Conúbio

5 O preço da Coroa


Notas iniciais
Notas no final do capitulo! ♥ Escrevi o CAP ao som de : https://www.youtube.com/watch?v=aqL7TiOrkN8

Cersei Lannister

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Na parte sudeste de Porto Real em meio ao caos de lixo, lama e tumulto dos súditos decadentes da realeza do Sul, ainda ao alcance dos fortes odores pútridos do restante da cidade, sobre a Grande Colina de Aegon a mais altas das três colinas da capital, ergue-se, menos imponente do que outrora fora, A Fortaleza Vermelha. Construída por Aegon I após sua vitória na Guerra da Conquista, quando uniu Seis dos Sete Reinos e fundou a Dinastia Targaryen em Westeros. Feita de pedra vermelho-claro, e grande demais para se enumerar.

No coração da fortificação, por de trás de um muro com 12 pés de espessura, podendo ser acessada somente por uma ponte levadiça através de um fosso seco coberto de espigões de ferro, praticamente impenetrável, encontra-se a Fortaleza de Maegor.Uma-fortaleza-dentro-de-outra-fortaleza. Destinada aos aposentos reais.

Cersei agora residia no quarto do Rei. E raramente era vista deixando a segurança da Fortaleza menor.

Em outros tempos, aquele mesmo aposento já testemunhara muita história. Contudo, assim como a base desgastada das suas paredes frias, o Castelo também rumava ao mesmo declínio vagarosamente decrepito que seguia a realeza.

E lá estava ela. Em pé e imóvel, pelo que parecia ser um longo tempo.

Os olhos verdes e fixos, contemplando sua imagem refletida no ouro extremamente polido da taça que, com a mão direita, segurava elegantemente por entre os dedos esguios.

Os minutos corriam, enquanto Cersei fitava seu reflexo de maneira inescrutável.

Tão bonita e tão vazia

O início de pequenas rugas no canto dos lábios sempre tão constantemente comprimidos. As maças do rosto ligeiramente mais caídas do que costumavam ser. A gola alta do seu vestido preto, um vestido mortuário, cobrindo a pele do pescoço que também havia começado a ser afetada pela flacidez.

Em breve, pensava ela um eco do que um dia fora.

Atribuía a culpa ao excesso de vinho, o desgaste continuo do luto, a ameaça incessante dos inimigos.

O fato, é que Cersei não lidava bem com o avanço dos anos. Que apenas pareciam-lhe servir para acentuar a frieza do seu interior ocre e tirânico.

''Rainha serás. Até que surja uma outra mais jovem e mais bonita. Que após derrubar-lhe, também roubaras tudo que já lhe foi querido” A profecia era um sussurro continuo em sua mente, atormentando seu sono, impedindo-a de ter paz.

Cersei fora criada para ser uma rainha. Embora, não, qualquer rainha.

Uma Nobre. Uma Lannister. A primeira Rainha Lannister.

E Jaime, a continuidade do legado de seu Pai, Tywin Lannister O Obcecado.

Um plano que começara a ser orquestrado antes mesmo de seus nascimentos. Mas que agora, e, por mérito dela, se perpetuaria por gerações.

E ali estava. Conquistando o que nenhum outro homem da sua família conseguiu.

Rumo a uma dinastia cujo poder, Cersei acreditava, ofuscaria o da anterior.

Paguei O preço da Coroa Pensava ela E mereço usa-la.

Para Cersei de nada importava o fato de que, o Trono em questão, houvesse sido criado por um Targaryen e especialmente designado para a linhagem daquela a quem ela considerava uma usurpadora.

O bom senso não caminhava ao lado de Cersei Lannister.

Desde jovem invejara aquela Casa, e ansiara por ser parte da realeza. Nada seria capaz de afugentá-la.

Preferia reinar sobre legiões de mortos, do que abdicar de sua posição.

''São tão pequenos que mal consigo vê-los’’

Era Narcisista. Egocêntrica. Apática às crises alheias. E nas profundezas do seu íntimo, sabia bastante bem disso. E aceitava-se, tal como era. Vestia-se disso, como uma armadura.

Um leão não se dobra.

Na entrada de seus aposentos, assim como era esperado dele, estava Montanha. Seu guarda costas pessoal. E de certa forma, a realização de um pequeno anseio particular. Uma criatura servente cuja existência era inteiramente dedicada e entregue ás suas vontades. Um monstro em tamanho, tão ameaçador em vida a própria violência em pessoa. Mais besta do que homem, e mesmo assim, subjugado.

Consumido pela mesma submissão que Cersei almejava do restante de Westeros.

Montanha conhecia o seu próprio lugar.

Ao contrário de Jaime, seu irmão, a única pessoa que lhe restara.

Amava-o, como uma extensão de si mesma. O único homem que se provara, ao longo dos anos, realmente digno dela.

Nem Rhaegar. Nem Robert. Só Jaime, a quem amava profundamente e ressentia-se na mesma medida, nas vezes em que o mesmo resolvia agir de maneira imprevisível, contrariando seus propósitos. Tal como agora. Permitindo-se ficar longe dela. Mantendo-se como prisioneiro daquela ordinariazinha que se auto intitulava rainha.

A sua estratégia falha, Jaime — pensava com amargor – Custou mais da metade das nossas forças, e agora pode custar também, a sua vida.

Cersei suspirou pesadamente.

Não via o abatimento dos exércitos Lannisters na forma de vidas que foram perdidas, e sim, como números no campo de batalha. Números reduzidos. Baixas significativas, pesando no lado errado da balança.

Derrota ou Vitória. Tal como era.

Com um ultimo suspiro resignado, Cersei colocou a taça de ouro, agora vazia, em cima da pequena mesa redonda ao seu lado. A taça bateu na mesa, um baque surdo ecoando no teto abobadado do aposento, parecendo ecoar também no vazio daquele castelo quase inóspito. Uma fortaleza morta.

Na palma da sua mão esquerda, firmemente fechada em punho, jazia a mensagem que um corvo lhe trouxera logo após o nascer do sol. O papel estava amassado, a superfície manchada por respingos de sangue. Nele, lia-se:

''Desocupe a Fortaleza Vermelha, e evacue o restante do seu exército de Porto Real. ''

Somente isso.

No lugar de uma assinatura, havia o brasão pertencente a casa Targaryen.

E Cersei não sabia o que a irritava mais. Se era o conteúdo desconexo e quase absurdo da mensagem ou o fato de, nem ao menos, terem se dignificado a referir-se a ela através do uso costumeiro de qualquer título.

A breve carta havia sido destinada para Á Falsa Rainha. E quando a recebeu, Cersei sentiu-se tomada por uma fúria gelada, quase homicida. Imediatamente ordenou que retornassem com o corvo responsável pela entrega, e antes que fosse capaz de controlar seus impulsos, partiu a criatura ao meio. Antes de se desfalecer, no entanto, a ave deferiu-lhe um último golpe, cortando a lateral do dedo indicador da Lannister com seu bico afiado.

Fez questão de exigir pena e papel, entretanto, até agora, nenhuma forma adequada de resposta havia lhe surgido.

Afinal, era obrigada a admitir que se encontrava numa posição delicada. A mensagem em si, era pura provocação, não podia deixar de ser. Todavia, no momento, pouco podia fazer em relação a isso.

Cersei entendia que estavam de certa forma, sitiados em Porto Real. Sem forças para armar uma frente adequada, incapazes de avançar com qualquer estratégia de guerra. O restante de seus vassalos ainda não haviam tomado partido, nem posição.

Idiotas covardes

Por ora, faltava-lhe números. E por hora, também, era prudente medir suas palavras.

Desde de as notícias do ataque a Jaime, Cersei reunira todo o restante da guarda real em volta da Fortaleza Vermelha. Os arqueiros, cobrindo os pontos mais vulneráveis, os homens no chão, formando uma barreira humana. Estado de mobilização.

E embora suas sentinelas ainda não os tivessem alertado sobre qualquer movimentação nos arredores das terras próximas a capital, pelo que sabia, poderiam a qualquer instante, sofrer um ataque daquelas odiosas criaturas aladas.

Demoraria o tempo que fosse necessário, mas acreditava, genuinamente, que ainda seria capaz de vencer.

Deveras, afinal, havia sacrificado tudo pela coroa.

E estava disposta a sacrificar ainda mais.

O tempo a ensinara a esperar.

— Sor Gregor, vá buscar Sor Bronn das masmorras. Caso tenha se recuperado de seus ferimentos anteriores, machuque-o, mas não o incapacite. E então, traga-o para mim.

O disparate que era aquela mensagem... tratava-se de que, afinal de contas?

Um decreto? Uma ordem? Um Aviso? Não importava.

De qualquer modo, jamais haveria uma rendição por parte de Cersei.

Não enquanto ela ainda respirasse.

''A ânsia de Poder não é originada da força, mas da fraqueza.’’ Erich Fromm

Notas finais
Agradeço pelo numero crescente de pessoas acompanhando a fic, o que, por algum motivo, não esta sendo contabilizado no link publico da historia. Mas ok! Haha Estou feliz, feliz. E grata. Sejam todos bem vindos! Como sempre, aguardo que os leitores se expressem. #Jonerys♥