Contrato de Casamento
80 Setenta e Três pt. 2
"All I know is this could either break my heart or bring it back to life
Got a feelin' your electric touch could fill this ghost town up with life
And I want you now, wanna need you forever
In the heat of your electric touch."
(Eletric Touch)
OLIVIA
A iluminação da entrada estava tão forte que, ao focar em não pisar no meu vestido, eu não notei a câmera que tinha saído do nada e soltou um grande flash no meu rosto.
Ótimo, minha foto do evento ficaria parecendo que eu estava num filme do Pânico.
Enquanto eu decidia se deveria ou não chamar o fotógrafo de volta e implorar por mais uma chance, senti um braço passando pelos meus ombros junto com uma voz que chamou:
— Campeão! — virei o rosto para encontrar Bruno, que trabalhava comigo na Hensey, ao meu lado. — Tem como fazer um retake dessa foto para a minha colega? Não acha que um vestido desses merece uma foto distraída, não é?
Meio a contragosto, o fotógrafo deu meia volta para tirar mais uma foto. Ele fez um clique meu e de Bruno juntos e meu colega se afastou para que eu tirasse uma sozinha.
Depois do susto inicial, pude perceber vários rostos se virando para me olhar na entrada e eu tive a vontade quase incontrolável de arranjar um blazer enorme e jogar sobre o meu vestido.
Não tinha certeza se a primeira foto tinha ficado mais bonita do que a segunda.
Quando o caminho foi liberado para que nós entrássemos, Bruno disse:
— Não imaginei que viria essa noite, sabia? Mas, de alguma forma, seria loucura não vir. Você é a queridinha do Mendes.
Olhei para ele.
— Não ia mesmo, mas pensei que não teria uma oportunidade de usar algo arrumado tão cedo. Não é todo dia que se é convidada para um evento desses.
— Tem razão. E se me permite dizer, você está magnífica, não precisa ficar envergonhada nem nada do tipo. Cada um que está te olhando essa noite está te admirando.
Senti minhas bochechas esquentarem.
Bruno era o único da equipe com quem eu conseguia manter uma conversa decente desde que entrei na Hensey. Ele era simpático e nada ruim de se olhar.
Ele pareceu perceber minha retração pois disse:
— Opa, falei algo errado. — Ele levantou as mãos na altura do ombro. — Estou genuinamente te elogiando, sem segundas intenções.
Eu ri um pouco.
— Não quero parecer presunçosa, eu só não estou procurando por esse tipo de atenção agora.
Bruno assentiu com a cabeça.
— Claro. Não tem problema.— Ele estendeu o braço para que eu segurasse, com elegância. — Serei seu protetor essa noite, você não tem noção de quantos velhotes da mão boba pode encontrar nesses eventos.
SEBASTIAN
— Para onde você está indo, cara? — Hunter disse, tentando me acompanhar enquanto eu atravessava a multidão em direção ao lado oposto que Olivia estava.
— Preciso me concentrar no que falar. Um surto de cada vez, Hunter.
Por Deus, eu não esperava vê-la ali.
Não esperava vê-la daquele jeito.
Só poderia significar que ela havia arranjado um emprego com alguma daquelas empresas presentes.
Ou estava ali para me ver, mas eu não queria me iludir com essa possibilidade.
Mas o que você faria se fosse o caso?, minha mente perguntou.
Me encostei em uma das pilastras mais recanteadas do salão e meus olhos de repente caíram em Boscher. Meu chefe patético.
Ele havia falado comigo mais cedo, um sorriso no rosto como se não tivesse ferrado minha vida e a de Olivia. Mal percebia o ódio que eu lhe direcionava apenas com o olhar.
Precisava dar um jeito naquela situação, contudo eu ainda não tinha nada concreto para deixar que ele ficasse sem nenhuma saída além de permitir que eu e Olivia ficássemos em paz.
Sabia que não conseguiríamos voltar de outra forma, Sartori tinha feito uma escolha, afinal.
E por mais que tenha me doído — ainda me doesse — eu estava distante o suficiente daquele momento para entender que muito provavelmente não teria feito uma escolha diferente estando na situação dela.
Nunca seria capaz de forçar Olivia a arriscar toda a carreira que ela batalhou para ter apenas para ficar comigo.
Eu a amava o suficiente para não fazer isso.
Mas eu também buscaria todos os dias um jeito de ficarmos juntos. Nem que levasse meses. Anos.
Ela era a única pessoa para mim e eu esperava que fosse a única pessoa para ela também.
Avistei sua figura com mais clareza enquanto ela atravessou o salão, sua mão apoiada no braço de um homem desconhecido.
Olivia sorriu com alguma coisa que ele disse e os dois desbravavam a multidão, cumprimentando educadamente algumas pessoas.
— Quem é aquele cara? — Hunter perguntou ao meu lado.
— Não faço a mínima ideia. — murmurei de um jeito que mais pareceu um resmungo, mas rapidamente minha atenção foi voltada para outro detalhe.
O vestido de Sartori.
Pelo que eu conseguia ver — no espaço entre as cabeças das pessoas — ele era longo e chegava até seus pés, os brilhos reluziam contra a luz enquanto ela andava, como se ela fosse uma jóia que brilhava em qualquer posição que a colocassem.
Como a peça já era um evento por aí só, os brincos eram simples, assim como a única coisa em volta do seu pescoço esguio era o colar fino com o pingente em "S", que raramente ficava sem.
Lembrei de todas as vezes que senti a pele macia em minhas mãos, o aroma suave do perfume quase inexistente misturado com o cheiro da sua pele enquanto meu nariz deslizava por toda a extensão do seu pescoço.
Como Olivia me segurava mais forte quando minha respiração fazia com que ela se arrepiasse.
No entanto, nada me preparou para suas costas nuas.
O decote traseiro do vestido chegava quase à base da sua coluna expondo a tatuagem.
Por tudo que era mais sagrado, ela estava tentando matar alguém?
Não era surpresa que cada vez mais pessoas dedicavam um minuto de sua atenção para admirá-la.
O homem ao seu lado precisou que ela passasse na sua frente devido ao corredor de pessoas estreito e aproveitou a oportunidade para colocar a mão em suas costas.
— Sebastian! — Hunter quase berrou em meus ouvidos. — Depois você fala com ela, precisa se concentrar no que vai falar lá em cima.
Desfiz o punho cerrado e respirei fundo.
Meu amigo tinha razão, se eu focasse em Olivia naquele momento, falaria um monte de merda no microfone.
Com um pouco de sorte, ainda naquela noite, eu teria muito mais tempo para focar nela.
OLIVIA
— Senhorita Sartori, que bom que conseguiu comparecer! — O senhor Mendes me cumprimentou junto com a sua esposa.
— Está deslumbrante, querida. — ela me deu dois beijinhos nas bochechas.
O resto dos aprendizes estavam ali, todos bem vestidos e com a mesma energia de que preferiam que eu tivesse sido atropelada por um carro antes de chegar ali.
Como todos os outros dias.
— Não sabia que vocês dois...— Annette, uma das colegas apontou para mim e para Bruno.
Arregalei os olhos:
— Ah, não.
— Não! — Bruno e eu falamos ao mesmo tempo e rimos um pouco.
— Acabamos de nos encontrar na entrada. — esclareci.
Mendes juntou as mãos e anunciou:
— Bem, agora que estamos todos aqui, tenho pessoas para apresentar para vocês e que vão embora em um piscar de olhos! Vamos, vamos.
•
O local estava abarrotado demais.
Eu já havia ido em outras conferências com a B&T, mas nenhuma tão "enorme" como aquela. Alguns rostos eram conhecidos, mas outros eram lendas que eu só conhecia de vista nos artigos empresariais ou pelos nomes de peso.
A maioria era bastante simpática com Mendes apresentando toda a sua turma de "pupilos" e, claro, bastante dispostos e atentos para perceber qual de nós seria o mais promissor mesmo depois de ser dispensado pela Hensey quando tudo aquilo acabasse.
Outra parte era completamente insuportável — e a maioria dentro desse grupo estava mais interessado nos decotes do meu vestido e das outras meninas.
Mendes, claro, era educado com todos, mas sabia bem para onde nos direcionar.
Da minha parte, falei pouco e observei mais, tentando não me distrair muito procurando Sebastian no meio de todos.
Cada pessoa nova que o meu chefe dizia que ia nos apresentar, meu coração dava um salto, antecipando o momento que Ferrante seria uma delas.
Será que ele já havia chegado?
Eu nem mesmo sabia o que iria fazer se o visse. Não sabia o que diria.
Quando todos começaram a se ajeitar para o momento que o microfone seria ligado, eu pedi licença para ir ao banheiro.
A verdade é que eu queria ver Sebastian antes que ele me visse na plateia para não agir como uma completa idiota.
Me aproximei de um dos corredores, ficando junto a uma pilastra que me dava uma boa visão do atril de vidro.
Não demorou muito para que ele fosse anunciado e uma salva de palmas tomasse o local.
Observei sua figura sorridente ocupar o espaço atrás do microfone: seu cabelo parcialmente domado com gel, o conjunto do terno — também azul bem escuro como o meu vestido — parecia ser feito sob medida e claro todo a junção perfeita do seu rosto que já era mais do que suficiente para deixar qualquer um sem fôlego.
Não pude deixar de sorrir quando ele testou o microfone e então alguém na plateia assoviou.
— Hm, boa noite a todos. Meu nome é Sebastian Ferrante e eu trabalho na B&T, que eu ouvi dizer por aí que é a empresa nº 1 do país. — O público aplaudiu novamente e um pessoal que eu não reconhecia porque provavelmente era de outra cidade, vibrou. — O evento não é meu, mas eu gostaria de agradecer a presença de todos até esse momento.
Inclinei a cabeça, observando como ele estava claramente nervoso.
— Ele é uma graça, não é? — Ouvi alguém que havia acabado de parar ao meu lado. Me virei para encontrar Rachel Hensey, que agora eu sabia que era simplesmente a herdeira de toda a empresa onde eu estava trabalhando.
E que dessa vez estava com um vestido creme extremamente elegante, que a deixava uma grávida radiante.
— Ele, hm... claro.
Ela riu.
— Não precisa disfarçar, eu vi o modo como estava olhando para Sebastian. É normal, garanto que muitas mulheres aqui essa noite lançaram olhares muito menos discretos. — Rachel disse colocando o docinho que estava segurando entre os dedos na boca. — Falei para Ben que se eu fosse alguns anos mais nova, eu arriscaria uma chance e ele não teria vez.
Foi a minha vez de rir.
— Você o conhece? — perguntei, não querendo exatamente revelar que eu o conhecia.
— Ah, sim! Ele é amigo de Benjamim. Se conheceram quando Sebastian estava na faculdade e Ben foi em um daqueles eventos em que alunos formados vão contar suas experiências profissionais. — Rachel fingiu ter um calafrio. — Eu nunca mais coloquei os pés naquele lugar, graças a Deus. Eles de vez em quando saem juntos quando acontece de estarem livres ao mesmo tempo. Às vezes, Seb vai lá em casa e...
Ela parou por um instante e me encarou. Por um momento achei que ela teria feito alguma conexão, mas Rachel apenas balançou a cabeça e disse:
— Eu posso te apresentar para ele se quiser...
— Não tem necessidade e...
— Ele é super charmoso, educado, adora uma piada, mas é um amor. — ela continuou. Eu sabia muito bem daquilo. — Passa a energia de cafajeste e é um mulherengo, mas Ben diz que quando ele se apaixona é pra valer.
— Não está tentando me ajeitar com ele, está? — questionei, arqueando uma sobrancelha. Se ela soubesse que eu e Sebastian já havíamos passado daquele ponto...
Rachel colocou a mão no meio, fingindo choque:
— Eu? De jeito nenhum! — ela olhou para o pratinho vazio em sua mão e declarou: — Vou pegar mais docinhos para nós.
E ela foi mesmo. Tive a leve impressão de que para uma grávida, ela simplesmente não conseguia ficar quieta por muito tempo.
— Queria agradecer a toda a minha equipe que tem trabalhado comigo por todos esses anos. — A voz de Sebastian ecoou pelo salão e eu voltei a prestar atenção nele. — Garanto que se não fosse pelo trabalho de cada um deles, nada disso aqui seria possível. — Ele fez uma pausa e por instante pareceu escanear os presentes com os olhos. Meu coração bateu um pouquinho mais forte quando ele disse: — Gostaria de agradecer principalmente a uma pessoa que foi essencial nesses resultados, até mais do que qualquer um, aliás. Sem seu comando, sua responsabilidade e organização, tudo provavelmente seria um caos. Nós até chegaríamos lá, mas demoraria um pouquinho mais do que isso. — Sebastian vasculhou a plateia mais uma vez e eu tentei me fundir ainda mais com a pilastra. — Ela provavelmente está presente aqui essa noite, mas, como tenho amor à vida, não colocarei seu nome em destaque, só queria que ela tivesse certeza que eu e toda nossa equipe da B&T somos extremamente gratos por todo seu trabalho e liderança.
Por um momento, seus olhos pareceram encontrar os meus e eu paralisei, mas, limpando a garganta, Sebastian prosseguiu.
SEBASTIAN
Minha única missão depois que desci do atril era ir atrás de Olivia, o que se mostrou uma tarefa extremamente complicada, visto que várias pessoas queriam me cumprimentar e me parabenizar.
Eu não sabia nem o que estava falando para as pessoas. Tinha certeza que tinha visto Olivia em um canto do salão enquanto agradecia, mas naquele momento era como se ela tivesse desaparecido novamente.
— Ei, ei, ei... — Alguém cutucou meu ombro e eu me virei para encontrar Benjamim.
— Cara, achei que não iria conseguir falar com você essa noite, está sendo mais assediado do que eu, isso é novidade. — Nós dois rimos e nos abraçamos dando tapinha nas costas.
— Quer trocar? Não gostei dessa experiência de receber atenção, mas tenho certeza que você adora.
— Adoro mesmo, nada melhor do que ver como as pessoas agem quando tem algum tipo de interesse em você. — Olhei em volta. — Cadê nossa esposa? Aquela ruivinha me deixa louco.
— Por que eu sou seu amigo mesmo?
— Pelas dicas de como ter um corpo sarado, óbvio. Será que poderíamos combinar de nos ver depois que o movimento diminuir? Estou procurando uma pessoa.
Benjamim fez uma cara de deboche.
— Claro que está. Não faça planos tão cedo assim, Rachel quer que eu te apresente alguém.
— Diga para minha ruivinha que meu coração no momento está ocupado e...
— Me traindo, Ferrante? — Rachel apareceu.
— Ocupado por você, é claro, meu amor. Você e essa barriga gigante.
Ela me deu um tapa no braço.
Segurei os dois lados do seu rosto dando um beijo estalado na sua testa.
Alguém limpou a garganta logo atrás da esposa de Benjamim de um modo bastante familiar e eu me afastei para ver quem era.
— Sebastian, quero que conheça Olivia.
OLIVIA
— Ferrante. — falei simplesmente.
Ele me olhou de cima a baixo antes de dizer:
— Sartori.
Pelo canto do olho, vi Rachel e Benjamim se entreolharam, confusos:
— Vocês já se conhecem? — o senhor Marchand perguntou.
— Trabalhamos juntos...— Sebastian começou.
—... na B&T. — Eu completei.
Ele estendeu a mão em cumprimento e eu a segurei, apenas para ele virar minha palma para baixo e levar minha mão até seus lábios, sem tirar os olhos de mim, fazendo com que todo meu corpo se arrepiasse.
— É um prazer te rever.
Tentei fazer minha voz soar casual ao dizer:
— Igualmente. — ele deu um de seus característicos sorrisos de canto.
— Aqui está ela! — Outra pessoa apareceu atrás de nós.
Quando me virei, vi não só o senhor Mendes, mas todos os meus colegas vindo em nossa direção.
Sebastian passou a mão por minha cintura, me puxando para que eu desse espaço para todos e eu fiquei em choque por um milésimo de segundo, principalmente quando vi que quem acompanhava o grupo também era o senhor Boscher.
A mão de Ferrante — que Deus o abençoasse — deixou a mão cair e se ajeitou do meu lado, embora eu tivesse quase certeza que tanto Benjamim quanto Rachel e alguns dos meus colegas tinham notado o contato.
Pensei no que Boscher pensaria ao ver eu e Sebastian lado a lado, mas seria impossível sair do lado dele sem que parecesse estranho. Então apenas me aprumei, levantei o queixo e encarei a situação da melhor maneira possível: com naturalidade.
— Senhorita Sartori. — Boscher me cumprimentou, me olhando com intenção. — É bom te ver novamente. Mendes disse que você está fazendo um ótimo trabalho na Hensey.
O modo como ele proferia as palavras deixava bem claro para mim que ele não estava nem um pouco feliz com aquilo.
Senti algo em minhas costas e demorei apenas um segundo para notar o dedo de Ferrante deslizando lentamente por minha coluna.
Engoli em seco, de repente, ciente demais da nossa proximidade, do modo que apenas um passo para o lado colaria o meu corpo no seu.
— Quis apresentar meus aprendizes para vocês dois, — Mendes apontou para Boscher e para Sebastian enquanto eu tentava manter uma expressão neutra. — Porque não há nada melhor do que receber alguns conselhos dos melhores, não é?
O dedo de Sebastian subiu até o centro das minhas costas e desceu até o fim do decote.
Dei um passo quase imperceptível na direção contrária, quase esbarrando com Bruno que sorriu para mim.
Sebastian enfiou as mãos no bolso.
— Vai ser ótimo para eles. — Benjamim se pronunciou. — Como parte de várias coincidências dessa noite, conheço Sebastian desde quando ele ainda estava na faculdade e posso afirmar que ele sempre foi um profissional muito esforçado e que merece tudo o que está conquistando.
— Gostaria só de acrescentar que o nosso resultado, por coincidência, — Ferrante disse usando a mesma palavra de Benjamim, também se deve em grande parte à senhorita Sartori. Que estava conosco até uns meses atrás.
Eu quase me engasguei com minha própria saliva ao mesmo tempo que todos voltavam a atenção para mim.
— Vocês eram da mesma unidade? — Mendes perguntou surpreso.
— Mesmo setor, mesma equipe. — Um garçom passou por nós e Ferrante pegou duas taças, despreocupadamente me entregando uma delas. — Nos últimos anos, dois dividíamos o papel da supervisão. Ela com a parte financeira e eu com a parte criativa. Sartori era quem mantinha todo mundo na linha, eu que, com bastante esforço, estou tentando fazer o mesmo agora.
Todo mundo me encarava surpreso.
— É mesmo? — o senhor Mendes disse.
— Era uma equipe bastante colaborativa. — Olhei para Sebastian demonstrando bem o que eu achava de ele me pôr na linha assim do nada. Ele me lançou um sorrisinho. — Ambos fazíamos o nosso trabalho da melhor maneira possível.
— Isso eu posso confirmar que a senhorita Sartori faz com excelência. — Mendes confirmou. — Que erro deixá-la escapar dessa forma, Boscher. Creio que com ela do nosso lado a disputa para você acabou de ficar mais acirrada.
Meu ex-chefe deu um sorriso nada genuíno:
— Adoro um bom desafio, Mendes, sabe disso.
Alguém anunciou que a pista de dança estava liberada e Sebastian se virou para mim ao mesmo tempo que Annette praticamente se enfiou entre nós, perguntando se ele gostaria de estrear a pista.
Nem tive tempo de ver o desenrolar e a resposta de Sebastian porque Boscher parou ao meu lado.
— Senhorita Sartori. Posso ter uma dança?
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