Contos de Outubro
6 Estrelas
As sirenes tocavam em alerta. Fortes luzes vermelhas piscavam freneticamente, deixando os tripulantes daquela nave cientes de que algo havia dado muito errado. Dezenas de homens cobertos com suas roupas brancas e capacetes corriam em desespero, tentando concertar o que havia de errado.
Eles sempre se questionaram se havia vida fora da terra, porém nenhum deles imaginou que fosse ser tão grotesca.
Ordens eram gritadas em todas as direções, instruindo os tripulantes ao que deveriam fazer e os implorando para não entrar em pânico, mas isso se provou ser inevitável, principalmente para o tripulante mais inexperiente do local. Quando ele e seu grupo puseram seus olhos naquela criatura que havia invadido a nave, seus olhos se arregalaram e a adrenalina banhou seus sistemas, fazendo boa parte dos homens gritar em desespero e fugir imediatamente.
Aquilo era gigantesco, seu corpo não parecia ter uma forma real, ou ao menos ser feito de uma substância sólida. Por onde aquela coisa passava, formava-se um rastro gosmento em uma mistura de verde musgo e vermelho sangue, um escorria de si próprio, e o outro dos corpos inertes que ele deixava para trás. Todos os seus milhares de olhos estavam vidrados, devorando com o olhar uma pessoa em específico que corria a frente de todos, agilmente desviando dos tentáculos que aquela criatura jogava em sua direção. Em sua mente, apenas ecoava o som grave, molhado e distorcido que aquela coisa emitia, como se chamasse o seu nome em uma língua que há muito fora esquecida.
O jovem tripulante corria com todas as suas forças, tentando fechar as pesadas portas de metal maciço em seu caminho para impedir aquilo, porém seus esforços se provaram inúteis. Não importava o quanto ele corria, para onde ia ou o que fazia para tentar parar aquele ser. Sempre que o rapaz virava a cabeça para espiar para trás, ela estava ali, faminta, incansável.
Ele sentia que não conseguia mais aguentar, havia dado voltas e mais voltas pelos corredores da nave. Suas pernas doíam e seus pulmões queimavam enquanto a adrenalina corria por suas veias mais rápido que o próprio corria pela nave.
Em um breve momento, ele sentiu seu corpo vacilar. Ele não conseguia mais fugir.
Ele caiu de joelhos no chão, apenas aceitando seu destino.
Com lágrimas caindo freneticamente sobre seu rosto, ele sentia os finos e gosmentos tentáculos daquilo o envolvendo, lentamente, como um abraço frio e molhado. Ele sentia o cheiro de sangue e de algo podre enquanto os tentáculos invadiam suas narinas e boca, logo subindo também para seus olhos. Cada pequeno poro de sua pele era preenchido por aquela gosma, até que ele se viu coberto por aquilo.
Antes de fechar seus olhos, sua mente o permitiu um último pensamento de arrependimento.
Ele se planejou sua vida toda para ir ás estrelas. Porém, naquele momento, estava sendo arrastado para o inferno.
Fale com o autor