Contos de Santa Fé
9 Surpresa
Notas iniciais
–Gina! — chamou Nando entrando no quarto do casal depois de voltar das plantações do pai.
A verdade é que havia ficado preocupado quando soube que Gina havia ficado em casa o dia inteiro, ainda mais agora que parecia estar se acertando com os estudos e com o trabalho na casa de seu Pedro. Claro que Nando havia ficado um pouco relutante em deixar a esposa trabalhar quando podia dar tudo a ela, mas no fim ela o convencerá com alguns argumentos irrefutáveis.
A conversa aconteceu pouco depois do casamento quando começaram a conversar sobre o futuro. Quando ele disse que não queria que ela trabalhasse ela o levou até as plantações do Coronel e perguntara como ele se sentiu quando o pai não o deixou trabalhar nas terras e então ele não teve escolha, deu o braço a torcer. Gina o conhecia melhor do que ninguém no final das contas, claro que também teve um pouco de carinho, mas fora principalmente aquela pergunta que o fizera mudar de ideia, ele sabia que ela precisava da terra, tanto quanto ele.
– Ará meu amor, o que que aconteceu? — perguntou se ajoelhando ao lado da esposa que se encontrava acomodada em uma poltrona ao lado da janela do quarto — Me disseram que ocê não foi trabalhá! Tá se sentindo bem?
– Nando — disse ela olhando seriamente nos olhos azuis — Eu não sei como falá isso pr'ocê — disse ela com um sorriso nos lábios — Mas eu tenho que falá.
– Que que foi Gina? — perguntou ele se levantando de nervosismo, mesmo que o riso dela o acalmasse um pouco, ele não podia evitar de se sentir ansioso — Ocê tá bem não tá.
– Nando, ocê me deixe falá — respondeu seriamente o puxando pelos braços e forçando a se ajoelhar na sua frente de novo.
– Então ocê fale Gina, mai fale logo que eu to ficando inté preocupado.
– Tá bom — ela riu puxando a mãe dele para cima de sua barriga lisa — Nóis vai te que i inté as Antas — ela ficou esperando que ele entendesse a mensagem durante o que pareceu um século, mas a compreensão chegou aos olhos do marido aos poucos e ele envolveu-a num abraço caloroso e a beijou.
– Mas nóis vai amanhã — respondeu ele com uma alegria que não lhe cabia — Não, amanhã não, amanhã a gente vai fazer um almoço ou um jantar ou até uma festa Gina — respondeu ele — Mas eu quero que todo mundo saiba e que saibam o mais rápido possível — disse por fim observando o sorriso se formar no rosto da amada.
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