Contrato de Casamento
81 Setenta e Três pt. 3
"But what would you do if I went to touch you now?
What would you do if they never found us out?
What would you do if we never made a sound?"
(I Can See You)
SEBASTIAN
Quase que sincronizados, percebi que eu e Olivia viramos o conteúdo em nossas taças de uma vez só, cada um sendo puxado para um lado.
Não tirei os olhos de Sartori enquanto Boscher a guiava para a pista de dança.
Atena ou Anita — eu claramente não fazia a mínima ideia do nome da colega de Olivia que havia me chamado para dançar — tinha o aperto bem firme no meu braço e teve que posicionar minha mão na sua cintura.
— Sabia que eu pensei em me candidatar na B&T antes da Hensey?
— Hm, sério? — falei, malmente prestando atenção no que ela havia acabado de falar.
Boscher e Olivia tinham uma expressão de que estavam num funeral antes de começarem a acertar os passos.
— Então..., você e Olivia trabalharam juntos, hein? Ela sempre foi assim? Desesperada por atenção? — Olhei para Anita com a testa franzida. — Quer dizer, a gente sabe que a competição é acirrada, mas usar um vestido desses... foi meio apelativo e...
— Sebastian! Você me prometeu uma dança e eu já estou quase indo embora. — A esposa de Benjamim parou ao nosso lado. Ela poderia ser baixinha mas tinha uma postura ameaçadora. — Desculpa atrapalhar, querida. É que eu e ele nos vemos tão pouco e como estou grávida... — Rachel disse praticamente empurrando Atena com a barriga, me fazendo querer rir. — ...Não posso ir para casa muito tarde.
— Ah, tudo be...
— Sabia que entenderia. — Rachel disse pegando a minha mão e me puxando para dançar.
Anelle saiu de perto quase soltando fumaça pelas orelhas.
— Você é impossível e ao mesmo tempo adorável, Rachel. — comentei, posicionando minha mão em suas costas. — Como Benjamim poderia resistir a você?
Ela deu de ombros:
— Praticamente impossível, mas essa noite estou de olho em você.
Fingi surpresa:
— A que devo a honra? Pronta para deixar seu marido e fugir comigo para bem longe? Eu registro o neném.
Rachel gargalhou.
— Como consegue ser tão canalha?
Dei de ombros, voltando a olhar para Olivia e Boscher, que agora tentavam mascarar o fato que estavam conversando no meio da dança.
— É um dom, eu acho.
— É ela, não é? — Rachel perguntou, de repente. — O seu rolo do recesso? Benjamim me contou... E mesmo se não tivesse contado. É só olhar para vocês juntos. Eu e Ben demoramos para juntar as peças que vocês dois trabalhavam na mesma empresa.
— É complicado. As coisas não estão muito a nosso favor, ruivinha.
Rachel rolou os olhos.
— As coisas quase nunca estão ao nosso favor até nós mesmos fazermos com que elas estejam, Seb. Confie em mim. — Ela apertou meu ombro. — Tive que passar por muita coisa para finalmente encontrar minha felicidade com Ben. E para ser honesta, pensei várias vezes em deixar para lá porque tudo estava dando errado. Nada estava ao nosso favor, mas se eu não fosse atrás, se não tivesse certeza do quanto estar ao lado dele significava para mim, se Ben não tivesse feito o mesmo, talvez não estaríamos juntos hoje.
— E você não estaria prestes a sair voando por aí que nem um balão. — brinquei.
— Você é ridículo, garoto, mas esse é um ótimo ponto. — Rachel então ficou séria. — O que estou querendo dizer é que não sei nada do que rolou ou está rolando entre você e Olivia, mas vi o jeito que olha para ela, ou como fica quando ela está ao seu lado. Vi também como ela parecia encantada vendo você falar no microfone. Eu literalmente achei que ela estava se apaixonando por você pela primeira vez naquele momento.
Tentei engoli o nó que se formava na minha garganta:
— Me apaixono por ela toda vez que a vejo. Há cinco anos.
— E não acha que isso é um amor que vale a pena ter por perto? Sei que esses anos foram difíceis para você. Pulando de cama em cama, fingindo que estava tudo bem quando dava para ver o quanto você queria ter uma conexão mais significativa com alguém. — Ela tocou meu rosto. — Acho que você encontrou.
Dei um sorriso para Rachel e comentei:
— Poxa, ruivinha, para você estar falando essas coisas profundas essa criança já tá pensando no seu lugar, hein?
— Eu te abomino, sabia. Você é o amigo mais presunçoso e insuportável de Benjamim.
— Ben disse que foi assim que começou com ele, esses insultos para camuflar o seu amor, então estou confiante com a minha chance de ainda fugirmos juntos algum dia.
Rachel tentou fazer uma cara séria, mas nós dois acabamos rindo.
OLIVIA
Só tive tempo de praticamente jogar minha taça em uma bandeja vazia que um garçom levava antes de segurar a mão de Boscher, acompanhando-o.
Eu já tinha mais ou menos ideia sobre o que aquela dança seria, mas ainda era um desconforto enorme sentir sua mão asquerosa segurar a minha, a outra pairar sobre minha cintura.
Conseguia claramente me lembrar da sensação de abandono que senti quando éramos só eu, Eric Santiago e Boscher virtualmente, em uma das salinhas onde eu e Sebastian iríamos nos casar.
Lembrava das suas expressões de ironia e deboche enquanto eu derramava minha alma pelo homem que amava. Enquanto implorava para que ele me deixasse ter algo bom pelo menos uma vez na vida.
— Está muito bonita essa noite, senhorita Sartori.
A música começou a tocar e ele me puxou para perto. Boscher era uns bons centímetros mais baixo do que eu de modo que, por pouco, seu rosto não ficava bem na altura dos meus peitos. Ele não parecia nem um pouco incomodado com aquilo.
— Muito obrigada, senhor Boscher.
— Estou vendo que já está trilhando caminhos incríveis na Hensey. Confesso que não esperava que fosse justamente para a nossa concorrente.
Respirei fundo:
— Não lembro que os papéis que assinei tinham uma cláusula sobre empresas específicas.
Boscher deu um risinho.
— Prometi a você que a minha carta de recomendação te colocaria onde quisesse.
Tive que conter a gargalhada.
— O que é surpreendente, pois a Hensey Comunicações foi a única que demonstrou interesse em realmente me contratar.
Sua mão se mexeu um pouco em minhas costas nuas e eu me segurei para não vomitar.
— Não se engane, querida, Marchand, Hensey e Mendes só estão com você para mostrar para mim que saíram por cima de algo, não porque realmente acreditam que você tem algo para acrescentar. — Ele abaixou seus olhos para o meu decote. — A menos que tenha algo para acrescentar no particular.
Eu deveria dar um tapa em seu rosto e xingá-lo, mas Boscher continuou:
— Bonito pingente. "S", é para alguém especial?
— Sim, para mim mesma. S de Sartori. Aconselharia o senhor a lembrar desse sobrenome. — Fingi estar pensativa. — Ou melhor, não precisa. Tenho certeza que irá ouvi-lo a cada dia um pouco mais. Não preciso que me diga onde faço ou não a diferença, sei o meu valor, senhor Boscher. Pode ter tirado muitas coisas de mim, mas essa não foi uma delas.
A música foi chegando ao fim e eu dei um passo para trás me afastando do homem à minha frente.
— Espero que reconheça que, se não fosse por mim e tudo o que eu "acrescentei" à B&T, não seria sua empresa que estaria atrás daquele microfone hoje. — falei com um sorriso simpático.
Estava prestes a me virar e ir embora quando senti sua mão em meu cotovelo.
— Espero que não se esqueça que ainda há partes do nosso acordo que precisa continuar cumprindo.
— Não poderia esquecer. Passar bem, senhor Boscher.
SEBASTIAN
A música acabou e acompanhei Rachel até Benjamim antes de vasculhar o local em busca de Olivia ou Boscher.
O último, eu encontrei em um instante dançando com outra mulher, mas Sartori tinha simplesmente desaparecido.
Eu estava andando à procura dela quando recebi uma mensagem de Hunter.
Hunter
Me chamaram para uma after.
Tenho a leve impressão que
você vai preferir tentar conversar
com a gatinha.
Posso ficar na sua casa na volta?
Eu
Me abandonando, hein?
Está bem, só não faça
muito barulho. Se tudo
der errado eu vou beber até
minha cabeça explodir.
Hunter
Torcendo para que a única
coisa a explodir seja
os botões da sua roupa,
irmão.
Eu
Amém.
Saí em busca de Mia ou Marco para dizer que os dois estavam liberados pela noite e para perguntar se por um acaso eles tinham visto Olivia.
Não demorei muito para os encontrar aos beijos em um cantinho.
Finalmente.
Me virei, pronto para deixá-los aproveitar os minutos de trégua que restavam entre eles, mas ouvi a voz de Mia às minhas costas:
— Senhor Ferrante! Meu Deus.
— Por favor, não deixem que eu atrapalhe esse momento...interessante. — Voltei a observar os dois, ela com as bochechas vermelhas, tentando limpar o batom borrado, e Marco ainda atordoado.
Mia se desvencilhou das mãos dele que estavam na sua cintura.
— Precisa de algo? — ela perguntou, com um tom bem profissional que contrastava com seu cabelo com alguns fios soltos e a roupa um tanto amarrotada.
Me esforcei para não rir.
— Só queria saber se algum de vocês viu Olivia por aí.
Mia pensou um pouco, mas foi Marco que respondeu:
— Vi que ela estava no bar lá atrás, conversando com alguém.
— Certo e obrigado. — Estava prestes a sair correndo, mas me lembrei de algo. Minha assistente parecia prestes a matar o meu assistente. Como sempre. — Vocês dois podem me fazer um favor?
Ambos olharam para mim com expectativa:
— Aproveitem a noite por mim, está bem?
OLIVIA
— Uau. Então quer dizer que nós meros mortais não temos mais nenhuma chance mesmo de conseguir essa vaga de aprendiz, não é? — Bruno perguntou, sentado no banquinho ao meu lado.
Em alguns minutos teríamos que sair dali porque o bar já estava começando a encher, mas por enquanto...
— Como assim?
— Ah, para! Depois do que aquele seu colega da B&T falou sobre você na frente de ninguém mais ninguém menos do que Marchand e Mendes? Essa vaga já é praticamente sua, Olivia.
Neguei com a cabeça.
— De jeito nenhum! Você e o resto do pessoal estão há mais tempo com Mendes, ele conhece mais do trabalho de vocês do que o meu. Cheguei há poucas semanas.
— E ele não cansa de elogiar o seu trabalho. — Bruno rebateu. — Só o fato de ter sido supervisora em uma empresa grande como a B&T por anos, já te dá vantagem. Annette tem a influência dos pais dela que trabalham na Hensey há anos. Tiago e Cami, acabaram de sair de estágios. E eu era de uma área completamente diferente. Confie em mim, Mendes pode ser velho, mas ainda é uma das mentes mais brilhantes desse negócio, não vai deixar um trabalho como seu passar batido.
Suspirei, tomando mais um gole da minha bebida e Bruno avisou que ia procurar o resto do pessoal.
Tínhamos passado algum tempo ali conversando sobre a aleatoriedade e convidados com roupas completamente loucas, mas eu havia ficado atenta ao qualquer sinal de Sebastian.
Última vez que o vi ele estava dançando com Rachel.
Continuei ali no banquinho por alguns minutos. Alguns homens ocupando o lugar de Bruno e tentando puxar conversa, elogiando meu vestido, meu cabelo, meus olhos, mas não era como se eu estivesse no humor de flertar com alguém.
Pior, não era como se eu soubesse como fazer aquilo, nem queria.
Até o último cara que sentou ao meu lado e...
simplesmente não falou nada.
Quando me virei para conferir quem era, encontrei Sebastian me encarando.
Seu olhar percorreu todo o meu corpo até chegar nos meus olhos.
— Posso te comprar uma bebida?
Como sempre acontecia quando eu estava com ele, sua voz soava acima de qualquer outro som.
— Não sei. — respondi, tentando fazer minha voz parecer estável. — Pode?
Um sorrisinho apareceu no canto dos seus lábios e ele se virou para o barman pedindo dois drinques. Então voltou a me encarar, apoiando a bochecha no punho e o cotovelo, sobre o balcão.
— O quê? — perguntei, de repente me sentindo tímida sob seu olhar.
— Você não saber o quanto é bonita te deixa ainda mais linda, sabia disso?
Meu coração errou uma batida.
— Isso não é uma música da One Direction? — O barman colocou os dois copos na nossa frente e eu beberiquei.
Sebastian deu de ombros:
— Eles me fizeram o romântico que sou hoje. Não tenho culpa de citá-los involuntariamente de vez em quando. — Ele provou o drinque sem tirar os olhos de mim. Percebi quando sua língua sutilmente capturou um pingo que escorreu pelo canto de sua boca fazendo minha barriga se contrair.
— Esse é seu jeito de conquistar as mulheres que dormiam com você?
Ferrante arqueou uma sobrancelha.
— Está funcionando?
— Me diga você.
Sebastian apenas sorriu e balançou a cabeça.
Aquele homem era a minha ruína e de alguma forma, boa parte de mim gostava daquilo.
Olhei em volta, tentando ver se Boscher estava em algum lugar.
— Ainda usa o anel. — Ferrante comentou apontando para minha mão direita.
Eu havia esquecido que ele estava ali, para ser honesta.
Nos primeiros dias separada de Sebastian, tentei tirá-lo, mas parecia...errado. Então eu fui só ficando com ele, esquecendo que ele o usava até alguém me lembrar.
Na sua mão direita, Ferrante ainda estava com o seu.
— Mantém convites indesejados bem longe. — comentei. — Você também não tirou o seu.
Sebastian sorriu como se soubesse de algo que eu não sabia:
— Mesmo motivo. Embora deva dizer que estou chocado em descobrir que ele acabou encorajando mais mulheres do que afastando-as.
Virei o conteúdo do meu copo, sentindo o líquido me aquecer por dentro.
— Duvido que seu charme não seja capaz de anular todo o efeito que esse anel teria.
Ele se inclinou na minha direção e sussurrou:
— Você me acha charmoso, Sartori?
— Sabe muito bem o que acho, Ferrante. Falsa modéstia não combina com você. — Seu nariz estava a centímetros da minha bochecha, sua respiração batendo no meu rosto.
— Não combina mesmo. — ele murmurou, arrastando sua pele na minha tão suavemente quanto um suspiro. — Só eu para te deixar toda arrepiada sem nem mesmo te tocar apropriadamente, não é?
Engoli em seco, infelizmente para o meu autocontrole, ele continuou:
— Aposto que, quando sentiu meu dedo em sua coluna, imaginou ele deslizando por outras partes do seu corpo, não foi?
— Sebastian... — sussurrei, fechando os olhos. A lateral de nossos rostos mal estavam se encostando enquanto ele dizia ao meu ouvido:
— Sinto sua falta. De todos os jeitos.
Respirei fundo e me esforcei para me afastar.
— Sei que já sabe de tudo. — ele assentiu com a cabeça. — Então sabe de verdade por que não podemos.
Ele tocou meu rosto com uma delicadeza impressionante, uma que me fazia querer chorar.
Pelo canto do olho, pude ver Boscher chegando no recanto onde estávamos com uma mulher em cada braço.
Eu tirei a mão de Sebastian do meu rosto e me virei para frente.
— Preciso conversar com você. Ainda hoje. — Sebastian comentou, tomando mais um gole da bebida.
— Sebastian, Boscher já me disse que...
— Sabe a escada no lado sul do salão? — Franzi a testa com a sua interrupção. — Você vai ser uma boa garota e daqui a quinze minutos, vai subir, ir até o fim do corredor e me encontrar na porta à esquerda, está bem?
Ele só poderia estar de brincadeira.
— E se eu não for uma boa garota? — perguntei, só para encher um pouco seu saco, mas Sebastian respondeu sério.
— Adoraria dizer que vou te punir de uma forma bem sexy, mas eu só vou embora. Terei entendido o recado.
Aquilo me fez parar por um instante.
Tinha um tom de finalidade em sua voz.
Enquanto eu virava o conteúdo do meu copo, Sebastian se levantou:
— Quinze minutos.
SEBASTIAN
Ok.
Respirei fundo me afastando de Olivia, indo em direção a escadaria e passando por Boscher, que me lançou um olhar afiado.
Meu punho estava louco para quebrar a cara dele.
Porém, eu estava falando sério com Olivia, sabia o quão perigoso era estarmos perto um do outro naquela conferência sob a vigilância do meu chefe.
Principalmente quando eu não tinha nada nas mãos para usar caso ele quisesse ir em frente com sua chantagem.
Se Sartori não aparecesse depois de quinze minutos, por mais que eu quisesse estar com ela, eu iria embora.
•
Doze minutos haviam se passado e eu já tinha andado por toda a sala que deveria ser uma espécie de escritório disponível para aluguel.
Havia estantes de livros e prateleiras, como numa mini biblioteca, um sofá acolchoado e uma mesa imponente de madeira.
Uma janela que ia do teto ao chão trazia a luz da lua para dentro do cômodo.
Olhei no relógio.
Quinze minutos.
Ela atravessaria o salão, subiria as escadarias, andaria por todo corredor, o que levaria mais ou menos mais cinco minutos, no mínimo.
Vinte minutos.
Vinte e cinco minutos.
Verifiquei se tinha alguma mensagem no celular.
Nada.
Trinta minutos.
Certo, mais cinco minutos e eu iria para casa e...
Uma batida suave chamou minha atenção.
Caminhei até a porta no mesmo instante que Olivia virou a maçaneta e sussurrou:
— Ferrante?
Ela colocou a cabeça para dentro, ainda sem me ver por causa da pouca iluminação.
Silenciosamente, dei um passo para trás da porta enquanto ela entrava e tentava me ver.
— Sebastian? Está aí?
Ela se virou para fechar a sala atrás de si e me viu.
— Você veio.
Sartori colocou a mão no peito.
— Nossa, que susto. Achei que você...Achei... — ela começou a explicar. — Esperei os quinze minutos e vim assim pude, só que várias pessoas resolveram começar a me parar, perguntando sobre o meu vestido e, bem, eu não poderia simplesmente ser vista subindo aqui. Tenho a leve impressão que não somos permitidos nesse andar e...
Segurei sua cintura e a puxei para um beijo.
Olivia não pareceu surpresa. Na verdade, segurou a lapela do blazer com firmeza, colando ainda mais nossos corpos e me prendendo contra a porta.
O beijo era faminto, desesperado e para mim foi chocante perceber que boa parte daquilo vinha de Sartori. Como se ela tivesse esperado a noite toda por aquilo tanto quanto eu.
Suas mãos se afrouxaram no meu blazer apenas o suficiente para entrar debaixo do tecido a fim de me ajudar a tirá-lo.
Apesar da urgência e dos gestos bruscos não tínhamos pressa de terminar o encontro de nossas bocas.
Meus dedos passeavam por suas costas nuas, grato pelo pedaço de pele que ela deixou para eu tocar.
Para eu tocar.
Ninguém mais.
Quando enfim me livrei do blazer ela o jogou para o outro lado da sala e eu ri, beijando seu pescoço.
— Achei que iríamos conversar.
Olivia afastou o rosto para me olhar, confusa:
— É sério? Jurava que era um dos seus códigos de cafajeste.
Arqueei uma sobrancelha para ela, embora nossa visibilidade não fosse muito boa.
— Bem...também é, mas sabe o que isso significa, Sartori? Que sua mente está se apegando mais do que deveria ao meu lado cafajeste.
Ela me empurrou, tentando se afastar mas eu aumentei meu aperto em sua cintura, puxando-a ainda mais para mim. Olivia arfou.
— De jeito nenhum você vai me beijar desse jeito e depois cair fora, linda. — Inclinei a cabeça, mordiscando a ponta da sua orelha e murmurei: — De jeito nenhum você vai sair dessa sala antes de eu fazer o que quero com você.
Esperei a repreensão, mas Sartori apenas posicionou uma mão em minha nuca, entrelaçando os dedos em meu cabelo.
— É mesmo?
Abaixei ainda mais a cabeça passando a língua na extensão do seu pescoço.
— Quero ver você. — falei, segurando-a contra mim enquanto caminhávamos abraçados até onde o luar iluminava.
Os olhos de Olivia não saíam dos meus, seus lábios entreabertos e brilhando. As bochechas, enrubescidas.
Era como se eu estivesse completo de novo.
Olivia estava ali em meus braços, afinal.
Onde sempre deveria estar.
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(Os parágrafos a seguir contém cenas explícitas. Não recomendado para menores de 18 anos nem para leitores que não se sentem confortáveis com textos de conteúdo sexual. Voltaremos à programação normal family friendly mais embaixo, na próxima marcação com os tracinhos
"----")
OLIVIA
Eu não queria parar de olhá-lo.
Parecia um sonho surreal demais para ser verdade.
Surreal, o jeito que ele pegou minha mão na sua e se afastou como se estivéssemos dançando.
Surreal, o jeito que me fez girar em seu braço, meu vestido brilhando na combinação do escuro com a luz da lua.
Sebastian apenas me olhou por inteiro, da maneira que sempre parecia fazer: de cima a baixo, de dentro para fora e vice-versa.
Então nossas mãos se soltaram, as minhas seguraram sua cintura enquanto as suas tocaram as alças do meu vestido.
O ar parecia pesado entre nós dois.
— Se tem algo que eu amo fazer, — ele sussurrou beijando minha testa — é tirar seus vestidos. Amo assistir o tecido te despindo aos poucos, lentamente, tocando cada pedaço de sua pele. — Ele abaixou uma alça e então a outra. Minha pele se arrepiando. — É extremamente sexy para mim, sabia disso?
Mexi os braços apenas o suficiente para que o tecido enfim me libertasse, deslizando pelo meu mamilo rijo e se alojando na minha cintura. Assim que minha pele encontrou a brisa, a boca de Sebastian ocupou o lugar, arrancando um suspiro de mim.
Segurei sua nuca enquanto sua língua trabalhava em movimentos circulares. Ferrante ergueu os olhos para mim e aquela era uma das melhores visões da minha vida. Sua boca em mim, o luar batendo diretamente no seu rosto.
Passei a outra mão em sua bochecha.
— O que você quer de mim, Seb? — falei baixinho. — O que quer que eu faça?
— Quero que seja minha. — ele disse, beijando minha pele e fechei os olhos. — Essa noite. Quero que esqueça as últimas semanas de merda que tivemos e finja que eu sou um cara qualquer e que você é uma garota qualquer, que nós nos encontramos naquele bar lá embaixo e simplesmente precisamos ter um ao outro. Só hoje.
— Um caso de uma noite. — Abri os olhos.
— Um caso de uma noite. — ele confirmou, voltando a me encarar.
Dei um sorriso, embora soubesse que nós dois estávamos sangrando por dentro:
— Nunca tive um caso de uma noite. Você vai ser o meu primeiro.
Ele se ajeitou, beijando meu queixo:
— E você vai ser o meu último.
Sebastian puxou a saia do vestido até o meu quadril e me carregou nos seus braços, minhas pernas passando ao redor do seu corpo.
Ele me carregou até a mesa espaçosa de madeira enquanto minha boca buscava a sua com fervor.
A adrenalina que percorria o meu corpo era incomparável a qualquer outra coisa que eu já tinha sentido na vida.
Todo meu corpo vibrava ansiando pelo toque de Sebastian, sem contar no leve nervosismo de que estávamos em um lugar em que não devíamos e que qualquer um poderia entrar a qualquer momento.
Deveria usar a razão, pedir para que fôssemos para outro lugar...mas o risco de deixar aquele momento escapar era alto demais.
Puxei sua gravata, fazendo com que ele quase ficasse sobre mim e Sebastian aproveitou para segurar minha calcinha dos dois lados e tirá-la.
Agora eu estava completamente exposta para ele, que me olhava como se estivesse presenciando algo de outro mundo.
Fechei os olhos e deixei minha cabeça cair para trás à medida que seus beijos subiam pela minha canela, minha coxa...
— Que pena que não tem nenhum dos seus cadernos aqui. — comentei, ofegante enquanto ele chegava cada vez mais perto de onde eu precisava dele. — Eu talvez pudesse ser sua modelo viva e...
Sem aviso, sua língua encontrou o ponto exato entre minhas pernas e um gemido escapou da minha boca.
— Meu Deus...Meu Deus...
Seus lábios me deixaram com um som estalado, apenas para dizer:
— Eu tenho uma ótima memória, não se preocupe — E então estavam em minha novamente.
Gentis e firmes. Sugando e mordiscando. Sua língua deslizando e provocando, próxima à minha entrada.
— Você não tem ideia de como tem um gosto delicioso, amor. — Sebastian disse com sua respiração batendo em minha pele e fazendo todo o meu corpo tremer de expectativa. — Tenho sonhado com isso. Por dias a fio. E acordo tão desconcertado que nem minha mão consegue assumir a tarefa de me aliviar.
Um som que beirava o choque e o desespero saiu da minha garganta quando sua língua circulou no ponto que pulsava por ele.
— Cacete...Hm...— Pressionei meus lábios numa linha fina enquanto segurava a cabeça de Sebastian, sem saber se implorava para que ele parasse ou continuasse.
Me apoiei melhor nos cotovelos e encontrei os olhos de Sebastian já em mim.
— Shhh, Lili...Imagina que escândalo se encontrarem nós dois aqui.
Mordi meu lábio, observando seus cabelos todos desgrenhados, os olhos brilhando, os lábios úmidos repuxados em um sorriso travesso.
— Seb, preciso de você. — Minha voz quase não saía. — Por favor. Agora. Quero...ah, meu Deus.
Meus olhos rolaram involuntariamente quando senti sua língua dentro de mim e perdi o controle dos meus quadris.
Sebastian me segurava no lugar com uma firmeza e uma concentração admirável, mesmo comigo se contorcendo sob seus dedos.
Uma onda de prazer crescia dentro de mim, e minhas mãos agarraram a lateral da mesa enquanto o nome de Sebastian saía da minha boca de novo e de novo, como uma prece.
Ferrante se ergueu sobre mim, beijando minha barriga, o espaço entre meus seios, meu pescoço e então tomou minha boca na sua.
Meus dedos buscaram os botões do seu colete e da sua camisa social. Ele me puxou com vontade para a borda da mesa.
Um minuto depois, senti Sebastian me preencher por inteiro, de uma só vez.
O som que saiu da sua boca foi quase o suficiente para me fazer ver estrelas novamente.
— Olivia, meu amor...— Sebastian disse contra meu pescoço quando passei um braço em seu ombro. Os seus quadris assumindo um ritmo forte e rápido. A mesa protestava sob meu corpo. — Você precisa me falar se estiver sendo demais, se quiser que eu pare... porque você está me deixando louco e...
Ergui seu queixo para que ele me olhasse, minha atenção se alternando entre seus lábios entreabertos e seus olhos cheio de desejo.
— Não quero que pare. — falei num sopro. — Quero que vá mais forte. E mais fundo. Quero que me dê tudo porque eu sou sua essa noite, está bem?
Então Sebastian me obedeceu. Em cada detalhe.
Havia uma primeira vez para tudo.
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— fim do conteúdo explícito -
SEBASTIAN
Não lembrava que horas saímos daquela sala, nem como.
Não lembrava como Olivia havia entrado no meu carro, me puxado para o banco de trás e montado em mim como se o mundo estivesse acabando.
Talvez estivesse mesmo.
Pelo menos, o meu mundo.
À título de curiosidade, eu também não me lembrava como paramos no meu apartamento, como acabei tendo sua boca em mim dentro do chuveiro ou como havia beijado todo o seu corpo sobre a minha cama depois.
Mas eu lembrava de ver Olivia usando uma camisa minha velha, lembrava da sensação de sua cabeça em meu peito, sua mão desenhando coisas aleatórias e pedindo para que eu adivinhasse.
Uma estrela.
Uma flor.
Uma borboleta.
Um coração.
Com o dedo um pouco trêmulo, ela escreveu Olivia ama Sebastian, mas eu fingi que não entendi. Em vez disso, puxei-a para mim e fiz amor de novo com ela.
De todas as vezes naquela noite, nós dois sabíamos que aquela última não caía nem um pouco na categoria de transas de casos de uma noite só.
Aquela vez foi da Olivia que amava o Sebastian e do Sebastian que amava a Olivia.
Pelas cortinas do meu quarto, o dia estava amanhecendo quando peguei no sono.
E quando acordei, a cama estava mais leve e não havia mais braços e pernas jogado sobre mim.
Percebi tudo isso antes de abrir os olhos porque eu não queria abrir os olhos num mundo em que Olivia não estava mais lá.
Então eu senti o aroma de algo sendo preparado e alguém gemendo de dor na sala.
Sai do quarto, ouvindo uma voz:
— Você parece que foi abatido numa guerra, soldado.
Olivia disse da cozinha, mas não era para mim.
Hunter que estava esparramado no sofá ainda nas roupas do dia anterior.
— Estou mesmo sentindo como se tivessem metralhado minha cabeça. Ah, sim, foi você e esse maldito liquidificador!
Ela caminhou até meu amigo, ainda usando minha camiseta, e entregou um copo com um líquido de uma coloração duvidosa.
Antes que ela pudesse se afastar, Hunter segurou seu pulso, como um bêbado lunático numa esquina.
— Pode dizer para Patricia que eu sinto muito. Que nunca foi minha intenção... — Hunter fez uma pausa parecendo que ia vomitar a qualquer momento, mas não o fez. — Por favor...
— Posso tentar, mas acho que ela preferiria ouvir da sua boca e... — Olivia se virou para voltar para a cozinha, mas me viu. — Ah, oi. Hm, bom dia.
Caminhei até ela e parei quando estávamos a centímetros de distância. Sartori não me encarou.
— Era para eu ter ido embora mais cedo... — ela começou baixinho. — Mas não sei muito bem quais são as regras desse negócio de casos de uma noite só. Seria falta de consideração ir sem desejar bom dia ou...?
Me inclinei, dando um beijo em sua boca.
— Bom dia. — falei e me afastei.
Olivia piscou algumas vezes antes de continuar com as bochechas vermelhas.
Depois de tudo que havíamos feito na noite passada, era fofo que ela ainda se envergonhasse com um simples beijo.
— Precisava de uma roupa para ir embora, não queria te acordar para pedir algo emprestado. Então aqui estou eu.
— Caralho, Olivia! — Hunter bradou do sofá. — Que negócio horroroso.
— Vai me agradecer depois! — ela respondeu. E, para mim, disse: — Fiz ovos, suco, torradas, mas já comi um pouco. Estava só terminando o suco do seu amigo insuportável. Eu realmente preciso ir.
Minha mão subiu pela lateral da sua coxa, levantando um lado da camiseta e Olivia fechou os olhos apoiando as costas na parede que criava uma separação entre a cozinha e a sala.
— Te levo em casa. — murmurei, indo para mais um beijo, mas Olivia pôs o dedo indicador sobre minha boca.
— Posso não saber todas as regras, mas sei que casos de uma noite só não incluem carona para casa.
— Casos de uma noite só também não incluem café da manhã. — Mordisquei seu dedo.
— Foi um erro inocente, não pode me culpar por...
— Fica comigo. — As palavras saíram involuntariamente da minha boca. — Sei que pareço patético repetindo a mesma coisa, mas não sei o que fazer. Não sei como continuar acordando sem te ver ao meu lado. Não sei como sair da minha sala de trabalho e não ver você enfurnada na sua. Não sei o que fazer sem você.
Olivia tocou meu rosto e eu fechei os olhos:
— Amor, olhe para mim. — ela sussurrou suavemente e eu obedeci. — Sabe de tudo o que está em jogo, agora. Não só eu e você, mas sua família. Só Deus sabe se a minha também não. Sei que você não diria dane-se para todo mundo que ama por minha causa apenas. Não de verdade. E se fizesse isso, te machucaria imensamente por dentro. Sei disso. É o trabalho de vida do seu pai, da sua mãe. É a sua família. — Olivia suspirou. — Boscher não vai lembrar de nós para sempre. Pelo menos, eu espero que não. Só precisamos de um tempo.
— Não sei se consigo sobreviver a esse tempo. — falei, sério.
Ela sorriu.
— Você é extremamente dramático, alguém já te disse isso? — Olivia empurrou o meu rosto, de leve.
— Se forem transar, por favor, voltem para o quarto! Tenham piedade da minha cabeça, esses cochichos parecem ruídos de rádio. — Hunter gritou da sala e nós rimos.
— Não seria uma má ideia pegar a deixa dele. — provoquei baixinho.
— Tem razão. — Olivia respondeu no mesmo tom. — Seria péssima.
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