Contradições

21 Confissões


Notas iniciais
Mais um, boa leitura!

Contradições

by Amanur

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Capítulo 21

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— Você não se importa em vesti isso por enquanto, né? — indaguei a ela, enquanto saíamos do banheiro. Não que eu realmente estivesse preocupada com ela, ou qualquer coisa parecida, afinal, a cretina tinha sido responsável por me meter nesse sufoco todo... Era apenas algo que eu tinha que perguntar, eu acho.

— Ah, por favor! Ninguém aqui é criança, Sakura. Se eles não conseguem suportar olhar para o corpo humano, o problema de educação é deles, não meu. Além disso, isso me faz me sentir livre. Hipocritamente falando, é claro.

— É claro. — concordei — A calcinha arruína tudo.

— Exato.

— Sem falar na atenção, que você adora.

— Meus cabelos não são vermelhos neste tom à toa, querida. — concordou.

— Eu sempre soube disso.

— Ei, Sakura, me olhe bem nos olhos, e me diga uma coisa... — de repente, ela parecia mais séria do que nunca, o que não era normal, me obrigando a prestar mais atenção a ela — Não é nada demais, é só que eu me lembrava do quanto você costumava a babar pelo Itachi, mas depois disso tudo, imagino que você tenha desencantado daquela besta.

— Claro. Ele é o demônio na terra. Dos mais traiçoeiros, justamente por atrair por todo o seu físico diabolicamente gostoso...

— Pois então... Você realmente não sente nada pelo Sasuke? Por todo esse tempo que já passaram junto, com essa aproximação toda, não serviu para semear nenhuma plantinha do amor aí dentro desse seu coraçãozinho frio, não?

Estranhei a pergunta.

— Tsc! A única sementinha que eu tenho aqui, é a do mal, sabe?! Aquela que só pensa em se vingar daquele filho da mãe pela humilhação que me fez passar! — respondi, mais mal humorada do que o necessário, devo confessar.

Por que, pelo menos, era o que gostava de pensar. Mas se o caso era contrário, eu já não saberia dizer, até então.

— Não que você seja um anjo em pessoa... — ela resmungou.

— O que disse?

— Nada, nada! Apenas, pense no seguinte, você nunca se perguntou no por que do Sasuke ter ficado tão afetado por você ter se deitado com o Itachi?

— Por que eles se odeiam! Até onde sei, a primeira mulher do Sasuke já havia se deitado com o Itachi, isso deve ter estraçalhado o egozinho dele. — dei de ombros.

— Você acha que é só por isso mesmo? Um homem que aceitou de sopetão uma proposta maluca de se casar com uma desconhecida, ficaria furioso por sua esposa falsa se deitar com outro só por uma questão de ego ferido?

— Hum. Quer saber de uma coisa, não gosto quando você põe seu tico e teço para funcionar! O que está sugerindo com isso?

— Nada! — ela revirou os olhos — Vamos, estou morrendo de fome! — e foi me puxando para fora.

Não sei quanto tempo passamos no banheiro, mas quando voltamos, a mesa estava posta e todos servidos com seus pratos. Inclusive o meu, com uma comida que eu não havia pedido. Mas para evitar mais confrontos e discussões desnecessárias, relevei a questão. Até por que todos eles já nos olhavam com aqueles olhos desconfiados, estranhando a troca de roupa. Mas sentamos em nossos lugares, como se nada tivesse acontecido. E Karin ainda colocou-se em seu papel de esposa infiel, dando piscadelas para os garçons que passavam, só por provocação e divertimento mesmo (afinal, ela era mais sem noção do que eu mesmo), enquanto Sasuke me encarava mais desconfiado do que nunca.

— O que aconteceu? — quis saber.

— Nada aconteceu, ué. — dei ombros, dando uma garfada na minha comida. Peguei um pedaço de salada de batata assada que estava muito bem assada, temperada e crocante. Cortei outra fatia, e levei o garfo até a boca dele — Você tem que experimentar esta batata, está realmente deliciosa. — ainda comentei. Como o garfo já estava encostando nos lábios dele, Sasuke não teve outra escolha além de abrir automaticamente a boca e comer o pedaço que eu lhe oferecia. Sorri, como quem não quer nada, enquanto ele mastigava lentamente a comida, me olhando de canto com aquela sobrancelha erguida, cheia de desconfianças. Sorri para ele, forçando todos os nervinhos do meu corpo rabugento a parecer mais simpática, adorável e meiga o possível. — Ah, adorei essa sua camisa. — ainda disse — Esse tom de vermelho cai muito bem em você...

— Uhum...

— Aliás, esse seu cabelo tá muito bem em você também, todo compridinho, tocando seus ombros... Você está tão bonito hoje! — o pior era que aquilo era verdade. Por algum motivo, talvez por culpa da Karin que me fez pensar sobre o assunto, comecei a olhar para ele com outros olhos... Mas logo tentei me colocar no lugar.

— Hum. — franziu o cenho.

— E esse seu perfume, hein? É novo?

— Não...

— É uma delicia também.

Abocanhei mais um maço de capim do meu prato, mastigando lenta e tranquilamente, fingindo estar desfrutando de uma agradabilíssima noite em família, lembrando a mim mesma que eu estava apenas manipulando o cretino, enquanto o mesmo me encarava, sem entender nada. Na verdade, nem eu estava me entendendo, naquela noite, por que, eu de alguma forma, eu me sentia um tanto mais tranquila, com relação a alguma coisa que eu não entendia.

Enquanto isso, do outro lado da mesa, Karin se derretia aos elogios do Itachi, enquanto o pai deles não tirava os olhos do seu decote, e a mãe Uchiha se revirava de tanta raiva.

—... Por que a Ino, sim, era uma moça decente, de família, elegante, que sabia se comportar em público. Mas hoje em dia os jovens gostam de se exibir, se mostrar. Não entendo isso! Que necessidade se tem disso? — ela resmungava, enquanto triturava uma folha de alface no seu prato — Na minha época, não se mostrava nem o umbigo! Mas hoje, quanto mais se mostram, parece que mais gostam.

— Viva a liberdade de expressão, não é mesmo? — Karin a alfinetou.

— Mas o que diabos vocês estão expressando sem roupas? Que têm orgulho de serem exibicionistas? — a senhora Uchiha argumentou — Umas vadias!

— Orgulho de poder ser quem eu quero ser! — minha amiga rebateu.

— Você quer ser uma vadiazinha exibicionista?

— Eu quero ser uma pessoa que tem liberdade para fazer o que quer fazer, sem dar satisfações à gente retrógrada, sabe?!

Elas continuaram a bater boca, discutindo questões sobre moralidades, feminismo versus machismo, ideologias impregnadas no pensamento da sociedade, enquanto eu me ocupava em agradar ao Sasuke, fazendo ele provar o vinho que eu estava bebericando (por que ele preferiu não ingerir álcool àquela noite), e a minha salada de alface com queijo ralado e um molho diferente com mostarda e orégano — já que tínhamos pratos diferentes.

— Sabe, eu nunca pensei mesmo que pudesse gostar tanto de uma salada, quanto estou gostando desta. Acho que eles capricharam no cardápio mesmo, ou trocaram de cozinheiro. Ou talvez trocaram de fornecedores, sei lá. O seu prato está bom também? — perguntei, inocentemente.

Ele ficou me encarando com aquele jeito desconfiado, mastigando lentamente, quase como uma vaca pastando, com aquele olhar de paisagem, distraído com os próprios pensamentos.

— Uhum. — murmurou — Acho que vou chamar o garçom aquele, para dar inicio ao nosso esquema, sabe? — sugeriu.

— Mas já?

— Já. — sorriu, forçosamente.

Discretamente, ele se levantou da mesa e foi até o balcão mais ao fundo do salão, e voltou com alguns sachês de tempero para disfarçar o que tinha ido fazer. Enquanto isso, cutuquei a Karin para que ficasse em alerta.

O plano era bem simples, e deveria ter dado certo se não fosse pelo maldito Itachi. Infelizmente, no meio de toda essa reviravolta, não prestamos atenção a ele, que bebia todas sem parar enquanto a Karin discutia com a senhora Uchiha, e eu me ocupava com o Sasuke, de modo que, de repente, assim, sem mais nem menos, se exaltou no meio da confusão.

Foi tudo mais ou menos assim, oh: o tal do garçom, de fato, veio de mansinho, meio tímido, poucos minutos depois que o Sasuke voltou para a mesa.

— Desculpe a intromissão, mas recebemos uma chamada para a senhora Sakura, de um rapaz. Ele parece bastante nervoso, dizendo coisas estranhas. — disse o garçom.

— Que coisas estranhas? — a mãe deles indagou, num tom meio preocupado com curioso. E eu me preocupei também, por que era para o cara apenas ter dito que havia alguém me procurando, e nada mais que abrisse outras brechas que pudesse por o meu plano por água abaixo.

— Ahm, bem, ele disse que se continuasse a ignorá-lo, ele daria um jeito de fazer com que todos soubessem sobre o que aconteceu... — ele disse, num tom insinuante, olhando acusatoriamente para mim.

Engoli a seco, quando ela, seu marido e o Itachi me olharam desconfiados. Então, cutuquei a Karin mais uma vez, por baixo da mesa, fazendo um discreto sinal para que se “antenasse” ao meu próximo passo.

— Me desculpe, mas ele deixou um nome? — perguntei.

— Ah, sim, disse que é Naruto. — disse o garçom.

— Naruto? — indaguei, incrédula e surpresa.

Mas ao olhar para o Sasuke, ele deu de ombros como quem diz que não havia pensado em outro nome melhor para usar no plano, e revirei os olhos. Mas até aí, estava tudo indo muito melhor do que o planejado, na verdade, pois a Karin poderia se impor dizendo que era o primo idiota dela querendo falar com ela, e que aquilo tudo não passava de um grande engano — ou seja, eu não estava traindo ninguém.

Mas foi então que o Itachi atrapalhou tudo, batendo na mesa e chamando a atenção de todos.

—Ahahaha! Sasuke, você é um filho da puta sortudo do caralho, mas que sempre consegue arruinar tudo, não é mesmo? — de repente, todo mundo olhava para o cabeludo.

— Huh?

— Você já teve a melhor mulher do planeta nas mãos, mas era tão egocêntrico e idiota, que a deixou escapar pelos dedos pela sua incompetência! — acusou.

— Eu diria que foi você quem fez questão de tomá-la das minhas mãos, Itachi...

— Ai, meu santo Deus! — disse a senhora Uchiha, se abanando com o guardanapo — Tudo outra vez?

— Não, não, não... Eu estava apenas pegando de volta o que era meu, não se esqueça. — retrucou o filho mais velho, enquanto eu e a Karin nos acomodávamos melhor em nossas cadeiras, de ouvidos atentos — Mas se você não fosse tão cego, ela não teria feito o que fez. A culpa é sua, e o mesmo está para acontecer de novo, por sua falta de capacidade de prestar atenção a sua volta, porque está sempre ocupado e concentrado demais no seu mudinho de faz-de-conta-que-é-feliz-com-o-que-tem.

— Não dá pra esquecer isso de uma vez, Itachi? — indagou o senhor Uchiha, enquanto sua esposa já se preparava para ir embora, alegando não poder mais aturar aquela discussão.

— Não, não dá para esquecer, pai, por que eu não tenho nada, e esse idiota continua fazendo as mesmas merdas de sempre... Desperdiçando e desdenhando o que tem.

— Do que diabos você está falando? — Sasuke indagou — Você é que sempre teve tudo de mãos beijadas na vida, enquanto eu suava para conseguir trabalhar em alguma coisa, por que o pai sequer considerou em me conceder um espaço naquela sala!

— Sasuke! — o senhor Uchiha resmungou — Já expliquei o que houve!

Mas a senhora Uchiha o puxou, dizendo que não adiantava mais tentar argumentar nada quando eles começavam a brigar, sobrando, inclusive, para eu e a Karin aconselhamentos para irmos embora, pois os dois discutiriam eternamente sobre aquele assunto.

— Não, pai, tudo o que ouvi até agora foi um monte de blábláblá sem sentido, que não explica nada! — Sasuke rebateu. Mas o senhor e senhora Uchiha já tinha lhes dado as costas, de modo que ele voltou a se concentrar no seu irmão — E você é um babaca que reclama de boca cheia! Um baita filhinho de papai, mimado, que não sabe perder, e joga sujo para satisfazer os seus desejos egoístas! — comecei a desconfiar de que o Sasuke tivesse baixa tolerância ao álcool, pois havia bebido apenas duas taças minhas, e já parecia um tanto alterado.

— Ele é tão puro quanto uma criança de seis anos, que não come carne por medo de ser assassino dos animais, e ficar bêbado com alguns goles de vinho! — resmunguei para Karin, que deu uma risadinha enquanto continuávamos a observá-los.

— Retire o que disse, seu imbecil! — Itachi, de repente, parecia furioso, chegando a bater na mesa, chamando a atenção de todos os fregueses do restaurante — Por que se o pai me deu a sua posição naquela empresa, foi por que eu tenho competência e maturidade suficiente para liderar uma organização como aquela! Você sempre foi o imaturo, desligado, que só quer saber de fazer festa e sair por aí para se divertir, deixando as coisas sérias nas minhas costas! Você nunca tomou responsabilidade por nada, e foi justamente por suas inconseqüências que a Ino lhe pôr esse belo par de chifres, e muito bem colocados! Admita, Sasuke, eu sou melhor em tudo o que você não faz, e por isso a Sakura abriu as pernas pra mim, e qualquer mulher que você tenha vai fazer o mesmo, por que eu sou o melhor!

Obviamente, o problema não era apenas sobre infidelidade, chifres e quem tirou quem de quem. O problema ia mais fundo na relação entre eles, coisas sobre o passado dos dois que eu desconhecia. Mas até aí, tudo bem, por que eu estranharia se eles não tivessem problema algum, na verdade. Afinal, qual família não entra em conflitos de vez em quando? Mas comecei a me sentir esquisita com relação a tudo o que o Itachi dizia, sem saber de quem eu deveria tomar lados, por que ambos tinham questões a serem resolvidas. Pois o que estava realmente me incomodando era o modo como o Itachi estava me usando para manipular seu problema com o Sasuke, dizendo coisas que não condiziam com a realidade.

— E você só pode ser um imbecil de quinta categoria, com uma filosofia de merda, que acha que engana alguém com esse papo de que a culpa nunca é sua, porque, na verdade, você é um covarde, que não admite porra nenhuma! Eu me nego a dizer que é um esperto ao inventar essa lorota toda de que a culpa é sempre delas, quando você não está enganando a ninguém, a não ser a si mesmo por invejar o que os outros tem, por que VOCÊ é o incompetente por não conseguir manter uma relação verdadeira, saudável e duradoura com alguém! — Sasuke replicou.

— Essa história está começando a ficar piegas. — Karin resmungou no meu ouvido, bebendo mais um gole do seu vinho, enquanto continuava com a sua refeição.

— Ah, é mesmo? Então me diga, Sakura, Karin, alguma vez eu as obriguei a alguma coisa? — o cabeludo filho da mãe, nos perguntou — Obriguei? Digam, digam! Alguma vez forcei vocês a fazer qualquer coisa?

Mas nenhuma de nós respondeu, nos limitando a desviar o olhar para o prato.

E eu ainda olhei para o Sasuke, com aquela estranha sensação no estômago, por que ele tinha fixado o olhar no irmão num misto de ódio e frustração.

— Está bem, Itachi, você quer ela? Fique com ela! Ela é toda sua! — e então, de repente, Sasuke arrastou a cadeira meio brutalmente, e foi marchando até a saída do restaurante.

— Vai atrás, dele, sua múmia! — Karin me disse — Pode deixar que eu puxo a orelha do nosso chefe aqui!

— Tsc! Ele tem o que merece! — Itachi resmungou, pegando sua taça de vinho, mas a ruiva a tomou das mãos dele.

— O mesmo para você, babaca! E chega de bebida! — ela ainda disse.

Então, peguei minha bolsa, e saí correndo atrás do senhor Sofrido, o Mártir. Tive que apertar os passos, pois ele já andava bem adiante, atravessando a rua sem olhar para os lados. Ele já entrava num taxi quando finalmente o alcancei, e consegui entrar e sentar ao lado dele e fechar a porta a tempo.

Ele mesmo deu instruções ao motorista para que fosse para o apartamento, e enquanto o carro seguia pelas ruas, eu o observava. Sasuke olhava pela janela, como se eu não estivesse ali, e eu tentava bolar algo inteligente ou engraçado para dizer, mas qualquer coisa que saísse da minha boca só soaria estúpido, então, continuei calada até chegarmos em casa.

Ele foi direto para o banheiro, lavar aquela noite com uma ducha quente, enquanto eu preparava um café forte para bebermos, prevendo que ele pudesse se sentir enjoado, já que não estava acostumado a beber.

Mas quando saiu do chuveiro, mesmo de cabelos molhados, Sasuke pulou no sofá se acomodando para dormir, sem dizer nada, encarando a parede para não ter que me olhar.

Suspirei. Com as duas canecas cheias de café, sentei ao lado dele.

— Como filha única, tomei a pior educação que uma mãe super-protetora e inexperiente poderia ter dado a sua filha... Ela me prendia em casa, com medo de me deixar brincar na casa dos vizinhos por que temia que algum deles, secretamente, pudesse ser um molestador, ou qualquer merda parecida. Eu também não podia brincar na rua, sem a supervisão dela, por que morria de medo que alguém me levasse, ou qualquer merda parecida... E quando me tornei uma adolescente, já acostumada com as quatro paredes do meu quarto, não conseguia fazer muitas amizades, de modo que não me socializava com muitas pessoas. E quando me dei conta, havia me tornado essa adulta estranha, individualista, que não se importa com nada, por que, de alguma forma, acho que ninguém se importa com ninguém, a não ser ele mesmo, já que ninguém nunca se prestou a me perguntar como eu me sentia... E eu sei que estou sendo meio extremista, que nem todo mundo é igual, mas isso meio que se tornou o meu mecanismo de defesa, entende?

— Não me interessa. — ele resmungou como uma criança birrenta, magoado por ter sido contrariado.

— E não me interessa se você se interessa ou não. — dei um tapa na cabeça dele, como punição — É a primeira vez que eu conto isso para alguém, então, respeite este momento único da minha vida, e me ouça, ok?! — como ele manteve-se em silêncio, continuei com o que dizia — Não estou tentando me justificar, nem colocar a culpa em alguém pelo que me tornei. É claro que eu tenho culpa, por que fui eu quem me deixei me tornar nisso o que sou. Eu sei que as pessoas são moldadas pelo meio externo, mas sei também que elas têm consciência pelos seus atos. De um jeito, ou de outro, pelo menos.

Ele pigarreou, e finalmente se virou para me encarar, sentando no sofá. Com o cenho contraído em seriedade, ele tomou uma das xícaras em minhas mãos, e me encarou.

— Então o que é que você está querendo me dizer? — perguntou.

— Sei lá. — dei de ombros.

— Hein? Sério?

— Heheh... Sério.

— Você é idiota?

— É, eu sei, eu sou idiota. Muito idiota.

Ele bufou, concordando comigo, enquanto tomava um gole do café.

— Me desculpe por ter a pior personalidade do mundo. — acrescentei — Mas nada do que eu fiz, foi de propósito para te magoar, Sasuke...

— Hum...

— Eu não sabia que você era esse bebê chorão!

Ele me lançou um olhar de quem diz “você quer morrer”? Mas tive que sorrir, surpresa comigo mesma pela franqueza com que eu estava conseguindo encarar aquilo tudo. Pela primeira vez, me senti realmente uma adulta, e senti orgulho de mim mesma. Eu acho.

— Eu só... — resmunguei, mais para mim mesma do que qualquer outra pessoa — Não sei como agir como uma pessoa normal, eu acho.

— É, eu entendo que essa é a primeira vez que você se casa, e não está acostumada a dividir um teto com um homem, mas é senso comum que não se deve trair o marido, sabe?

— Mas é um casamento arranjado! Não há sentimento algum envolvido nisso, por Deus... — ele desviou o olhar para a sua xícara, meio emburrado, e eu desconfiei — Há?

Ele tomava um gole do seu café, de modo que se engasgou com o líquido, chegando a expelir o café pelas narinas, inclusive.

— Tsc! Não seja ridícula, é claro que não! De jeito algum! Como é que eu poderia sentir qualquer merda por você, em tão pouco tempo? Não se já ridícula! Passamos muito pouco tempo juntos para isso! É uma coisa lógica! Como pôde pensar numa besteira dessas? Imagina! Você e eu somos muito diferentes! Não há como! Hahah. É ridículo, inconcebível. Sem cabimento algum. Não faz sentido algum, entendeu? Não. É claro que não. De jeito algum. Não sou uma criança por cair de quatro por qualquer uma... Quero dizer, não que eu esteja dizendo que você é qualquer uma, claro que não. É só que não faz sentido isso, entendeu? É uma suposição muito absurda... Heheh... É ridículo.

A pulga coçou atrás da orelha.

— Você não acha que está negando demais, não? — murmurei, sem saber o que pensar a respeito. Se o cara estava zoando com a minha cara, me desdenhando, ou se o problema era outro.

Mas ele bufou, jogando seu travesseiro na minha cara (por sorte, a minha xícara já estava vazia) me escorraçando do meu próprio sofá.

— Vai dormir, Sakura, vai, que amanhã eu tenho que acordar cedo para um serviço.

— Tá, tá... Já estou indo! — resmunguei, entrando no meu quarto.

Notas finais
E aí, algum comentário? Este cap saiu um pouco mais sério, mas acredito que seja necessário para a evolução do relacionamento/sentimentos entre eles. :) espero que tenham gostado, mesmo assim T_T aceito críticas, sugestões, pedradas, ovadas...