Contos Diversos Volume 1.
23 Terceiro Conto - Arthur e sua epifania
Terceiro Conto – Arthur e sua epifania.
Capítulo três – 300 pontos.
O meu condicionamento físico não era a melhor deste que me lembro como gente, na educação física eu me limitava em jogar jogos de tabuleiro exercendo minha mente junto com outras pessoas que eram praticamente “excluídos” pelos grupinhos sociais, as mais conhecidas “panelas” e por isso temi que aquela encenação na pista de boliche fosse frustrante, e não foi diferente.
– Vamos nos separar três times, o time vencedor não precisa pagar sua parte na pista de boliche.
– Tudo bem, eu fico com Arthur. – Disse Helena ao enrolar seu braço no meu.
– Tem certeza disso? Eu não sou muito bom.
– Relaxa, só viemos para nos divertir, e qualquer coisa eu digo que esqueci a senha do meu cartão. – Brincou Helena.
– Muito bem, farei time com Iasmim, Souza fará time com Laila, nenhum problema Souza?
– Por mim tudo bem.
– Ei. Você deveria perguntar para mim também. – Protestou Laila.
– Está bem, Tudo bem para você Laila? – Indagou Raul.
– Por mim tudo bem.
Pensei o porquê ela tinha pedido para perguntar a ela se ela tinha a mesma resposta que ele, decidindo os times nós fomos até a pista de boliche e uma simples memória veio a minha mente, eu já havia trabalhado em uma pista de boliche antiga como organizador de pinos de boliche.
– Algum problema Arthur? – Indagou Helena impulsionada pela minha expressão de espanto.
– Nada.
Assim nos reunimos e escolhemos a ordem das jogadas.
– Muito bem, as regras são a seguinte. Cada jogador terá que jogar uma rodada, após doze rodadas o time que tiver mais pontos ganha, tudo ok?
Souza trabalhou como juiz de futebol, logo as regras era o forte dele apesar de que aquelas regras não eram difíceis de entender.
– É a sua vez Arthur. – Disse Helena.
– Mas já? – Eu indaguei.
– Já passou uma rodada. – Completou Souza.
Logo eu fui à frente da pista, analisei as bolas de boliche que estavam distribuídas no container, tirei uma e não parecia tão pesada assim.
– Não parece pesada. – Eu levantava a bola para cima e para baixo.
– Agora joga. – Comentou Helena.
Testei o balançar dos braços e logo ele começou a formigar, logo me arrependi mentalmente por ter estado ali, aposto que amanhã vou acordar todo dolorido.
– Vamos logo Arthur, não vamos ficar a noite toda aqui. – Reclamou Helena.
– Eu já sei...
Preparei-me para jogar a bola, girei o braço e soltei a bola, a bola de boliche subiu um metro antes de quicar no chão e correr na lateral da pista. Helena aplaudiu.
– Foi um belo arremesso. – brincou Helena.
– Tenta de novo, vai que você consegue um spare.
Peguei a bola e logo raciocinei, não podia soltar a bola naquela altura, assim eu joguei a bola e ela foi lentamente até os pinos, assim ele acertou dois pinos, desolado eu sentei perto dela e abaixei a cabeça.
– Eu quero morrer. – Disse enquanto colocava os baços na nuca.
– Logo você pega o jeito.
E assim foi um massacre por completo, eu era ruim, mas Helena era péssima, não sei se ela fez essas jogadas de propósito só para eu me sentir bem e no fim eu acabei pagando a conta (ela usou a desculpa de que esqueceu a senha para não pagar a parte dela)...
Nós acabamos seguindo até em casa a pé, pois o horário não tinha mais ônibus na rua, mas por sorte estávamos perto de casa.
– Você fez de propósito não é? Errar todos os lances só para me fazer menos ruim naquele jogo.
– Imagina! Eu também não sei jogar e sou frágil. – Disse colocando a mão na boca.
– Você está mentindo, posso ver nos seus olhos.
– Mas já foi alguma coisa, você pode colocar na sua lista de como você jogou feito uma marica. – Assim ela gargalhou até não aguentar mais.
– Eu disse a ti que não sabia jogar.
– Mas já foi alguma coisa, e até que foi divertido, eu pelo menos me diverti.
– Digo o mesmo.
Assim nós chegamos ao prédio onde nós morávamos, eu segui até sua casa onde ela parou na frente da porta.
– Até amanhã então.
– Até.
Eu não sei dizer, mesmo rindo toda a caminhada eu ainda podia ver um olhar triste em seu rosto, eu pensei em perguntar, mas meu medo de saber a resposta me impediu de fazer isso.
Eu tinha uma história a contar, o quão fui humilhado no jogo de boliche e isso era uma história interessante a contar, como sempre eu tentei compartilhar ela, mas ainda era pouco, as pessoas do ônibus tinham histórias mais interessantes do que meu como pessoas que impediram um crime ou pessoas que viveram em fatos históricos como a senhora judia do apartamento setenta e quatro que sobreviveu em um campo de concentração na Alemanha, logo a história do boliche se tornará pequeno perto daquelas histórias que eu sempre ouvia.
Fui direto ao trabalho e decidi voltar para casa direto já que os primeiros dias de aula era apresentação da faculdade e como eu já havia estudado lá eu não tinha motivos de conhecer a faculdade de novo.
– Ainda está falando com aquela mulher não é mesmo? – Indagou Agatha.
– Você poderia dar uma chance para ela.
– É sério Arthur, você merece uma pessoa muito melhor.
– Caramba Agatha, ela não é nada mais que amiga.
– Mas...
– Não se preocupe.
Ela estava estranha naquele dia, mas logo me concentrei no meu trabalho e logo percebi que havia passado rápido, quando estava indo para casa Helena me abordou na saída.
– Então, pronto para mais uma aventura? – Brincou Helena.
– Desculpa Helena, não estou me sentindo muito bem e vou para casa descansar.
– Está bem, mas é algo para se preocupar?
– Não é nada demais, até amanhã.
– Está legal então. – Comentou Helena. – Até amanhã.
Ela relutou em me deixar ir e logo chamou minha atenção.
– Se foi alguma coisa que eu fiz ontem me desculpe, não foi minha intenção.
– Não é nada disso, eu só preciso descansar um pouco.
Eu sorri e segui em frente, senti a mão calorosa de Helena puxando meu braço.
– Não está nada bem, me siga.
– Como vou ti seguir se você está me puxando.
Ela me levou até um parque simples há alguns metros da empresa e logo notei pessoas praticando esportes e corridas por aquele lugar e eu logo notei que nunca havia parado naquele parque e nem sequer tinha notado que havia um parque ali.
– Porque me trouxe aqui?
– Vamos treinar seu condicionamento físico, assim não terá desculpas para sair comigo.
– Mas como assim, não estou no clima para fazer nada...
– Está pensando de maneira equivocada, agora comece a correr por volta do parque agora.
– Para de maluquice, até parece que...
Em seguida ela tirou da bolsa uma arma de choque e me acertou.
– Mas que merda é essa?
– Ganhei quando fiz trabalho voluntário em uma prisão, usei voltagem baixa, mas se não fizer o que eu digo vai ser muito pior.
– Isso é abuso, eu não vou fazer...
Levei um baita choque que até cai no chão.
– Você se sente inferior pelo seu condicionamento físico, pelo fato de que as pessoas nunca o notaram por ser baixo demais e sabe o que eu digo, é tudo bobagem, não me surpreenderia o fato de se sentir ameaçado com Souza, ele é alguém muito mais bonito do que você.
– Legal, estou levando uma surra física e psicológica...
Ela me deu um baita choque novamente.
– Cala boca, não mandei você falar, continuando, sim, eu namorei Souza, ele é meu ex e somos amigos e não me arrependo disso, mas a vida de emoções é o que me interessa agora e você nunca será igual a ele, será sempre um lixo vivendo em uma rotina mesquinha, e as histórias de outras pessoas serão muito mais interessantes do que o seu sabe por quê? Porque até na sua própria história você é um coadjuvante de merda.
– Quem você pensa que é? – Me levantei rapidamente. – Sou muito melhor do que isso, eu me tornarei algo muito melhor que isso, eu sou o protagonista de minha própria história e nem você e nem ninguém vá dizer ao contrário.
Quando percebi eu estava encarando os olhos dela, ela olhou para a arma de choque e guardou na bolsa, e logo sorriu.
– Muito bem, bom saber que existe alguma coisa além de carne e ossos no seu corpo. – Comentou Helena dando uma tapa de leve em minha bochecha. – Agora corra pelo parque.
–Está de brincadeira. Não vou fazer isso.
– Quer levar outro choque?
– Já estou indo.
Logo eu corri em volta do parque até não poder mais, eu só podia para se ela ordenasse e mesmo assim não parecia que ela me faria parar tão cedo, ela se sentou no banco da praça e começou a ler um livro sendo banhado por as poucas luzes que restavam naquele dia.
Já passava duas horas e eu continuava correndo em volta do parque, ela logo ordenou para parar e eu logo caí de joelhos no chão, não conseguia mexer minhas pernas.
– Pensei que você nunca iria me fazer parar.
– Só passou trinta minutos.
– Trinta minutos? Pareciam trinta horas.
Eu coloquei meu braço ao redor de seus ombros e me levantei, me sentia fraco por correr em volta do parque, e assim ela me levou até meu apartamento, eu me perguntava se aquilo estivesse a incomodando.
– Não entendi esse tratamento de choque.
– A única coisa que você tem que entender é que vão existir pessoas mais capazes e melhores do que você isso é inevitável, mas você será diferente se superar isso e acreditar que você é o único.
– Sim, mas não tinha necessidade de dizer com quem namorou.
Ela assim me deixou perto de casa e eu meio que me arrastei até a porta, ela logo seguiu em diante. Não pude notar que ela parecia feliz com o resultado.
Fale com o autor