Contos Diversos Volume 1.
27 Terceiro Conto - Arthur e sua epifania
Terceiro Conto – A epifania de Arthur.
Capítulo Sete – Um adendo ao passado parte 2 – Diário de Helena.
13/02/1998
“Querido diário.”
“Não sei como escrever o meu dia-dia nesse caderno, pois nunca escrevi um diário antes, então, por favor, pegue leve comigo.”
“Hoje uma garota muito chata me incomodou na escola só pelo fato de ela ser popular, todas as garotas sonham ser igual ela, todos os garotos sonham em sair com ela, eu acredito que eu seja a única naquela escola que não penso igual a todos, nós devíamos lutar para sermos nós mesmos e não sermos igual as outras pessoas, qual é a graça da vida se todos são iguais a você?”
14/02/1998
“Querido Diário”
“Hoje começa o primeiro dia de aula de música, meu pai me colocou nesse curso pois acredita que isso me dará uma noção de arte, eu nunca gostei de música, não sei porque me meti nessa mas posso dizer que conheci pessoas interessantes nesse lugar.”
“Logo depois eu saí com meus primos para assistir um filme no cinema, me senti desconfortável naquele cinema, acredito que eu não estava passando muito bem.”
25/02/1998
“Querido Diário”
“Era apenas uma cólica, fui medicado e estou ótima, hoje está sendo um dia chato demais.”
12/04/1998
“Querido Diário”
“Eu acabei esquecendo-me de atualizar o diário todo dia, então, espero que seja compreensiva.”
“Pelo jeito nem todo mundo quer ser igual a Paula (a menina popular que me enchia o saco) Hoje eu conheci Sofia, uma garota tímida da minha turma, ela é tão tímida que mal percebi sua presença na sala, conversamos sobre bastante coisas e sobre nosso futuro depois da escola, parece que Sofia quer ser uma professora de música, sorte a dela, afinal de contas ela é capaz de apreciar aqueles arranho sonoro que tenho que seguir todo maldito sábado.”
“Ela me disse que prefere ser invisível, pois tem medo, medo do que exatamente? Ela me intriga, eu tenho mais vontade de conhecê-lo cada dia mais.”
25/08/2000
“Estou em prantos enquanto escrevo nesse caderno, por sorte minhas lágrimas possa cair nas páginas desse diário e apagar o quão patética eu estou, minha mãe faleceu, após de muita luta ela não resistiu, eu não sei o que dizer, mas parte de mim morreu junto com ela, o apoio familiar me conforta.”
Logo eu a encarei após ler aquele trecho, ela continuava com o mesmo rosto apático daquele dia.
– Já terminou? – Ela indagou sem forças.
– Ainda não.
Voltei meu foco às páginas daquele diário.
25/12/2000
“Primeiro natal sem ela, é tão estranho, é como se alguém que nunca falta a algum evento decide faltar e você percebe que sente a ausência dessa pessoa, realmente nós só sentimos falta de algo quando a perdemos.”
“Meu pai tenta de qualquer forma esquecer aquela tragédia, conversando com seus amigos e familiares, bem humorado, mas quando ele fica um segundo sem interagir com ninguém seu rosto se deforma e se torna em algo triste até de se ver, um homem depressivo que não se conforma com a perda.”
“Sofia percebe meu vazio e tenta me animar, eu tento, realmente tento superar essa dor, talvez ela nunca iria entender.”
07/02/2002
“Nunca imaginei que eu ainda tinha esse diário, tanta coisa aconteceu em mais de um ano que ficaria mais alguns anos só para atualizar esse diário, então serei mais direta.”
“Meu pai finalmente superou a perda, acredito que ele tenha passado pelas fases de luto de acordo com aquele livro de psicologia que eu tinha lido há um tempo, não vou lembrar o nome, eu e Sofia nos tornamos grandes amigas, realmente é estranho você conhecer alguém que considera tanto, uma irmã que nunca tive, e eu, ela e mais dois amigos pretendemos viajar para fora, parece ser muito divertido.”
25/07/2002
“Não sei o que dizer, eu nunca imaginei que um dos meus amigos fosse tão sujo, por sorte ele não fez nada comigo, pois Sofia me protegeu, ela acertou um cabide na cabeça dele, ele levou sete pontos e ainda foi preso por tentativa de homicídio, parece que ele enlouqueceu após receber um fora meu, eu realmente não sabia que ele estava afim de mim e também nunca imaginei uma psicopatia daquele nível, literalmente um lobo disfarçado de ovelha.”
17/02/2003
“Nova turma, eu não sabia o que esperar nesse capítulo de minha vida, logo eu nunca imaginaria que cursaria a faculdade naquele período, conheci novas pessoas e parece que irei me dar muito bem com todos eles, os professores são mais rígidos do que em comum.”
“No meio da tarde eu divido minhas experiências com Sofia, acredito que ela seja a única amizade que eu colhi nos meus anos de escola, pois todos acabaram seguindo seu rumo, mas ela sempre esteve presente.”
“Meu pai retomou um hobby antigo, ele decidiu retornar a colecionar selos, algo incomum eu vê-lo com uma lupa na sala de jantar analisando os selos mais antigos que eu já vi, fico feliz por ele, afinal de contas ele tem que ocupar a mente, como dizia meu avô, mente vazia, oficina do diabo.”
18/02/2003
“Conheci melhor a faculdade, ela é imensa, quase uma cidade comunitária, eu vi as salas de descanso e eram imensas, além das quadras esportivas, biblioteca, laboratórios, não demorou muito para que eu me perdesse.”
“Um adendo importante, parece que uma tal de “internet” está bombando, e existe algo chamado blogs, ou um diário online, estou pensando em aposentar esse caderno e continuar minhas histórias nessa tal de internet...”
19/02/2003
“Desisto, não sei postar nada nessa tal de internet, sou mesmo uma desastrada, melhor continuar com esse caderno afinal de contas faltam muitas folhas.”
“Tenho sério problema em encarar folhas em branco, é como se eu não tivesse um futuro ou algo para contar, essa vontade de deixar uma marca registrada é quase uma abstinência, está ocupando tanto meu tempo, mas eu não consigo parar.”
20/02/2003
“Hoje decide arrancar boa parte das folhas, vou utilizar elas como rascunho para minhas aulas, não sei qual será o destino delas, mas enfim, não aconteceu nada de interessante hoje, eu passei praticamente o dia todo estudando e reunindo meu currículo, estou pronta para o mercado de trabalho.”
Nas páginas seguintes eu percebi inúmeras fotos com datas acima delas.
No dia 20 de outubro de 2005 há uma foto colada na folha do diário que continha Helena e uma garota (acredito que seja Sofia) posando para uma foto ao lado do Big Bang em Londres.
No dia 02 de outubro de 2007 outra foto dela e mais uma galera junto e atrás deles a torre Eiffel.
No dia 05 de agosto de 2010 elas estavam em Johanesburgo, acompanhando a estreia da copa do mundo.
– Você viajou pelo mundo todo. – Eu comentei, mas ela tinha caído no sono, ela tinha passado por maus bocados e tinha razão de estar cansado, logo eu retornei a atenção ao diário.
25/11/2010
“Repentinamente Sofia confessa para mim seu amor, fico sem entender, eu aceito seus sentimentos dizendo que é amor de irmã, mas ela disse que eu nunca iria entender.”
“Recebo a ligação do irmão dela dizendo que ela fugiu de casa, eu permaneço em um choque, o que ela aprontou agora, será que ela não digeriu bem as minhas palavras?”
“Irei atrás dela, acredito que eu sei onde ela vá estar.”
28/11/2010
“Uma grande comoção acontece, eu não imaginava que ela faria uma coisa dessa, dias atrás eu a impedi de se suicidar, tocando sua música favorita em um violão velho no meio de uma rodovia movimentada, corri para pegar seu braço, mas, não consigo nem imaginar, nem escrever o que acontece em diante, ela sendo atingida por um caminhão em alta velocidade, meu Deus, foi horrível...”
Fechei o diário, atônito, eu logo percebi que estava prestes a amanhecer, eu tinha ficado a madrugada inteira lendo aquele diário e logo vem aquele sentimento desconfortante.
Poucos livros receberam a liberdade de mexer com minhas emoções e não imaginava que um simples diário fosse me chocar, era uma história frustrante, triste de se compartilhar, eu passei o tempo todo esperando pela sua história e acabo me deparando com isso...
– Pela sua cara, parece que finalmente terminou. – Disse Helena que acabará de despertar.
– Eu... Sinto muito...
– Não se sinta eu fui incapaz de entender os sentimentos dela e acabei a matando, eu sou uma assassina.
– Assassina?
Ao lado de mim uma vela acesa eu peguei e logo passei pela capa do caderno, o diário entrou em combustão e logo a fumaça negra das chamas começaram a subir.
– Nunca mais diga isso, você não tem culpa e se você acha que sua história está ruim, basta reescrever, você está viva, e mesmo que a primeira parte da história esteja ruim você pode muito bem escrever a segunda parte muito melhor, e pode ter certeza que é isso que Sofia deseja uma segunda parte melhor que a primeira, a história da Helena deve ganhar uma continuação infinitamente superior ao da primeira.
Sou aficionado por histórias, e ela logo entendeu o recado, seus olhos lagrimejaram e ela logo escondeu seu rosto de frustração.
– Você tem razão, a partir de hoje irei escrever a continuação com mais qualidade para compensar o meu passado.
Ela demonstrou um sorriso afetuoso, enquanto eu ficava anestesiado pelo sorriso dela, a enfermeira veio entrar no quarto me adverti que eu não posso fumar no hospital, logo ela se enfurece ao saber que estou provocando um incêndio e logo sou expulso do hospital, bem, essa parte eu podia deixar fora da minha história.
Fale com o autor