Notas iniciais
ultimo cappppp!!

"I live for you, I long for you, Olivia

I've been idolizing the light in your eyes, Olivia"

(Olivia)

OLIVIA

A secretária me anunciou pelo telefone e para a minha surpresa Henrique Boscher aprovou minha entrada.

— Senhorita Sartori, a que devo a honra da sua visita? — Ele me cumprimentou enquanto lia algo no papel em sua mão. Os óculos apoiados quase na ponta de seu nariz.

Quando fechei a porta atrás de mim, ele colocou a folha na mesa e se ajeitou na cadeira, estendendo uma mão em cumprimento.

Não apertei de volta e ele soltou um risinho.

— Fique à vontade. — Boscher gesticulou para uma das cadeiras e eu me sentei.

Minhas mãos estavam suando mas eu estava resoluta. Sabia o que tinha que fazer.

— Acho que deve ter uma ideia do porquê estou aqui. — comecei.

— Para falar a verdade, tenho bastantes possibilidades em minha cabeça, contudo agradeceria se a senhorita me iluminasse.

Abri minha bolsa e tirei a pasta que tinha lá dentro, apoiando-a aberta em cima da mesa.

— Reconhece esses rostos, senhor Boscher? — O homem ajeitou o óculos e se inclinou para dar uma boa olhada. Não precisei ver o franzir de sua testa para saber a resposta. — Talvez o nome delas soe mais familiar: Angelica Costa, Mariana Dias, Carolina Fernandes, Beatrice Gomes e mais pelo menos outras meia dúzia de garotas. Jovens profissionais que trabalharam por aqui. Sabe o que todas elas têm em comum?

Toda a postura de Boscher mudou e ele sentou mais ereto na cadeira.

— Não sei do que você está falando.

Inclinei a cabeça:

— Será? — Peguei a pasta e passei para a página seguinte. — Achei esses formulários de reclamações num sistema de backup muito bem guardado da empresa porque os arquivos originais foram todos apagados. Estranho, né? Hm, há quatro anos atrás, Mariana era uma das funcionárias da empresa e preencheu o formulário dizendo que foi a uma confraternização da empresa e o senhor, já alterado pelo álcool, a puxou para um canto e roubou um beijo, além de outras carícias indesejadas antes de outra colega notar o que estava acontecendo e chamá-la para irem embora. Mariana "se demitiu" duas semanas depois que esse formulário foi dado baixa. E segundo a ficha de demissão dela, Mariana recebeu normalmente o seu seguro desemprego, uma carta de recomendação e pagamentos de bônus "atrasados" por seis meses.

Boscher riu:

— Não sabia que pagar bônus significava cometer algum crime.

— E não é mesmo. Queria entender então por que tem um e-mail trocado entre seu advogado e Mariana, com cópia para você, sobre um contrato de confidencialidade sobre esse "bônus". — Passei mais uma página. — O mesmo aconteceu com Beatrice, que alega que o senhor simplesmente "sugeriu" que se ela quisesse subir na carreira ela deveria "usar decotes maiores". Com Carolina, o senhor manteve um caso por dois meses e, quando se cansou, passou a dizer que ela estava o importunando. Ameaçou contar para os pais dela o que ela realmente fez para conseguir o emprego e a rebaixou de função. Quando ela deu a entender que abriria um processo sobre todas as vezes que foi importunada até dormir com o senhor, o acordo de demissão mais o bônus entraram na jogada. Tudo também registrado no e-mail do seu advogado.

— Sabe que posso te processar por invasão de privacidade, não sabe? — ele se inclinou sobre a mesa numa tentativa de me intimidar.

Repeti seu gesto.

— Sabe que posso colocar tudo isso aqui no mundo, nos tabloides mais sensacionalistas possíveis, não sabe?

A porta se abriu, a voz da secretária entrando na sala.

— Senhor Ferrante, o senhor não pode.

Sebastian me encarou da porta, meio contrariado.

— Oi, linda. Por que não estou surpreso por você ter vindo na minha frente?

Eu sorri, voltando a me recostar na cadeira. Boscher alternava o olhar entre mim e Ferrante.

— Sabe que gosto de adiantar trabalho.

Sebastian deu a volta por trás de mim e sentou na cadeira vazia.

Boscher respirou fundo.

— Vim aqui para acertar algumas coisas e pedir minha demissão. — O empresário parecia chocado. — Mas pelo que posso ver, minha namorada já adiantou a primeira parte.

O homem arqueou uma sobrancelha ao ouvir Sebastian me chamando de namorada e eu também me esforcei para não sorrir que nem boba com esse detalhe.

— Não pode se demitir! Estamos no meio de uma campanha importante. Seria burrice da sua parte. — Boscher dispensando Sebastian com um gesto displicente.

— Fiz muitas burrices na minha vida, mas essa não é uma delas, senhor. — Sebastian tirou o celular do bolso. — E por falar em burrice, nunca te contaram que se você quer esconder um crime não deve deixar provas soltas por aí? Esse é um vídeo seu importunando Angelica Costa e até mesmo tocando-a inapropriadamente, mesmo com ela tentando se afastar diversas vezes.

Ferrante virou a tela do celular para mim e ele não estava blefando, Boscher estava tentando pôr suas mãos asquerosas debaixo da saia da mulher.

Tive vontade de vomitar.

Boscher tentou alcançar o celular de Sebastian, mas ele puxou o objeto para perto do peito:

— Nem pensar.

O nosso ex-chefe nos encarou, ajeitando o terno como se mesmo com todas as provas e todas as evidências, ele não estivesse preocupado com as consequências daquilo vazar.

— A questão é, crianças: o que vocês vão fazer? Como vocês mesmos observaram, todas têm um contrato de confidencialidade que a impedem de falar sobre esse assunto. Se vocês tentarem ir ao tribunal, nenhuma testemunha ou vítima vai sustentar a acusação de vocês. Em compensação, eu tenho o contrato de vocês e o contrato que você, senhorita Sartori, assinou, confirmando o acordo que havia entre vocês dois. Querem apostar qual processo vence?

Não me abalei.

— O senhor provavelmente tem ótimas conexões para garantir que a gente perca, mas o senhor deve saber como ninguém a maneira como essas acusações, essas provas podem acabar com a reputação da B&T. Suas ações despencariam, sua empresa número 1 no mercado ficaria para sempre manchada de dúvidas. Um juiz comprado pode garantir sua inocência num tribunal, mas acha que o público não vai levar em consideração os vídeos dos assédios acontecendo dentro da empresa? As imagens? As gravações? O senhor não deve ser tão inocente assim.

— Além disso, se tem uma coisa que o seu tipo pode ser confiável é que ele dificilmente perde os maus hábitos. — Sebastian comentou. — Quantas mulheres será que eu e Olivia conseguimos reunir só nessa unidade que já passou por algum tipo de assédio pelo senhor? Pretende demitir todas elas do nada e com um "cala boca" em forma de bônus? E as que não trabalham aqui?

Era visível no rosto de Boscher como ele não gostava de ser contrariado, o quanto incomodava sua posição naquele debate ser de poder absoluto.

Ele perguntou entredentes:

— O que vocês querem?

— Queremos que você cuide da sua vida assim como só queremos cuidar da nossa. — Sebastian disse num fôlego só e eu coloquei a mão no seu braço para interrompê-lo.

— Sabemos que o que tentamos fazer no início não foi certo, mas no fundo o senhor sabe que aquela cláusula de casamento era só uma maneira de controlar quem ficaria com aquele cargo. — Respirei fundo. — Como disse ao senhor, a relação que se formou entre mim e Sebastian não tem nada a ver com aquele contrato. Nós queremos...nós estamos juntos e não vamos abrir mão disso. Assim como também não vamos abrir mão de nossos futuros profissionais. O senhor não ganha absolutamente nada tentando nos manter separados ou infelizes além de acariciar seu ego. Contudo, eu não pagaria para ver quanto tempo seu ego vai durar quando toda essa sujeira debaixo do tapete for revelada. Quando você ver que tudo o que construiu virando ruínas.

Boscher me analisou, com os olhos afiados.

— Você quer que eu retire as condições que acertamos?

— Se possível, esqueça que existimos. — Sebastian retrucou com um sorriso afetado.

O dono da B&T ficou calado.

— Não vou tomar nenhuma decisão sem meu advogado.

— Não esperava uma posição diferente. — falei, puxando a pasta e abrindo na última seção. Do plástico tirei um papel e o deslizei pela mesa até as mãos de Boscher.

— Aqui estão os nossos termos. Dê uma lida e peça para seu advogado ler com cuidado também. Vai ver que não pedimos nada além do término dessa picuinha sem sentido. Basta escolher se prefere afagar seu orgulho ou manter seu sucesso. — Fiz questão de olhar bem para ele ao dizer. — Como me disse uma vez, senhor: Não se pode ter tudo.

Fechei a pasta e Sebastian levantou guardando o celular no bolso.

— Tenha um ótimo dia. — Ferrante disse ainda sorrindo para o nosso ex-chefe, que parecia prestes a quebrar alguma coisa.

— Senhorita Sartori, — Boscher chamou, me fazendo olhar por cima do ombro quando estava com a mão na maçaneta. — Eu acho que te subestimei.

Apertei os lábios como se sentisse um pouco de pena dele:

— Desde o primeiro dia, senhor.

SEBASTIAN

3 meses depois

O voo de Olivia estava no horário marcado, mas o aeroporto estava cheio e uma multidão havia saído pelo portão de desembarque. Nem sinal dela.

Seu telefone aparentemente estava desligado ou no modo avião e minhas mensagens não estavam chegando.

— Tem certeza que olhou o horário certo, garoto? — Pedro Sartori perguntou ao meu lado, olhando o relógio.

Era incrível como ele conseguia ter o mesmo tom de julgamento de Olivia, ou era mais certo que ela tivesse adquirido aquele traço "adorável" dele.

— Sim, senhor. Confirmei antes que ela entrasse no voo.

O homem emitiu um "humpf".

Como Lucinda havia me instruído era só ignorar e fingir que nada estava acontecendo. O nervosismo de não estar no controle de cada mísero detalhe costumava deixar pai e filha rabugentos e os últimos meses que passei quase enfurnado na casa dos Sartori foi um ótimo período de aprendizado.

Depois que pedi demissão naquele mesmo dia que eu e Olivia conversamos com Boscher, fiquei algumas semanas ajudando meu pai com os negócios. Como a empresa do pai de Hunter e a do meu pai eram parceiras, passamos várias horas reclamando em conjunto daquele trabalho ridiculamente maçante.

Quando Pedro Sartori me ligou pela milésima vez para perguntar se sua filha tinha dado alguma vírgula a mais de notícia para mim do que para ele, acabamos entrando no assunto de como ele estava se esforçando para aumentar a divulgação da pequena cidade deles e consequentemente aumentar os lucros com o turismo.

Vi a oportunidade perfeita de pôr minhas ideias no papel e executar o marketing que aperfeiçoei durante os anos da B&T.

Percebi que mesmo entrando de cabeça naquela empresa como forma de focar em algo que não fosse Eloise, acabei descobrindo uma área que mudaria a minha vida. Uma coisa na qual eu ficaria apaixonado.

Quer dizer, duas coisas.

Chamei Hunter para ajudar em algumas coisas, mas além de todas as coisas que aparentemente ele estava passando com sua família e até então se recusava a compartilhar todo o espectro comigo, também havia o drama com Patricia, que acabou fazendo parte da minha equipe criativa. Ele resolveu dar alguns toques apenas de longe, disse que não estava exagerando quando avisou que precisava de um tempo para si mesmo. Eu só esperava que não demorasse muito, sentia falta do meu melhor amigo por perto.

Boscher não demorou para assinar o contrato que eu e Olivia elaboramos: ele não poderia entrar com um processo contra nós dois e nós não revelaríamos seus podres para a imprensa. Ele também não poderia mais ameaçar ou chantagear nossas vidas profissionais. Seria como se nada tivesse acontecido.

Para o azar dele, pouco tempo depois de assinar o contrato um grupo de funcionárias resolveram se pronunciar independentemente sobre o assunto, levando a um efeito bola de neve que não respingou apenas em Boscher, mas em vários de seus amigos empresários.

O filho dele assumiu a empresa enquanto o pai foi levado a julgamento e perdia, o rapaz estava lutando para não deixar a B&T afundar em processos, principalmente depois que Eric Santiago pediu demissão após saber de todos os abusos de Boscher.

Olhei para os lados quando a multidão se dissipou, mas nada de Olivia.

Ok, eu estava começando a ser contagiado pela paranoia dos Sartori e...

Senti duas mãos taparem meus olhos por um instante mais um beijo suave no meu pescoço.

— Procurando alguém? — Olivia disse me deixando enxergar novamente.

Dei um sorriso.

— Acho que encontrei.

Com movimentos rápidos, me virei e passei meus braços em volta do seu corpo, beijando-a com a voracidade que estava acumulada dentro de mim naqueles três meses separados.

Logo depois que Olivia e eu nos acertamos diante da nossa família e amigos, ela me perguntou se eu esperaria por ela.

O CFO da Hensey havia diminuído ainda mais o time de aprendizes: apenas Olivia e o tal de Bruno que eu havia visto ao lado dela na conferência tinham conseguido passar para aquela fase.

E para aprenderem ainda mais, eles teriam que viajar com o senhor Mendes por várias filiais da Hensey do país durante três meses.

Benjamim ficava zombando pelo telefone dizendo que via mais a minha namorada do que eu e que eles tinham começado a se aproximar graças ao interesse em comum por motos. Claro que eu não perdia a chance de lembrá-lo que poderia a qualquer momento virar padrasto do neném dele.

Ciumento do jeito que só Marchand conseguia ser, ele ficava quieto rapidinho.

Minha resposta para Olivia claro que não poderia ser outra além positiva.

Eu havia esperado por anos. Três meses eram como cócegas. Além disso, eu não poderia estar mais orgulhoso dela. Principalmente considerando o quão aberta às minhas corrupções ela ficava a cada dia.

(Nossas ligações no meio da noite tinham ficado bem mais... interessantes, afinal.)

Alguém limpou a garganta ao nosso lado.

Eu tinha esquecido que meu sogro estava ali...e que nós tínhamos feito um combinado.

— Pai! — Olivia disse, me soltando e indo abraçá-lo. Ela nem sequer percebia o olhar afiado e estreito que ele me lançava por cima do seu ombro.

Girei os indicadores em volta um do outro, sinalizando um "depois" para ele, que me olhou com cara de poucos amigos.

Pedro revirou os olhos.

— O resto da família quis vir, mas sei como você odeia tumultos... Eles estão te esperando lá em casa.

Olivia olhou de mim para o pai, confusa.

— Ah, eu não sabia que passaria por lá primeiro.

Forcei um sorriso.

— Tenho que finalizar algumas coisas que deixei em andamento por lá. — falei, dando de ombros. — A gente pode ir para casa amanhã.

OLIVIA

A ideia de ver minha família era ótima, mas eu estava exausta e provavelmente com uma cara acabada pelo cansaço.

Eu só queria tomar uma boa ducha quente e, com sorte, dividir uma cama com Sebastian depois do que pareceram século.

Fazer isso com a energia e sob o escrutínio da minha família seria um pouco mais complicado.

Principalmente porque eu estava notando um ar um tanto estranho entre o meu pai e Ferrante.

No entanto, nenhum dos dois falaram nada comigo sobre terem brigado nesse tempo que passaram juntos, o que era um grande alívio, mas eu conseguia ver que Sebastian estava agitado e não só por causa da minha chegada.

Tinha que admitir que eu também estava um pouco agitada. Mesmo depois de admitir meus sentimentos por Sebastian na frente de todos três meses atrás, não havíamos ficado na cidade por muito tempo para saber como todos reagiriam com nosso novo relacionamento sem rótulos.

Ferrante não tinha problemas em querer que assumíssemos nosso namoro para todos, porém, depois de toda aquela loucura de mentiras, acordos e contratos, eu quis que levássemos as coisas com calma para todo mundo conseguir digerir naturalmente. Como deveria ser.

Era irônico, considerando que meses atrás eu tinha jogado um noivado no colo deles, mas, pelo menos aquilo me dava um pouco de paz de espírito.

Dava a sensação ilusória de que eu tinha controle sobre algo mesmo sabendo que quando se tratava de Sebastian e eu, nada saía como o meu planejamento.

Já ao entrar na cidade, comecei a notar as diferenças nas ruas e nos comércios.

Claro, eram apenas três meses de trabalho, mas considerando que estávamos chegando na temporada de festas, o movimento nas ruas já era muito maior do que nos anos anteriores.

As fachadas das lojas estavam novas, a iluminação muito mais eficiente e por qualquer rua que o nosso carro passasse, havia alguém acenando para Sebastian e para o meu pai, que buzinava de volta.

Ferrante havia me contado sobre o projeto de finalmente colocar a cidade nos mapas oficiais e os moradores estavam super animados com aquele pequeno grande passo.

Não era surpresa que, pelo que eu estava vendo com meus próprios olhos, ele havia se tornado o queridinho da cidade.

E por falar em queridinho, Sebastian estava estranhamente comportado comigo no banco traseiro. Nada de piadinhas de duplo sentido ou mãos bobas. Não.

Uma mão estava na minha, acariciando minha pele com suavidade, o outro braço estava em volta do meu ombro me abraçando contra a lateral do seu corpo.

Eu poderia ficar preocupada no que aquilo poderia significar para a gente. Aquele seu comportamento nada característico, mas foi só olhar em seus olhos que eu poderia ver a quantidade de desejo contido neles. Como eles pareciam ferver tanto quanto os meus com a necessidade de termos um ao outro.

Talvez fosse só a temporada com o meu pai que o havia tornado comportado.

Quando chegamos na casa, todo mundo já me esperava com gritos, abraços e beijos.

Lucy parecia ter esticado uns bons vinte centímetros da última vez que a vi. O bebê de Otávio estava quase engatinhando. Patricia havia cortado o cabelo na altura dos ombros. Meus irmãos continuavam escandalosos como gralhas e Rebecca estava num canto com Judith, PJ tentando passar despercebido na órbita das duas.

Eu ainda não sabia muito bem como me sentir, com o relacionamento dos dois. Tanto Pedro como Rebecca sempre pareciam ter algo para falar comigo quando estávamos ao telefone, mas nunca pareciam criar coragem.

Foi Liz que me contou que viu os dois juntos e se estava tudo bem para mim.

Não soube o que responder de imediato, porém, depois de pensar um pouco sobre e conversar tanto com Sebastian quanto com Patty, percebi que aquele fato não me incomodava tanto como eu imaginei que seria.

Rebecca merecia ser feliz e pelo sorriso que eu havia visto os dois trocando desde que cheguei, fazia anos que não via meu irmão parecer tão leve. Não tinha porque me preocupar ou me importar. Contanto que os dois e Jude estivessem bem, eu também estaria.

Max depois da lição que meus irmãos e meus pais deram nele, ainda ficou por algum tempo na cidade e até tentou pedir a guarda de Judith na justiça. Contudo, depois que Rebecca criou coragem e decidiu que seria o melhor para Jude, ela foi na polícia denunciá-lo por agressão física e verbal e conseguiu uma ordem de restrição até que o caso fosse finalizado na justiça.

A última vez que Max colocou os pés na cidade foi com todos demonstrando seu desprezo por ele e com a possibilidade de uma prisão iminente.

Era bom que Rebecca tivesse alguém como meu irmão para dar algum tipo de suporte naquele momento delicado. Ela quebraria o ciclo que a mãe dela não conseguiu e eu esperava do fundo do meu coração que os dois dessem certo.

Um tempo depois consegui pedir licença para tomar um banho e desci novamente para ouvir todas as atualizações sobre o que tinha acontecido na cidade enquanto eu estava fora, Sebastian me puxou de canto todo sério perguntando se poderia falar comigo por um instante.

Mesmo com um frio na barriga, segurei a mão que ele estendia para mim e fomos até a varanda.

Lá fora já tinha anoitecido e a noite estava linda, coberta de estrelas.

Ficamos em silêncio por alguns minutos.

— Confesso que eu achei que seria estranho.

Sebastian estava apoiado na pilastra, me observando daquele jeito que só ele sabia fazer.

Fiquei tentada a arrastar Sebastian mas o meu refúgio (que, para desespero de Ferrante todo mundo agora sabia da existência) e beijá-lo até meus lábios doerem, mas eu ainda estava nervosa. Sem o peso do contrato entre nós dois era como se a qualquer momento, ele pudesse decidir que não era eu quem ele queria estar.

Além disso, o lance do relacionamento sem rótulos era mais um show para a minha família que tinha a fama de pressionar cada um dos nossos pretendentes. Então sair às escondidas com o cara ao meu lado seria tão sutil quanto uma faixa dizendo que estávamos namorando.

Mesmo que estivéssemos.

Não queria que Sebastian se sentisse pressionado a um compromisso mais sério comigo porque minha família estava enchendo o saco. Queria que fosse natural. Espontâneo.

Toquei o colar simples que enfeitava o meu pescoço desde o dia em que Sebastian me fez o pedido de namoro. Ele usava um quase idêntico.

O dele era longo com um pingente singelo com uma das pedrinhas que usávamos no nosso anel de noivado falso. O meu era mais curto e tinha, em vez de um, três pingentes.

Se chegássemos com um anel de compromisso era muito mais fácil sermos considerados casados de uma vez.

Sebastian deu de ombros:

— Não pensei que seria estranho. Sua família me ama. — ele disse convencido e depois daqueles três meses eu sabia que não era exagero.

Sebastian havia ficado hospedado como convidado de honra na casa dos meus pais, usufruindo da minha cama e do meu quarto.

De todas as ligações que recebia do meu pai e da minha mãe, pelo menos quinze minutos eram dedicados a falar sobre Ferrante.

Eu estava praticamente virando a nora e ele, o filho.

— Você é muito convencido. — comentei com um sorrisinho, enquanto voltava a olhar para o céu.

Pelo canto do olho, fui capaz ver Sebastian caminhando até mim e parando às minhas costas. Seus braços pairando na lateral do meu corpo enquanto ele também se apoiava na cerca da varanda.

— Esse é um dos momentos em que eu afirmo que essa é a coisa que você mais ama em mim? — Ele enfiou o rosto entre os meus cabelos e inspirou fundo. Deslizando para a minha orelha, se inclinou mais para mordiscá-la suavemente.

O suficiente para fazer meu corpo responder.

Eu virei o meu corpo para encará-lo, nossos rostos a poucos centímetros de distância.

Levei uma mão até o seu pescoço, puxando-o para ainda mais perto de mim, minha outra mão foi percorrendo seus ombros, seu peitoral, sua barriga, Sebastian fechou os olhos esperando mais do meu toque, mas eu parei ali.

— Pode ser UMA das coisas que eu mais amo em você, mas definitivamente não é a que eu mais amo.

Ele abriu um olho a tempo de ver meu sorrisinho malicioso, o qual ele respondeu com o próprio.

Sebastian passou as mãos por minha cintura, pressionando com a sua.

Apertei mais sua nuca ao senti-lo contra mim, um arquejo fraco saindo de nossas bocas quase que ao mesmo tempo.

Eu estava com tanta saudade dele que até o cansaço parecia algo secundário. Passaria noites em claro se fosse preciso para saciar aquela necessidade de tê-lo mais perto.

Uma de suas mãos desceu para minha bunda e parecendo se lembrar que qualquer pessoa poderia aparecer ali ele fez o caminho inverso, tentando encaixar os dedos no passador de cinto da minha calça, mas então algo fez um barulho ao cair no chão de madeira.

— Oooops, pode deixar que eu pego. — Sebastian disse quando me abaixei para pegar.

— O que é isso? — perguntei, estreitando os olhos para o saquinho de veludo que ele apanhava do chão. Parecia familiar, mas eu ainda tentava lembrar de onde.

— Era um presente para você que eu ia te dar no fim da noite, mas aparentemente ele está mais ansioso do que eu para estar em suas mãos. — Ele continuou ajoelhado em apenas um joelho.

Meu coração se acelerou.

Sebastian pegou o saquinho e, em um milésimo de segundo antes da caixinha cair em suas mãos, eu me lembrei de onde era familiar.

Meses atrás, no fim da semana em que fomos escolher o anel para o nosso noivado falso, um saquinho daqueles chegou no meu apartamento junto com a caixinha e...

Sebastian olhou para mim.

— Você não fez isso...— Minha voz mal conseguia sair pela minha garganta.

— Sim, eu fiz.

— Achei que estávamos indo com calma. Que seríamos um casal decente e...

Sebastian abriu a caixinha e todas as palavras morreram na minha boca.

Os dois anéis sobrepostos eram os mesmos que eu havia visto quando fomos comprar nossas alianças falsas.

O rosé que chamou minha atenção. O mais bonito de todos. O que Sebastian tinha...

— Quando eu desenhei esses anéis, eu sabia que estava desenhando para a mulher da minha vida, Olivia. — ele começou. — Eu estava à noite em casa, peguei um bloco de notas e comecei a rabiscar. Não tinha ninguém em mente, a imagem do anel veio na minha cabeça e eu simplesmente precisava pôr no papel. Eu, um garoto adolescente, um tanto fissurado demais por desenhar anatomias, de repente com uma ideia para um anel. — Ele riu. — Quando eu terminei eu soube que seria da minha noiva, da minha esposa. Da pessoa que eu passaria o resto da minha vida ao lado.

— Seb...

— A primeira vez que pensei em prepará-lo foi no meu último relacionamento, mas quando eu estava prestes a me decidir, eu percebi que não via Eloise usando-o. De alguma forma, não parecia certo... — Ele se levantou, pegando um dos anéis e então erguendo minha mão, deslizando-o em meu dedo. — Mas quando o vi, cabendo perfeitamente em seu dedo, a maneira como você parecia encantada, atraída por ele, de algum jeito, naquele dia, em que ainda não tínhamos nem mesmo nos beijado ou trocado juras de amor, muito pelo contrário...— Eu meio que ri, meio que solucei. — De algum jeito, eu sabia lá no fundo que você seria a pessoa certa. A única pessoa. Eu só não queria aceitar. Tinha medo de aceitar.

Apoiei a mão no seu peito, sentindo seu coração bater forte enquanto eu analisava o anel.

— Eu deveria ter percebido a ligação entre você e o anel quando não consegui parar de querer te pôr no papel, assim como pus ele no papel. E então o transformei em realidade. E agora quero, preciso, que você seja a minha realidade. — ele encostou a testa na minha. — Não me importo se nos casarmos amanhã ou daqui a dez anos, mas me importo em saber se você quer ser minha esposa. Minha mulher. Minha companheira. A outra metade do meu time. Não quero mais ser sozinho... Case comigo, Olivia Judith Sartori.

Abri minha boca para responder, mas ouvi um choramingo baixinho.

Olhei de Sebastian para a porta da varanda e só então notei a plateia nos observando.

— Eu não acredito! — falei entre lágrimas. — Todo mundo sabia?

— Basicamente. — Ferrante inclinou a cabeça e sussurrou perto do meu ouvido. — Principalmente seu pai, que meio que exigiu que eu não passasse mais um dia em fornicação com sua filha caçula debaixo do teto dele. Espero que o noivado dê uma aliviada no pecado aos olhos de Deus porque remarquei aquele plano de meses atrás, quando eu fui parar no hospital, e pretendo realizá-lo ainda essa noite.

Eu ri contra seu peito.

— É sério?

— Você precisa me mostrar o que fazia do outro lado do telefone durante todos esses meses, parecia bom.

Senti minhas bochechas esquentarem e estava prestes a dar um tapa em seu braço quando Lucy gritou.

— A tia ainda não respondeu!!!!!!!

— Tem razão, Lucy! — Sebastian disse se afastando para me olhar, fingindo estar ofendido com a demora como o homem insuportável que era. — Estamos todos curiosos.

Me afastei, pegando meu celular no bolso e abrindo no aplicativo de documentos.

Sebastian tentava espiar curioso, mas eu ergui um dedo na frente do seu nariz.

Quando terminei de digitar, mostrei para ele.

Documento compartilhado com: Olivia J. Sartori e S. Ferrante

CONTRATO DE CASAMENTO

DO RELACIONAMENTO

CLÁUSULA PRIMEIRA — Ninguém, além das partes envolvidas, poderá estar ciente deste contrato nem das cláusulas presentes no mesmo.

O telefone de Sebastian apitou e ele abriu o documento.

editado por S. Ferrante:

CLÁUSULA SEGUNDA — Ambas as partes deverão se comprometer a colaborar, ou ao menos concordar, com qualquer narrativa criada para o bem da convivência.

editado por Olivia J. Sartori:

CLÁUSULA TERCEIRA — Ambas as partes se comprometem a fazerem o possível para viverem seu felizes para sempre.

editado por S. Ferrante:

CLÁUSULA QUARTA — Nada de falta de contato físico a não ser que seja extremamente necessário, para o bem da convivência.

editado por Olivia J. Sartori:

CLÁUSULA QUINTA — Ambas as partes deverão evitar discussões em público.

editado por S. Ferrante:

CLÁUSULA SEXTA — Olivia Sartori não deve de jeito nenhum, em nenhuma hipótese, sob nenhuma condição, parar de se apaixonar diariamente pelo irresistível Sebastian Ferrante.

editado por Olivia J. Sartori:

CLÁUSULA SEXTA — Sebastian Ferrante não deve de jeito nenhum, em nenhuma hipótese, sob nenhuma condição, parar de se apaixonar diariamente pela brilhante (e sempre dona da razão) Olivia Sartori.

Assinaturas:

OLIVIA J. SARTORI & SEBASTIAN FERRANTE

— Acho que estamos de acordo. — disse, guardando o celular.

Estendemos as mãos e fechamos o acordo.

Sebastian sorriu, me puxando para si e olhou para minha família, que nos encaravam como se fôssemos dois doidos.

Eles já deveriam saber.

— E então, Lili, quer casar comigo?

— É claro que sim.

✥✥✥

FIM?!

✥✥✥

MENTIRA! (n seria tão cruel)

AINDA TEMOS UM CASAMENTO, QUER DIZER, UM EPÍLOGO A SEGUIR


Notas finais
Heeyyy, meus amores! Sabe aquela sensação de que acabou, mas ainda não caiu a ficha que acabou? Agora falta só o epílogo e ainda não assimilei que estarei dando a adeus a Sebastian e Olivia e um até logo a todos vocês que estão acompanhando..........mas n sei nem o que dizer, to sentindo um vazio no peito real sahuhuahuashu. "terminei" do jeito que queria terminar, chorei escrevendo, e acho que dei um final digno do meu casal, mas simplesmente não consigo aceitar que eles estão me deixando, estou...sla em choque sem acreditar ainda kkkkkk q loucura né? ME CONTEM O QUE ACHARAM? perdoem os errinhos, esse cap além de atrasado ficou enorme!! Não se esqueçam de comentar o que estão achando, deixar aquele votinho básico e compartilhar a história com os amigos <3 A gnt se vê já já(nosso último encontro, meu deus do céu)!! me sigam nas redes sociais! twitter: @ whodat_emmz ou @ emmieedwards_ instagram: @ emmiewrites