Notas iniciais
Boa leitura!

Contradições

by Amanur

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26

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E lá ia eu, feliz em minha pequena doce vingança, vendo o miserável ficar cada vez menor, olhando pelo espelho retrovisor, quando o carro apagou depois de meio quilômetro de distância de onde o Sasuke havia ficado, na estrada.

Droga, droga, droga, droga, droga, mil vezes droga.

— Deixe-me adivinhar. — ele disse, quando me alcançou, se debruçando sobre a janela da porta. E eu já estava com um belo galo na cabeça, por ficar socando o volante com a testa, de tanta raiva — Acabou a gasolina, não foi?

— Morra! Mas antes, será que você pode ligar para alguém vir nos buscar? — indaguei entre os dentes.

— Hehe. Acredite em mim, se eu estivesse com o meu celular aqui, já teria chamado a polícia, o corpo de bombeiros, a marinha, a guarda nacional, os federais, a ONU, a guarda costeira e a aeronáutica para me socorrer da louca que dirige sem carteira, há séculos. Mas quando recebi a mensagem da Karin me avisando que você estava em casa, joguei minhas coisas em qualquer canto, e saí correndo da festa de aniversário que eu estava trabalhando. — ele deu de ombros como se aqui não fosse nada demais— Só para te pegar com a boca na botija.

— Bem feito. — resmunguei.

— Bom, pelo menos não estou aqui sozinho... — e sorriu, triunfante.

— Morra!

— Eu me pergunto como é que pode alguém pegar um carro para fugir sem olhar para o tanque de gasolina antes.

— Morra!

— E ainda consegue ficar presa com a pessoa de quem queria fugir!

— Morra! Morra mil vezes!

— Estou começando a pensar que você fez isso de propósito, sabe?

— Por que você ainda não morreu?

— Por que, olha só, veja só! Como é que pode? — ele estava, sem duvidas, se divertindo às minhas custas.

— Mas você só pode ser louco mesmo se acha que isso tudo foi proposital. Você perdeu a noção do bom senso quando jogou suas coisas, foi? — indaguei.

Ele apenas ficou sorrindo para mim, com aquela carinha cheia de presunção, se achando o maioral, o todo poderoso. Bufei, revirando os olhos. Em seguida, peguei o celular da minha mochila. Eu estava sem créditos para fazer uma ligação, mas ainda podia ligar a cobrar para a Karin. Então, disquei os números.

E ela atendeu, por que a música irritante que anuncia uma chamada a cobrar começou a tocar.

E logo parou de tocar, antes de chegar ao final. A maldita desligou o telefone antes de atender, porque se negava a receber ligações a cobrar, e eu tinha me esquecido desse detalhe.

ARGH!

Tentei ligar para a Ino, mas chamava e chamava, e ninguém atendia a porcaria. Então, liguei para o Itachi por que não havia mais ninguém a quem eu pudesse confiar.

E, finalmente, depois da musiquinha, ele atendeu.

MAS QUEM É O INFELIZ QUE SE ATREVEU A ME INTERROMPER, E AINDA ME LIGA A COBRAR?! — berrou ao atender. Acho que ele não tinha olhado no visor do seu aparelho para ver que era eu, já que ele tinha o meu número. E ainda por cima, tive a impressão de ter ouvido alguém gemer ao fundo.

— Chefinho querido do meu coração, é a sua funcionária predileta, Sakura, lembra dela? A propósito, sua voz está mais sexy do que nunca ou é impressão minha?

Tuuu...

Tuuu...

Tuuu...

Ele encerrou a ligação.

— Filho da mãe! — xinguei.

— É, ele não gosta de sarcasmos, e nem de puxa sacos. Você nunca prestou atenção nisso?

— Bom, na cama, ele bem que gosta que lhe puxem o saco, sim. — resmunguei, enquanto ele tapava os ouvidos — Que ótimo! Vamos ficar aqui, no meio do nada, até que uma alma passe e resolva nos ajudar.

Saí do carro com a mochila nas mãos, morrendo de raiva por ter que ficar presa ali naquele fim de mundo com ele. Mas não havia mais nada que eu pudesse fazer, além de sentar no asfalto e esperar.

E esperar.

E esperar.

E esperar mais um pouco.

E continuar a esperar.

— AHHHHH! NÃO SOU SEMENTE PRA FICAR PLANTADA! — estourei.

Sem paciência, fui marchando em direção de volta à cidade. Era muito melhor do que ficar ali, ao lado dele, de mãos atadas sem poder fazer nada.

— Não é engraçado como a vida funciona? — de repente, ele pergunta, vindo atrás de mim — Cá estamos, com uma grana nas mãos, e ainda assim não há nada que o dinheiro possa fazer para nos tirar dessa situação, não é mesmo?

— Pois é, né, que dinheiro inútil. Se quiser me devolver, tudo bem.

— Hehehe. Não se preocupe, eu fico com ele.

— Só estou dizendo... — dei de ombros, como quem não quer nada.

— Claro.

— É lógico.

— É sim.

Continuamos a caminhar pelo asfalto. Eu já ia comentar algo como “graças a Deus o céu está claro”, quando ouvimos sons de trovões, e olhamos para aquele céu cinzento.

— Caramba... Faz tanto tempo que não tomo banho de chuva. — ele comenta — Acho que hoje é o dia. Pena que vou molhar o dinheiro e os documentos. — resmungou, enfiando os envelopes dentro das calças, e puxando a camisa que vestia por cima, para protegê-los.

Olhamos para trás.

O carro já estava bem longe.

E a chuva despencou.

Começamos a correr de volta para o carro, por que não haveria jeito algum de ficarmos embaixo daquela chuva, no meio de tantas árvores. Aquele, pelo visto, realmente era o dia para tudo de ruim acontecer comigo. E eu estava tão fula por tudo estar dando errado, que tinha vontade de chorar, aproveitando a chuva para disfarçar as lágrimas. Mas nem para chorar eu não tinha permissão divina, porque escorreguei numa parte enlameada do asfalto, me fazendo sujar toda a roupa. Praguejei mil e um palavrões. Acho que até inventei alguns, de tanta raiva.

Quando virei para o lado, Sasuke estava paradinho, de braços cruzados me olhando, se segurando para não rir da minha cara.

— Ah, quer saber? Vai tomar nesse teu cu! Vai tomar nesse teu cu fedido e peludo, filho da puta! — resmunguei, me sentando.

— Mulheres delicadas são mesmo uma graça. — comenta sarcasticamente, estendendo a mão para me ajudar a levantar.

— Então vai, e se casa com elas!

— Mas mulheres desengonçadas e sem noção são mais engraçadas.

— Morra!

Peguei sua mão, e me levantei. Embaixo daquela água que caia, voltamos para o carro, quando me lembrei que havia roupas na minha mochila. E elas estavam sequinhas, por que a minha mochila era impermeável (pelo menos, uma coisa boa tinha que acontecer para mim, nesse dia dos infernos)!

Abri o zíper e tirei o vestido de alça fina que estava todo amassado. E olhei para ele. Curioso, Sasuke me observava atentamente. Pigarreei.

— Será que dá para você se virar para o outro lado enquanto me troco?

— Ok, mas eu já te vi nua antes... Que diferença vai fazer? — pergunta sem entender.

— Bom, fará diferença para o restinho de dignidade que ainda resta nesse corpo, tá legal?! Agora, anda, vira para lá! — não que eu realmente me importasse com qualquer porcaria de dignidade (até porque, a essa altura do campeonato, a minha já tinha ido pelo ralo há muito tempo), na verdade, eu estava fazendo aquilo apenas pela pura glória da birra mesmo.

Ele revirou os olhos, mas se virou. Então, comecei a me despir. Eu estava encharcada da cabeça aos pés, tremendo de frio como um pinto molhado. Tirei até a calcinha para não estragar o banco de couro da loira mocréia (que, a final das contas, tinha se mostrado ser não tão mocréia assim). Como o espaço era meio apertado ali dentro, cheguei a lhe dar alguns tapas e cotoveladas nos ombros e costas.

— Ops. — resmunguei da primeira vez — Foi mal! — na segunda — Desculpa aí! — na terceira — Foi sem querer! — na quarta — Ih, escapuliu! — na quinta.

Até que, é claro, ele se irritou.

— MAS DE QUANTAS HORAS VOCÊ PRECISA PARA SE TROCAR, CARAMBA?

— Não se vire ainda! — resmunguei.

— Então pare de me provocar, e se vista logo!

— Não estou provocando!

— Está, sim. — ele disse entre os dentes.

Foi então que reparei que o diabo estava me espiando pelo reflexo do vidro da janela.

Seu sacana! Peguei a blusa encharcada que eu tinha tirado, e enfiei na cabeça dele, para que parasse de me espiar. Mas, irritado, ele tirou a blusa da cabeça e a atirou no chão da caminhonete.

— AHHH, dane-se isso! Não somos mais crianças. — e se virou para mim (eu tinha enfiado o vestido por baixo, de modo que ainda estava tentando colocar os braços dentro das alças). E o idiota ficou ali, parado, olhando diretamente para os meios seios.

— Ei, meus olhos estão aqui em cima, ok?

— É, eu sei disso. — respondeu, ainda olhando para eles.

Revirei os olhos. Sorte dele por ser bonito.

Enfim, tratei de terminar de me vestir. Ele tinha divertimento nos olhos, e eu muita raiva por ele sempre conseguir o que queria. Aliás, era tanta raiva, que cruzei os braços e me virei para o outro lado, só para não ter que ficar olhando para ele. Mas acontece que eu também conseguia vê-lo pelo reflexo do vidro da minha porta, e vi que agora era ele quem tirava camisa ensopada. E ele estava tremendo de frio, tanto quanto eu.

Então, mexi no painel do veículo, na esperança de ainda haver alguma força na parte elétrica, e liguei o ar quente. Feito duas crianças, nos aproximamos da saída de ar para aproveitar o ar quente ao máximo — que não durou muito, mas o suficiente para nos aquecer um pouco.

Aí, voltamos para nossa posição inicial, nos acentos. Ele sem camisa de braços cruzados, e eu virada para o outro lado, observando as gotas da chuva bater contra o vidro embaçado. E via também que ele ainda me olhava. Mas agora de modo diferente.

Ele estava olhando para o meu pescoço, para os meus cabelos, para os meus ombros, para os meus braços... E, de repente, para minha surpresa, suavemente, ele passa a mão no meu pescoço para tirar uma mecha de cabelo grudada na pele.

— O que está fazendo? — resmunguei, sem me virar para ele.

— Você ainda está tremendo. — ele murmurou — Eu te daria a minha camisa, se não estivesse molhada.

— Eu sei... — resmunguei. Eu tinha certeza de que ele faria mesmo aquilo, porque era típico dele bancar o herói gentil e bonzinho quando menos se espera.

— Mas você ainda não respondeu a minha pergunta... — ele continuou.

— Que pergunta? — me virei para ele, olhando em seus olhos.

— Por que você insiste em ser tão teimosa?

— Do que está falando?

— Estou falando da sua cabeça dura! Por que você simplesmente não consegue admitir que está...

Ele foi interrompido pelo som de uma buzina. Havia um carro sedã preto, parado bem ao nosso lado. Sasuke abaixou um pouco o vidro da sua porta, e o carro fez o mesmo.

— Vão ficar aí, até quando? — Itachi berrou de dentro do seu carro.

— Chefinho lindoooooo!!! — quase chorei de emoção, sem acreditar naquilo!

E olha que aquele lindo ainda se deu ao trabalho de descer do carro com guarda-chuvas para nós, e nos meter em seu carro quentinho e sequinho.

Ele explicou que nos encontrou graças às maravilhas da tecnologia, ou seja, ao aplicativo GPS que localizou de onde eu havia feito aquela ligação, por que não havia me escutado muito bem. Na verdade, preocupada com o seu carro, Ino havia ligado para ele, avisando que eu havia o furtado. E como eu andava desaparecida, preocupado, ele veio em meu socorro (sem, é claro, imaginar que o Sasuke estaria junto comigo).

Enfim, enquanto ele nos levava de volta, expliquei brevemente o que havia acontecido (omitindo muitas partes, é claro). E ele ainda disse que o serviço de reboco já estava a caminho para levar a caminhonete, por que ele também avisou à Ino que havia encontrado seu carro. E enquanto eu contava tudo, percebi que o Sasuke não havia aberto a boca por um segundo sequer, com a cara emburrada para o lado.

Então, Itachi largou o Sasuke no local da festa em que estava trabalhando, com seus envelopes. E em seguida fomos direto para o escritório. Ainda faltava uma hora para o fim do expediente do dia, de modo que todos olhavam para mim com curiosidade quando entramos no prédio.

Quando chegamos na sala, é claro que a Karin, o Naruto e o Shikabundo nos observavam também. Mas o Itachi, sem dizer nada, passou voando para sua sala, enquanto eu, passando pela Karin, propositalmente, bati com a minha mochila em sua cabeça.

— Por ter conspirado com o Sasuke contra mim! — resmunguei.

— Sakura, Sakura, eu não fiz nada, fiquei quietinho! — o idiota loiro diz.

Bati na cabeça dele, mesmo assim.

Só por ser idiota mesmo.

— Você ainda vai me agradecer por isso, Sakura. — a ruiva me diz, ajeitando os cabelos.

— Há! Tá aí, uma coisa que nunca vai acontecer, pois assinei a porcaria do divórcio. Agora é oficial, estamos separados.

— Mas por quêeeeeeeeeeeeee??? Por que você fez isso, criatura?

— Era o que ele queria! Se um não quer, dois não fazem, sacou?

— Mas ele quer! Ele quer! Ele disse que queria!

— Tsc! Que queria me humilhar, só se for!

Então, de repente, Itachi surge no corredor, carregando uma montanha de papéis, e para ao meu lado.

— Aqui a sua cota de trabalhos atrasados. — eu nunca vi uma pilha de papeis tão grande em minha vida.

— E você não vai me dar nenhum sermão por isso? Ou me demitir? — perguntei.

Ele fez uma careta estranha pra mim, após derrubar a pilha em minha mesa.

— E perder meu tempo com isso para quê? — e assim, sem mais nem menos, ele nos deu as costas, voltando para a sua sala.

— Ele é estranho... — concluí.

— Ele é gostoso, também. — a Karin disse.

— Ele é feio, isso sim. — Naruto disse — Bixa fresca. — ainda resmungou, com sua invejinha.

Suspirei, olhando para a minha aliança de casamento. A tirei do dedo, vendo que já havia deixado uma marca. A coloquei de volta, prometendo a mim mesma que a retiraria quando chegasse em casa.

— Sabe o que eu acho, Sakura? — Naruto arrastou sua cadeira até o meu lado, colocando seu braço em volta dos meus ombros — Eu acho que você e eu deveríamos sair para beber esta noite, naquele bar que abriu no centro da cidade.

— Na verdade, essa é uma boa idéia. — a ruiva diz — Já que você e o Sasuke são duas malas sem alça, que não se assumem, pelo menos, agora você pode se divertir sem se preocupar com mais nada... — ela estava olhando para baixo enquanto falava, o que me deixou um tantinho desconfiada, mas o Shikamaru desviou minha atenção.

— Posso ir também? Preciso encontrar outra mulher para mim...

— O que aconteceu com a Temari? — perguntei.

— Bom, você sabe, chega um momento que a cabeça começa a pesar com tantos chifres. — deu de ombros — Tive que dar um chute na bunda dela.

— Mas vocês foram feitos um para o outro! — a ruiva retrucou.

— Diga isso a ela, não para mim.

Deixei-os para lá, e me concentrei no trabalho, porque era o melhor que eu tinha a fazer. O problema é que, de repente, comecei a me sentir meio murchinha, sem vontade de fazer nada, de falar nada. Eu não tinha vontade nem de respirar. Então, ignorei a pilha de papéis, peguei minhas coisas e fui embora, dizendo que precisava comprar remédios para gripe, porque estava começando a sentir dores no corpo — e eu estava realmente começando a sentir um leve mal estar nos músculos.

— Eu vou te ligar à noite, ok? — a Karin ainda disse.

Então, cheguei no meu apartamento.

Completamente vazio. Quero dizer, os meus móveis continuavam ali, mas não era mais a mesma coisa. Algo estava faltando.

Larguei a mochila num canto, e fui me arrastando até o banheiro para um bom e demorado banho quente. Não sei quanto tempo fiquei de molho embaixo daquela água. Talvez ela tivesse feito mal, porque eu deveria estar realmente muito cansada, ou quem sabe até mesmo meio febril, porque quando saí do meu banho (enrolada numa toalha) estava alucinando coisas.

— Caramba, eu devo estar com muita febre por estar até te vendo aí! — resmunguei, para a miragem do Sasuke que eu via sentado no sofá. Ele tinha trocado de roupa, e agora vestia uma calça jeans preta, com uma camiseta cinza e uma jaqueta marrom escura.

E ele até sorriu para mim.

Sorri de volta, desejando poder voltar no tempo e ter feito a coisa certa. Ele era tão lindo, tão gentil, tão verdadeiro. Como pude ser tão estúpida e perdê-lo?

Então, fui para o meu quarto, me vesti e penteei os cabelos. Aí, voltei para a sala para pedir uma tele-entrega de pizza, porque eu estava faminta, e estava sem forças para mais nada. E, engraçado, ele continuava ali, sentadinho com uma perna sobre a outra me encarando com aquele meio sorriso torto.

Preocupada, pus a mão sobre a testa.

— Acho que vou pedir uma tele-entrega de remédios também... — resmunguei.

— Por quê? Está doente? — a miragem do Sasuke me perguntou.

— Devo estar... Porque não é possível que eu tenha enlouquecido mesmo, né?

— Naaah! Claro que não! — engraçado como até a miragem dele conseguia me irritar com seu deboche.

— Engraçadinho.

Peguei meu telefone, liguei para a pizzaria. Pedi uma pizza de calabresa. Em seguida, liguei para uma farmácia pedindo por um coquetel de remédios: para gripe, para dor de garganta, rinite, sinusite, alergia, febre, dores, vitaminas C...

E me joguei no sofá me aproveitando de que aquilo era uma miragem para colocar a cabeça sobre as pernas do Sasuke, já que na realidade eu jamais faria isso. Até abracei a cintura dele, aspirando o perfume do seu corpo, sorrindo comigo mesma pela babaquice de nunca ter feito isso quando tive a oportunidade.

Mas, então, a miragem pigarreia.

— O que está fazendo?

— Me aproveitando do meu delírio para fazer o que não fiz. — respondi.

— O que quer dizer com isso?

— Bom, cê sabe que nem em outra vida eu me jogaria nos seus braços desse jeito, né?!

— Sei.

— Então fica quieto, e me deixe me aproveitar da minha febre.

Ele até colocou a mão sobre a minha testa também.

— Não acho que você esteja com tanta febre assim. — disse.

— É claro que estou. Se não, como estaria te vendo aqui?

— E se eu dissesse que estou aqui, porque vim devolver a cópia da chave do seu apartamento?

Num salto, pulei para trás, me esquecendo que estava deitada no sofá — o que me fez cair de bunda no chão. Agora, ele sacudia as chaves na mão.

Engoli a seco.

— Você esqueceu que eu tinha a cópia da sua chave, não é mesmo?

— Morra!

— Não precisa ficar envergonhada!

— Tsc. Quem disse que estou envergonhada?

— Seu rosto, vermelho como um pimentão.

— Morra de uma vez!

— Mas você ia sentir falta de mim, se eu morresse.

Mostrei meu dedo do meio a ele.

Ainda rindo de ponta a ponta, ele se levantou e foi até a cozinha resmungando coisas.

— Não sei por que ainda me dou ao trabalho... — e vi que ele começou a mexer em sacolas — Até mesmo trouxe algumas coisas para a sua geladeira, porque eu tinha certeza de que você teria preguiça de ir ao mercado antes de chegar em casa. E olha só! Eu acertei.

— MORRAAAA!

Ele suspirou, caminhando até a porta, com as mãos nos bolsos.

— Bom, acho que é isso. Missão comprida.

Levantei-me do chão. Ele tinha deixado várias sacolas de compras de supermercado sobre a mesa, além das suas cópias das minhas chaves.

Então, compreendi o que ele queria dizer com aquilo.

Era um adeus.

— Uhum. — desviei o olhar — Obrigada por ter aceitado entrar nessa maluquice toda. — resmunguei, me sentindo ainda mais desajeitada do que nunca.

— Hein? Você pode repetir? Porque acho que ouvi mal...

— Suma logo da minha frente, Sasuke.

— Aham. Espero nunca mais te ver, Sakura. — apesar das palavras duras, ele disseram com um tom doce e suave.

E o mais irritante era ver o quanto ele sorria, ali, de braços cruzados em frente a porta, me olhando. Como se ainda estivesse se divertindo as minhas custas. Ou pior, feliz por estar indo embora.

Notas finais
ALgum comentário? E esse sorriso final dele?? *_* >:D