Notas iniciais
feliz festas meus amigos leitores que nem mesmo nessa correria de fim de ano deixam de praticar a boa leitura, sem mais delongas boa leitura pra vocês

O pássaro voou, e lá estava eu novamente para o ver, olho aquela cena estranhamente surpreso, olho para os lados rapidamente, alguém mais vira aquilo? Alguém mais percebeu minha surpresa? Em hipótese nenhuma poderia aceitar que me vissem nessa situação. O que pensariam de mim? Como uma pessoa poderia ficar surpreso com o voo de um simples pássaro? Ainda mais sendo provavelmente um pestilento pombo!

Quantas vezes havia visto aquilo? Quantas vezes estive caminhando por aquela avenida, cuidando de negócios que julgava eu importantes. Enquanto o pássaro voava alto, por cima de minha cabeça ocupada, como se zombasse de minhas prioridades, mas se por alia ele e seus iguais passaram tantas vezes então porque somente agora aquela visão me sensibilizara?

Talvez tenha sido aquele soldado que morrera na luta pela liberdade de um povo que nem ao menos era seu. Talvez tenha sido o fato de só agora ter percebido que a gravata nada mais era do que uma coleira que nos prendia ao emprego. O valor da palavra liberdade agora estava desnudo aos meus olhos.

Naquele momento engoli em seco, há quanto tempo as pessoas morriam por palavras que não entendia. Por ideais que na verdade não existiam e o que dizer daqueles que pior que morrer na ilusão, se matavam nela, não acabando com a própria vida. Pior ainda, não faziam algo contra a própria vida, se matavam pelo simples fato de não viver a vida plenamente, com esses pensamentos me sento com as mãos no rosto em sinal de desesperada rendição. Não sinto meu corpo, porque não podemos morrer por coisas que existam?

Olho o pássaro enquanto ele se tornava apenas um ponto negro que pousava na ponte.

– não! Não! Você pode ser livre, então por que esta ai se prendendo na ponte? Porque não voa pássaro inútil? — grito para o pássaro, se ele ouviu nada demonstrou porem a senhora que passava com a filha se afastou assustada, eu teria falado que não era louco, porem começava a não acreditar nessa teoria, minha única certeza e que eu iria fazer aquele passo voar. Voar para longe de todo aquele lixo.

Corro para a ponte, uma corrida louca, desesperada, com os olhos fixos no ponto que a cada passo tomava uma forma mais definida esbarro em pessoas, não que isso realmente importasse, pois tudo que eu sabia era que faria ser livre de novo.

Chego a ponte sem folego, lá estava o pássaro, parado no parapeito da ponte, sem se importar comigo ou qualquer outra pessoa paro ao seu lado sem qualquer gesto de ação do animal.

– porque você despreza a liberdade que possui? Porque não voa?! Ah se eu fosse um pássaro, eu voaria pela eternidade e, além disso — como resposta o pássaro me encarou e voltou o olhar para o horizonte, o sol se punha para todos, principalmente para mim.

Olho em volta, uma garota de pele alva e traços belos, vestida em um delicado vestido negro me encara com um cálido sorriso, sorrio de volta, pois naquele momento entendo que o pássaro e o soldado queriam me dizer, olho para baixo, para dentro do abismo entre mim e o rio e então o abismo olhou para mim, sim, agora entendo, pulo o parapeito sem hesitar, eu olho para o pássaro, ele olha através de mim.

Ouço gritos enquanto pulo, eu não vi porem senti dentro de mim com grande alegria que o pássaro finalmente voou realmente livre.