Contradições
22 Sofá
Notas iniciais
Contradições
by Amanur
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22
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O ser humano é um bixo estranho. Bastam algumas palavras ditas (e corretas) para apaziguar todo o sentimento ruim que guardamos. Alguns dias se passaram tranquilamente. Parecia que eu e o Sasuke não tínhamos mais problema algum a resolver. Era como se a bandeira branca tivesse sido erguida e a declaração de guerra cessado. E quando me dei conta, eu estava tratando ele como se realmente fosse o meu marido.
— Quantas vezes vou ter que dizer para você não esquecer de abaixar a tampa do sanitário, quando for dar a descarga? — eu resmungava — E você deixou outra vez a sua cueca pendurada no chuveiro!
— E você, que deixou o seu absorvente aberto, pra fora da lixeira?!
— Ops.
Outro dia, eu e ele fomos até ao cinema! Comemos pipoca, um pacotinho de MM’S e dividimos uma latinha de refrigerante, inclusive. Tivemos momentos produtivos e satisfatórios, no que diz respeito a nossa aproximação — por mais estranho que seja dizer isso, porque a Karin insistia em dizer que ele não estava comigo apenas pelo dinheiro. Então, comecei a olhar para ele de outra forma. E quando me dei conta, outra vez, eu estava me produzindo na frente do espelho, pela manhã, só para atravessar a sala, e ainda ficava nervosa toda vez que me sentava com ele no sofá para assistirmos algum programa, ou filme, no pequeno aparelho de tv que ele comprou depois.
Numa dessas, sem querer, ele parou num canal em que passava um filme que eu nunca tinha visto.
— Ah, eu já visse esse filme... — ele resmungou.
— É bom? — perguntei.
— Não fede nem cheira.
— Tem outra coisa melhor para vermos?
Ele passou por mais alguns canais, rapidamente. Parou num programa de variedades em que havia várias mulheres gostosonas dançando sensualmente de micro shorts, e ficou ali babando naquilo.
Aí, meio irritada, por que eu não tinha necessidade em olhar para bundas e pernas sendo lançadas para todos os lados, tomei o controle das mãos dele.
— É, não temos. Vamos ver o filme, então. — sugeri, meio de sopetão mesmo.
Ele soltou um risinho sarcástico que fingi não ter visto. O filme já devia estar quase no final, de modo que o clímax dele era uma cena de sexo entre os protagonistas. Como já éramos adultos e experientes naquele quesito, não havia necessidade para constrangimentos. Mas me lembrei da vez em que ele me humilhou sem dó nem piedade, embora que não exatamente deste aspecto dos fatos, mas sim da cena cheia de fogo e desejos em que protagonizamos, se é que me entende. Bem, lembrei do corpo do diabo, daqueles ombros, daquelas pernas, daquele peitoril e aqueles braços fortes, e, claro, do dito cujo que não precisa ser dito...
E, bem, foi aí, sim, que comecei a me sentir um tanto desconfortável ao lado dele, com todos aqueles pensamentos calorosos. E estava frio, era noite, dividíamos um cobertor... Me aproximei, meio de mansinho, como quem não quer nada. Mas ao olhar para ele, vi que Sasuke parecia completamente à vontade, despreocupado. Talvez até meio entediado.
— Tsc, que cena tosca, o cara mal chupa aqueles peitinhos. — resmungou, jogando as pernas para cima do sofá — Essas cenas de sexo que metem nos filmes são um lixo.
— Uhum. — murmurei, concordando.
— Não mostram nada da realidade! É tudo muito romantizado.
— É mesmo.
— Sexo de verdade não é assim. Nem entre dois namorados virgens!
— Olha, a minha primeira vez não foi muito diferente, não. — resmunguei, pensando sobre o assunto.
— Sério? Ou o cara era um broxa, ou nunca bateu uma olhando um vídeo pornô! Tô dizendo, eles são educativos! Digo, os vídeos pornôs. Como é que foi a sua primeira vez? — perguntou, meio curioso, de repente. E isso me pegou meio desprevenida.
— Ah, foi sem graça. — dei de ombros — Eu tinha dezoito anos...
— Você perdeu a virgindade com dezoito? Conta outra!
— Qual o problema? Desde quando as pessoas têm a obrigação de perder sua virgindade com treze anos?
— Não estou falando das outras pessoas, estou falando de você, mas tudo bem, continue.
Olhei para ele meio irritada, insatisfeita com sua resposta.
— O que foi? Ah, fala sério! É só que me soa estranho que uma garota com a vida sexual bastante ativa, e que não tem problema algum em vestir um vestido que mal cabe no corpo e completamente transparente, tenha perdido a virgindade com dezoito anos!
— Isso, na verdade, é algo muito triste. Esses pré-conceitos e pré-julgamentos que as pessoas fazem com base em tão poucos dados... Você não me conhece para dizer isso! Você não ouviu quando eu disse que nunca fui uma criança extrovertida?
— Tá bom, tá bom, me desculpe. — ele resmunga, revirando os olhos. Aí, sua atenção volta para o filme, e ele ri da cena que passava na tela — Hahaha, olha isso! O cara com uma gata gostosa dessas embaixo dele, ao invés de comer ela por trás, beija a testa dela! Só em filmes mesmo.
— Uhum... — resmunguei, meio contrariada.
— Tá, e aí, como foi a sua primeira vez? — insistiu.
— Bom, como eu ia dizendo... Eu tinha dezoito, e o cara vinte. Estávamos no meu quarto, aos amassos...
— Como era o cara? — quis saber.
— Ah, não era grandes coisa. Ele beijava muito bem, no entanto... Enfim, beijo vai, beijo vem, quando vi, ele já estava com a mão nos meus seios... Tiramos a roupa, meio desajeitados, e ele veio por cima de mim...
— Ele tinha vinte anos, e foi “meio desajeitado”? Era um bocó.
— Essa palavra ainda existe? — ele revirou os olhos — Bom, foi isso. Papai e mamãe, por dez minutos.
— Dez minutos? Hahahahahaha.
Aí, fui eu quem revirou os olhos.
— Ui, gostoso. — debochei (sem debochar, porque o filho da mãe era mesmo gostoso) — Como foi a sua primeira vez?
— A minha? — ele indagou, meio pensativo — Bom, eu tinha quinze anos, e fui muito melhor do que o seu panaca de vinte anos.
— Outra palavrinha jurássica. Que meigo.
— Mas confesso que o primeiro movimento foi dela, realmente. A gente estava na casa de praia dos pais dela. Ela era minha vizinha e os velhos dela não estavam, então ela me chamou para fazer companhia a ela. Daí fomos pro quarto dela, rolou o clima e quando me dei conta, ela estava puxando a minha mão pra cima do seio dela. Isso era um sinal bastante óbvio do que queria, né?! Então, a agarrei, a joguei no colchão, tirei a calça dela, fiz oral nela...
— Mentira! Nenhum cara faz oral na primeira vez!
— Eu fiz, ué. — ele deu de ombros, mas desconfiei que estivesse mentindo pra se passar de bonzão — Estou te dizendo, eu via muito filme pornô. Enfim, chupei a garota até ficar bem molhada, tirei a minha calça, por que ela já estava sem blusa também... Aí fui para os seios dela...
O pior era estar ali, ao lado dele, compartilhando o calor do cobertor com ele, vendo aquela boca maravilhosa se mover, contando aquela historia de sacanagem, imaginando ele fazer tudo aquilo em mim, sem realmente fazer...
De repente, senti vontade de pular da janela.
—... E, claro, meti de vagar, pra não machucar a menina. Mas depois que eu vi que ela já estava mais tranqüila, fui mais rápido, e sugeri a ela que ficasse de quatro para mim, para eu meter por trás...
— Que grosso!
— Não! Eu fui carinhoso com ela, sim... — ele resmungou, coçando a cabeça.
— Você gostava dela?
Ele suspirou.
— Bom, na época eu pensava que sim... Mas pensando melhor agora, acho que não passava de paixão adolescente, curioso a respeito do sexo, sabe?
— Sei...
— Eu fui um adolescente meio babaca, que só pensava nisso.
— Imagino...
— Tive uma vida sexual bem ativa, depois da primeira vez.
— Hummm...
— Engraçado, por que agora já faz um tempo desde a última vez que transei. — murmurou, meio pensativo.
— Que coisa...
Aí, ficamos nos encarando. Olho no olho, com os braços se tocando, ouvindo os gemidos dos atores transando na tela, e nós ali, feito dois bocós (como ele diria), enquanto a tensão sexual ia crescendo entre nós dois. Sasuke não olhava mais para os meus olhos, mas sim para os meus lábios, e eu também encarava os seus. Aquela boca sexy, bem desenhada, deliciosa. Amaldiçoadamente apetitosa, como a fruta proibida.
A injustiça do que é bom, mas faz mal.
Por que o diabo era tão lindo quanto o anjo que caiu na Terra. A tentação das tentações.
E foi estranho perceber aquilo.
Mas, então, ele desviou o olhar, e eu suspirei resignada com o gosto de derrota na boca, olhando para a estampa floral do meu cobertor, pesando: “e lá se foi a chance”. Talvez a Karin fosse mesmo uma bêbada. Não havia como ele sentir nada por mim. Era capaz de ele sequer sentir raiva de mim, de tão insignificante que eu deveria ser a ele...
No entanto, de repente, ele avança, agarra a minha cabeça e tasca um beijo de língua em mim, e eu me agarro a ele com unhas e dentes porque eu precisava daquele pedaço de mau caminho a todo custo, de modo que até pulei para o colo dele como quem pretende marcar território.
Ele me encheu de beijos, chupou meus lábios, meu queixo, e foi descendo pelo pescoço como se saboreasse uma fruta. Eu fechei meus olhos, apenas pelo prazer de sentir seus lábios quentes e macios sobre a minha pele, enquanto aquele calor eletrizante percorria pelo meu corpo, naquela mistura de desejo, libido e ansiedade.
Alcancei seu rosto, e afundei meus dedos em seus cabelos macios, mas, de repente, ele puxou meu rosto para beijá-lo, e, enquanto isso, enfiou as mãos por baixo da minha camisa para desabotoar meu sutiã. Tirou a peça por dentro da camisa mesmo, puxando-a por dentro. Continuei com a camisa, no entanto.
Ele a puxou para trás, fazendo-a colar no corpo. Me arrepiei da cabeça aos pés, fazendo com que meus mamilos se enrijecessem. Aí, com as pontas dos dentes, mordiscou o bico rígido, por cima do tecido mesmo, me fazendo estremecer. Ele mordiscava e passava a língua, me olhando com aquele olhar sexy, provocativo, fazendo minhas pernas se derreterem.
Aí, coloquei as mãos em suas costas, passando as unhas sobre sua camisa, enquanto ele levantava a minha, aos poucos, até lhe revelar a curva dos seios e ele as lamber, provocando um novo arrepio. Em seguida, com as pontas dos dedos (indicador e polegar), ele os beliscou. Beliscou, puxou e massageou. Comecei a rebolar o quadril sobre suas pernas, enquanto ele pulava para o meu pescoço, novamente, e apertava as minhas coxas e bunda.
— Humm. — gemi, deixando a cabeça cair sobre o seu ombro, encostando os meus seios contra o peito dele, enquanto ele deslizava as mãos em minhas costas.
Mordisquei a sua orelha, e ele puxou os meus cabelos, de leve, me puxando para trás, de modo que meus seios pareciam ainda mais expostos. Então, ele subiu toda minha camisa, e se pôs a chupá-los entre estalidos.
Senti que algo se movia por baixo do cobertor e, espiando, vi que ele se masturbava. Seu membro estava rígido, grosso e ereto, apontado para cima. Mas quando fiz menção em tocá-lo, ele agarrou minhas mãos, as colocando em minhas costas, e ficou me prendendo ali, naquela posição. Eu estava completamente submissa a ele.
— Vou te fazer gozar só chupando os teus peitos! — ele murmurou.
Eu soltei uma risadinha desdenhosa por que achei aquilo meio estranho, mas, de fato, eu era bastante sensível naquela área. E ele sabia das coisas. Ele sabia muito bem quando aplicar mais força, e quando passar suavemente a língua sobre os meus bicos rígidos.
O meio das minhas pernas deviam estar gotejantes, de tanto tesão. Observar os lábios dele em meus seios era uma tentação enorme. Ele não tinha pressa alguma, o que me deixava ainda mais louca. Cada vez mais, eu rebolava com mais firmeza entre as pernas dele, esfregando minha vagina nele, enquanto a outra mão dele continuava a se masturbar. Achei que fosse explodir de tanto desejo.
Mas ele apenas estava começando.
De repente, ele me joga para o lado, no sofá. Caí deitada de barriga para cima. Ele se levantou, tirou a camisa que cobria aquele peito maravilhoso, deixando os cabelos bagunçados caírem sobre o seu rosto de um jeito injustamente sexy. Em seguida, se deitou sobre o meu corpo, arranhei suas costas encravando as unhas, e gemi em seu ouvido outra vez.
— Sua gostosa do caralho! — ele sussurrou no meu ouvido. Era incrível o poder que aquilo tinha de elevar a minha auto-estima.
Então, abracei a cintura dele com as minhas pernas, e ele prendeu minhas mãos na altura da minha cabeça, contra o sofá, enquanto ele se encolhia chupando os meus peitos.
Seus chupões eram cheios de ruídos, e eu estava indo a loucura.
— Sasuke, seu filho da puta, meta logo em mim.
— Não! — eu queria xingar ele, mandar ele à puta que pariu, mas ao mesmo tempo eu sabia que se parasse com o que estávamos fazendo, se quebrasse aquele clima, eu me arrependeria amargamente.
Por que ele chupava muito bem.
Tão bem, que eu estava começando a sentir tremuras do corpo. Eu revirava os olhos, meu corpo ardia em calor e anseio pelo sexo. Eu me contorcia toda. Ou tentava, por que o peso do seu corpo me imobilizava. E tinha aquele pau grosso contra as minhas pernas, me enchendo de tentação — e eu tinha certeza de que ele tinha consciência disso. Ele continuava a esfregá-lo contra a minha pele, enquanto eu implorava silenciosamente por ele dentro de mim entre gemidas e arfadas.
Aí, senti aquele calor entre as pernas. Em seguida veio aquela sensação de prazer que anestesia o corpo todo, e só pensamos naquilo. Meu corpo todo estremeceu em pequenos choques elétricos. Gemi mais alto e me contorci com mais força embaixo dele. Gemi em seu ouvido para que ficasse com o peso na consciência por não ter metido em mim.
Em seguida, ele se levantou e saiu correndo para o banheiro com o pau duro nas mãos, onde se trancou por uns quinze minutos. Nem preciso dizer para quê, não é mesmo? Mas quando ele voltou para a sala, eu já estava deitada na minha cama, fechada no meu quarto, embaixo das minhas cobertas com aquela sensação estranha, um mix de satisfação com frustração.
Foi bom. Muito bom.
Mas, olha, poderia ter sido melhor. Muito melhor!
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