Notas iniciais
Mais um, boa leitura!

Contradições

by Amanur

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Capítulo 3

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Eu nunca entendi por que algumas pessoas têm obsessão por organização. A Karin, por exemplo, apesar de ser meio fora da casinha, não suportava deixar folhas soltas sobre a mesa, e não podia ir embora sem colocar todas as suas canetas de volta em seu porta-lápis. Seus post-its tinham lugar próprio para isso, num cantinho reservado só para lembretes, e ái de quem deixasse cair um fio de cabelo em sua mesa. Ela enlouquecia!

Enquanto ela tinha toda a sua vidinha organizada, planejada e estruturada, a minha continuava uma bagunça só...

No dia seguinte, cheguei mais cedo ao trabalho, mas isso não significava que seria poupada de qualquer estresse. Itachi apareceu por trás de mim enquanto eu tomava uma xícara de café, aproveitando os minutos de folga até o horário do meu expediente começar, querendo saber se eu não havia me esquecido de colocar os envelopes no correio.

— Não, Itachi, eu não me esqueci de colocar os envelopes no correio. — respondi.

— Verificou todas as folhas, se todos os campos estavam devidamente preenchidos?

— Sim, Itachi, verifiquei todas as folhas.

— Não esqueceu de assinar nenhuma das folhas?

— Não, Itachi, não me esqueci de assinar nada.

— Eu não vou receber nenhuma multa por atraso?

— Talvez, Itachi, talvez você receba alguma multa.

— Como assim, talvez? — ele pôs um braço na cintura e ergueu uma sobrancelha.

— Bom, o prazo era sexta, e eu deixei os envelopes no correio no sábado. — respondi, prática.

— Bom, já sabe quem irá pagar, certo?

— Certo.

— E sobre o seu visto? Já tomou alguma providência?

— Sim. Comecei a arrumar as minhas malas... — resmunguei entre os dentes, decepcionada comigo mesma. Que triste fim eu teria.

Ele suspirou, cansado, olhando para mim. Como eu queria ser aquele murinho da divisória da nossa estação de trabalho em que ele estava apoiado, só para sentir seu doce e quente hálito. Mas, não, tudo o que eu poderia fazer era aproveitar aqueles últimos dias de trabalho infernal escravo para babar nele. Digo, atrás dele...

Em seguida, ele virou as costas voltando para sua sala, e eu, ao voltar para os documentos sobre a minha mesa, dou de cara com o Naruto. Outra vez.

— Sakura, por Deus, ele não está apaixonado por você! Tire esse sorriso do rosto. Você parece uma retardada desse jeito.

— Naruto, vai te cagar, vai.

— Me dá o numero do seu celular?

— Eu ainda não acredito que você pagou para eu ir àquele lugar!

— Ok, então não me dê o seu número! Tsc. — como uma cobra ardilosa, ele foi escorregando de volta para sua cadeira, me deixando em paz.

Então, eu pensei que finalmente poderia sossegar em meu cantinho para fazer o meu trabalho, por que Itachi já tinha largado mais uma pilha de documentos para eu analisar. E eu estava muito empenhada em mentir para mim mesma, dizendo que eu havia acordado naquela manhã para trabalhar, sabe? Acredito que realmente haja dias em que um ser humano deva olhar para si mesmo, no espelho, e se dar conta de que sua vida é uma porcaria, e se conformar que não há nada que ele possa fazer para melhorá-la. E sabe por quê? Bom, simplesmente por que não há nada nesse mundo que realmente faça uma vida valer alguma coisa! É triste, é uma visão pessimista (para alguns), mas acredito que eu já tivesse visto o bastante para afirmar isso. É uma visão realista, que muita gente simplesmente não quer acreditar, por que é mais bonito pensar que a vida é bela, e minha nunca foi.

Ok, eu só queria terminar com aqueles papéis para levá-los à sala do Itachi, e ter o prazer de olhar para ele.

Mas no meio do meu serviço, a Karin chega e não senta em sua cadeira. Ao invés disso, ela puxa a cadeira do nosso colega fantasma (o Shikamaru), e senta ao meu lado.

— Sakura, Sakura, Sakura, Sakura, Sakura, Sakura, Sakura, Sakura, Sakura, Sakura, Sakura, Sakura, Sakura, Sakura, Sakura, Sakura, Sakura, Sakura, Sakura, Sakura, Sakura, Sakura, Sakura, Sakura, Sakura, Sakura, Sakura, Sakura, Sakura...

— Karin, se você repetir meu nome mais uma vez, eu juro que derrubo todas as suas canetas do seu porta-lápis. — ameacei, como se estivesse lhe dando uma sentença de morte, e ela fez careta para mim.

— Hummm, alguém acordou com o pé esquerdo, foi?

— Bom, eu ainda não consigo pisar bem com o direito, por causa das costelas. Então, sim, me desculpe por usar o pé esquerdo! Tsc.

— Credo! — ela resmungou, fazendo outra careta — Escuta só, menina, eu tive uma ideia brilhante!

Desta vez, foi a minha vez de fazer careta para ela. Eu nunca gostei de ideias brilhantes. Elas soam tão pretenciosas. Do tipo, “olha como eu brilho, como sou especial, e você não”. Mas em sua grande maioria, geralmente, eram um amontoado de merda.

No entanto, antes de dar continuidade ao que me dizia, o Itachi apareceu de repente, por trás de nós, com a sua bonita xícara de café na mão (era branca com um detalhe dourado na borda, e o pegador tinha um desenho diferente). Com um sorriso torto, se apoiou sobre a minha mesa, dando as costas para a ruiva petulante.

De repente, ele parecia estar olhando para mim. Quero dizer, olhando de verdade, como se finalmente tomasse conhecimento da minha pequena e singela e insignificante existência ali dentro, o que era muito estranho para se fazer depois de quase um ano trabalhando para ele. Contudo, para provar que eu não estava delirando, ele até pôs aquela mão maravilhosa sobre o meu ombro, aquela mão que toca sua espada encantada (se é que me entende), me fazendo estremecer da cabeça aos pés.

— Sakura, por que você me disse que estava fazendo as malas? Achei que você estivesse a par de todos os requisitos necessários para renovar um visto. — ele me disse — Foi mais uma de suas piadinhas? Eu adoro as suas piadinhas! — e ele sorriu.

Espere aí, parem o disco. Alguma coisa estava errada. Muito errada. Como assim, ele adora minhas piadinhas? Ele ODEIA minhas piadinhas. Mas a surpresa não parou por aí. Com todos os dentes, lindos, maravilhosos e branquinhos, Itachi sorriu pela primeira vez na nossa frente. Foi um momento histórico e único, que ficaria para sempre marcado na história daquele escritoriozinho de merda em que trabalhávamos.

Olhei para a Karin, suspeitando daquele seu dedo podre para ideias brilhantes, mas ela continuou sorrindo, como se nada demais tivesse acontecido.

— Eu conheço todos os requisitos, sim, Itachi. — lhe disse, calmamente. Eu fazia um puta esforço para manter o foco no problema, com a consciência de que ele estava me tocando. ME TOCANDO! Foco, Sakura, mantenha o foco!

— Bom, então deve ter se esquecido de um dos principais. Ainda bem que a Karin me falou do seu noivado. Eu já estava preparando os documentos para o seu despache, o que seria um tremendo engano dispensar uma funcionaria tão competente e capacitada como você. Bom, eu só vou ali, trocar a porcaria desse café horrível, e na volta quero vê-la na minha sala para acertamos alguns detalhes sobre a sua renovação, ok?

Ele não me deixou sequer responder, já nos dando as costas.

Fuzilei a Karin. A cretina, de fininho, tentava me dar as costas, fugindo feito gato manso. Mas só tentava mesmo.

A puxei pelos cabelos.

— Noivado? Noivado, Karin? NOIVADO? NOIVADOOOOOO??

— Ficar repetindo isso, não vai torná-lo nem mais, nem menos, real! — ela respondeu, tirando seu cabelo das minhas mãos com delicadeza, com medo de que eu os arrancasse da sua cabeça oca.

Eu me preparava para pular naquele pescocinho fino de galinha que ela tinha, mas, então, ela tira do bolso um papel impresso e o coloca em minhas mãos com muito cuidado, como se fosse uma preciosidade rara. Mas não passava de uma foto tirada com um celular (pelo menos foi o que deduzi, pela falta de qualidade da imagem). Uma foto muito bem tirada, por sinal, num ótimo ângulo, com boa iluminação local, um bom close-up das figuras, o cenário também parecia muito bom, e o clima entre eu e o Sasuke parecia dos mais amistosos possíveis conversando, cada um sentadinho numa cadeira, naquele momento em que o diabo se sentou ao meu lado, no lugar do Naruto.

— Esse é o seu noivo, Sasuke. — ela diz, assim, se achando a brilhante. A Einstein do século vinte e um. Louca varrida.

De repente, Naruto aparece, e arranca a foto da minha mão para analisá-la também, por que ele não gostava de ficar de fora das nossas conversas, mas gostava sim de meter o nariz onde não era chamado. E aí, ele se aproxima da ruiva, passando a mão no cabelo bem penteado dela.

— Karin, minha priminha querida, me responda uma coisa, querida, por acaso você tem cocô nessa sua cabecinha, minha querida?

— Na minha cabeça, eu tenho o meu cabelo, e gostaria de não ter a sua mão suada e fedida! — ela responde, torcendo os dedos dele para trás, o fazendo se contorcer. — É simples! Se ela se casar com um nativo daqui, poderá conseguir visto permanente! É perfeito!

— É ridículo! — esbravejei.

— Exatamente! É ridículo! Eu concordo plenamente com a Sakura! — o loiro resmungou, massageando as mãos doloridas.

— Sakura, foi você quem me disse que não queria voltar a morar com seus pais, que havia adorado morar aqui, e mais blábláblá... Então, o que tem a perder? — ela questionou.

Eu odiava aquela pergunta. O que tenho a perder? Eu nunca tinha nada a perder. Não tinha uma vida orgulhosa, não tinha namorado e, menos ainda, um marido e filhos. Eu também não tinha pais que realmente se importasse comigo, por que, bem, os meus não se importavam. Diabos, eu não tinha dinheiro sobrando numa conta poupança, não tinha imóvel algum, nem automóvel, não tinha jóias, não tinha nem mesmo a minha virgindade para guardar. Estava tudo perdido.

E para me deixar ainda mais confusa com tudo aquilo, o Itachi passa de volta, com seu café renovado e aquele olhar sedutor/ matador para mim.

O que mais uma pessoa que não tinha nada a perder poderia fazer?

Como um cãozinho domesticado, me levantei com o rabo que eu não tinha abanando, e segui aquela bunda gloriosa até sua sala, deixando um loiro furioso para trás.

— Bom, Sakura, a Karin não me disse muita coisa, apenas que você está noiva. — rapidamente, escondi minhas mãos sem aliança em minhas costas. Foi um ato automático, quase em legitima defesa — Mas acredito que se você der um jeito com seu noivo, sabe, tentar convencê-lo de se casarem o quanto antes, melhor será para você. Ainda lhe restam dois meses, você ainda pode se organizar para conseguir um casamento decente, e ainda lhe restará tempo para conseguir a documentação necessária para conseguir uma cidadania aqui. Você já tem um emprego garantido! Lhe tiro do seu programa de estágio, e lhe dou uma efetivação, e tudo ficará bem. Poderá, inclusive, receber um aumento.

— Ahm... Sim, claro... Isso é ótimo... Vou falar com ele... — respondi, meio abobalhada, sem pensar no que estava dizendo, por que estava deslumbrada demais com a sua magnífica imagem a minha frente.

E como se todo aquele seu encanto não fosse o suficiente, Itachi saiu de trás de sua mesa para se aproximar de mim, esbanjando seu charme, seu sorriso, seu xampu, seu perfume, e suas segundas intenções que meus instintos ignoraram por completo.

— Sabe, vou contar um segredo, Sakura. Sempre que passava por sua mesa, e te via tão concentrada trabalhando, eu sempre pensava: poxa, um garota tão responsável, inteligente, linda — e ele abriu ainda mais o sorriso, e eu o meu, tão debilóide quanto Naruto nunca viu antes —, cheia de vida e encantos... Que grande desperdício não ter ninguém. Fico realmente aliviado por saber que você não é dessas mulheres de pensamentos descabidos sobre orgulho de ser solitária, ou solteira, como preferir — disse em tom irônico, e eu concordei com ele. Eu concordaria até se me dissesse que eu deveria o nariz de palhaça — por que realmente acho que ninguém é feliz sozinho, sabe? Isso tudo é apenas um blábláblá que as pessoas inventaram e outras engoliram para se consolarem. As pessoas precisam umas das outras para sobreviverem. Simples assim.

— Aham, é verdade...

— E não há nada pelo que se envergonhar, — aos poucos, ele veio se aproximando de mim, me olhando diretamente nos olhos, como um felino prestes a dar o bote em sua presa indefesa — é natural, faz parte do ser humano depender dos outros para sobreviver nesse mundo cruel em que vivemos.

— Com certeza... — disse eu, com aquele ar de adoração e encantamento.

— As pessoas deveriam parar de mentir para si mesmas e aceitar a realidade com ela é. — ele chegou tão perto, que conseguia sentir seu hálito, seu perfume, seu calor, sua mão em minha bunda.

— Concordo plenamente... Digo isso a mim mesma todos os dias.

Ele sorriu.

— É por isso que eu gosto de você, Sakura. Estamos sempre em sintonia.

— É sim. — por pouco não babei de verdade.

E então, a explosão de tesão foi algo de louco. Ele se jogou em cima de mim; eu me derreti em cima dele; e nós batemos contra sua mesa.

Eu passava a mão pelo seu cabelo, e ele pelo meu, e, assim, nos descabelamos. Aquele homem tinha pegada firme! Me beijava com fervor, engolia a minha língua, sugava os meus lábios, deslizava a sua mão por todo o meu corpo. Aquela explosão de paixão ardente, que nos consome, me controlava por completo, e eu não conseguia nem pensar em quanto era um mais um. Tudo o que eu conseguia pensar era que a língua do Itachi estava na minha boca, e a mão dele dentro da minha saia.

Ele me jogou sentada em sua mesa, derrubando todas as suas coisas no chão, de forma dramática, bem como fazem nos filmes. Eu adorei, só faltei aplaudi-lo, por que sempre quis fazer isso. Aí, ele ergueu minha saia, e empurrou minha calcinha para o lado, enquanto eu tirava o seu cinto e arriava suas calças. Então, ele lambeu alguns dedos, com aquele olhar sapeca, de menino malvado aprontando alguma sacanagem, e os enfiou dentro de mim me fazendo gemer. Mas logo, ele cobriu minha boca com a outra mão.

— Shiii! — e apontou para a porta.

Parecia que estávamos cometendo um crime, e que ninguém poderia saber de nada daquilo. Aquilo ficava cada vez mais interessante, eu acho. E, então, ele se esfrega contra mim, e percebo sua grande ereção. E pensei, Deus do céu, essa gostosura toda realmente me quer! Por que até então, eu achava que era tudo um delírio meu. Mas, não. E eis que finalmente vi seu pinto glorioso para comprovar aquilo. Longo, grosso, rígido, ereto, quente, suculento e gostoso. Era tudo o que eu havia imaginado e um pouquinho mais.

Sem cerimônias, por que não havia tempo e espaço para aquilo, ele foi metendo com tudo dentro de mim. Eu me pendurei no pescoço dele, abraçando sua cintura forte com minhas pernas, para dar aquela trepada básica que toda mulher deve fazer um dia com seu homem. E sorri por pensar que o Itachi, naquele momento, era o meu homem.

E lá estava eu, subindo e descendo, subindo e descendo, subindo e descendo, pendurada naquele mundaréu de homem, naquele monumento, naquela estátua de deus grego. Eu gemia como louca, mordendo os lábios para me conter ao máximo, mas quando se tem um membro daqueles dentro de você, fica realmente difícil de conter. E ele havia de concordar comigo, por ele socava firme em mim, apertando minha bunda com força, enquanto eu esfregava meu corpo contra o dele.

— Ah, Sakura, sua puta gostosa. — ele sussurrou em meu ouvido. Eu confesso que eu me sentia mesmo uma puta gostosa. Desejada, querida por ele. E estava adorando aquilo.

Mas, sabe, o bom desses sexos casuais, meio relâmpagos, ou a famosa “rapidinha”, como dizem, é a emoção, o calor do momento, a adrenalina de estar fazendo algo incomum, diferente. O ruim disso tudo é que os homens gozam rápido demais — o termo “rapidinha” faz juz ao negócio.

Itachi gemeu muito bem em meu ouvido, e depois me largou sobre a mesa como se eu não passasse de um saco de batatas. Juntou suas calças, enquanto eu me recompunha, e ainda tentei ajudá-lo a juntar suas coisas do chão, de volta sobre sua mesa, mas ele me dispensou.

— Não se preocupe, querida, eu junto tudo. Não se esqueça de trazer seus documentos o quanto antes, ok? — e ainda piscou o olho para mim, sorrindo torto.

E aí, eu saí de sua sala, ajustando a minha saia, meu terninho... Passei as mãos nos cabelos, calcei melhor meus saltos nos pés. De repente, alguém coloca a mão sobre o meu ombro.

— Sakura, querida, seu batom está ligeiramente borrado, por toda a sua cara! — Shikamaru resmunga, passando por mim, com uma pilha de papeis nas mãos.

— Ah, oi, Shikamaru, querido, que bom te ver de vez em quando... — resmunguei de volta, correndo até o banheiro, me sentindo zonza.

E ali fiquei, meio atordoada, sem acreditar no que acabara de acontecer. Eu transei com o Itachi. Trepei no meu chefe gostoso! Provei da sua língua! Olhei para aquela espada! Parecia tudo muito surreal. Foi tão rápido que, olhando para aquela figura descabelada no espelho, como se ela fosse uma estranha, comecei a duvidar que tivesse mesmo acontecido. Será que aconteceu mesmo? Será que não foi fruto da minha imaginação? Talvez o calor tivesse me afetado, e criando aquela miragem... Mas, então, senti naquele cantinho entre as pernas latejar, como acontece sempre que eu a uso. E sorri. Sua safada! Mas o estranho era lembrar como aquele fogo todo não flamejou nem por cinco minutos. Mas o que diabos foi aquilo?

Não me entenda mal, eu não estava arrependida de nadica de nada. Pelo contrário, eu me sentia viva, energética, vibrante entre as pernas. Mas havia algo errado naquela figura, naquela história.

Claro, nos olhos do Itachi, eu era noiva e havia trepado nele. Acho que era isso aí que não estava soando muito bem. Quero dizer, ser noiva de alguém (apesar de que eu não estava noiva coisa alguma!, mas era como se eu fosse ao entendimento do Itachi, pelo menos) e traí-lo com o chefe, entende? (apesar de que não tinha ninguém para ser traído!)Com o chefe, ou qualquer outro homem! (Que confusão!) Mas, sinceramente, eu nunca tinha me dado muito bem em meus relacionamentos anteriores (os que realmente tive, ok?), mas também acho que nunca realmente tivesse gostado pra valer, digo, amado um dos meus namorados (de novo: os que realmente tive). Mas ser esse tipo de mulher também nunca se passou pela minha cabeça, nunca foi parte do plano. E ali estava eu, descabelada, com o batom espalhado no rosto e com a camisa social toda amassada.

Mas o que eu tinha a perder mesmo?

— A única coisa que você tem a perder agora é o Itachi. — Karin me disse, quando voltei para a minha mesa.

— Mas aquele cara? Justo aquele cara? — resmunguei em desgosto — Poderia ser qualquer um, menos ele, Karin!

— Ouvi dizer que ele peida enquanto dorme... — Naruto resmungou, de sua mesa.

— Bom, sejamos franca, querida, você não tem amigos, além de nós. Não tenho culpa se você só falou com ele naquela festa! — ela rebateu — Aliás, você deveria agradecer por ter falar com ele!

— Com licença, mas ela falou comigo também, ok?! — Naruto protestou. Eu também odiava quando ela tinha razão. E ela tinha razão! Não havia ninguém mais sem noção no mundo que pudesse ser capaz de aceitar uma loucura daquelas, além do cara chato. E ainda assim, eu duvidava que ele fosse aceitar aquela ideia sem pé nem cabeça.

— E o pior é que o Itachi quer que eu leve os documentos para ele, o quanto antes! — eu disse, desesperada, sem saber mais o que pensar daquilo tudo, quase arrancando meus cabelos — Como diabos eu vou fazer isso, Karin?!

— Tsc, tsc. — ela revirou os olhos em desdém — Amadores! A resposta é muito simples! Dê ao Sasuke uma noite de transa! Pronto! Tenho certeza que ele vai aceitar. — ela respondeu — Homens não sabem dizer não para uma mulher pelada na frente deles. Mudando de assunto, você não adora ter todo esse poder em mãos? Me sinto tão poderosa sabendo que posso dominar qualquer homem apenas com o poder das minhas pernas abertas.

— Eu posso ser contra essa idéia descabida? — o loiro resmungou, levantando o dedo como se aquilo fosse uma votação — Isso é ridículo! É ridículo que ele vá comer ela antes de mim! Não, isto está errado! MUITO ERRADO!

— Isso é loucura, Karin, ele não vai aceitar! — eu lhe disse. Diabos, nem eu queria aceitar aquilo!

— Queridinha, muita gente compra casamentos falsos para conseguir cidadania fora do seu país. — ela respondeu — Há uma chance de ele negar, sim, com certeza. Mas também há a possibilidade de ele aceitar. Por dinheiro e uma mulher pelada, tem gente que aceita fazer qualquer negócio. E a verdade é que aquele Sasuke parecia um pouco necessitado, sabe?

— Sakura, case comigo! — Naruto soltou — Te dou casa e comida e cigarros.

— Karin, tem um problema nesse seu plano genial. — eu disse.

— Brilhante! — ela fez questão de me corrigir.

— Seja o que for, eu mal tenho dinheiro para pagar a minha conta de luz, muito menos para dar a alguém para se casar comigo!

— Eu e o Naruto te ajudamos. — ela disse, como se a solução fosse simples.

— Ei, não me meta nos seus planos estúpidos, Karin Maria da Silva Sauro! — ele rosnou.

— E depois, você nos paga. Pode ser em prestações mesmo. Com juros. — ela completou, se achando a esperta.

— Ual, o que vocês não fazem por amizade, hein, gente?! — resmunguei, com desgosto.

— Sakura, não faça isso! Isso é ilegal! Você quer ser uma criminosa? — Naruto argumentou.

Aí, eu parei para pensar. Ele tinha razão, ali. Eu não podia simplesmente ignorar o fato de que o que ela estava me sugerindo era crime. E não era um crime qualquer, que se pagasse com uma fiança qualquer. Aquilo poderia me dar muitos anos de cadeia, além de me chutarem de volta para o meu país e ir a julgamento público.

Eu não queria isso.

Então, voltei para casa naquele dia determinada a esclarecer todo o “mal entendido” ao Itachi, no dia seguinte. O mais engraçado disso tudo foi que me vi obrigada a treinar a minha fala para o Itachi, do que eu iria lhe dizer.

— “Então, Itachi-tudo-de-bom, querido, gostoso, nós temos um probleminha aqui. Sabe aquela história sobre o meu noivado? Bom, na verdade , a Karin quis dizer rosado! Que eu estava com cabelo todo rosado... por que ela é uma idiota tapada e só percebeu isso agora, dá pra acreditar?!”

Argh! E o pior é que não havia muitas palavras que rimasse com “noivado”, para que pudéssemos usá-la com coerência na desculpa esfarrapada. Rosado, penteado, tapado, mijado, corado, assado, fumado, furado, pregado, alado, lascado, ferrado... Com isso, no máximo que eu conseguiria era uma história estapafúrdia de um algum cavalo alado, com penteado rosado, ferrado com o cu tapado e assado, todo mijado, corado de vergonha, pregado em algum lugar lascado.

Mas tudo bem, porque, mesmo que tivesse, quem foi que disse que eu teria colhões para fazer isso? Bem que minha mãe me dizia que eu era uma mocinha e deveria me comportar como tal (e parar de fingir que eu tivesse colhões)! Ainda mais depois de chegar em minha mesa, no dia seguinte, e encontrar um buque de rosas cor de rosa, para combinar com a cor do meu cabelo, com um cartãozinho todo fofo, com detalhes em dourado, e cheio de versinhos rimados e assinado pelo chefe.

Aquilo só podia ser alguma maldição dos infernos. Praga!

E no horário do almoço, ele passou por mim com aquele sorriso treinado que dava para todas as mulheres que trepavam nele, mas que me fazia derreter até a última gota de suor nervoso.

Com um chefe desses, eu estava lascada, suada, rosada e ferrada. Tudo, menos casada.

Notas finais
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