"It's you and me, there's nothing like this

Miss Americana and The Heartbreak Prince"

(Miss Americana and The Heartbreak Prince)

SEBASTIAN

Aqui demos nosso primeiro beijo de mentira, se lembra onde demos nosso primeiro beijo de verdade?

xOlivia

Olhei em volta, procurando-a por perto, mas era domingo e as ruas estavam praticamente vazias.

Ali na frente da floricultura, Olivia havia visto a madrasta de Max e pedido que eu a beijasse.

Ainda lembrava do desespero nos seus olhos castanhos quase arregalados. Ainda lembrava do desespero do meu coração batendo forte no peito como quem dizia: é, estamos mesmo fazendo isso!

Lembrava do cheiro diferente que havia percebido em Olivia porque ela havia trocado seu perfume para não me causar uma crise alérgica.

Lembrava de como pude constatar, pela primeira vez, como nossos corpos pareciam ser feitos para ficarem sincronizados.

Li a pergunta novamente no cartão.

Nosso primeiro beijo de verdade...Andei até o carro e coloquei o arranjo de flores no banco carona.

Dirigi até o local em que tivemos nosso primeiro encontro.

O mini restaurante estava aberto e o dono sorriu para mim quando pedi para ir até a pista de dança no andar inferior.

Funcionários limpavam o ambiente para mais tarde e mal perceberam minha presença enquanto eu caminhava até o corredor dos banheiros.

A porta do depósito onde eu e Olivia nós beijamos estava aberta e lá dentro havia uma lanterna iluminando um canto específico da prateleira.

Ali havia um cartão e um quadrado que eu reconheci como encarte de um CD.

Me responda uma coisa: consegui transformar seu coração em pedra com o meu beijo? Espero que a música que tocou naquele dia possa amolecê-lo de novo. Aí está o pré-histórico CD.

Próxima parada?

Lembra do lugar onde jogamos muito sujo? Te vejo lá!

O bar onde passei minha despedida de solteiro não era muito longe dali e consegui ir andando, mas quando cheguei no local, não a encontrei e sim mais um cartão em cima da mesa de sinuca ao lado de um taco bastante novo.

Abri o bilhete:

Eu menti. Mas prometo que nos encontraremos em breve. Esse é um taco personalizado para virar o seu taco da sorte. Só não esqueça de me convidar quando for jogar. Sabe que sou uma ótima oponente.

Eu ri. Olivia estava mesmo me provocando através de bilhetes? Quer dizer, se eu estava naquele jogo então não só significava que Pedro Sartori tinha participado daquele esquema para me levar até ali como também boa parte dos comerciantes também estavam colaborando a pedido de Olivia.

Senti meu coração apertar com um sentimento grande demais para ser contido.

Olivia que não gostava que ninguém soubesse dos seus assuntos pessoais.

Olivia que sempre ficou com um pé atrás na hora de demonstrar seus sentimentos.

Olivia que era conhecida por sua indiferença e seu coração de gelo.

Continuei lendo o bilhete para a próxima pista.

O próximo lugar foi onde você disse que me amava pela primeira vez.

E meu mundo nunca mais foi o mesmo.

OLIVIA

Segundo o grupo Gossip Girl Caipiras — eu ainda não acreditava nesse nome, honestamente —, que Patricia tinha feito o favor de me colocar, Sebastian já havia chegado na cidade. E já havia começado a percorrer os lugares por onde nós passamos quando estivemos ali quase um mês e meio atrás.

Minha barriga havia se tornado uma centrífuga que girava de um lado para o outro e eu tinha que respirar fundo diversas vezes para não passar mal.

As coisas estavam acontecendo tão rápido, mas não tinha como ser de outro jeito.

Mia me contou a verdade por trás de várias demissões na B&T, em vários setores.

De alguma forma, nós nunca havíamos percebido como frequentemente o senhor Boscher entrevistava as candidatas mulheres de vez em quando, mas nunca os homens.

Sebastian, eu sabia que tinha sido entrevistado por um cara do setor internacional, Marco foi por um rapaz da administração, mas tanto eu quanto Mia havíamos sido entrevistadas por Boscher.

Eu ainda lembrava o quanto tremia quando fui chamada para sua sala.

Por ser minha primeira entrevista séria, ainda na faculdade, eu apenas assimilei que meu nervosismo era por toda a situação. No entanto, eu lembrava vagamente de como havia sido desconfortável.

Os olhares indiscretos, as piadinhas um tanto inapropriadas.

Mia me contou que ele havia posto sua mão sobre a dela enquanto ela tremia um pouco.

O nosso caso poderia ser considerado para muitos como "casos leves", "um senhor só tentando ser gentil", nada demais. Era isso que eu e Mia provavelmente nos convencemos quando aconteceu.

Sendo mulher e no início de carreira era quase certo que não arriscaríamos nossa carreira para bater de frente com caras que normalmente sairiam impunes.

Porém, Boscher não era sempre sutil. De acordo com as reclamações que minha antiga assistente conseguiu recuperar no sistema, havia dezenas de ocasiões em que o dono da B&T tinha sido inapropriado para dizer o mínimo.

Propostas indecentes.

Toques impróprios.

Avanços explícitos e descarados.

E até uma ou outra situação relações além do profissional que acabavam virando uma chantagem sem fim ou com a funcionária ficando "envolvida" demais.

Eu tremia só de imaginar uma coisa daquelas.

Seis mulheres se destacavam.

Todas elas haviam ameaçado ou dado início a um projeto contra Boscher e contra a própria B&T.

Uma tinha revelado que, na época, estava há quase um ano buscando ajuda profissional para superar o que tinha acontecido.

Todas elas tinham tido sua vontade de justiça interrompida ao se deparar com um acordo que parecia vantajoso para elas, mas que na verdade era só um jeito de comprar o silêncio delas e a impunidade de Boscher.

Mia, que Deus a abençoe, conseguiu o contato de algumas das ex-funcionárias. Algumas se recusaram a falar qualquer coisa — afinal existiam contratos de confidencialidade em jogo — e desligavam assim que eu falava o motivo da minha ligação.

Outras apesar de me passar a ideia geral do que aconteceu, me diziam que não queriam ser envolvidas.

Duas delas, no entanto, não hesitaram.

Angelica e Carolina me contaram que a "escolha" que Boscher dava a elas era aceitar o acordo que garantia o seguro desemprego, mais uma renda extra bastante vantajosa por alguns meses e uma bonita carta de recomendação ou ser ostracizada no meio profissional e ir ao tribunal, onde Boscher tinha certeza de que elas acabariam perdendo e ainda tendo que pagar uma indenização para ele.

Era nojento e cruel.

Pelo menos, eu conseguia ver porque ele parecia tão seguro e incisivo ao me confrontar. Boscher já tinha o costume de com um acordo conseguir tudo o que queria e sair por cima. De silenciar mulheres que ele tratava como se fossem insignificantes.

Poderia ter algo mais por trás, Julie poderia ter tido algum tipo de dívida para cobrar com ele, mas agora eu conseguia perceber os sinais.

Sua recusa de reconhecer que eu tinha conseguido uma vaga por meus próprios méritos na empresa rival. A recusa em aceitar que os resultados da B&T em parte se deviam ao meu trabalho. E eu ainda tinha minhas desconfianças se aquela "cláusula" ridícula exigindo casamento não foi uma tentativa de me tirar do jogo e me rebaixar na empresa que eu ajudei por anos a crescer.

Não sabia que traumas e experiências levaram aquele maldito homem a se tornar asqueroso, mas era visível como ele achava que o único papel das mulheres era serem usadas.

Devia ser um dos motivos porque ele havia vindo até mim e não Sebastian para fazer o acordo.

Ao descobrir tudo isso, era como se as peças começassem finalmente a se encaixar.

E eu sabia que tinha que fazer uma escolha.

Dessa vez, uma escolha de verdade. Nos meus próprios termos.

SEBASTIAN

Por todos os lugares que passei depois, Olivia continuava deixando bilhetes sobre os momentos que passamos em cada um e alguma coisa que servisse de recordação.

A cada passo que eu dava, eu respirava fundo sabendo que eles me levavam para mais perto dela.

O último cartão tinha escrito apenas:

Você sabe onde me encontrar.

Minha cabeça tentava desvendar o mistério de onde estariam todos. A casa de Olivia, um dos últimos lugares por onde passei, estava vazia. Nenhum sinal do senhor ou da senhora Sartori. Nem mesmo os irmãos abelhudos dela estavam por perto.

Sem perder tempo, deixei todas as lembranças no carro e comecei a caminhar na direção em que meus pés me levavam automaticamente.

Desde o dia que Lucy havia me levado até ali, não ousei esquecer o caminho. Parecia natural que eu sempre soubesse como achá-la.

Enquanto me aproximava percebi que as luzinhas já estavam acesas, afinal, era meados da tarde. O chamado do pai de Olivia tinha chegado um pouco em cima da hora.

Antes que ela pudesse me ver, eu a avistei encostada na árvore que costumávamos ficar. Ela mexia os dedos com um nervosismo leve.

Olivia usava uma camiseta simples cinza, uma calça jeans clara e os cabelos quase totalmente soltos exceto por duas mechas da frente, presas ao redor da cabeça.

Eu ainda lembrava como havia ficado sem fôlego ao vê-la na conferência, com aquele vestido enlouquecedor, no entanto, o estado que eu me encontrava naquele instante — vendo-a com roupas casuais — era praticamente o mesmo.

Demorou, mas eu percebi que era a mesma sensação que sentia quando a via entrar no escritório pela manhã, quando Sartori estava no meio do meu apartamento, reclamando do meu atraso para o nosso acordo de fingirmos estarmos noivos. A mesma sensação de quando eu a olhei entrar no restaurante no nosso primeiro encontro.

Tinha a impressão que mesmo que passasse mil anos ao seu lado, a sensação sempre seria a mesma.

O rosto de Olivia se iluminou ao me ver enquanto eu diminuía a distância entre nós.

Era como se eu estivesse sonhando, não poderia ser real.

Antes que eu pudesse pegá-la em meus braços, porém, ela ergueu uma mão, me interrompendo.

— Sabia que iria me encontrar. Gostou do passeio? — ela falou, parecendo tímida de repente.

Olivia olhou para os lados e eu respondi:

— Com certeza. Estou ansioso para descobrir qual será meu souvenir desse ponto final.

Ela sorriu.

Não foi qualquer sorriso.

Foi aquele sorriso aberto que eu tanto amava.

— Não ficaria muito ansioso se fosse você. É um "souvenir" bastante complicado...

— Eu decifro.

— E imperfeito...

— Perfeitamente perfeito para mim.

— E feio...

— E aparentemente é ou muito modesto ou mentiroso.

Estávamos a uma distância próxima o suficiente para que eu erguesse uma mão e tocasse sua bochecha.

Olivia fechou os olhos por alguns minutos.

— Pensei em como fazer isso diversas vezes. — ela segurou minha mão na sua. — De diversas maneiras. Parte de mim concordou que esse era o lugar perfeito porque eu tenho muitas coisas para te dizer Sebastian.

Ela abriu os olhos e eles estavam um pouco marejados.

— Esse lugar sempre foi um refúgio para mim. Um lugar para onde eu poderia ir quando me sentia inadequada ou pressionada ou inútil. Aqui era onde eu podia deixar todas as expectativas sobre quem eu deveria ser e apenas...ser. — Ela engoliu em seco. —Acontece que com o passar do tempo, eu esqueci quem eu era de verdade. Eu odiava estar aqui na cidade porque eu me sentia perdida, sentia como se estivesse afogando. Sentia o peso de tudo colidindo dentro de mim. Sentia como se cada esquina fosse um lembrete de uma memória dolorosa do meu relacionamento anterior.

"Algumas semanas atrás, porém, quando voltei aqui para o meu aniversário, antes de chegar na casa dos meus pais, fiquei dando voltas pela cidade e cada lugar que eu olhava, não via nada além de nós dois. Todos os nossos momentos: os bons ou os complicados. Pela primeira vez em muito tempo, não me senti mal por estar aqui. Mesmo depois de tudo o que aconteceu entre a gente, não pensei que a cidade toda me olhava de canto, me julgando ou cochichando. Talvez algumas pessoas estivessem mesmo olhando, julgando, pensando coisas absurdas, mas cada vez que minha mente tentava ir por esse caminho era a sua voz que eu ouvia me dizendo que não deveria me importar com a opinião dos outros o tempo todo. Que se eu fizesse isso eu ia levar uma vida amarga, solitária e infeliz."

Olivia abaixou a cabeça e eu fiz uma careta ao ouvir minhas próprias palavras sendo citadas.

Eu ainda lembrava do dia que tinha dito aquilo para ela. Foi logo depois do nosso primeiro beijo de verdade, Sartori estava surtando sobre o que as pessoas iriam dizer por termos sido pegos aos beijos numa salinha de limpeza.

Eu estava bravo, com raiva de perceber que uma mulher como ela — com tudo o que conquistou sozinha, com toda a sua vida independente — estava ligando para o que um bando de pessoas, que nem ao menos se importava em conhecê-la, tinha a dizer.

— Lili, eu não...

Ela balançou a cabeça ainda com a minha mão na sua.

—Você não estava totalmente errado. — Sua voz soava baixinho como se estivesse se esforçando para fazê-la sair. — O único detalhe era que eu não iria ainda viver essa vida amarga, solitária e infeliz. Eu já estava vivendo. Então percebi que além de não saber quem eu era, eu estava me tornando uma pessoa que não queria ser. Me distanciava ao máximo da minha verdade, da minha família e até dos meus amigos porque eu não suportava a ideia de saber o que eles realmente pensavam de mim. E isso era uma prisão para a qual você acabou me dando a chave para sair.

Ela me lançou um sorriso trêmulo.

— Nas duas semanas caóticas que vivemos aqui, você me mostrou tanta coisa. — Olivia riu um pouco como se lembrasse de tudo de uma vez naquele instante. — Coisas que eu já tinha e outras que eu poderia ter, mas não me achava digna e merecedora o suficiente. Você me ensinou coragem cada vez que não tinha medo de dizer o que acreditava nem o que sentia no seu coração. Mesmo com a possibilidade de dar tudo errado. E ainda depois que deu tudo errado.

Ela suspirou.

— Lembro que quando Lucy te trouxe aqui da primeira vez, eu fiquei pensando o tempo todo no porquê. Concluí que de alguma forma ela sabia que você seria o único que não só não hesitaria em ver todas as partes de mim, como também me ajudaria a recuperar todas as que eu tinha perdido. Me daria a vontade e a coragem necessárias. E é por essa coragem que eu estou aqui hoje. No mesmo lugar que eu vinha para desligar aquela parte maldosa da minha mente, só para perceber que dei adeus a ela. Porque eu finalmente percebi quem eu sou. Percebi o meu valor. Percebi as pessoas incríveis que tenho à minha volta. E percebi que tudo isso foi graças a você. Por sua causa.

Meus dedos se entrelaçaram aos dela.

— E agora eu não tenho medo de me abrir para os outros, porque eu me abri pra você. Nem tenho medo de dizer o que eu quero, porque eu quero você. E não tenho medo de dizer o que eu amo, porque, meu Deus, Sebastian, eu amo você.

OLIVIA

Ok, eu podia não ter mais medo, mas meu coração estava saindo pela boca por causa da expectativa.

Soltei seus dedos, subindo os meus por seu braço, seu ombro até o seu pescoço.

— Não tenho medo que todo mundo saiba disso porque, bem... — Dei de ombros, olhando em volta para as figuras mal escondidas perto das árvores. — Agora todo mundo sabe.

Sebastian abriu a boca para falar alguma coisa quando percebeu a plateia, mas eu o puxei para mim, num abraço.

— Obrigada, Seb. — falei baixinho perto do meu ouvido, pressionando meu corpo contra o seu como se ele fosse meu colete salva-vidas. E de certa forma ele foi.

Nossos rostos se afastaram apenas o suficiente para ele me olhar sério:

— Acho que você está esquecendo do meu último souvenir. — ele murmurou, nossos narizes quase se encostando.

— Último? — perguntei no mesmo tom. — Você não tem ideia dos outros que eu ainda tenho para te dar...

— Olivia Sartori, se você não beijar esse homem nos próximos 3 segundos, eu mesmo vou assumir essa tarefa. — Foi Otávio que gritou e eu e Sebastian rimos enquanto ele dizia para seu marido. — É brincadeira, amor. Você é o único no meu coração.

— Eu acho que eles querem um beijo nosso. — Ferrante brincou.

Você quer? — Minha pergunta era para muito além de um beijo e Sebastian sabia disso pois olhou bem fundo nos meus olhos e disse:

— Eu quero, Olivia. Quero muito. — ele respondeu capturando os meus lábios com delicadeza.

Todos explodiram em gritos, assovios e algazarra ao nosso redor.

Minha família, a de Sebastian, nossos amigos. Pessoas que torceram por nós mesmo enquanto batíamos o pé jurando que não existia de verdade um "nós".

Sebastian me beijou com delicadeza e fervor.

Eu retribuí com saudade e paixão.

Cada movimento, cada respiração sincronizada porque sabíamos instintivamente o que fazer.

Apesar dos bate-bocas, trabalhávamos muito bem em equipe.

Sempre trabalhamos.

E, com sorte, continuaríamos trabalhando por muito tempo.

Afinal, ainda tínhamos umas contas para acertar.

Juntos.

✥✥✥


Notas finais
Heeyyy, meus amores! VCS N TEM NOÇÃO Q CHOREI Q NEM UMA DESGRAÇADA ESCREVENDO ESSE CAP. TO TÃO FELIZ E ORGULHOSA DA MINHA OLIVIA AFFFFFFFFF TÃO APAIXONADA PELO MEU CASAL 1 CAP TO GO!!! ME CONTEM O QUE ACHARAM? perdoem os errinhos. aproveitem o feriado!!! Não se esqueçam de comentar o que estão achando, deixar aquele votinho básico e compartilhar a história com os amigos <3 A gnt se vê ja ja me sigam nas redes sociais! twitter: @ whodat_emmz ou @ emmieedwards_ instagram: @ emmiewrites