo.

- Eu não sei usar arco. — falei nervosamente. — Não sou um elfo.

Ele parecia indignado com isso e continuou a atacar o monstro incessantemente. Porém seus golpes não estavam sendo muito efetivos e a criatura só se tornava mais feroz. O semideus não iria conseguir se manter ileso por muito tempo, então resolvi agir. Não tenho nenhum conhecimento com armas, mas sei que o Arco não é tão fácil. Pego uma flecha na aljava e a posiciono, puxando o cordel e mirando na direção da coisa feia. Respiro profundamente e solto o cordel, lançando a flecha em alta velocidade. Ela foi tão veloz que eu só pude vê-la na hora que atingiu uma árvore. Merlin olhou para mim como se eu fosse o ser mais inútil do planeta e o pior é que eu estava me sentindo assim. O que fazer com um arco se eu não sei atirar? Corri na direção do monstro e saquei uma flecha. Eu iria usá-la para tentar perfurá-lo, mas ela era muito flexível e nem entrou na pele da criatura.

- Você quer morrer? — o filho de Atena urrou do outro lado.

Ele disparou guardou seus chakrans nas costas e sacou uma espada. Desta vez seus golpes pareciam mais efetivos, mas o monstro tinha focado sua atenção em mim. Caí para trás e fui me arrastando, tentando não permitir que sua baba me atingisse. De perto ele era mais feio ainda e eu estou com uma ânsia de vômito pelo odor que é expelido pela sua boca. Ele continua avançando, prestes a me abocanhar, quando eu decido fazer alguma coisa. Prendo uma flecha e a solto imediatamente. A distância era curta e o ataque foi preciso. A lâmina da flecha cravou no crânio da criatura e ele gemeu com a dor, se contorcendo e aos poucos se transformando em cinzas. Olhei assustado, sem entender o que eu havia feito de tão especial. Merlin se aproximou e estendeu a sua mão para mim, me ajudando a levantar.

- Você esta bem? — ele perguntou, assim que eu fiquei de pé ao seu lado.

- Eu aparento estar bem? — arqueei uma sobrancelha ao respondê-lo. — Eu apenas perdi o controle do meu cachorrinho e ele quis me morder, só isso.

- Ele era seu? — ele parecia estar realmente me levando a sério.

-Sim ele é, parece comigo não é? — respondi ironicamente.

Quando ele notou o que eu estava fazendo, já ia se dar o trabalho de responder a altura, mas alguém ali perto gritou e bem alto. Eu conheço esse grito e sem pensar saio correndo na direção do som. O dia estava amanhecendo e eu fico a me perguntar quanto tempo faz desde que eu deixei a Arena do acampamento e vim parar nessa floresta. Mesmo sem enxergar logo estava eu a observar alguém caído, como aqueles malditos seres sobre si, arrancando pedaços de sua pele. Ele estava sofrendo por que eu o abandonei sozinho para lutar contra dezenas de criaturas. Agora só restavam apenas dois, mas o filho de Ares já não parecia ter mais forças para lutar e estava sendo torturado e devorado pelos monstros. Puxei uma flecha e deixei meu corpo responder sozinho. Por alguns segundos eu imaginei o arco como parte de mim e deixei meu sangue imaginariamente percorrer toda sua extensão. Senti a flecha como parte do meu corpo e soltei o cordel.

A flecha zuniu na direção de um dos monstros e penetrou em seu corpo, transformando-o em cinzas instantaneamente. A outra criatura se sentiu ameaçada e abandonou o corpo do Jacob, começando a correr na direção mais densa da floresta. Nesse mesmo instante eu puxei outra flecha e atirei magicamente à distância e atingi em cheio a criatura que estava a fugir. Olho ao meu redor e me certifico se havia mais monstros por ali, deixando o arco caído ao chão. Corro para me aproximar do garoto, que há algum tempo estava a tentar me matar, e me ajoelho ao seu lado. Ele estava se tremendo em dor, quase em estado de choque. Sussurro para que ele tente se acalmar e seguro sua mão. Nesse momento ele nota minha presença e fixa seus olhos em mim. Da última vez, seu olhar parecia querer me destruir. Agora, seu olhar pede por ajuda e me provocou uma sensação de compaixão e amor que eu nunca senti.

- Calma, eu vou te ajudar. — tentei tranquilizá-lo.

Como tudo estava acontecendo tão rápido na minha vida, eu não fazia à menor ideia de como meus poderes funcionam. Todas as vezes que fiz coisas diferentes, desde que cheguei ao acampamento, era o meu corpo que respondia sozinho e geralmente na pressão. Toco os seus machucados e sinto o seu sangue se conectar ao meu corpo. Seria eu capaz de unir meu sangue ao seu? Fecho meus olhos e respiro a brisa do começo da manhã. Os primeiros raios do sol começam a penetrar a floresta e mesmo sem ver, sinto que os olhos dele ainda estão focados em mim. Respiro profundamente e deixo o meu corpo agir. De repente sinto um fluxo de energia percorrer meu corpo e se unir ao dele. Abro os olhos e vejo que uma espécie de água percorria a pele dele, saindo de minhas mãos. Como eu estava fazendo isso? Sorrio suavemente e vejo que seus ferimentos estão se cicatrizando e seu corpo estava ficando mais calmo e mais relaxado.

- Obrigado. — ele disse.

E logo em seguida apagou. Fiquei surpreso pelo que ele disse e quase me esqueci que precisamos voltar ao Acampamento. Nesse momento Merlin conseguiu nos achar e eu pedi sua ajuda para levar o Filho de Ares, que por sinal é tão pesado quanto é bonito, até a área da enfermaria. Ele me pediu explicações, mas eu não conseguia pensar em mais nada a não ser no bem estar desse garoto que esta em meus braços. O Filho de Atena conhecia o caminho para sair da floresta e logo já podíamos ver os chalés.

- Logo ali está a Enfermaria, vamos logo. — Merlin parecia muito solicito e até agora eu não havia questionado o que ele estava fazendo na floresta naquela hora.

Deitamos o Jacob em uma das camas e pedimos para um semideus cuidar dele. Merlin me falou que os Filhos de Apolo é que são bons com curas e procedimentos médicos. Deixei a enfermaria e fui correndo até o meu chalé. Eu não quero mais ver ninguém e não quero fazer mais nada. Preciso apenas diluir tudo que havia acontecido nas últimas horas. O lugar realmente estava vazio, mas era muito aconchegante. Joguei-me em um das camas e não consegui segurar. Chorei de raiva, chorei de angústia e chorei por não entender. Por que tudo isso estava a acontecer comigo? O que eu fiz para merecer isso? Sem perceber acabei relaxando demais e senti meus olhos ficarem pesados, então me permiti descansar.

- Eric. — alguém bateu à porta me acordando em um salto.

Levantei para ver quem era e notei pela janela que já era noite novamente. Puxei o trinco da porta e alguém pulou em meus braços. Era Chris, minha única amiga nesse lugar. Ela me abraçou e eu me senti um pouco aliviado por isso. Seu olhar era de preocupação e ao mesmo tempo parecia alegre em me ver.

- O que você aprontou, seu idiota? — ela perguntou sorrindo. — Faz dois dias que você só dorme, precisa comer.

- Dois dias? — questionei surpreso.

- Sim, dois dias. — ela respondeu enquanto tentava ajeitar meu cabelo. — Vá tomar um banho, eu espero aqui. Te trouxe comida.

E assim fui empurrado até o banheiro particular do chalé três. Deixei a água relaxar o meu corpo e aos poucos toda a tensão ia desaparecendo. Após uns bons minutos de banho, deixo o banheiro enrolado em uma toalha e me surpreendo ao ver que a Chris estava conversando com alguém na porta. Quando ela nota minha presença, ela vira com um olhar um pouco incerto.

- Tem alguém querendo lhe ver, Eric. — ela disse baixinho e saiu da frente para que eu pudesse ver quem era.

O garoto filho de Ares estava parado à porta com um sorriso torto, que eu nunca imaginei que poderia se encaixar em sua cara séria. Ele parecia desconcertado em estar ali, parado à espera de um convite para entrar. Porém atrás dele, vinha outro garoto e com uma caixa de chocolates em mãos. Era Merlin, o Filho de Atena. Quando ele viu que o Jacob estava a me esperar na porta, ambos se entreolharam. Eles pareciam que iam começar um duelo e a Chris então me beliscou, pedindo explicações apenas com um olhar. E agora, no que eu me meti?

Notas finais
Uhuhuuuu, o que está acontecendo ali? Que criaturas grotescas são essas? E como as pessoas mudam em determinadas situações, não é? A seguir: Capítulo 8 - Previsão de Nevasca.