Notas iniciais
voltei com mais capssss saudades de ver vcs comentando por aqui ♥33

"You'll never love yourself half as much as I love you

And you'll never treat yourself right, darling, but I want you to

If I let you know I'm here for you

Maybe you'll love yourself like I love you"

(Little Things)

OLIVIA

As lágrimas estavam na sua trégua de quinze minutos.

Tinha sido assim desde que Patty me empurrou para dentro de casa.

— Você não tem que ficar lá fora ouvindo essas merdas. Não mesmo! — ela disse, assim que passamos pela porta. — Por favor, Oli, não deixe o que esse cretino falou te assombrar. Você sabe que é melhor do que tudo isso, não sabe? Oli?

Patty me chamava, mas eu estava encarando um ponto na parede.

Pisquei, voltando minha atenção para ela.

— Eu quero ficar um pouco sozinha, Patty. Eu... só preciso respirar. — falei, apontando na direção das escadas.

Minha amiga me olhou por um instante e então assentiu com a cabeça e então veio até mim e me envolveu num abraço apertado.

Eu conseguia ver que ela estava tão agitada quanto eu, sabia que Patty também estava lembrando do estado em que fiquei da outra vez. Quando descobri tudo sobre Max.

— Sinto muito. — ela disse baixinho, virando o rosto para dar um beijo na minha bochecha. Vai ficar tudo bem.

Mas não iria.

Engoli o bolo que se formava em minha garganta.

Quando fui para o quarto, estava me sentindo fora do meu próprio corpo.

E agora eu estava ali: uma represa era aberta em meus olhos por cinco minutos ininterruptos e então as lágrimas paravam por quinze minutos.

Apenas para voltarem com mais força.

Passaram-se quase uma hora e meia e o volume de lágrimas tinham diminuído, mas o ritmo continuava constante.

Eu nem sabia direito porque estava chorando.

Se era pela lembrança de tudo que passei por Max, ou pela sensação de perda que tinha virado minha companheira durante os últimos anos do nosso relacionamento, ou por ver ele vivendo sozinho uma vida que poderia ter sido nossa se não fosse minha...falha, como ele fizeram questão de enfatizar mais uma vez.

Ou talvez por perceber, de novo, que o homem que eu amei um dia não mediria esforços para me machucar, cada vez mais intensamente.

Maximus sabia muito bem o que estava fazendo ao dar aquela notícia naquele lugar, naquele momento.

Senti como se cada uma de suas palavras fosse uma afronta direta a mim. A tudo que eu não consegui ser. A tudo que eu nunca seria.

Era repugnante.

Ele sabia como me afetaria. E eu sabia que nunca deveria baixar a guarda na sua presença, mas ainda assim foi uma surpresa.

Um choque.

Vi a miríade de dúvidas percorrer o rosto de Sebastian e uma delas com certeza era se eu ainda sentia algo por Max a ponto de me sentir afetada por ele ter mais um filho com Rebecca.

Eu não merecia tê-lo. Nunca mereceria.

Não enquanto achasse que era bem mais fácil deixar que ele questionasse meus sentimentos do que eu contar toda a verdade.

Maximus sabia muito bem tudo que seu anúncio causaria em mim. Em nós.

Ao decorrer dos anos ele tinha se tornado um bom planejador e agora tinha paciência para atacar no momento certo.

Percebi isso quando, depois de muitas semanas de terminarmos e se Rebecca contar que estava grávida, analisei toda a nossa situação.

Aquilo era uma forma de me punir.

A traição era porque eu simplesmente não conseguia me deitar com ele. Meu emocional estava frangalhos depois de tantas perdas e expectativas frustradas. Eu não conseguia reagir aos seus beijos, ao seu toque...nada.

E quando mesmo assim eu permitia que Max se aproximasse, ao acabar, eu me virava encolhida para outro lado e começava a chorar.

Nesses momentos, ele nunca me abraçou, nem me consolou nem disse que ia ficar tudo bem. Ele apenas ficava do seu lado da cama. Ou ia para sala, não antes de me olhar com uma expressão magoada.

Conforme o tempo fosse passando, eu notaria que estava sendo usada, mas naquelas ocasiões sentia como se fosse apenas um dos meus vários defeitos que começavam a aparecer em nosso relacionamento. Que além de tecnicamente estéril, eu também não tinha mais desejo nenhum por ele.

O fato de me trair com minha melhor amiga era para me mostrar o quanto eu estava sozinha.

Que nem mesmo a mulher em quem eu tinha passado toda a minha vida confiando poderia ser meu suporte, e o quanto qualquer garota do mundo estaria feliz em tê-lo. Que enquanto eu me afastava dele e o dispensava, com apenas uma virada de cabeça ele acharia alguém que iria satisfazê-lo.

A gravidez foi apenas a cereja do bolo. O letreiro em néon que dizia: O problema é você, Olivia. Sempre foi você.

Depois de algumas tentativas, nós fomos ao médico para descobrir o que estava acontecendo. Na época, nós estávamos bem, apenas assustados e ansiosos para descobrir porque as tentativas estavam fracassando.

Mas eu lembrava exatamente do dia em que soubemos que o problema era meu corpo que forçava os abortos e que Max era 100% perfeito. Em vez de registrar apenas o momento em que a doutora disse que talvez, com alguns tratamentos e um pouquinho de sorte, eu pudesse ter uma gestação saudável e completa, eu registrei o quão aliviado Max ficou com a notícia de que o problema não era ele. O quão condescendente foi seu olhar, por um segundo, quando soube que o problema era, na verdade, eu.

Provavelmente ele já soubesse que nossa relação estava por um fio quando começou a transar sem camisinha com minha melhor amiga. Era altamente provável que esse fosse o caso.

Engravidá-la serviria como um lembrete de que estávamos naquela situação por minha causa. Pela incapacidade do meu corpo de aguentar uma gravidez.

Anunciar a vinda de um segundo filho em meio a conversas sobre o meu eminente casamento foi, por fim, uma forma de me lembrar que eu poderia trocar o cara, poderia me casar com outra pessoa.

Mas eu continuaria sendo eu.

E o problema continuaria sendo comigo.

SEBASTIAN

As conversas paralelas continuavam rolando a todo vapor à nossa volta.

Maximus voltou a mastigar, mas suas palavras continuaram ecoando na minha cabeça até ele prosseguir:

— Eu sei que é um choque. Se for analisar o tamanho da família dos Sartori, fertilidade não parece ser um problema.

Olivia não consegue ter filhos.

— Tá vendo só, esse é o tipo de coisas que se conta antes de um casamento. — ele comentou como se tudo fosse uma grande piada. — Evitaria esse olhar de surpresa no seu rosto.

"Eu estava passando por um período muito complicado.", lembrei de Olivia falando sobre como relacionamento dela com Max começou a ficar péssimo.

"Tinha muita coisa na minha cabeça naquela época, eu não estava brava apenas com todo mundo, mas principalmente comigo."

"Faz algum tempo que eu não bebo. Recomendações médicas."

"Deixei que todo mundo acreditasse que eu era o motivo da minha separação com Max porque não fazia diferença nenhuma."

Eram fragmentos de conversas que tivemos desde que chegamos ali. Fragmentos que me contavam que havia muito mais na história entre ela e Max do que eu imaginava.

Se eu apenas tivesse prestado mais atenção.

Lembrei do momento em que Judith veio até ela no nosso jantar com os Fontana, como por alguns minutos Olivia paralisou.

Foi exatamente da mesma maneira que sua mão ficou tensa na minha quando Maximus anunciou a segunda gravidez de Rebecca pouco tempo antes.

"Rebecca veio até mim para me pedir perdão. E me contar que estava grávida. Disse que eu merecia saber primeiro."

Judith era o segundo nome de Olivia.

O anúncio de Max naquele dia para lembrá-la do passado.

Não. Não do passado.

Do futuro que Olivia achava que não teria.

Notei que Max continuava falando:

— ...descobrimos eu fiquei arrasado. Era o meu sonho ser pai. A doutora disse que tinha uma chance, que poderíamos tentar alguns tratamentos. Ela também sugeriu adoção e até barriga de aluguel, mas Olivia foi firme e negou. Sabia que eu queria uma criança sangue do meu sangue. E do dela também.

Ele falava aquelas atrocidades com tanta naturalidade.

Eu queria vomitar.

— Fizemos de todos os métodos possíveis. Nossa esperança foi esmagada diversas vezes. Várias perdas. Às vezes, quando finalmente achávamos que ia dar certo, perdíamos novamente. Foi um período difícil.

Pouco a pouco, as lembranças iam me inundando:

Olivia chegou na empresa com o cabelo preso num rabo de cavalo e um vestido solto, mas social. Havia bastante maquiagem no seu rosto, o que não era comum.

— Muita farra, Sartori?— falei interceptando-a. Ela tocou a cabeça como se sentisse dor. — Como faço para conseguir tanta mordomia e não perder o emprego?

Olivia não me olhou, apenas suspirou e respondeu com a voz rouca e sem emoção:

— Se quer saber sobre seus direitos como funcionário, passe no RH e me deixe em paz. — Pensei ter ouvido sua voz falhar quando acrescentou: — Por favor.

Caminhei até o escritório de Olivia.

Aquele prazo era impossível! Nunca que eu conseguiria fazer aquele bando de folgados entregar tão rápido.

Estava prestes a bater em sua porta quando uma Mia de feições preocupadas — e então assustada ao me ver — saiu da sala primeiro.

— Senhor Ferrante.

— Cadê ela? — perguntei, percebendo que a assistente tinha o blazer, a bolsa e as chaves de Olivia na mão.

— Teve uma emergência. Pediu para ser dispensada mais cedo.

— Então ela sai mais cedo enquanto a gente se mata aqui?

Mia mordeu o lábio, parecia estar à beira de lágrimas.

— Não estou bravo com você, Mia.

— E não deveria estar bravo com a senhorita Sartori também.

Abri a boca para perguntar por que não, mas a assistente de Olivia simplesmente passou por mim como um raio.

Que merda estava rolando?

Eu tinha sido tão idiota.

Como não poderia ter reparado que havia algo errado?

Em certa época, as desculpas de Mia viravam um disco arranhado: a pressão dela baixou, passou mal, comeu algo estragado, teve um mal estar, TPM muito forte, não estava se sentindo bem.

Não estava se sentindo bem.

Não estava se sentindo bem.

Os vestidos sociais mais largos que passava a usar de tempos em tempos.

Lembrava até mesmo de um dia que peguei Santiago e Olivia no corredor conversando. Ele perguntou se ela estava melhor, se não tinha que ficar de repouso e entregou um buquê de flores que a esposa dele comprou.

— Cada vez mais as coisas iam piorando. Eu queria que ela voltasse para cá, ficasse perto de nossas famílias, saísse do estresse da capital e desse trabalho. — Maximus suspirou. — Ela nunca me deu ouvidos. Acho que isso foi criando um espaço entre nós e Olivia começou a se fechar. Ficar distante.

Não reconheci a calmaria na minha voz ao dizer:

— Foi aí que você se achou no direito de dormir com a melhor amiga dela? Em um momento em que ela já estava vulnerável emocionalmente?

Max riu sem humor e também colocou seu prato na mesa:

— Você acha que eu também não sofria? Cada vez que eu recebia a notícia? Ou cada vez que tinha que levá-la do nada para o hospital apenas para descobrir que ela tinha perdido mais um bebê? — ele sibilou. — Queria consolá-la. E encontrar algum consolo, mas ela parecia me odiar a cada dia. Espero que nunca saiba o que é deitar ao lado de uma mulher que se encolhe quando você chega perto dela.

Essa era a única forma que ele conseguia pensar em consolá-la.

Meu maxilar estava tão travado que foi uma dificuldade conseguir dizer:

— Ela estava sofrendo, seu canalha. E você não conseguia parar de olhar para a porra do seu umbigo por cinco minutos. — Praticamente rosnei e Max me olhou surpreso. — Não, em vez disso você foi comer outra como uma vingança mesquinha e infantil. Procurou traí-la com uma das pessoas em quem ela mais confiava para machucá-la só porque seu ego estava ferido.

— Olha, cara, eu mal te conheço e você acha que me conhece. Honestamente não ligo para o que pensa de mim. Só quis te alertar para a possível armadilha que você pode estar entrando.

Aquele cara só poderia estar de brincadeira.

Ele ao menos ouvia as merdas que saíam de sua boca?

— Olivia gosta de mostrar que é perfeita para o mundo, então depois do que aconteceu comigo era óbvio que ela não iria contar para você. Achei injusto e quis te poupar porque sei que seria pesado para ela admitir que tem esse defeito, que nunca vai conseguir te dar filhos ou uma família de verdade e...

Max foi interrompido abruptamente porque minha paciência tinha acabado e única coisa que tinha no meu corpo era puro ódio.

E esse ódio tinha se acumulado especialmente nos meus punhos.

No primeiro instante, as costas de Max colidiram com força contra parede atrás dele.

No segundo, meu punho encontrou seu rosto com a satisfação de que estava esperando fazer aquilo por muito tempo.

Consegui dar pelo menos três socos certeiros no rosto dele antes de ouvir o choro de uma criança.

Quando olhei por cima do ombro, Rebecca e Judith se aproximavam correndo para o homem preso com o meu braço.

PJ as conteve.

O resto das pessoas chegavam mais perto rapidamente para tentar entender a comoção, mas com meu corpo encurralando Max, ainda não era possível ver seu rosto ensanguentado.

— Você é um homem fraco, Max. E não só fisicamente. Você tenta passar uma imagem de alguém que não é, mas qualquer mulher, se te visse de verdade, realmente teria nojo que você a tocasse. Você é nojento. Repugnante. — Apertei meu antebraço na sua garganta. — Minha vontade era acertar tanto seu rosto que você ficaria irreconhecível. Mas só não vou por causa da menininha que está chorando. Se é tão grato pela sua família, agradeça a ela por ser o único motivo para eu não saciar essa minha vontade de te arrebentar. Agradeça a sua filha, que tem o infortúnio de te chamar de pai e ao filho que está na barriga da sua esposa, apesar de ela também ser outra cretina.

O rosto dele estava ficando vermelho, a respiração cada vez mais difícil.

— Não sei se isso já é algo claro, mas nem você, nem seus fãs, nem quem quer se seja da sua laia, me amedronta, Maximus. Esqueça o que falei sobre medidas judiciais, se eu te ver sequer olhar para Olivia de novo, vou resolver esse assunto com minhas próprias mãos e acho que deu para ter um gostinho de como vai ser.

Quando finalmente soltei Max, ele estava sem ar o suficiente para escorregar pela parede, e a pequena multidão atrás de nós arfou ao notar o estado do seu rosto.

Quando Rebecca conseguiu sair da barreira do irmão de Olivia e foi em direção a Max, PJ veio até mim e segurou meu ombro, me puxando para longe da cena, perguntando se eu estava bem e o que aconteceu.

Respondi apenas à sua primeira pergunta e me desvencilhei do seu meio abraço dizendo que ia me retirar.

O irmão de Olivia assentiu uma vez com a cabeça e pude perceber uma certa satisfação em seu rosto. Registrei que enquanto socava a cara de Max, ele era o único que era capaz e estava perto o suficiente para me segurar ou me fazer parar. Mas ele não o fez.

E eu era grato por isso.

— Você realizou o meu sonho. — ele murmurou, depois de dar uma olhada para trás vendo parte do pessoal ir ajudar Max a se levantar.

Algumas pessoas me olhavam chocadas, mas ninguém ousou me dirigir a palavra.

O que era uma benção porque eu estava pronto para mandar todos para o inferno se fosse necessário.

— Sinto muito por trazer essa confusão para a casa de seus pais.

PJ deu um tapinha no meu ombro.

— Não se preocupe com isso. O que quer que tenha feito, sei que fez para defender minha irmã. E o mundo pegaria fogo antes de alguém aqui em casa não te apoiar por isso. Aliás, seria a primeira vez que uma dessas reuniões termina em soco, confie em mim. Pode deixar que eu acalme os ânimos por aqui. Vá ver como ela está.

Na frente da porta do quarto de Olivia, eu hesitei. Meu coração batia forte, cada palavra cínica de Max sobre ela cruzava minha mente.

Se depois de anos ele conseguia ainda ser tão cruel, eu imaginava o que Olivia deveria ter passado ao lado dele.

Eu conseguia imaginar o que aquele relacionamento tinha feito com ela.

A imagem que tinha criado de si mesmo.

Era verdade o que ele disse sobre ela querer estar sempre perfeita e aquilo explicava um pouco porque Olivia queria provar seu valor.

Porque quando ela achava que ninguém estava reparando, seus ombros caíam como se estivessem carregando um peso enorme e seus olhos adquiriam uma tristeza dolorosa e profunda.

Explicava o porquê de a cada ano que se passava ela se tornar mais fechada em si mesma. Carregando sozinha aquela dor, aquela ideia equivocada de que havia algo errado com ela.

Quando abri a porta do quarto, Olivia estava sentada em frente à penteadeira, passando a escova nos cabelos soltos. Estava vestindo uma camisola que indicava que ela provavelmente tinha planos de passar o restante da noite sob as cobertas.

Meu coração se partiu um pouco.

Sua mão parou no meio do caminho e percebi que estava um pouco trêmula ao me ver.

Olivia me encarou através do espelho.

Seus olhos estavam vermelhos porque era claro que ela tinha chorado.

Desejei ter subido mais cedo.

Tê-la colocado nos braços e deixado que ela desabasse sobre mim. Que ela soubesse que eu estava ali para confortá-la.

Desejei nunca ter aberto minha boca nenhuma das vezes para provocá-la quando no fundo eu sabia que tinha algo errado.

Desejei não ter sido egoísta a ponto de tentar irritá-la só para afastá-la um pouco mais de mim porque eu não sabia o que fazer com que sentia por ela.

Desejei também ter forçado mais quando Olivia começou a se afastar de mim. Obrigada que ela falasse comigo e me dizer o que tinha mudado e o que estava acontecendo.

Desejei ter feito muitas coisas.

Nada disso importava agora.

— Desculpa...— Ela limpou a garganta porque sua voz falhou. — Desculpa ter te deixado lá embaixo. Eu...

Ela apoiou a escova na penteadeira e apenas fixou o olhar em alguma coisa na sua frente. Os ombros dela caíram notavelmente.

Era como se Olivia estivesse se despindo de uma máscara que usou por muito tempo e tirá-la era tão exaustivo quanto permanecer com ela.

Sartori parecia tão frágil e vulnerável, de uma forma que nunca havia presenciado. Nunca.

Era uma coisa tão fascinante e ao mesmo tempo extremamente dolorosa de se ver.

Me senti um inútil.

Eu não sabia o que fazer. Não sabia se tinha algo que poderia fazer. Desconfiava que nada do que eu fizesse adiantaria.

Por muitas vezes quis que todas as barreiras que existiam entre nós fossem derrubadas e eu não tinha dúvidas que naquele momento não havia mais nada.

Só que agora eu não sabia o que fazer.

OLIVIA

Eu estava me lembrando a todo instante que respirar envolvia inspirar e expirar e mesmo assim minha respiração saía pesada.

Sebastian permaneceu perto da porta fechada, provavelmente tentando descobrir se era espaço que eu queria ou se o queria perto.

Eu não sabia.

Eu era tão confusa que não poderia culpá-lo pelo receio do que falar ou o que fazer.

Sebastian quebrou o silêncio:

— Eu não fazia ideia.

Ergui o olhar para observá-lo através do espelho porque seu tom de voz tinha algo diferente. Quando analisei seu rosto, descobri que ele sabia de toda a história.

Eu queria sumir.

Então aquele era o objetivo de Max. Eu deveria saber.

Duvidava que Patty diria algo sobre aquilo sem me consultar.

Era mais uma coisa que ele tirava de mim. Era minha história para contar. Minha verdade. Minha dor.

E Max mais uma vez tinha tratado como se não fosse nada.

Engoli em seco.

— Você tinha como saber. — Tentei fazer minha voz soar normal. — Poucas...pessoas sabem. Daqui, só Patty, Max e Rebecca. Da capital, só Mia, Doutor Santiago e sua esposa, porque...tiveram que me ajudar em alguns...momentos.

Era humilhante ter que admitir que eu era um fracasso. Principalmente para a única pessoa que importava de verdade.

Eu deveria ter tido o direito de contar para Sebastian a verdade, deveria ter sido eu.

Contudo, Max sabia o quão difícil seria. Querendo ou não, ele esteve lá comigo naqueles períodos sombrios.

Com passos lentos, Sebastian se aproximou e parou às minhas costas. Suas mãos tocaram o meu ombro e eu fechei os olhos, aproveitando a sensação de seu toque.

— Queria ter estado ao seu lado, Olivia. Queria ter te ajudado. — ele disse baixinho.

— Sinto muito por não ter sido capaz de te contar antes. É só que... — As lágrimas começaram a se acumular nos meus olhos novamente. — É um assunto que não consigo falar nem comigo mesma em voz alta ainda. Mas eu deveria ter feito isso. Por você. Por nós dois e...

— Você não deve nada, amor.

Neguei com a cabeça.

— Sim, eu devia isso a você. Combinamos de começar do jeito certo. De contarmos um com o outro, mas eu... — Minha voz falhou mais uma vez, e eu pisquei rapidamente os olhos. — Não consegui contar.

Seus dedos deslizavam pela minha pele e eu encostei minhas costas em seu corpo.

Respirei e inspirei algumas vezes antes de continuar:

— É algo importante e eu não deveria ter escondido de você. — Tentei colocar parte da minha máscara de indiferença novamente. — Vou entender se você achar que é melhor...

Ferrante ficou tenso atrás de mim e não deixou eu terminar. Uma mão deslizou pelo meu colo e meu pescoço sutil, mas firmemente e ele ergueu meu queixo para que eu o encarasse de baixo.

— Se eu o quê, Olivia? Acha que vou embora? Que vou dar as costas para você? Que vou arranjar algum jeito de te punir por algo que você não tem controle?

Fiquei em silêncio porque embora eu soubesse que Sebastian nunca faria essas coisas, uma parte minúscula de mim se preparava para isso.

Uma parte minúscula me dizia que era o que eu merecia e o que ele deveria fazer.

— Meu amor...— Sebastian se afastou apenas o suficiente para estender a mão, indicando para que eu me levantasse. Ele me virou para que eu o encarasse.

Foi só quando seus dedos deslizaram em minha bochecha que notei que uma lágrima tinha escapado. Fechei os olhos.

— Não vou a lugar algum, está me ouvindo? — Sebastian passou os braços pela minha cintura e eu passei os meus em volta do seu pescoço.

Ele me abraçou como se, com seu abraço, pudesse juntar todos os meus pedaços quebrados.

Eu o abracei como se estivesse desabando e ele fosse meu único apoio.

Não notei quanto tempo ficamos assim, não notei quando foi que Sebastian começou a acariciar minhas costas, nem quando meus dedos se entrelaçaram em seu cabelo macio.

Senti que seus lábios tocaram minha bochecha e deslizaram pelo meu pescoço e pelo meu ombro.

— Você é perfeita. — ele disse contra a minha pele, me apertando mais contra si.

Ri sem humor e me afastei para olhá-lo um pouco.

— Como pode dizer isso? Como pode dizer isso quando...

Sebastian segurou meu rosto entre as mãos, meus olhos ainda estavam fechados.

— Olhe para mim...Sartori, olhe para mim. — Lentamente obedeci. — Quero que esqueça tudo o que Max te disse, quero que esqueça tudo de absurdo que sua mente pensa sobre si mesma. Você confia em mim?

Ele me encarava intensamente, sua voz estava baixa mas ecoava em cada parte de mim.

Assenti e ele encostou sua testa na minha.

— Então acredite quando eu digo que você é perfeita. Por dentro e por fora. — ele me guiava, ainda abraçado comigo, pelo quarto. — Perfeita de todas as formas. Não precisa provar para ninguém, você simplesmente é. E precisa enxergar isso, está bem? Porque eu enxergo.

Sebastian parou de andar e com um movimento suave me pôs de costas para ele.

— Não sou o que você precisa. Algum dia não serei capaz de te dar o que quiser.

Ele me abraçou por trás.

— A única coisa que eu quero, a única coisa que eu preciso, é você. Apenas você. Consegue me dar isso?

Assenti novamente, inclinando a cabeça para olhá-lo e ele me beijou. Beijou minha boca e meu nariz e minha testa e meu queixo.

Eu passei os braços sobre os seus, ainda em volta da minha cintura e o abracei novamente.

— Queria ter estado com você. — Sua voz era tão genuinamente franca que fazia meu coração apertar.

— Está aqui agora. — murmurei, roçando meus lábios nos seus.

— Sim, eu estou.

✥✥✥

Notas finais
Heeyyy, meus amores! COMO DIRIA ROBERTO CARLOS: SÃO MUITAS EMOÇÕES. FINALMENTE VEIO AÍ MAX COM A CARA QUEBRADA E VCS N IMAGINAM O SABOR QUE FOI ESCREVER ESSA CENA!! MINHA OLIVIA PROTEGIDA QUEBRANDO MEU CORAÇÃO E MEU AMADO SEBASTIAN SENDO UM PRÍNCIPE COMO SEMPRE ( já falei que amo ele? pois eu amo) e vcs o que acharam do cap? me contem, me contem!!! próximo capítulo vem aí kkkkkkkkkkkkkkkk (q deus me ajude) Não se esqueçam de comentar o que estão achando (pf sou escritora independente preciso receber validação a todo momento rs), deixar aquele fave básico e compartilhar a história com os amigos ♥ Você pode ouvir a playlist da história tanto no Spotify: bit.ly/cdcspotify ou no Apple Music: bit.ly/cdcapplemusic ESTAMOS CHEGANDO NO CAPÍTULO 60, QUEM DIRIA? A gnt se vê jájá! me sigam nas redes sociais! twitter: @ whodat_emmz ou @ emmieedwards_ instagram: @ emmiewrites