Contos de Um Coveiro
15 Um belo casal
Elliot só me arranja trabalho.Este garoto pode ser frio e saber lidar com situações difíceis...
Mas há horas que ele age sem pensar.
Um exemplo disso foi que na semana passada, aquele pirralho insolente me arrastou para um bar.
Sim, um bar.E você se pergunta como alguém de 16 anos pode beber?
Simples, aqui nessa cidade, onde há muitos segredos e assassinatos, se seu responsável estiver junto...Pode se tudo.
A principio até que me senti bem.Não bebia um bom vinho há muito tempo...Foi bom poder pensar em outra coisa que não fosse ligada a Clarice, corpos ou a aquele pirralho.
Mas então aquele idiota ficou bêbado de tanto beber gim.Ele ficou tão patético falando sobre sua vida naquele orfanato...Disse alguma coisa sobre as diretoras que levavam homens para seus quartos, e sobre algumas garotas que conhecera lá e tiveram o triste destino de virarem prostitutas.
Falando em prostitutas...Aquele cretino foi capaz de ter a indecência de perguntar para algumas delas se estas não teriam ‘um tempo para mim’...
Lógico que rejeitei.E depois levei o imbecil para casa.
No outro dia ele acordou com uma bela dor de cabeça e resmungando algo sobre eu não tê-lo impedido de beber tanto.
-Foi você que quis se aventurar com os copos.E outra: eu não sou seu pai, pirralho.
-Que seja.
Ele pegou um pouco de café que lhe dei, deu um gole e depois de contorcer o rosto pelo gosto amargo disse algo.
-Sabe, mesmo estando bêbado...Ontem eu vi uma das garotas que conheci no orfanato.
-Ela era uma daquelas prostitutas?
-Sim.E era a minha namorada.
Ele olhou para a xícara e deu um gole no liquido quente e amargo que esfumaçava.Ele depois me contou sobre ela...Sua mãe morreu de câncer e seu pai foi preso por matar o dono de um bar que freqüentava.Os dois tinham uma vida miserável, não tinha como o relacionamento dar errado...
Até que então, apareceram alguns homens a procura de garotinhas para adoção.Ele me falou sobre a felicidade dela ao saber que seria adotada.Mas mal sabia ela que na verdade aqueles homens eram aliciadores à procura de garotas para a prostituição.Pois bem, logo a garota começou a levar a sua suja vida em bares à espera de clientes.
Quando anoiteceu, eu e Elliot fomos até o bar na esperança de reencontrar a tal garota.Havia um certo movimento estranho no bar, um bando de homens se aglomeravam em volta dos carros policiais...Havia alguns policias que levavam garotas algemadas para dentro dos carros pretos.O cheiro de sangue rondava por aquele lugar, estava presente no ambiente e se tornava mais forte no beco ocupado por policiais.Elliot desapareceu no meio da multidão “Droga. Onde ele foi?”.Em meio de socos e cotoveladas consegui chegar mais perto da cena do crime.Havia uma prostituta, seu pescoço estava roxo e havia marcas de facadas em sua barriga.
Afastei-me, o cheiro de sangue, suor e bebida estavam me enjoando...Sentei-me na calçada e vi Elliot com uma garota na minha frente.
-Cristopher, esta é Ellena.
Ela vestia um vestido vulgar, na cor vermelha, seu corpete vinho estava muito apertado e fazia seus seios parecerem maiores.Seu perfume barato era forte e tinha um cheiro enjoativo, sua maquiagem era forte e sua boca era marcada pelo vermelho que se repetia até mesmo em seus gastos sapados de salto alto.Seu cabelo tingido de loiro demonstrava o castanho-claro em suas raízes.Sem duvida alguma, Ellena era uma garota vulgar.
A levei para casa, onde ela pode tomar um banho e tirar todo o perfume e maquiagem que lhe dava um ar mais velho.Dei a ela um pijama e ajeitei uma cama no quarto de Elliot.Ela não fez perguntas,somente se deitou e dormiu.
-E o que fazemos agora, pirralho?
-Bem, ela não tem para onde ir...Disse algo sobre uma tia do centro que tem uma loja de tortas...Mas não se preocupe.Ela logo irá embora.
-É bom mesmo.Isso não é uma pensão.
Ele riu, mas logo parou, pois percebeu que não era brincadeira.No dia seguinte, quando acordei encontrei uma garota preparando café.Parecia até outra pessoa sem a maquiagem, e o sorriso em seu rosto me fazia acreditar que aquela era outra pessoa diferente da que encontrei antes.
-Obrigado senhor por tudo.Sou lhe muito grata.
Agradeceu ela ao partir com Elliot em busca da tal tia.
Eles formavam um belo casal...
“Às vezes eu também me pergunto se nós também éramos assim Caroline”.
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