Contrato de Casamento
39 Trinta e Nove
Notas iniciais
"Now all of my friends say, it's not really worth it
But even if that's true
No one in the world could stop me from not movin' on."
(Nobody Compares)
OLIVIA
Quando eu e Sebastian terminamos com as tábuas, ele avisou que iria tomar um banho pois o seu braço estava prestes a cair depois de todo aquele trabalho.
Eu fiz um esforço hercúleo para não analisar o tal braço que ainda estava exposto, já que Ferrante não havia colocado a camiseta novamente.
Também tentei não observar suas costas nuas enquanto ele andava em direção à casa depois que eu disse que iria verificar se alguém estava precisando de ajuda.
Quando Sebastian entrou, olhei em volta: Liz estava tendo a ajuda da minha mãe com a iluminação, meu pai e Otávio estavam montando cerquinhas para as possíveis competições que fariam ali, e aparentemente o restante do pessoal já estava se preparando para o jantar.
Ao longe consegui ver Julie perto do depósito onde guardávamos principalmente artigos de decoração.
Ela estava fazendo a contagem do que tínhamos para ser usado, pois minha mãe queria considerar se a quantidade era o suficiente para dividir entre a feira e a cerimônia de casamento na semana seguinte.
Geralmente, eu fazia essa parte sozinha, mas provavelmente minha mãe, que era quem dividia as tarefas, havia me visto indo ajudar Sebastian e não quis interromper nosso "momento".
Ela era romântica e iludida assim.
— Precisa de uma ajudinha? — perguntei, entrando no depósito.
Julie estava debruçada sobre a mesa com um caderno de registro ao seu lado e algumas coisas organizadas. Ela ergueu os olhos do celular quando eu entrei, e sorriu.
— Acho que ajudinha não abrange tudo isso. — falou, sorrindo de leve.
— Se eu disser que arrumo isso aqui pelo menos a cada seis meses, acho que você não acreditaria, né?
Julie inclinou a cabeça fingindo pensar um pouco.
— Acho que não.
Nós duas rimos e eu parei do seu lado. Percebi que ela estava ajeitando as coisas à medida que registrava e daquela forma demoraria bastante. Principalmente com a distração do celular.
— Acho melhor organizarmos tudo primeiro e depois anotamos, que tal?
Ela deu de ombros:
— Sou péssima para organizar, então nessa área serei sua humilde serva.
Em pouco mais de meia hora arrumamos tudo e decidimos que enquanto eu conferia, ela iria anotando.
Foi um trabalho majoritariamente silencioso, mas eu sentia que deveria tentar conversar com ela.
Não era como se eu não percebesse como era desconfortável para ela toda aquela minha situação com Sebastian.
Eu havia feito com que acreditasse que Ferrante a amava imensamente, o que quer que acontecia comigo quando Sebastian estava por perto não importava.
Ferrante poderia não ser louco por ela, mas se importava o suficiente para não machucá-la. Para não querer machucá-la. Eu não seria a pessoa que faria com que ele fizesse isso.
Para minha surpresa, foi Julie que começou a falar.
— Como está sendo essa experiência para você? — Seu tom era casual e até amável, mas alguma coisa parecia estranha nas palavras dela. — Quer dizer, todo esse acordo com Sebastian. Ele ainda não te deixou louca? Querendo jogar tudo para o ar?
Deveria ser coisa da minha cabeça, então respondi sua pergunta com bom humor.
— Não há um só dia que ele não me deixe com vontade de torturá-lo de alguma forma bem dolorosa.
Nós duas rimos. Julie sentou sobre a bancada, de costas para onde eu fazia as últimas anotações. Ela olhou para cima analisando a estrutura do depósito.
— Ele bem que dizia que você deveria todo dia tomar café com o demônio para arrancar ideias de como fazer a vida do pessoal da empresa miserável. — Meu sorriso vacilou um pouco, mas aquilo não era nada do que eu já não sabia. Ferrante sempre fez questão de expressar seus pensamentos na minha cara e aquilo nunca me incomodou. — Não houve vez em que fiquei mais chocada do que quando recebi a notícia que vocês iriam se casar.
— Imagino que seja por causa da fama de Sebastian que não para quieto em uma cama só desde que eu consigo me lembrar.
Julie olhou por cima do ombro, me lançando um sorriso condescendente.
— Na verdade, não foi só por isso. Assim, não leve para o lado pessoal, você é uma mulher maravilhosa, inteligente e incrível, qualquer homem seria mais do que sortudo por te ter, mas Sebastian não é qualquer homem.
Ela começou a contar os fiozinhos de uma mecha de cabelo enquanto continuava:
— A última mulher que Sebastian ficou sério foi Eloise, que apesar de ser um pouco diferente de você fisicamente, tinha uma personalidade bem parecida com a sua. Sebastian venerava o chão que ela pisava. — Julie estalou a língua. — Sabemos onde isso levou...Então quando eu soube que vocês iriam se casar, não pude deixar de ficar preocupada. Se fosse verdade, já era quase certo que Sebastian acabaria em pedaços de novo.
Ouvi-la falando estava fazendo com que um bolo crescesse em minha garganta, mas eu me forcei a engolir quando disse:
— Apesar de nunca ter na minha vida quebrado o coração de ninguém, posso imaginar o alívio quando descobriu a verdade. Que não estamos juntos.
Julie assentiu com a cabeça:
— Você não tem noção. Sebastian parece esperto, mas devido a várias questões, ele tem tendência a ser maleável. Ele se compadece demais das pessoas e acaba fazendo o que elas querem. Apesar de parecer meio indiferente com a maioria das coisas, ele se cobra demais. Então Sebastian precisa de alguém que o apoie, não que o pressione. Alguém que entenda o jeito dele de ser e não queira mudá-lo. Alguém que o conheça e saiba das suas necessidades, das suas nuances, melhor do que ele próprio.
Eu mal notei que havia parado de escrever e encarava as costas de Julie enquanto assimilava cada palavra.
Pisquei, tentando entender por que meu estômago estava começando a ficar inquieto e revolto. Por que o meu foco tinha ficado totalmente comprometido devido às palavras de Julie..
Além daquele contrato, Sebastian e eu havíamos virado amigos, descoberto versões um do outro que não imaginávamos que existiam, mas por que me incomodava tanto escutar aquilo da boca de Julie?
A vozinha na minha cabeça respondeu:
Porque isso também se aplica às amizades. Você é crítica e rude. Puxa as pessoas para baixo com suas avaliações severas. Acha mesmo que fará algum bem estando perto dele?
Balancei a cabeça, tentando ignorá-la.
Me contentei em decidir que aquilo se dava pelo fato de que ninguém gosta de ouvir que não é o suficiente para outra pessoa, fosse romanticamente ou em uma amizade.
Mas até eu sabia que era um argumento fraco.
Julie, completamente alheia aos meus pensamentos, continuava falando:
— Há anos eu amo Sebastian e ele sabe disso. Sei que ele me ama também pelo medo que tem de me magoar de qualquer forma. Quanto a isso fico feliz que esse plano seu de se casarem aconteceu, porque finalmente conseguimos ver o que sentíamos um pelo outro.
Forcei minha voz a sair normal:
— Sinto muito por ter colocado vocês dois nessa situação. Se eu soubesse...
Ela deu um pulo da mesa e veio para o meu lado, colocando a mão no meu ombro.
— O que é isso, querida? — ela disse, preocupada pelo modo que suas palavras poderiam ter me afetado. — Como disse, eu só tenho a agradecer por nos fazer enxergar o que já deveríamos ter enxergado há anos.
Eu levantei a cabeça para encará-la e lhe lancei um sorriso, tentando com todas minhas forças ficar feliz por eles.
SEBASTIAN
Não tinha percebido que estava encarando Olivia até receber um tapa na minha cabeça.
Não precisei me virar para xingar o desgraçado:
— Vai se foder. — disse cruzando os braços e Hunter riu.
O jantar havia acabado e estávamos todos reunidos na sala, parte assistindo um reality show, parte conversando e parte jogando um jogo de tabuleiro...
— Devia ter incentivado você a ir para a Broadway, daria um ótimo ator.
— Não faço a mínima ideia do que você está falando.
— Está vendo só? Olha essa entrega, olha essa habilidade... — Dei um empurrão nele como se tivéssemos treze anos de novo. — Ninguém vai duvidar que você está de quatro por ela. Faz cinco minutos que está secando a garota.
Lancei um olhar feio para Hunter, olhando para os lados, vendo se Julie estava por perto. Nas últimas vezes, ela sempre parecia estar lá observando quando eu estava fazendo algo idiota como ficar analisando minha noiva de mentira de cima a baixo.
Sempre que eu tentava ficar um pouco a sós para finalmente conversar com ela, Julie parecia fugir de mim.
Aliás, ela não era a única. Fosse qual fosse o avanço que eu e Olivia tínhamos feito naquela tarde, ele parecia ter evaporado no ar.
Mas talvez, eu apenas estivesse sendo grudento. Todos estavam muito ocupados com aqueles preparativos e eu sabia que Olivia, mais do que qualquer um, adorava assumir para si mesma a responsabilidade de deixar tudo perfeito.
Agora ela estava ali, rindo ao lado de sua melhor amiga. Os cabelos soltos caindo sobre os ombros e eu reparei que nunca tinha tido a oportunidade de desenhar seu cabelo daquela forma porque antes daquele acordo, eu não tinha uma referência.
— Não estou secando ninguém..
Hunter deu de ombros:
— Se você diz...
Travei o maxilar, desde que Hunter havia me coagido a contar a...verdade, ele havia ficado cheio de comentários sarcásticos.
Bem, eu não esperava menos dele. Sabia que Hunter era capaz de ver que minha verdade era apenas meia mentira.
Que minha historinha de que eu havia tido uma intensa porém breve paixonite anos atrás e por isso todo aquele negócio de acordo me deixava agindo estranho perto dela, não tinha o convencido muito de que aquilo era tudo.
Porém, foi o suficiente, por ora, para ele deixar passar.
— Ela não vai se transformar em uma fada e sair voando por aí só por você ficar encarando, sabia? — Hunter provocou enquanto eu esfregava o rosto entre as mãos.
— Você é o cara mais insuportável que existe. — falei, me levantando da cadeira. Infelizmente ao mesmo tempo em que uma pessoa se aproximava de mim, sem que eu percebesse, e nossos corpos trombaram.
— Foi mal. — Olivia e eu falamos ao mesmo tempo e rimos, nossas mãos ainda um no outro, um abraço interrompido no meio do caminho.
Hunter bufou e murmurou:
— Puta merda, arranjem um quarto.
Eu fiz uma cara assassina para meu amigo por cima do ombro e dei graças a Deus que Olivia aparentemente não tinha ouvido nada.
Porém, apesar disso, ela percebeu nossa proximidade e se afastou. Não antes de olhar para os lados.
— Vou procurar algum lanchinho a mais. Estou em fase de crescimento.. — Hunter declarou e se retirou de maneira nada sutil.
— Eu...acho uma ótima ideia e eu também... — Sartori tentou escapar também, mas eu segurei o seu antebraço.
— Está me evitando?
Olivia soltou um riso nervoso que não era nada característico à sua personalidade.
— Não. Estou apenas ocupada.
Eu apenas a encarei, desafiando-a a segurar o olhar. E ela bem que tentou, mas ainda assim foi a primeira a desviar a atenção do meu rosto.
— Isso é tudo? Achei que amigos ganhavam créditos por honestidade.
Sartori respirou fundo e abaixou a voz:
— Não quero deixar Julie desconfortável. Já tem gente demais comentando que somos um "belo casal".
Ah, então provavelmente ela tinha conversado com Julie.
— E esse não era o plano desde o início? — Olivia apenas me encarou enquanto eu sussurrava. — Quero dizer, fazer as pessoas acreditarem?
— Elas já acreditam, então acho que podemos dar uma segurada na atuação.
Dei de ombros.
— Se é isso que você quer... — eu disse de maneira descompromissada.
— Não é que eu queira, não quero gerar nenhum tipo de conflito entre você e...
— Então você não quer que a gente se afaste um pouco? — Observei suas bochechas ficando vermelhas.
— O quê? Não!
— Então você quer que continuemos do mesmo jeito? Eu não estou entendendo...— Fingi uma expressão confusa.
— Cacete, Sebastian!
E foi naquele momento que todo mundo resolveu parar de falar, então só os...impropérios de Sartori ecoaram pelo espaço.
Todo mundo se virou para a gente e Olivia parecia que ia explodir de vergonha...ou de ódio.
Ela lançou um sorriso forçado na minha direção.
— Eu te odeio, sabia disso? Com todas as minhas forças. — ela disse entredentes, ainda sorrindo como uma psicopata.
E eu não aguentei e comecei a rir e, apenas para aliviar os rumores, passei o braço por sua cintura e puxei Olivia para finalizar o abraço que não tínhamos dado minutos mais cedo.
Ela foi pega de surpresa pelo meu gesto e não conseguiu impedir. Pude perceber a vergonha emanando dela de ter que retribuir o abraço considerando que todos os olhares estavam direcionados a nós.
— Se eu fosse você...— ela murmurou perto da minha orelha. — Eu dormia com um olho aberto e outro fechado. Ou melhor, nem dormia. Porque eu vou te matar.
Então ela se desvencilhou do meu abraço, colocou a mão na lateral do meu rosto como se tivesse acabado de dizer a coisa mais inocente do mundo.
— Você me ama, Lili.
Ela tentou parecer brava, mas pude perceber um sorriso de canto quando ela se afastou.
•
Quando todos haviam terminado as horas de interação, Olivia me contou que passaria a noite na sala com Patricia pois elas assisitiriam a um filme juntas. Ela me avisou para o caso de eu querer passar a noite com Julie.
Olivia se arrumou para dormir, pegou alguns travesseiros e almofadas, me desejou boa noite e desceu.
Fiquei alguns minutos, encarando o teto, aproveitando o espaço extra da cama.
Esperei alguns minutos antes de mandar uma mensagem para Julie.
Parte de mim sabia que tinha a esperança péssima que ela estivesse dormindo quando o convite chegasse, mas fui respondido dois minutos depois com uma batida suave na porta.
Então aquele era o momento.
Julie se acomodou ao meu lado, a TV antiga na parede do quarto de Olivia só acessava internet através de uma conexão com o notebook.
Eu estava tão sem jeito para saber como começar aquelas conversa que a tarefa de escolher o filme para Julie.
— Você está quieto hoje. — ela comentou se aconchegando mais perto de mim.
— Um pouco cansado. — respondi observando a tela. Havíamos levado quase meia hora para decidir o que iríamos assistir.
No fim, ela acabou votando fervorosamente por assistirmos "A Proposta" alegando que seria irônico na situação em que estávamos.
Irônico. Está bem.
Eu a conhecia bem o suficiente para saber que era um teste.
Era engraçado pensar que Julie estava me testando, quando eu estava prestes a mostrá-la que possivelmente suas desconfianças tinham um fundo de verdade.
— E bravo. — Julie acrescentou tocando meu cenho que eu nem tinha percebido que estava franzido.
Sim, eu ainda estava bravo comigo mesmo. Por me permitir estar naquela situação. Por ser um merda por ter que dar um fim naquilo quando não deveria nem ter tido um começo. Por ser um merda sem saber como dar um fim naquilo.
Pela minha necessidade de não querer decepcionar as pessoas.
Não querer decepcionar Julie.
— Não estou bravo. Pelo menos não com você. É só que...toda essa situação é desgastante.
— Eu imagino. Se precisar se abrir sobre qualquer coisa, eu estou aqui.
Não, ela não fazia ideia da confusão que eu estava enfiado. Porém, antes de tudo Julie era minha amiga e se eu não pudesse desabafar com ela, que merda eu estava fazendo ali?
Virei o rosto para encará-la.
Era a abertura que eu precisava. Era o momento.
A expressão de Julie estava igual há anos atrás quando passamos uma semana juntos e eu disse que aquilo não iria funcionar.
Bastava uma palavra e eu veria aquele rosto desmoronar novamente.
E então comecei a contar sobre uma das coisas que me afligiam e que me ajudaria de novo a fugir do que eu realmente precisava dizer: Julian e suas suposições sobre Olivia e eu.
•
Julie ouviu tudo em silêncio, apenas assentindo com a cabeça nos momentos certos e quando eu terminei, ela pausou o filme e se sentou na cama.
— Toda essa situação é uma porcaria e é ainda pior que você tenha sido envolvido no meio de tudo isso...— Quis interrompê-la para corrigir que eu não era apenas um agente passivo naquilo tudo, mas Julie continuou. — Sei que Olivia é uma mulher admirável e tudo mais, mas você conviveu com ela nos últimos anos e se me lembro bem você mesmo tinha uma opinião igual e, me desculpe, até um pouco pior dela até a algum tempo atrás. Talvez o problema não seja você ou a cidade inteira, que acompanhou o crescimento dela, mas... ela. Talvez Olivia seja um pouco insensível e desconectada com os vínculos de relacionamento. Há várias pessoas no mundo assim. Isso não faz dela necessariamente uma pessoa ruim.
Uma risada sarcástica escapou da minha boca e eu neguei com a cabeça.
— Eu trabalhei com Olivia todo esse tempo, eu não conhecia nada sobre ela de verdade. Sabia de coisas superficiais que me deram uma impressão equivocada. Como você disse, esse pessoal a conhece desde pequena, como eles não conseguem ver o que eu vejo agora?
Foi quase imperceptível, mas percebi os ombros de Julie ficarem tensos quando ela perguntou:
— E o que você consegue ver agora?
Escolhi minhas palavras com cuidado:
— Ela não é nenhuma vilã, é direta e prática. Não gosta de ninguém sabendo demais da vida dela e esse é um direito dela.
Julie inclinou a cabeça.
— Acho que não há forma leve de dizer isso, mas talvez ela só esteja manipulando você, fazendo você se afeiçoar a ela para não pensar em desistir do acordo antes da hora. — Abri a boca. — E não me diga que isso não é uma possibilidade. Você começou a "conhecê-la" há uma semana.
Balancei a cabeça, mas não disse nada.
Não tinha o que dizer.
Julie não iria entender.
Ela não estava no quarto quando Olivia contou o que tinha acontecido entre ela e Max. Ela não havia sentido Sartori tremer e soluçar porque achava que nunca ficaria totalmente bem de novo.
Julie segurou meu rosto com as duas mãos.
— Você é bom, Sebastian. Tende a ver o lado bom das pessoas, mas lembre-se que há um contrato entre vocês dois. Um contrato que só vai acabar de fato daqui a alguns meses, não pense que Olivia não vai fazer o que for preciso para dar tudo certo...
— Olivia não é assim. — pontuei e Julie suspirou.
— Está bem. — ela deu um tapinha na minha bochecha e voltou a sua posição olhando para a tela. — Só não quero ver você confiar em alguém de novo apenas para se enganar.
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