Notas iniciais
EXPLICAÇÕES IMPORTANTES, POR FAVOR, ATENÇÃO. Sim, isso foi desnecessário, mas eu preciso explicar algumas coisas sobre esse conto que pode - e provavelmente irá - parecer um pouco aleatório, a questão para mim é um parto escrever qualquer coisa Zeliana e eu gostei muito desse capitulo! Também não escondo que tem um pouco de divulgação escondida. Esse é o capitulo da minha fic: A História por Trás da Fábula que vai ser subido nesse fim-de-semana :D Então que já lê lá pode ler aqui ou esperar e quem não lê lá pode dar uma passadinha para prestigiar uma pobre mendigadora :D Espero que gostem!

– Zelão — a visita a pegou completamente desprevenida, por um momento pensou em deixa-lo entrar, mas logo lembrou-se de seu estado — Eu... Poderia esperar um minuto, eu não estou vestida — por um momento ela percebeu os olhos dele percorrendo a altura da porta e isso apenas a vez recuar um pouco mais e puxar as bordas do roupão, como se o homem pudesse olhar através da madeira.

– Eu... Posso esperar a senhorita — respondeu olhando para o chão, evitando encara-la para que ela não soubesse tudo que passava pela cabeça dele enquanto ela escondia a nudez por trás da porta.

– Eu já vou descer — respondeu sem olhar duas vezes para o rosto do homem enquanto fechava a porta de madeira.

As tabuas de madeira rangeram sob a pressão de seus pés, mas ela não se importava com isso nesse momento, estava apenas preocupada em trocar de roupa e receber o capataz de seu Epaminondas. Não entendia o que ele fazia a ali, ela havia se deixado acompanhar uma ou outra vez por ele e sabia do carinho dele, mas nunca tinha pensado que ele chegaria tão perto da casa de seu Pedro. Se a aquilo a assustava? Não na verdade, seu maior medo era se Pedro Falcão ou Gina chegassem antes da hora e o vissem ali, mas se isso a assustava por um lado, por outro a excitava, todo o perigo de ter algo errado, ela sorriu por um momento enquanto conferia no espelho se o vestido ou o cabelo estavam no lugar e então desceu para atender a porta.

– Desculpa a demora — disse dando espaço para que o homem passasse — A Gina fez um enorme bagunça ali e foi difícil encontrar uma roupa — não era verdade, mas ele também não precisava saber o qual preocupada ela estava com a impressão que passaria.

– A dona é linda de qualquer maneira — respondeu ele com um sorriso tímido enquanto puxava uma mão coberta pelo pano da manga do vestido e beijava os dedos nus, o bigode ralo causou uma coceira gostosa que lhe subiu a partir dali e ela quase podia se fantasiar em um daqueles romances francês em preto e branco.

– Eu já não lhe falei sobre me chamar de "dona" Zelão! — repreendeu-o de forma doce — Eu não sou dona de nada, apenas Juliana — ele sorriu baixinho e murmurou o nome saboreando cada sílaba como se fosse mel em seus lábios. — Já almoçou? — perguntou sorrindo.

– Ah! Não se preocupe dona... digo, Juliana — ele sorriu alegremente com seu pequeno deslize que foi acompanhando pela doce professora que simplesmente ficava encantada com a forma que ele a olhava, era uma admiração que nunca havia visto antes, nem com seus namorados, nem com seus alunos. — Eu não vim incomodar a senhora, apenas lhe pedir ajuda.

– E para que? — isso a havia pego de surpresa.

– Eu estive pensando em nossa última conversa — disse ele caminhando pela sala enquanto os olhos azuis o seguiam por todo o seu percurso de reconhecimento territorial. — Sobre eu voltar a estudar.

– Sim, você me disse que ainda não havia terminado o ensino fundamental — respondeu ela lembrando-se de quando perguntará se o capataz sabia ler e escrever e recebeu como resposta a triste história de um garoto que perderá o pai e largará a escola no sexto ano do ensino fundamental para ajudar a mãe a se manter.

– Você disse que eu podia voltar a estudar — ele havia pensado demais nisso, parecerá ridículo em um primeiro momento, mas estava decidido que, se isso a impressionava, era o que faria.

– E pode — ela disse com um sorriso nos lábios rosados, um sorriso que quase não lhe cabia de tanta felicidade — É para isso que quer minha ajuda?

– Você me ajudaria? — ele estava falando diretamente para ela agora e ela não podia controlar o coração que batia como um louco em seu peito.

– Poucas coisas, no mundo, me fariam mais feliz — disse por fim se levantando e segurando as duras mãos do homem nas suas delicadas e as beijou. "Seus lábios" foi um pensamento que passou por sua cabeça quando ergueu os olhos para encontrar os dele sobre ela e o coração falhou mais uma vez com a expectativa de ser beijada por ele, mas ficará só na expectativa, porque a própria se afastou — Agora, você não aceita mesmo um prato de comida?

– Não, eu tenho que voltar para casa, cuidar da minha mãe — ele disse se aproximando dela novamente e segurando o rosto em suas mãos — Muito, muito obrigado professora — Juliana fechou os olhos, tentando se convencer de que agora iria acontecer, mas fora apenas um beijo de despedida na bochecha.

– Eu levo você até a porta — disse ela caminhando até lá com ele. — Boa noite Zelão — um sorriso infantil brincava em seus lábios quando se despediu.

– Boa noite — ele sussurrou antes de sumir na escuridão da noite, iria caminhando mesmo, com um "minha querida" não dito rolando em seus lábios bem como o beijo que não roubara e apesar disso estar lhe devorando por dentro, ele sabia que não queria dar motivos para que sua doce professorinha se afasta-se dele, para isso era preciso tempo, tempo para conquista-la e tempo para convence-la de que a amava mais que tudo naquele mundo tão grande, era preciso provar que a amava tanto quanto amava a mãe.

Caminhou pelas ruas vazias passando de halo de luz de um poste para o de outro e para o de outro enquanto pensava em qual seria a melhor maneira de provar a ela o que estava em seu coração. O seu baixinho amigo, a quem as crianças chamavam, Rodapé havia lhe dito que, dentro da escola seria mais fácil, mas ele duvidava disso. Estudaria e estudaria muito para se equiparar a ela, mas sabia que só isso não bastaria, teria que fazer muito mais, afinal, doutor Renato era muito bem formado e a perderá.

Caminhou por mais alguns minutos ouvindo nada além do silencio e algumas aves noturnas próximas até que chegou em casa. Abriu a porta devagar para que as dobradiças enferrujadas não rangessem demais e acordassem a mãe. A casa não era grande, apenas um apartamento de dois quartos e um banheiro no primeiro andar de um edifício. Depois de fechar e trancar a porta, sentou-se na mesa da cozinha com uma luminária acessa sobre o papel e a caneta, na sua frente havia meia dúzia de frases que havia começado e se destinavam à Juliana.