Contrato de Casamento
63 Sessenta pt. 1
Notas iniciais
"There is an indentation in the shape of you
Made your mark on me, a golden tattoo."
(Dress)
SEBASTIAN
— Sim, eu estou. — Respondi quase em desespero.
A sensação de seu corpo junto ao meu era como se tivesse uma corrente elétrica entre nós me consumindo de fora para dentro.
Olivia me puxou mais contra si.
Era um tanto constrangedor o quanto ela mexia comigo. O quanto era desconcertante tê-la em meus braços daquela forma e admitir para mim mesmo que a intensidade com a qual eu a queria para mim era alarmante.
Tudo estava acontecendo tão rápido. Olivia tinha me pedindo um tempo para assimilar tudo o que aconteceu na noite anterior, mas então aquele momento entre nós era pesado e carregado demais.
Precisava dela, mas...
Deslizei meu rosto contra o seu pescoço e me afastei.
Ou pelo menos tentei.
Olivia segurou meus antebraços para que eu não a soltasse e apenas me olhou pelo espelho.
Seus dedos fizeram carinho na minha pele quando conseguiu que eu não quebrasse o abraço.
— Também quero você. — ela disse baixinho. — Muito.
OLIVIA
Meu coração batia tão forte que era preocupante. A única coisa que impedia que eu me censurasse era sentir o de Sebastian batendo tão forte quanto o meu às minhas costas.
Uma mão deslizou por meu colo, minha barriga e minha cintura...
— Sebastian... — falei sem fôlego e fechei os olhos enquanto sentia seu toque pelo meu corpo.
— Gosto de ouvir meu nome saindo da sua boca. — ele disse com uma simplicidade de quem declarava que dois mais dois davam quatro. — Gosto da sensação do calor do seu corpo sob minha mão. Você não imagina o quanto. — Os seus dedos estavam subindo lentamente pelo meu braço até chegarem na alça da minha camisola. — Mas o dia foi exaustivo de todas as formas para você. Não quero que pense que esse é o único consolo que posso oferecer.
Silêncio.
Ele realmente sabe de tudo, pensei.
— Nunca pensaria isso de você, Seb. — comentei depois de alguns minutos, e virei o rosto para encará-lo. — Eu só...Ninguém...Ninguém jamais fez com que eu me sentisse como você. Nunca soube que podia me sentir assim...Quero você. Mas eu entendo, se...
Suspirei, sem conseguir formar frases coerentes, esperando a surpresa ou o choque ou a negação, embora soubesse que Sebastian nunca fosse fazer isso comigo.
Ele era bom demais para mim.
— Lembra o que te disse aqui nesse quarto ontem? — ele sussurrou. — Que faria qualquer coisa por você? — Balancei a cabeça, confirmando. — Confie em mim que tenho vergonha em confessar que apesar de ser verdade, minhas razões são bastantes egoístas nesse momento.
Ferrante puxou a alça da camisola de um lado e, então, a do outro.
O tecido suave se sustentava precariamente nos meus braços, mas qualquer movimento e tudo iria ao chão.
Eu ficaria exposta. Vulnerável.
Pela primeira vez, aquilo não parecia um cenário assustador. Não com Sebastian.
Encarei-o pelo espelho. Ele me observava atentamente. Como se esperasse uma resposta. Uma confirmação.
Se eu negasse, tinha certeza que Sebastian pararia, se afastaria.
Mas não queria que ele se afastasse.
Queria que ele fosse meu como não seria de mais ninguém.
Subitamente tive vontade de apagar todas as outras de sua mente. Com certeza, muito mais confiantes e melhores do que eu em diversos sentidos.
Busquei suas mãos para segurá-las e ele entrelaçou os dedos nos meus.
Ferrante me olhou e era como se ele pudesse me ler com extrema facilidade, pois tentou fazer com suas palavras soassem bem claras para mim:
— Nesse momento, Olivia, quero te ver sem isso. Mais do que qualquer coisa. É a única coisa que passa pela minha cabeça nesse momento. — Meu peito subia e descia com dificuldade. — Porém, quero que me diga se quiser parar. Prometa que vai fazer isso se mudar de ideia, por favor.
Engoli em seco.
Essa era a minha chance. Sebastian mostrava que não ficaria bravo se eu pedisse para parar, mas a verdade era que eu estava cansada.
Toda a verdade havia sido posta na mesa naquela tarde e por mais que pesasse em mim, eu também sentia um alívio enorme.
Sebastian sabia de tudo. E ainda estava ali. Me queria por inteiro.
E eu...eu sentia falta de me sentir desejada.
— Seria muito mais fácil se você fosse mesmo o canalha com quem achei que assinei aquele contrato, não esse cara...minimamente decente. — eu provoquei com um risinho nervoso e ele gargalhou, jogando a cabeça para trás.
Sebastian era tão lindo.
— Minimamente decente? Não, de jeito nenhum. Eu ainda sou o mesmo canalha, não se engane, Lili.
Um sorriso de canto apareceu em meu rosto:
— Ótimo. Sempre tive curiosidade de saber como seria estar com ele. — confessei, soltando suas mãos.
E num mínimo movimento meu, o tecido se acumulou aos meus pés.
SEBASTIAN
Meus olhos já tinham decidido de jeito nenhum eu poderia estar acordado e não sonhando.
De jeito nenhum, a mulher na minha frente poderia ser real.
Olivia Sartori era simplesmente...simplesmente...
Nenhuma palavra parecia ser o suficiente para ousar defini-la.
Nem com meus sonhos mais detalhistas, a realidade conseguia se comparar.
A única coisa que ainda cobria Olivia era a calcinha de renda rosa clara. Meus dedos coçavam ansiosos para tirá-la também, mas minha mente dizia que era uma afronta. Uma profanação.
Absorvi a visão de seu corpo por inteiro. Cada curva, cada centímetro visível.
Era como se cada parte do meu estivesse batendo um papo em que cada uma tinha uma opinião diferente, me deixando sem um veredito do que deveria fazer.
Olivia era linda.
Perfeita.
Incrível.
Uma mecha grossa do seu cabelo caía como uma cascata sobre um seio. O outro estava descoberto e entumecido sob o meu olhar. Implorando para que eu o tocasse.
Olivia Sartori era uma obra de arte.
Pronto, era o mais próximo que eu arriscaria de tentar descrevê-la.
Nenhum dos meus desenhos conseguiriam ser fiéis àquilo. Nem que tentasse por anos.
Minhas mãos seguraram cada lado da cintura dela, como se quisessem se certificar de que era real, fazendo-a suspirar, apoiando as costas no meu peito.
Meu olhar se alternava entre o reflexo no espelho e seu corpo junto ao meu.
A minha pele não tinha nenhuma incerteza e fervia como se protestasse por eu ainda ter o tecido da minha blusa entre nós.
Com delicadeza, deslizei o nariz pelo ombro dela —o único perfume que cobria a pele de Olivia era seu aroma natural misturado com um pouco do seu hidratante — e enfiei meu nariz em seu pescoço. Um arfar quase inaudível saiu de seus lábios. Observei suas costas se arquearem.
Suas pernas deveriam ter vacilado em sua sustentação pois ela segurou as minhas por cima da calça, buscando apoio.
Tinha que admitir que parte de mim estava com medo.
Sabia que se fosse adiante, não haveria mais volta, minha vida estaria mudada para sempre.
Não era digno dela.
Iria machucá-la.
Mesmo dizendo que me queria, eu sabia que era um momento delicado para Olivia. Queria poder oferecer mais.
Minha mente pedia para que minha boca explicasse isso a ela. Deixasse-a ciente.
Entretanto, em vez disso, minha boca apenas derramava palavras doces e elogiosas no ouvido da mulher à minha frente. Como ela era incrível, especial, que ela valia a pena, que ela era o suficiente.
O que era novo para mim.
Eu fazia uma mulher se sentir desejada, mas dificilmente eu o fazia verbalmente.
A maioria das vezes era quase uma transação formal. Todos conseguiam o que queriam, sem rodeios.
Com Olivia... eu queria venerá-la.
Me ajoelhar aos seus pés e lhe dedicar uma oração. Sem esperar nada em troca.
Adorar cada pedaço de pele como se fosse uma penitência por deixar que ela tivesse sofrido sozinha, ainda que eu não soubesse de nada na época. Ainda que nem estivéssemos nos falando direito quando tudo aconteceu.
Ainda que fosse uma das penitências mais gratificantes que eu poderia pensar.
Ela me fazia querer confessar e me arrepender de pecados que nem eram meus.
Era uma experiência completamente nova e ainda assim natural: enquanto eu analisava pelo espelho minhas mãos acariciando a cintura, a barriga, as costelas, os seios, o pescoço dela, eu também observava meu corpo fazer tudo isso sem controle nenhum ao meu alcance..
Era como se minha consciência tivesse se separado do restante do corpo. Como se todos os outros membros virassem autônomos e fossem para onde quisessem.
Espalmei minha mão firmemente na cintura dela novamente, virando-a para mim.
Seus pés saíram da camisola embolada neles e chegaram ainda mais próximos de mim.
Olivia abriu os olhos. Eles estavam pesados de desejo, escurecidos, profundos.
Seu tórax encostou no meu sobre a camisa e ela jogou a mecha de cabelo para trás, expondo os dois seios para mim.
Seu pedido sem palavras.
Eu estava hipnotizado.
Automaticamente minhas mãos foram até eles, tocando-os com gentileza e cuidado, sentindo a textura e os mamilos rijos.
Olivia agora observava tudo, também presa no momento. Eu os pressionei entre meus dedos e ela ergueu o olhar, surpresa, sua respiração falhando.
Me inclinei o suficiente, sem deixar de encará-la, até que minha boca estivesse na altura certa e deslizei a língua com cuidado sobre a ponta endurecida de um dos seios antes de sugá-lo.
Sartori gemeu baixinho e o modo como todo meu ser reagiu foi impressionante.
Lentamente o puxei com cuidado, até que o mamilo escapasse dos meus lábios com um barulho molhado antes de capturá-lo de novo.
As pálpebras de Olivia tremeram um pouco, mas ela se manteve firme na tarefa de continuar me encarando.
— Deliciosa. — murmurei contra sua pele antes de me dedicar ao outro seio.
Olivia enfiou os dedos entre os meus fios de cabelo. O meu ritmo agora era comandado por ela e o único controle que eu tinha era da minha língua e dos meus dentes, que traçava o contorno e mordiscavam de maneira suave, respectivamente, até o momento que notei que uma simples brisa da minha respiração já tirava um ronronar da garganta de Olivia.
Minhas mãos então desceram, encontrando o elástico da calcinha, deslizando a peça por suas pernas macias.
Há quanto tempo eu vinha fantasiando estar entre elas? Não fazia a mínima ideia.
Meus dedos tremeram um pouco na depressão suave de seu quadril agora descoberto.
Agachado, eu ergui a cabeça para olhá-la, ver se ela queria guiar o meu próximo passo.
Os dedos de Olivia pairaram sobre uma das minhas mãos. Ela a segurou na sua e a fez deslizar na sua pele suave da sua cintura, na parte externa e interna da sua coxa. Nossas respirações se descompassaram em conjunto quando percebi para onde ela estava me guiando.
Para frente. Para o centro.
Para baixo.
Meu coração ribombou dentro do peito.
— Olivia...— falei, quase suplicante para que ela me fizesse parar.
Mas ela apenas respondeu, com um brilho de diversão no olhar:
— Sebastian.
Quando meus dedos alcançaram a umidade entre as pernas dela eu fechei os olhos.
— Porra...— O xingamento se arrastou nos meus lábios, e eu encostei meu rosto na sua coxa, beijando-a enquanto minha mão a explorava suavemente.
Senti Sartori agarrar meus ombros com força e eu abri os olhos.
Meus dedos deslizavam por sua entrada, imersos na prova de que ela queria aquilo tanto quanto eu.
Minha mente resolveu ceder e parar de procurar motivos porque eu deveria parar e eu me levantei, mantendo a mão em Olivia.
Quando um dedo arriscou ir mais longe, ela gemeu e eu cobri minha boca com a sua.
Envolvi sua nuca e inclinei sua cabeça, aprofundando o beijo.
Todo meu corpo vibrava em expectativa, a memória de Olivia com a boca em mim ainda era fresca e minha imaginação corria solta pensando em como seria maravilhosa a sensação de estar completamente dentro da mulher em meus braços.
Ela tirou minimamente o pé do chão me dando mais acesso ao cruzar sua panturrilha na minha para ter um pouco de apoio. Acrescentei mais um dedo, sentindo seu aperto ficar mais intenso por um instante.
Puta merda.
— Hmmm... — ela murmurou em aprovação.
— Você gosta disso? — perguntei um tanto ofegante enquanto beijava seu queixo.
Ela balançou a cabeça em confirmação.
Estalei a língua em negação e ela abriu os olhos para me encarar, confusa.
— Quero ouvir você dizer que gosta. — Minha voz estava quase irreconhecível, profunda e rouca.
— Por favor...— Olivia fingiu incredulidade, mas eu podia ver suas bochechas coradas.
Ela não disse mais nada e eu parei de movimentar minha mão.
Sartori estreitou os olhos para mim, e eu arqueei uma sobrancelha em desafio.
— Diga se gosta e o quanto gosta. — insisti, mordiscando sua orelha.
— Isso é só para amaciar o seu ego? — perguntou com um tom indulgente.
Soltei uma risada baixa e notei sua pele se arrepiar. Abaixei mais ainda o volume da minha voz, soltando quase um sussurro:
— Ver o quanto você está molhada já está fazendo um ótimo trabalho quanto a isso. — rebati.
Ela riu, mexendo um pouco os quadris, buscando movimento.
Não cedi.
— Você é mesmo um canalha. — Ela respirou fundo, então foi sua vez de jogar sujo, falando baixinho. — Está bem, vou dizer uma coisa: sempre achei sua mão boa de olhar, a agilidade com que você desenha e escreve, o formato... elas são grandes e com essas veias sobressalentes, mas isso, Ferrante... — ela sussurrou com uma voz de quem confessava seu pior pecado e minha mão poderia estar muito bem tremendo de expectativa— Isso é... Muito bom.
Seria Olivia Sartori que garantiria meu lugar no inferno, então?
Inacreditável.
—Muito bom? — provoquei, afastando meu rosto para olhá-la. — Minhas mãos são boas para caralho. Não merecem essas palavras sem graça para defini-las.
Uma risadinha escapou da sua boca, mas eu fingi seriedade.
— O quê?
— "Suas mãos são boas para caralho, Sebastian." Vamos. — incentivei.
Ela me analisou por alguns segundos:
— Essa vai ser a última confissão que eu faço, esteja ciente. — Assenti com a cabeça enquanto encontrava seu ponto mais sensível, apenas para mostrar que dependia apenas dela para eu lhe dar o que queria. Sartori suspirou. — Naquele dia na joalheria, mesmo contra a minha vontade, enquanto você colocava o anel de noivado no meu dedo por um mísero instante eu me peguei pensando qual seria a sensação dos seus dedos dentro de mim. — Ela escondeu o rosto em meu ombro e roçou os lábios em meu pescoço, evitando me olhar.— Fundo. Bem fundo. Acho que parte de mim já imaginava o quão bom você seria com as mãos...Satisfeito?
Bem, eu poderia trabalhar com isso.
Em resposta, círculei seu clítoris com o polegar. Uma, duas, três vezes.
E o som que saiu do fundo da sua garganta foi como música.
OLIVIA
Era um tanto difícil soltar a língua, depois de tanto tempo escondendo os pensamentos mais ousados que eu tinha.
Max era extremamente...conservador quanto a isso.
Pelo menos comigo.
Mas eu não queria estar pensando em Maximus.
Não queria pensar nele nunca mais.
Só queria que minha mente fosse preenchida pelo cara à minha frente, assim como ele me preenchia de maneira torturante com seus dedos.
As mãos deles realmente eram boas para caralho, o desgraçado.
Apesar de eu preferir me esconder a revelar as coisas que disse para Sebastian, não encontrei nada de repreensão em seu olhar. Muito pelo contrário.
Como aquele homem poderia existir em minha vida?
Como poderia estar ali comigo?
Como poderia ser real?
Eu não sabia, mas eu o queria com tanta intensidade que meu peito doía. Doía só de olhar para ele: seus olhos brilhando, seus cabelos bagunçados pelos meus dedos, sua respiração pesada enquanto descobria os cantos mais íntimos do meu corpo. Enquanto se dedicava a me conhecer mais profundamente do que qualquer outra pessoa jamais tentou.
Sebastian e eu, como de costume, quando juntávamos nossos esforços, tínhamos um sincronismo notável.
Seus dedos se moviam junto com os meus quadris. Ele sabia exatamente em que ângulo tocar e eu sabia exatamente como lhe dar mais acesso.
A mão dele desceu para minha coxa, erguendo-a para ir mais fundo, mais rápido.
Eu não conseguia mais conter os sons que saíam da minha boca. Ferrante abafava meus gemidos e os seus me beijando, mordiscando meu lábio inferior.
Quando os nossos olhares se conectavam...
Era assustador.
Era eletrizante.
Era...
Sebastian atingiu um ponto que fez todo o meu corpo estremecer. Eu conseguia sentir meus músculos se contraindo ao redor dele, a antecipação subindo por minha barriga.
— Seb...— quase choraminguei, apoiando a testa em seu ombro.— Por favor...
Seu ritmo ficou ainda mais frenético e Sebastian encostou a lateral do seu rosto no meu.
Ele apertou ainda mais minha coxa e eu apertei meus braços ao seu redor, me agarrando nele enquanto a onda de prazer me consumia de dentro para fora e me tirava do eixo.
Sebastian me manteve em equilíbrio.
— Isso, amor, goze para mim.
Meu corpo todo tremeu contra o dele, o momento se arrastando impossivelmente por vários minutos. Seus dedos diminuíram o ritmo, me acariciando com carinho, deslizando com facilidade na umidade que encontrava.
Depois de alguns instantes, abri os olhos, vendo a imagem no espelho que me mostrava com as bochechas vermelhas, completamente nua em contraste com um Sebastian totalmente vestido.
— Você pretende tirar sua roupa algum dia?
Ele jogou a cabeça para trás, rindo.
— Não pareceu te incomodar quando eu estava completamente inválido na cama e você se aproveitou do meu corpinho enquanto estava completamente vestida.
Não consegui conter a risada à medida em que Sebastian me ajudava a apoiar a perna novamente no chão, tirando seus dedos de mim.
— Sabe? Eu poderia ser vingativo e parar por aqui como você fez comigo. — ele disse enquanto eu o puxava comigo até a porta, lembrando de trancá-la um pouco mais tarde do que deveria. Então guiei-o de costas para minha cama. Sebastian caiu sentado sobre o colchão.
— Mas você é um anjo bonzinho e não vai fazer isso comigo, vai? — perguntei enquanto ele se inclinava para frente e escondia o rosto entre meus seios.
— De jeito nenhum, — ele disse com a voz abafada. — Só achei que você iria gostar de fazer as honras, Sartori.
Ferrante se afastou, chegando mais para trás na cama, e eu subi colocando uma perna de cada lado de seu corpo.
— Eu não sei que boa ação eu fiz ultimamente, — ele comentou enquanto eu me ajeitava sobre seu colo, apoiada em meus joelhos, suas mãos deslizando pela minha pele. — Mas muito obrigada Deus, por me mostrar o paraíso.
Soltei um riso nasalado enquanto meus dedos abriam os botões da sua camisa e seu peitoral aparecia no meu campo de visão.
Mexendo os ombros, ele tirou a camisa e o jogou em algum lugar do quarto.
Se eu já estava com saudades desde a última vez? Com certeza.
Num impulso de autoconfiança, eu empurrei seus ombros para que deitasse na cama e beijei toda a extensão do seu tórax, da sua clavícula até as entradas do seu quadril. O volume em sua calça também me trazia lembranças do dia anterior, mas antes que eu pudesse completar a ideia de repetir a dose, Sebastian segurou minha cintura, trocando nossas posições com agilidade, cobrindo meu corpo com o seu.
Ele beijou minha bochecha.
— Adoraria ter sua boca em mim de novo, mas acho que nós dois podemos concordar uma vez na vida que estamos ansiosos para testar coisas novas entre a gente, não acha?
Antes que eu pudesse fazer minha voz sair com uma resposta, Ferrante usou toda a sua rapidez e agilidade para se livrar das calças e da boxer.
— Agora estamos quites. — ele disse, se posicionando entre minhas pernas, agora tão exposto quanto eu.
Puxei o ar com força quando sua ereção se acomodou entre minhas pernas, o contato me provocando ainda mais.
Se eu achei Sebastian com um tamanho considerável em minha mão, minha intimidade pulsava imaginando-o dentro de mim.
Nós dois nos encaramos, Sebastian tocando meu rosto como se não acreditasse que eu estava ali. Imitei seu gesto, sorrindo.
Meu estômago se revirava com um pouco de nervosismo como se eu fosse uma adolescente de novo, prestes a fazer aquilo pela primeira vez. Mas, em vez do receio, pensei que nunca tinha me sentido tão segura quanto naquele momento.
— Você é a coisa mais linda em que já pus os meus olhos. — Sebastian tirou um fio de cabelo que atravessava meu rosto e esfregou a ponta do seu nariz com a minha. Ao reparar na minha provável expressão cética, ele continuou: — Estou falando sério, Lili. Se Deus fez coisas integralmente perfeitas e espalhou pelo mundo, você sem dúvida é uma delas. Confie em mim. Eu poderia passar o resto dos meus dias te olhando.
Ele beijou minha clavícula.
— Droga, acho que se eu apenas pudesse te olhar pelo resto da vida, mesmo sem poder te tocar, eu me sentiria o homem mais sortudo do mundo.
Ele encostou os lábios sobre meu peito, bem em cima do coração e beijou.
Senti meus olhos arderem, mas diferente de minutos mais cedo, era de pura e genuína felicidade.
Sebastian se afastou um pouco apenas para se inclinar, pegar sua calça e tirar sua carteira do bolso. De lá, ele pegou um preservativo na embalagem.
Em segundos, ele estava totalmente sobre mim novamente, posicionando-se na minha entrada.
Antes de fazer mais alguma coisa, ele me beijou. Lenta e suavemente. Era o gosto de cuidado, carinho, desejo e confiança ali.
Como se tudo se encaixasse. Como se tudo que passou fosse apenas para que chegássemos ali, naquele instante, naquele exato lugar
Não faltava mais nada em mim.
Eu estava completa.
SEBASTIAN
Se todos tínhamos um lugar no mundo, quando deslizei para dentro de Olivia, eu acabei encontrando o meu.
Mantive os olhos abertos enquanto cada centímetro ia mais fundo, enquanto Olivia fechava os olhos e abria a boca, o gemido que saía de sua boca ecoava por todo o meu corpo.
Seus músculos se contraíram ao meu redor e eu pude jurar que estava tendo uma experiência divina. Recuei quase que por completo, apenas para estocar mais forte. Mais fundo.
— Sebastian...Oh, Sebastian... sim.
Cobri sua boca com a minha, repetindo o movimento e sussurrando com um sorriso quando o som da voz de Olivia saiu abafado.
— Certa vez, me disse que as paredes daqui são finíssimas. E por mais que eu ame meu nome saindo da sua boca, acho que vamos ter que ficar quietinhos.
Com a voz um pouco trêmula, Olivia respondeu:
— Não pode ficar fazendo isso comigo e esperar que eu fique quieta. — Ele ergueu o quadril no mesmo instante em que a penetrava novamente, me fazendo ir até o fim. Isso tirou um gemido da minha boca. Olivia me olhou com seu característico olhar de superioridade e desafio que eu havia aprendido a amar.
— Ah, você é muito malvada, gatinha.
— Só quis pôr esse desafio para você também. Não é justo que eu tenha que me esforçar sozinha.
Eu ri contra sua pele suada.
— Não, não é. — Segurei suas pernas e Olivia as passou em volta do meu quadril, ajustando meu ângulo, me trazendo para mais perto enquanto eu ia mais rápido. — Meu Deus...eu nunca vou parar de pensar em como é foder você, Sartori.
O quão gostoso é sentir meu pau dentro de você, que porra.
Fechei os olhos, apenas ouvindo o barulho de nossos corpos em sintonia e das nossas respirações cada vez mais urgentes.
— Sebs...— ela sussurrou e eu conseguia senti-la chegando ao limite. Eu também estava muito perto de perder o controle.
Meus músculos se tensionaram, as unhas de Olivia arranhavam meu braço e minhas costas enquanto ela se esforçava para não fazer muito barulho. Eu não ligava.
Meu próprio lábio já estava quase ferido por mordê-los tentando conter minha voz.
Olivia atingiu o orgasmo primeiro e foi ainda mais intenso do que o anterior. Suas pernas me apertaram, seus quadris indo de encontro a meu como se quisessem ainda mais.
Enquanto meu nome rolava de sua boca e seu interior me apertava intensammente, foi a minha vez.
Não conseguia manter meus olhos abertos, não conseguia fazer mais nada, a não me mover como se quisesse me deixar gravado em Olivia, da mesma forma que ela sem saber havia se gravado em mim.
Naquele dia, naquele exato segundo, não havia nada — absolutamente nada — entre nós.
Aquela mulher havia reivindicado para si tudo o que havia em mim.
Não restava mais nada.
Apenas o nós que havíamos acabado de construir.
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