Notas iniciais
olaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa um cap novo p vcs

"My hand was the one you reached for

All throughout the great war."

(The Great War)

OLIVIA

— Por que está me olhando com essa cara? — perguntei enquanto verificava a lista de coisas que minha mãe tinha me dado para comprar.

Ela tinha vindo conosco, mas estava em outra sessão. Havíamos nos dividido para agilizar as coisas.

Patty estava comigo a tiracolo.

Ela se sentou em uma das caixas de produtos que ainda não tinham sido postos na prateleira antes de responder:

— Sinto que não está me contando algo.

Era um eufemismo.

Havia muitas coisas que eu não contei para Patty. Desde a traição de Rebecca, era difícil me abrir. Patrícia sabia muita coisa a mais do que muita gente na minha vida, mas não era tudo.

Sabia que ela sempre me daria apoio, porém quando você é traído por quem nunca esperou que isso fosse acontecer, fica difícil confiar 100% em qualquer outra pessoa.

Para alguém que já não era muito de sair contando qualquer detalhe de minha vida por aí, essa situação era muito mais acentuada.

Patrícia nunca soube que houve uma pequena época da minha vida que Sebastian e eu vivíamos quase em paz. Logo quando entramos na empresa.

Ela nunca soube que quando eu e Max nos separamos e tentei procurar outra pessoa para ocupar minha mente, por dois segundos eu havia considerado Sebastian.

Nunca soube da noite que saímos juntos com Marco e Mia.

Nunca soube do bilhete que eu fingi que não tinha existido.

Nunca soube do que eu havia revelado a Sebastian na noite anterior.

Embora no meu coração eu soubesse que Patty nunca me julgaria dessa maneira, ou de qualquer maneira, minha mente jamais ficava em paz comigo.

Então Patricia soube das brigas e desavenças, das reclamações, mas nada além disso.

E quando contei sobre a noite passada, eu tinha dito sobre minha decisão de tentarmos uma amizade.

Mas se tinha uma coisa que minha amiga era expert em fazer era me ler.

Mesmo passando meses longe, bastava uma olhada para mim e Patty sabia. Ela sempre sabia.

O problema era que, nesse caso, o que ela possivelmente sabia era algo que eu não estava pronta ainda para aceitar.

— Acho que não há nada a ser contado. Estou apenas feliz que nos acertamos. Era exaustivo ter que viver em constante pé de guerra com Sebastian.

Patty me deu um sorriso de canto.

— Não creio que esse pé de guerra pararia nem se vocês dois fossem se casar de verdade.

— Nunca saberemos. — retruquei de imediato.

— Claro.

— Nossas brigas não tem nada além de briga.

— Com certeza. — Patricia concordou, mas seu tom era condescendente. Então ela acrescentou: — Você definitivamente não sente nadinha quando ele chega assim com o rosto pertinho do seu.

Ela se levantou, exemplificando e eu virei seu rosto com a mão.

— Para. — Eu tentei falar sério, mas estava rindo.

Patricia estava tentando imitar alguma expressão de Sebastian, enquanto me pressionava contra a prateleira, mas parecia que ela estava tendo um derrame.

Ô, minha querida Sartori, — ela disse engrossando a voz e agora eu estava gargalhando. — Sabe por que aceitei esse acordo com você? Porque meu sonho é colocar uma aliança no seu dedo e...

—Meninas! Conseguiram pegar todos os ítens? — Minha mãe apareceu no fim do corredor com a cestinha cheia enquanto eu tinha...apenas um rolo de papel alumínio na mão.

— Cuidaremos disso em menos de dois minutos. Eu prometo, tia! — Patty disse com uma voz completamente séria.

— Está bem. Dois minutos, Patricia.

Olhei para lista relativamente extensa na minha mão.

— Você poderia ter dito pelo menos cinco minutos, hein?

Minha amiga levantou as mãos na altura dos ombros:

— Você sabe que não funciono muito bem sob pressão.

SEBASTIAN

Me encostei na parede do estabelecimento ao lado do salão onde estava acontecendo a reunião.

Eu ainda estava vendo meio vermelho por causa daquele moleque idiota que teve a audácia de vir falar mal de Olivia com o noivo dela.

Noivo de mentira, mas ainda assim...

Como ele esperava que eu reagisse? Que concordasse com aquelas merdas? Acrescentasse mais um "podre" sobre ela?

Com que tipos de pessoas eu estava lidando?

Fechei os olhos e soltei uma longa respiração.

Percebi alguém parar ao meu lado e jurei que, se fosse Felipe, ele realmente estaria no lugar errado na hora errada.

Porém, quando abri os olhos era apenas Pedro Sartori apoiado na parede numa posição semelhante à minha.

— É, filho...

— Acho que você teria preferido se eu tivesse acionado o alarme.

Pedro riu.

— Confie em mim. Isso não doeu nada comparado às multas que tive que pagar para o Corpo de Bombeiros. Eu até me diverti um pouco com a cara de pavor de Felipe.

— Então eu não fui rebaixado à categoria de Genro do Mal?

Pedro riu novamente.

— Só sua constante preocupação para que eu não te odeie já me impede de ficar bravo com você por muito tempo. Além do mais, eu mesmo teria dado uns bons sopapos naquele pirralho, não fosse a dor de cabeça que isso me daria. — Quando olhei para ele com um olhar de censura, ele acrescentou: — Tanto com a família dele quanto com a Olivia.

— Ele estava propagando mentiras sobre sua filha.

— E se você conhece bem Olivia sabe que ela ficaria com muito mais raiva de eu tomar partido do que essas porcarias que estão falando sobre ela.

— Qualquer pessoa, mesmo uma que mostra verbalmente que não quer que lutem as lutas dela, ainda assim vai se sentir bem melhor sabendo que tem alguém para defendê-la. É uma cidade toda contra sua filha. É até desleal ficar chateado por ela não querer morar aqui.

O pai de Olivia ficou em silêncio, assimilando minhas palavras.

Eu esperava que fizesse alguma diferença.

Que mesmo quando eu não estivesse mais ali, Olivia não precisasse enfrentar tudo sozinha.

Ele não falou mais nada sobre minha observação e eu também não o pressionei.

Pedro bateu nas coxas se afastando da parede.

— Só vim aqui ver se estava tudo em ordem com você. Tenho certeza que nós nos divertiremos muito nas próximas reuniões. Espero que não se sinta acanhado pela minha presença e dê tudo de si no futuro.

Quando estava a alguns passos de distância para entrar de novo no salão, ele olhou para trás:

— Não se esforce demais, garoto, estou começando a gostar demais dessa ideia de ter você como genro.

OLIVIA

Avistei Sebastian do outro lado da rua e pelo que parecia a reunião havia acabado.

Ferrante estava mais de canto, com meu pai ao lado, este se despedia do restante do pessoal.

Eu consegui perceber que alguns evitavam cumprimentar Sebastian e os que o faziam pareciam meio hostis ao fazê-lo.

Eu, minha mãe e Patrícia atravessamos para encontrá-los.

Sebastian parecia extremamente aliviado ao me ver e eu olhei feio para meu pai.

Bem, isso até Ferrante dizer:

— Só para deixar claro, não foi eu que comecei.

— O que você fe...— comecei a dizer entredentes, mas ele começou a me puxar para si, passando um braço por minha cintura.

— Deixe para brigar ou me agradecer depois, por favor.

Eu ainda nem tinha terminado de compreender o que ele estava falando quando sua mão envolveu a lateral do meu rosto e seus lábios capturaram os meus.

Só porque fui pega de surpresa, apoiei as mãos em seus ombros enquanto Sebastian me apertava ainda mais contra seu corpo com uma mão e a outra se entrelaçava nos fios do meu cabelo.

...

Eu não tinha explicação para dar sobre o porquê a minha envolveu seu pescoço e puxou seu rosto para mais perto. Ou o porquê de eu ter dado espaço para a língua de Sebastian encontrar a minha.

Muito menos o porquê daquele homem irritante saber beijar tão bem.

No entanto, e pelo bem da minha saúde mental, fui a primeira a me afastar.

Quando abri os olhos, a primeira coisa que notei foi Patricia nos encarando com uma sobrancelha arqueada no canto da minha visão e então Sebastian, com o rosto ainda a centímetros do meu, sua respiração batendo na minha pele.

À nossa volta todos tinham parado suas despedidas e nos observavam.

Fiz um esforço de não parecer desestabilizada ao juntar minha mão na de Sebastian.

Alguns dos meninos me cumprimentaram e cumprimentaram Patricia e minha mãe enquanto Sebastian se empertigou ao meu lado.

— O que você fez? — Cochichei baixinho depois que o último dos garotos veio me dar um beijo na bochecha.

— Nada, só coloquei seu amigo Felipe na parede. — Arregalei os olhos.

— Literalmente. — Meu pai acrescentou.

— Jura? — Os cachos de Patty apareceram sobre meu ombro e ela olhou para Sebastian. — Olha, eu não dava nada por você, graças a Olivia, mas você sobe cada vez mais no meu conceito.

— É uma honra saber que alguém dá valor a minha personalidade ímpar.

Nem dei atenção para eles, apenas questionei:

— Você bateu em Felipe?

— Dessa vez, não. Foi só um aviso. Na próxima, é melhor ele correr.

— Ok, estou apaixonada. — Patty separou minha mão da de Sebastian e entrelaçou o braço com o dele.

Minha mãe ria da cena, mas algo mais urgente martelava na minha cabeça.

SEBASTIAN

Embora Patricia estivesse entre nós dois, eu ainda conseguia ver a expressão preocupada de Olivia.

Quando chegamos voltamos para a casa do Sartori, e Pedro passou os detalhes da organização e quem deveria fazer o que, Olivia não se manifestou em nenhum instante.

E no momento em que todos se dispersaram, ela pediu licença para ir ao quarto e eu só fui vê-la muitas horas depois.

— Você anda muito heróico ultimamente. — Hunter disse quando restou só eu e ele para pendurar fitinhas em volta da casa.

— Você é como a voz da minha consciência personificada, então, por gentileza, fique quieto. — retruquei de cima da escada.

— Ah, isso é uma honra. Quer dizer que eu ainda posso exercer algum tipo de influência sobre essa cabeça ferrada.

— Acabou de me chamar de herói há cinco segundos, seu corno.

— Falei que você anda muito heróico. Daí para ser um herói de fato tem muito chão para você andar ainda.

Dei uma chacoalhada na escada que estava segurando para Hunter, mas ele com seu maldito equílibrio quase não se alterou.

— Sabe que posso tirar essa escada dos seus pés rapidinho, não sabe?

— Meu caro amigo, você é patético. Nunca conseguiria conviver com a culpa se algo grave acontecesse comigo.

Murmurei, só para tentar soar ranzinza, mas a verdade é que, como sempre, Hunter tinha razão. Eu gostava um pouco demais daquele otário para pensar em fazer alguma coisa drástica com ele.

Como afogá-lo num tanque.

Ele era um cara sortudo, no fim.

Quando colocou a última fita, ele desceu a fim de me ajudar a organizar o restante que iria do outro lado da casa.

— Por que te incomoda tanto o que falam de Olivia? Ela conviveu com esse pessoal a vida toda, nem deve se importar e...

— Ela se importa. — cortei antes que Hunter terminasse de falar. — Sei disso. Vejo isso.

— E você se importa que ela se importa.

Apenas o encarei, Hunter arqueou uma sobrancelha.

— Estou errado?

— Eu me importaria se falassem merda de você também.

— Sou seu amigo há anos, — ele retrucou e abaixou a voz. — Há menos de um mês você estava criticando horrores o jeito de ser impessoal de Olivia.

Continuei a separar as fitinhas, mesmo quando Hunter parou e virou o corpo para mim.

— A menos que...Não, não, não. — Ele começou a rir. — É brincadeira, não né? Você só pode estar de brincadeira.

— Não faço a mínima ideia do que você está falando.

Ele empurrou meu ombro.

Com certa brutalidade, devo acrescentar.

— Estava esse tempo todo desviando minha atenção e tentando desviar a sua própria de Olivia, Ferrante?

Olhei para ele indignado.

— Perceba as merdas que você está falando. — Coloquei uma boa quantidade de fitas no antebraço e carreguei a escada para outro canto.

Hunter me seguia.

— Merdas?

— Eu e Olivia entramos em um acordo de tentarmos, ao menos, ser amigos. Defendi ela como defenderia qualquer um.

— Mas não se ofenderia tão pessoalmente.

— Não estou ofendido. — disse, colocando um pé no primeiro degrau.

— Você quase socou a cara de um menor de idade hoje.

Me virei tão rápido que algumas fitinhas caíram no chão.

— Que porra você quer que eu diga, Hunter?

Meu amigo apenas me olhou, com uma expressão de que havia recebido a resposta que queria e falou dando de ombros.

— A verdade.

Alguém parou na minha frente e pôs as mãos na cintura.

Pensar que "alguém" estava ali era só a minha maneira patética de não querer reconhecer que eu sabia muito bem quem estava ali.

De alguma forma, Olivia usar o mínimo de perfume possível havia me feito super atento seu aroma natural, e aquilo me fazia soar como um idiota.

Até mesmo na minha mente.

Continuei cortando tábuas inofensivas que Pedro Sartori havia me dado para cortar, alegando que não me deixaria chegar perto de um prego antes que eu conseguisse cortar algo em linha reta.

Seu pensamento era meio contraditório considerando que era muito mais fácil eu morrer cortando um braço fora do que furando meu dedo com um prego.

Contudo, não adiantava discutir com nenhum dos Sartori, ou pelo menos não com o pai e a caçula.

— Você está estragando tudo.

Levantei a cabeça, passando o antebraço na minha testa encharcada de suor.

Olivia estava na minha frente, com o cabelo preso em um rabo de cavalo alto, uma legging preta e uma regata pink que deveria pertencer a sua irmã ou a um antigo guarda-roupa, tanto pela cor chamativa quanto pela aparência de ser pelo menos um número menor.

— Seria surpresa se você me elogiasse algum dia, Sartori.

Ela riu e deu a volta na mesa improvisada, parando ao meu lado.

— Eu estava falando do nosso acordo, você esteve me olhando de longe como se eu fosse um extraterrestre na última hora, mas...— Ela inclinou a cabeça analisando meu trabalho. — Isso aqui também está péssimo, está se concentrando demais na coisa errada.

Olivia pegou o serrote da minha mão, passou a parafina — que admito que eu não fazia a mínima ideia do porquê o pai de Olivia deixou comigo — na lâmina e com uma habilidade impressionante cortou uma das tábuas.

— Você tem que aplicar força, óbvio. — Ela me empurrou com o quadril e eu lhe dei espaço, usando meus centímetros de vantagem sobre ela para olhar por cima do seu ombro. — Mas não pode colocar ela toda no braço, ou então seus movimentos vão ficar mecânicos e tensos. Seu braço precisa estar leve para se mover, sua mão tem que estar firme.

Sartori deslizava a lâmina na tábua sem demonstrar fazer o mínimo esforço ou cálculo complicado e então me estendeu o resultado.

— Provavelmente não é um quadrado perfeito, mas está reto. — ela comentou e estava certa. — Não tinha visto que a marcação estava do outro lado. Sua vez.

Olivia deu um passo para o lado e eu peguei o serrote de sua mão:

— Tem alguma coisa que você não consiga fazer?

Era uma pergunta retórica, mas ela me respondeu com um sorriso triste:

— Aparentemente não sei ser legal.

Me posicionei para fazer mais um corte e Olivia foi para trás de mim.

Aproveitando que ninguém estava por perto, naquele quase pôr-do-sol, eu havia tirado minha camiseta para sobreviver àquele calor infernal, mas considerando a proximidade da minha noiva de mentira, eu deveria ter pensado melhor.

Ela ajeitou minha postura, posição dos meus braços, das minhas mãos...apertou um músculo para que eu relaxasse meu aperto na ferramenta, tudo isso com toques breves e formais, mas que de alguma forma faziam meu estômago se contrair.

A respiração dela batia em meu pescoço e eu tentava pensar em todas as tragédias que já tinham assolado a face da Terra.

Meu esforço não adiantou de nada quando sua mão ficou sobre a minha mostrando como eu deveria segurar. Foi involuntário me virar para encará-la.

Sua expressão estava concentrada, seu foco em meu braço para tentar descobrir se havia mais alguma coisa fora do lugar.

Nossas mãos deslizaram juntas e realmente eu tinha passado os últimos minutos aplicando uma força absurda sem necessidade. Voltei a encarar nosso trabalho.

Sentia a minha pele grudando na sua.

A primeira tábua se dividiu em duas perfeitamente e eu deslizei outra para ficar no seu lugar.

Nossa respiração estava tão sincronizada quanto aos nossos movimentos.

Na quarta tábua, Olivia disse:

—Hoje cedo, — Fiquei tenso. —Soube do que se passou entre você e Felipe na reunião.

Ela deu dois passos para trás.

— Olivia, eu...

Sartori tocou meu ombro, me interrompendo:

— O que eu quero dizer é... Obrigada, Sebastian. Ando te agradecendo por várias coisas esses dias, mas são agradecimentos genuínos. Espero que saiba disso.

— Você parecia brava comigo quando deduziu o que aconteceu.

Ela soltou meu ombro e pegou as tábuas já cortadas, a lixa sobre a mesa e não me respondeu, apenas se posicionou do meu lado e começou a lixar.

Eu a olhei por alguns instantes e logo voltei a cortar, dessa vez do jeito que ela me instruiu.

Pelo menos cinco minutos se passaram em silêncio antes de ela se pronunciar, tão baixinho que eu quase pensei que fosse coisa da minha cabeca:

— Os últimos dois anos foram difíceis para mim. Você sabe um pouco da história já... — ela começou, concentrada — Perdi meu noivo, que era meu melhor amigo, perdi minha melhor amiga, que era como uma irmã para mim, perdi meu relacionamento e diversas outras coisas.

Ela continuou lixando e eu, com medo, de Olivia parar de falar, continuei cortando.

— As pessoas que ainda estão comigo são pessoas que já estavam antes disso tudo acontecer. São pessoas que sei que vão continuar comigo. — Olivia suspirou. — Sei que soa idiota e de uma carência tremenda, mas não quero perder mais ninguém. Quando tudo isso acabar não quero sentir falta de algo que nunca tive. Não quero sentir falta de você.

Ela disse a última frase quase em um sussurro e eu parei de cortar. Segundos depois o barulho da lixa também cessou.

Era como se eu estivesse ouvindo meus próprios pensamentos em voz alta.

— Saber que você me defendeu, mostra que... nossa amizade não é algo equivocado, é? Pelo menos, não aqui, não agora. — Ela apoiou as mãos na mesa. — Mas estamos convivendo praticamente vinte e quatro horas por dia. Na nossa vida de verdade, é bem diferente.

Respirei fundo e me aproximei dela.

— Você está com várias concepções erradas: Primeiro, não acho que você seja idiota ou carente por querer constância. Segurança. —Puxei seu braço para que me encarasse. — Segundo, eu também estou na sua vida antes do que aconteceu com você. E não pretendo desaparecer do mapa no momento em que nosso acordo acabar, ainda vamos estar trabalhando juntos e não vou te ignorar nos corredores, tenho que fazer sua vida miserável também. — Sartori soltou o ar pelo nariz em escárnio. — E eu nunca, nunca, vou usar você para apenas meu próprio benefício, Olivia. Nunca faria isso com ninguém. Não aceitei nossa amizade para tirar proveito da situação ou porque ficaria mais fácil para mim.

Ela levantou o olhar para meus olhos.

— De todas as mulheres com quem eu já saí, eu deixava claro o que queria delas e elas, o que queriam de mim. Se quebrei o coração de alguém, não foi culpa minha, mas porque elas quiseram mudar as regras do acordo sem nem me avisar.

Olivia deu um sorriso de canto.

— Porque você é irresistível e um deus na cama?

— Suas palavras, não minhas. — Eu sorri de volta, mas então fiquei sério novamente. — Quero estar aqui para você, Sartori.

— Por quê? — ela perguntou baixinho.

Era a segunda vez que ela me perguntava algo do tipo.

E caralho, eu ainda não sabia por que. Não tinha ideia do porquê.

Só que a ideia de que quando voltássemos para nossas "vidas normais", voltaríamos a ser como era antes me deixava desconcertado. Nervoso.

Dos cinco anos que trabalhamos juntos, agora a ideia de ver Olivia desaparecer no ar e nunca mais dar notícias era assustadora.

Eu implicava com ela, e com certeza fazia sua vida um pouquinho mais estressante, mas lembro que quando Sartori do nada ficou uma semana de atestado, eu fiquei à flor da pele.

Então meses depois, outro atestado.

Saídas abruptas de reuniões. As vezes que eu podia ver em seu rosto que ela estava a um fio de pedir para sair da empresa.

Na época, me convencia que era só por questões burocráticas, um novo chefe no setor financeiro certamente seria um atraso do cacete, mas talvez... talvez...

— Eu preciso de uma razão? — Foi a única coisa idiota que tinha conseguido pensar em dizer.

Olivia riu puxando seu braço do meu toque e voltando a lixar.

✥✥✥

Notas finais
Heeyyy, meus amores! Como vcs estão? Creio que estamos nos aproximando da metade da história! E com isso aviso que chegamos em 6 MIL LEITURAS e eu fico super feliz porque nunca que eu esperava passar novamente a ver tantas gente desde A Madrinha, obrigada mesmo por todo suporte de vocês. Não se esqueçam de comentar o que estão achando, deixar aquele fave básico e compartilhar a história com os amigos ♥ A gnt se vê amanhã?!! me sigam nas redes sociais! twitter: @ whodat_emmz ou @ emmieedwards_ instagram: @ emmiewrites