Notas iniciais
oláaaaaaa, olha quem voltou!!!

"The front pages are your pictures

They make you look so small

How could someone not miss you at all?"

(Diana)

OLIVIA

Eu estava sem o meu celular, mas presumi que todos já tinham se retirado para dormir no momento em que eu e Sebastian voltamos para casa.

O vento da noite tinha feito um pouco do trabalho para secar nossas roupas, mas não muito.

Eu ainda sentia como se minhas elas tivessem virado uma segunda pele e provavelmente deveria estar parecendo um rato molhado porque vez ou outra, durante nossa caminhada, eu pegava Sebastian me observando.

Apesar do desastre daquela noite, eu me sentia alegre, um pouquinho feliz até.

Ferrante tinha esse poder, não só em mim — eu já havia notado. Era muito difícil o ambiente ficar pesado quando ele estava presente, era difícil ficar bravo com ele por muito tempo. Até mesmo nos nossos ataques de fúria nos corredores da empresa, quando tudo acabava, eu não sentia que a raiva ia me consumindo aos poucos. Ficava contrariada, mas Sebastian sempre lançava uma fala sarcástica ou uma piada fora de hora que indicava que nada daquilo era pessoal.

Eu não sabia onde aquele combinado de sermos amigos nos levaria. Descobrimos naquele acordo que a linha entre a nossa camaradagem e algo um pouco mais...estranho e complexo era bastante fina. O que fazia com que eu me sentisse andando numa corda bamba, onde me controlar era realmente a prioridade.

Ria com ele, mas não muito.

Converse, mas não deixe muito óbvio que seu interesse é ouvir a voz dele.

Observe-o, mas sem parece obcecada.

Aproxime-se, mas no geral tente manter suas mãos para si.

Seria muito mais fácil se afastar, porém, se fosse para escolher entre o olhar decepção que recebera no quarto quando disse que não éramos amigos e o brilho nos olhos dele quando disse que deveríamos tentar uma amizade, eu sabia bem o que acabaria escolhendo.

Sebastian abriu a porta para mim e falou alguma coisa sobre tomar um banho fervendo quando notamos uma coisa ao mesmo tempo.

De um lado nós, encharcados — Sebastian com uma mão no meu ombro e eu com uma em sua cintura. Do outro, minha família inteira e os pais de Sebastian nos observando de boca aberta.

— O que aconteceu com vocês? — Lucas, meu irmão perguntou chocado.

— Caímos em um lago. Acidentalmente. — respondi, sentindo meus lábios tremerem.

— Eu nem sabia que vocês tinham saído de casa. — meu pai murmurou mais para si mesmo.

— Tadinho do lago e das coisas abomináveis que ele foi obrigado a contemplar. — PJ disse com um sorrisinho e Liz deu um tapa no no seu braço embora estivesse rindo também.

Ela comentou fingindo seriedade:

— Achei uma boa explicação. Vou usar quando Lucy me perguntar como ela nasceu. Oh, querida. Eu e seu pai caímos num lago.

Todos riram.

— Às vezes eu acho que vocês têm 10 anos. — falei, ranzinza.

— Mas está tudo bem? — a mãe de Sebastian perguntou e se aproximou, colocando uma mão no meu braço.

— Sim, foi um acidente. Sebastian se desequilibrou e me puxou com ele.

— Sempre um cavaleiro de armadura, garoto. — Caleb disse no mesmo tom zombeteiro que o filho costumava usar.

Ferrante bateu continência.

— Sempre. — Sebastian veio para trás de mim e colocou as duas mãos no meu ombro. — Agora eu vou levar a princesa para tirar essa roupa e tomar um banho quente antes que ela se resfrie.

— De preferência deixe que ela tire a roupa sozinha, filho. — Meu pai retrucou.

— Pai! Pelo amor de Deus, qual o problema de vocês? — disse, dando as costas e partindo em direção às escadas.

SEBASTIAN

Quando acordei pela manhã foi com uma mecha de cabelo no meu rosto e uma perna atravessada sobre as minhas.

Era raro demais acordar antes de Olivia. Por isso fiquei olhando para o teto por alguns minutos tentando a melhor forma de levantar sem despertá-la.

Quando falei que ela dormia parecendo uma estrela do mar, eu não estava brincando.

Virei o rosto para olhá-la e ela dormia pacificamente, sua respiração calma e seu rosto virado para o outro lado.

Provavelmente eu teria acabado na sua cama.

Eu ainda não estava completamente certo de que Sartori não estava tirando uma com a minha cara, mas também não insistiria no assunto.

Não mudava nada.

Foi há três meses, ela fez questão de enfatizar isso.

Havia acontecido tanta coisa no dia anterior que parecia que tinham se passado dez dias em um.

Estiquei meu braço e peguei o celular em cima da mesinha de cabeceira.

11 horas da manhã.

Olivia deveria estar muito cansada para se deixar levar pelo sono por tanto tempo.

Com todo cuidado, eu me levantei. Ela murmurou alguma coisa, se ajeitou na cama — embora continuasse esparramada no colchão — e voltou a dormir.

Entrei no banheiro para escovar os dentes e trocar de roupa ainda repassando a noite anterior.

Tudo parecia um misto de sonho e pesadelo. Uma confusão bem elaborada que eu ainda não sabia como sair.

Uma mensagem apitou no meu celular:

Hunter

A noite foi tão cansativa assim

que vocês dois simplesmente

desmaiaram?

Eu

Completamente exaustiva.

Mas não do jeito que você está

pensando, seu pervertido!

Hunter

Eu não pensei em nada.

Afinal de contas, você está

comprometido com outra mulher.

Como se ele ou minha mente me deixasse esquecer disso por cinco minutos.

Eu

Toda vez que tento falar com ela

Parece que fica mais difícil.

Hunter

O que, de certa forma, é

uma benção.

Dúvido que se você tivesse conseguido

uma oportunidade, saberia o que dizer.

Você sabe o que vai dizer, Sebastian?

Você sabe o que está se passando por essa

cabeça sua?

Não, eu não sabia.

Sabia que sentia algo por Julie. Um carinho, um senso de proteção. Queria que ela fosse feliz, queria fazê-la feliz, mas não do jeito que imaginei que seria quando resolvi dar uma chance para nós dois.

Não deu certo há quase seis anos e estava dando ainda mais errado agora.

Mas eu tinha medo de estar deixando algo importante passar.

Julie estava na minha vida desde que eu me entendia por gente.

Olivia estava na minha vida há cinco anos e em metade desse tempo tínhamos passado propositalmente nos desentendendo.

Julie continuaria na minha vida quando tudo acabasse.

No entanto, o que me garantia que aquela trégua entre mim e Olivia permaneceria quando voltássemos para casa? Quando um de nós conseguíssemos aquela vaga de emprego?

Por mais que eu quisesse acreditar que estávamos progredindo — e rápido —, que estávamos desenvolvendo um laço de amizade forte, que por eu estar conhecendo Olivia melhor e vice-versa, tudo seria diferente quando aquele acordo acabasse, eu não podia ter certeza.

O que sobraria para mim então? Quando Julie fosse embora da minha vida magoada?

Voltaria a ter todo dia alguém diferente na minha cama?

E se Julie fosse a opção mais segura?

Saí do banheiro e Olivia ainda estava dormindo feito uma pedra.

Lembrei dos seus sorrisos, da sua risada, das suas tentativas de fazer piadinhas.

E se...?

Chacoalhei a cabeça antes que o pensamento pudesse se formar na minha mente.

Amigos.

Era isso que a noite passada me ofereceu. Era isso que Olivia estava disposta a me dar e eu estava mais do que contente a receber. E só esse fato já mostrava que Julie poderia ser a opção mais segura, a opção mais óbvia, a opção certa.

Mas meu coração nunca seria dela totalmente. Não do jeito que ela queria e merecia.

Meus sentimentos eram um emaranhado de confusões, porém eu precisava organizá-los por partes.

E o mais evidente era que por mais que eu quisesse ou tentasse, nunca seria o que Julie esperava que eu fosse para ela.

Nunca seria o cara dos seus sonhos.

Nunca lhe daria o que ela merece.

Eu quebraria seu coração, mas, esperançosamente, a libertaria.

De uma vez por todas.

Eu a amava o suficiente para isso.

Só precisava fazer com que ela me escutasse. De verdade.

Hunter

Você precisa estar com seus

pensamentos em ordem.

Precisa ser honesto.

Ela merece isso.

Sim, ela merecia.

Ao sair do quarto, dei de cara com Pedro Sartori passando pelo corredor.

— Que bom que te encontrei. Estava pensando se deveria bater ou não na porta.

— Precisa de mim?

Pedro parecia decidir se falava ou não e não pude evitar ficar meio apreensivo.

— Como falaram ontem à noite, essa semana vai ser a Feira da Colheita, e hoje começam os preparativos assim que sortearem quem vai ficar responsável pelo quê. A maioria dos chefes da família estarão lá.

— E você quer que eu o acompanhe? — adivinhei, embora estivesse surpreso. De todas as pessoas que Pedro poderia chamar, pensei que ele preferiria ir com o diabo a me chamar para qualquer coisa.

— Veja bem, PJ prefere morrer queimado do que ficar lá por algumas horas. Depois da primeira vez que o levei, o marido de Eliza sempre é acometido por algum mal súbito que o impede de me acompanhar. Lucas toda vez que comparece, de alguma maneira cria uma fumaça maligna que ativa os sprinklers e aciona os bombeiros. Otávio não consegue dar dois passos sem ouvir uma piada de mal gosto sobre o seu marido, então eu tenho o bom senso de não pedir para ele ir comigo.

Assoviei.

— Parece ser uma reunião...amável, sogrinho. — Já não estava me sentindo tão lisonjeado assim. — Achei que você tinha adquirido um pouco de carinho pelo seu genro.

Pedro rolou os olhos, como a filha fazia toda vez que eu abria a boca.

— Você vai fazer parte oficialmente da família daqui a alguns dias, isso vai servir para todos te conhecerem. Além disso, se for muito desastroso, eu me comprometo a não te chamar novamente. Considerando a maneira como defendeu Olivia ontem, não tenho dúvidas que irá tirar de letra.

Respirei fundo, mas assenti com a cabeça.

— Por minha querida, farei esse esforço.

Pedro suspirou, mas assentiu com a cabeça.

— Me encontre depois que tomar o café da manhã.

— Só uma pergunta: — falei quando o pai de Olivia já estava quase descendo as escadas. — Posso acionar o alarme de incêndio, pelo menos no finalzinho?

— De jeito nenhum, Sebastian. — ele disse sério.

Levantei as mãos na altura do ombro e passei por ele:

— Eu tinha que perguntar...

OLIVIA

— Bom dia, florzinha preguiçosa!

Mesmo de olhos fechados, a claridade me atingiu como um raio.

Coloquei o travesseiro sobre o rosto.

E ele foi tirado bruscamente de mim.

— Oliviaaa! — A voz de Patty soava ao fundo e eu murmurei. — São meio-dia e Ferrante está sendo uma péssima influência para você. Está dormindo feito um urso em hibernação.

— Argh, você é insuportável! — falei, me sentando. Eu me sentia tão exausta emocionalmente que todo o meu corpo estava manifestando aquilo fisicamente.

Porém, a lembrança dos últimos momentos da noite anterior, da minha conversa com Sebastian, me aliviavam um pouquinho toda vez que eu me recordava.

Quis esconder meu rosto entre as mãos, mas seria apenas mais material para Patty encher minha cabeça.

Ainda assim, eu não conseguia acreditar que tinha dito em voz alta na frente que Ferrante que, num passado não muito distante, eu havia considerado dormir com ele.

A sua voz soou na minha mente:

Eu estava pensando que você era a mulher mais linda que havia encontrado.

— Você e Sebastian transaram ou algo assim? Por que está com esse sorrisinho besta no rosto?

Fechei a expressão e levantei da cama.

— Não tem sorrisinho besta nenhum.

— Perceba que você não negou que dormiram juntos.

Rolei os olhos e caminhei até o banheiro.

— Por que você está assim hoje, hein?

Patricia pulou na minha frente, com um sorriso de orelha a orelha:

— Porque eu acordei às seis da manhã e fui tomar café com minha linda família de fofoqueiros. Como sempre, estávamos fazendo a pauta diária sobre nossos amados vizinhos. E Júlio, aquele pilantrinha, leu no grupo de perdedores amigos dele que Max e a família dele foram jantar aqui na sua casa e saíram de lá escorraçados.

— As pessoas também exageram. — comentei, passando por ela.

— Falaram que você deu o maior tapão no rosto de Maximus, que Sebastian é tão descontrolado quanto você e falou um monte de merda para os pais dele. — Patty segurou meu ombro enquanto eu colocava pasta na escova. — Me diga que você fez a noite desse pobre homem feliz! Quer dizer, Max estava andando com o rabinho entre as pernas no centro da cidade, Sebastian deve ter feito um bom trabalho. E sabe o que teremos hoje? A reunião dos machões da cidade para a organização da feira e seu noivinho, meu herói, estará lá!

Quase me engasguei com a pasta.

— Sebastian o quê?

— Pelo visto seu papai chamou o novo genro favorito para acompanhá-lo. Não é magnífico?

Cuspi.

— Você só pode estar de brincadeira.

— Não estou, ainda bem. Vou adorar saber que Sebastian desceu o soco naquele canalha.

Essa também era uma cena que eu adoraria presenciar, para ser honesta.

Mas Sebastian lidar com três, quatro pessoas era uma coisa. Agora, cercado de puxa-sacos do Max? Ferrante não tinha a mínima chance.

O que tinha passado pela cabeça do meu pai para levar Sebastian estava além da minha compreen...

Não.

Eu sabia bem o tipo de teste que o senhor Sartori estava fazendo.

— Vem, anda logo! Os preparativos estão a todo vapor e você precisa me contar como Sebastian conseguiu te deixar com aquele sorrisinho no rosto sem tirar sua calcinha.

Apertei a lateral da cabeça:

— Meu Deus, eu prefiro mil vezes quando você assume a personagem de velha rabugenta.

SEBASTIAN

Reuniões com homens que achavam que eram sabidos demais e poderosos demais sempre tendiam a ser tediosas.

Eu havia acompanhado várias quando era mais novo, sempre a tiracolo com meu pai.

Claro que metade dos conhecidos dele diziam que era um absurdo ficar levando o filho para lá e para cá em reuniões de negócios.

Esses eram os "machos alfas" que traíam suas mulheres de segunda à quarta enquanto elas tomavam conta do pirralho catarrento que se tornaria exatamente que nem os pais em aproximadamente vinte anos.

A outra metade brincava, dizendo que era bom porque eu aprendia o ofício desde cedo.

Esses eram os que impunham padrões altos demais em todos os seus filhos que provavelmente cresceriam com depressão e se tornariam frustrados e viciados em algum tipo de porcaria que não conseguiriam largar.

Pedro Sartori parecia ser o segundo tipo, mas eu ainda não poderia ter certeza.

Talvez ele fosse uma variante mais neutra desse segundo tipo ou talvez sua mulher fosse muito boa em desfazer os estragos psicológicos que seu modo de tratar suas crias causava.

De qualquer forma, apesar de tentar me fazer pensar o contrário, ele não era de todo mal. Sua preocupação com os sucessos dos filhos vinha de um lugar de amor, ainda que seus valores fossem um pouco ultrapassados demais.

Voltando a reunião de homens pseudo-poderosos, eu estava contente que a outra cadeira ao lado de Pedro estava vazia.

Ela era destinada ao senhor Fontana, mas era provável que Maximus fosse agora o proprietário do lugar.

Eu não sabia de verdade como reagiria quando o visse de novo na minha frente, mas eu gostava de imaginar que meu olá seria antecedido de um soco bem dado na sua cara.

Mas ele não apareceu.

No meio da reunião, alguém disse que ele estava ajudando sua esposa com a filha deles, mas considerando o descaso com que ele as tratou na noite anterior, eu não tinha certeza se devia acreditar.

Pedro me apresentou como o noivo de sua filha Olivia, e embora eu tivesse certeza que boa parte dali já estava muito bem familiarizado comigo através das fofocas, eles tiveram a decência de parecer surpresos.

Eu estava de boa. Juro que estava.

Os homens estavam discutindo logísticas sobre a tal feira que pararia a cidade e pelo visto para eu ser digno de me casar com sua filha, eu tinha de estar a par de como tudo funcionava.

Foi só quando um cara que aparentava ser mais novo do que eu e que com certeza era filho de alguns dos fazendeiros ali, me parou quando eu levantei para pegar um copo d'água.

— Sebastian, não é? — O garoto que se chamava Felipe, ou algo assim, perguntou.

— Sebastian Ferrante, prazer.

— O prazer é meu, irmão. — Ele segurou meu ombro e apertou com uma força incrível para o seu corpo de puberdade. — Olivia Sartori, hein? Definitivamente uma boa escolha para os olhos, talvez não tão boa escolha para o coração.

Olhei para ele com a testa franzida.

— Não entendi.

Ele inclinou a cabeça, como se eu tivesse tirando uma com a cara dele.

— Ah, vamos lá. Você obviamente conhece a Olivia melhor do que eu. Ela é uma das garotas mais bonitas da cidade, mas, você sabe, não é muito...de calor humano. Sabe como é, coração de gelo. Não sente muita coisa.

A imagem de Olivia chorando nos meus braços enquanto me contava do seu passado estava grudada em minhas pálpebras.

Mexi o ombro discretamente para que a mão de Felipe parasse de me tocar, ele não pareceu perceber.

— Posso te garantir que ela sente bastante. — Minha voz saiu sem expressão nenhuma, mas de alguma forma o cara interpretou como algo de duplo sentido.

— É, você deve estar certo. Sabem o que dizem, as aventuras geralmente são muito mais prazerosas do que a rotina. — Ele se inclinou para falar baixo, como se para mostrar que não queria que ninguém escutasse, embora ninguém estivesse perto o suficiente para isso. — Você trabalha com Olivia há um bom tempo, não é?

— Cinco anos.

— Ela ainda estava com Max quando vocês se conheceram, eu ouvi dizer, não é? Pelo menos, alguma coisa da história deles dois começa a fazer sentido...

Felipe tinha um jeito estranho de falar, era insuportável e confuso, mas eu estava começando a entender o rumo daquela conversa. E não estava gostando nem um pouco.

— Felipe,, você fica dizendo "você sabe isso, você sabe aquilo", mas converse comigo supondo que eu não sei de nada. — Porque eu provavelmente não sabia da missa a metade. — Pode ser claro e direto comigo.

Ele arqueou uma sobrancelha para mim.

— É impossível que você não tenha ouvido os rumores ainda. Eu sou jovem, mas nossa cidadezinha é bastante barulhenta. — Ele observou minha expressão. E quando viu que eu não fazia ideia do que ele estava insinuando, soltou o ar com força. — Está bem, então. Olivia e Max era um casal que todo mundo sabia que ia ficar junto. Se não fosse pelo que sentiam um pelo outro seria pela pressão dos pais deles, que são amigos.

Assenti com a cabeça.

Eu já estava cansado de ouvir aquilo.

Felipe continuou.

— Max é um cara nota dez. Além de ser o queridinho da cidade e ter uma herança que ajudaria bastante ainda que ele fosse o cara mais feio do mundo. Max sempre foi louco por Olivia, ele sempre fazia questão de contar para a gente, mas a caçula dos Sartori sempre foi mais...como ela se autodenomina? Ah, sim. Reservada. Apenas uma palavra difícil para dizer que ela se acha superior a todo mundo aqui.

Meu punho se fechou quase automaticamente e eu cruzei os braços antes que fizesse algo de que me arrependeria depois.

— Enfim, Max às vezes ficava frustrado porque achava que Olivia ficava muito distante do nada e com o tempo isso só foi se tornando pior. Quando eles se separaram, ninguém sabia o que tinha acontecido. — Felipe pegou um copo e colocou no filtro. — Max por ser sangue bom, arranjou logo uma mulher que desse valor a ele, mas Olivia aparecia por aqui cada vez menos. E me perdoe, mas agora que vocês estão noivos, a peça que faltava no quebra-cabeça finalmente se encaixou.

Fiquei em silêncio enquanto ele virava o copo de água em um gole só.

Ele se lembrou que eu tinha pedido para que fosse o mais claro o possível.

— Concluindo: a linha do tempo bate. Olivia enchia o saco de Max para ficar na cidade por causa do "trabalho" dela. — Ele fez aspas com dedo e quando falou novamente era um sussurro. —Não leve como ofensa, afinal agora vocês estão livres e desimpedidos, mas o trabalho dela era você, não era? Max descobriu tudo e eles se separaram, não foi?

Dei um passo na direção de Felipe e o movimento brusco fez com que ele se assustasse.

— Quem está falando isso? — Minha voz assumiu um tom letal.

Os olhos de Felipe estavam arregalados.

— Bem, não tem muita gente falando, mas é o que todo mundo pensa. — Dei mais um passo para frente e suas costas bateram na parede. — Eu acho.

— Pois bem. Que fique claro que Olivia não traiu o ex dela e eu achei que tinha deixado isso bem claro quando Max e sua família foram até a casa dos Sartori para humilhá-la. — Apontei o dedo no rosto dele. — Mas caso ainda não tenha se espalhado a notícia, deixo avisado que se eu ver você ou qualquer um dos que andam com você propagando essa merda...— Coloquei o meu antebraço no seu pescoço, fazendo pressão apenas o suficiente para vê-lo ficar vermelho.— Você sabe o que eu quero dizer, não é?

Felipe assentiu com a cabeça, como um cachorro assustado.

Dei um passo para trás e ele soltou a respiração aliviado.

— E diga a seu grande amigo Max para que ele pelo menos honre as cuecas que veste e pare de tentar manchar o nome da única pessoa decente que ele teve na vida dele.

Quando me virei, percebi que a reunião tinha parado e que todos me observavam.

Aquele pessoal tinha visto Olivia crescer, conheciam seu caráter e ainda assim preferiam diminuir uma mulher que nunca tinha sido nada além de educada com a maioria deles, por causa de um canalha que não tinha um pingo de valor. Ninguém parecia nem mesmo ter a intenção de defendê-la.

— Caipiras de merda. — murmurei alto o suficiente para que alguns deles me ouvissem, ergui o queixo e saí pela porta.

✥✥✥

Notas finais
Heeyyy, meus amores! MAIS UM CAP! sei que depois do cap anterior eh dificil não querer mais caps de sebastivia, mas caps mais paradinhos são necessários para o desenvolvimento às vezes (hihihihi minha desculpa para por um cap com sebastian defendendo olivia rsrsrs) Tenho uma pergunta para vocês já que vejo muitos comentários diferentes sobre o assunto: o que acham de julie? não sejam timidas, abram o coração kkkkkkk Não se esqueçam de comentar o que estão achando, deixar aquele fave básico e compartilhar a história com os amigos ♥ ATÉ AMANHÃ!! me sigam nas redes sociais! twitter: @ whodat_emmz ou @ emmieedwards_ instagram: @ emmiewrites