Contos nunca contados
5 Senhor Anjo
Era uma vez, não faz muito tempo, em uma pequena e pacifica cidade cujo nome já não lembro mais onde vivia uma garota cujo nome não mais ouso pronunciar. Ela como tantas crianças de sua idade adorava ir ao parque e por isso naquela manha de domingo mais precisamente as 7 da manhã lá se foram as duas, criança e babá para lá, como se pode esperar naquela hora não haviam muitas pessoas no local. Não que a babá ou a criança realmente se importassem com esse fato, na verdade as duas gostavam da tranqüilidade do parque vazio.
Como ambas estavam acostumadas, enquanto a babá procurava um banco que não fora atingido pelas gotas do sereno para poder terminar o romance que tão avidamente lia, a criança por sua vez partia para o balanço, ela gostava de sentir a areia enquanto se balançava. Porem dessa vez algo roubo-lhe a atenção. A alguns metros de distancia, sentado em um banco havia um estranho personagem.
A jovem com um perdoável medo foi ate sua protetora e enquanto apontava para o banco tentava descrever como a capa dele era assustadoramente escura ou como suas asas eram de um branco que refletia maravilhosas cores. E quando falou do longo cajado que ele possuía em mãos a babá sorriu compreensiva e cocou sua bochecha com ternura disse-lhe para esquecer, pois como ela não via não era real e a mandando brincar voltou a mergulhar nas paginas de seu livro esquecendo a criança.
Após alguns segundos de indecisão nossa pequena heroína caminhou em direção ao estranho, ela andou silenciosamente, o ser ainda sentado com o negro manto cobrido-lhe o semblante continuava com o cajado em mãos, parecia resoluto em meditação, as asas alvas o chão tocava sem por isso macular-se, com toda a curiosidade a menina tocou-lhe as penas.
O ser recuo ao toque, virou-se e viu um rosto belo e infantil a encará-lo.
– Desculpa senhor se te assustei — disse a pequena de meiga voz, ela tentava em vão enxergar dentro do capuz
– me... Assustar...? — repetiu ele com confusão na voz que diferente da voz da pequena a dele era ressecada pela dor e a eternidade — quem é você jovem filha de adão
– senhor anjo, meu pai não se chama adão — disse a pequena docemente
– porque me chama anjo minha criança? — disse ele ainda confuso
– porque apenas os anjos têm asas — disse ela apalpando a penugem macia — e o senhor tem asas!
– um anjo... — disse ele pensativo — sim! Sou realmente um anjo
– senhor — disse ela alheia aos olhares curiosos que sua babá lhe dedicava a distancia "que imaginação!" exclamou ela quando a menina apontou para um senhor que perto da li estava, porem o que a menina falou não chegou aos seus ouvidos — toda vez que venho brincar aquele homem esta ali sentado. Tão triste senhor, o senhor poderia ajudá-lo?
– sim... — disse ele a curiosa criança — é por ele que estou aqui minha pequena... Ele senta ali, pois nada mais resta a fazer alem disso, ele espera alguém que não virá, porem estou aqui para junta-los novamente.
– os dois se encararam, ele então tocou o rosto rosado dela com a ponta dos dedos ossudos.
– senhor anjo... — o senhor é bom — disse a menina, o toque dele era frio porem ela não o evitou.
– Vamos! — chamou a babá que agora estava em pé.
– já? — respondeu a garotinha olhando para o anjo invisível
– sim, sua mãe me ligou, precisamos voltar logo
– tenho que ir... — disse a garota triste
– não se preocupe pequena valente, nos veremos em breve.
A garota sorriu e acenou para ele que estranhamente acenou de volta, ela então se pôs a correr para a babá, ambas se colocaram a andar de mãos dadas, a menina ainda se virou a tempo de ver o anjo de pé ele era alto e estava escorado em seu cajado, daquela distancia ele lembrava alguém triste, sozinho e que odiava o que fazia.
Durante um tempo considerável eles não se encontraram porem nenhum dos dois esqueceu-se do ocorrido, a criança não soubera porem naquele mesmo dia do encontro uma pessoa morrera no parque por causa de um ataque cardíaco.
Entretanto, tudo isso se perdeu em lembranças quando a pobre criança cairá doente, uma doença forte e maligna que para o desespero dos pais não havia cura conhecida. De manhã ela era acometida por tristes dores e a noite dormia um sono agitado, contudo naquela noite ela acordou subitamente.
– senhor anjo? — a pequena falou com a voz enfraquecida pelo sono e a doença.
– sim minha querida — disse ele ao sair das sombras e se juntar a ela ao lado da cama, tocar os cachos de cabelo e acariciar o rosto abatido.
– o senhor venho me visitar? — ela disse segurando carinhosamente a mão dele
– sim, eu vim — seu tom de voz era triste e ansioso.
– — senti saudade do senhor, aqui dentro não tenho amigos... É muito triste aqui — ela falou com os grandes olhos encarando o vazio que havia dentro do capuz — o senhor é meu amigo não é?
– eu sou sim, vejo que vim em boa hora — ele colocou-se em pé — vim para ajuda — lá
– como assim senhor anjo? — ela questionou
– estou aqui para tirá-la desse lugar, irei livra — lá dessa dor e por fim você poderá ficar comigo, como minha amiga por quanto tempo quiser — disse ele cheio de delicadeza.
– mas e papai... E mamãe? — ela fez uma pequena careta de dor
– não se preocupe, eles nunca se esqueceram de você e quando chegar à hora deles, assim como chegou a sua, eles virão ficar junto de você. Então aceita vir comigo?
– então se é assim eu aceito — disse ela sorrindo, enquanto ele a cobria.
– você deveria se sentir orgulhosa, foi uma das poucas pessoas que não temeu ao me ver
Ela estendeu a mão para as lindas asas que estavam encima da cama onde ele sentou — não tenho o que temer, o senhor é um anjo! — ela fala pouco antes de adormecer.
Quanto tempo ele passou ali? Não se sabe, pois ele perdeu o senso de tempo pouco apos o tempo ser criado, ele estava ali apreciando a paz com que a pequena dormia não queria fazer aquilo, porem se mostrava necessário.
Ele então a com bondade na testa ceifando-lhe a vida, caminha para a janela ao som das maquinas a apitar, ele olha as estrelas pela janela, ele as observa como se fossem velhas amigas, como se ele tivesse visto seus nascimentos, ela então ergue-se da cama, não o corpo, mas sim a verdadeira criança, que agora sem temer doença correu livre em direção ao anjo. Que ainda a esperava parado, ela o pega pela mão, então o ser a olha antes de rir, rir pela primeira vez em toda sua existência, riu o riso puro da felicidade. Então o anjo e sua pequena companheira caminham pelo céu em direção ao vazio da noite.
Assim como todas as historias que começam com era uma vez esta historia que teve seu inicio em um domingo também irá terminar com um. E foram felizes para sempre.
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