Contos Diversos Volume 1.

18 Segundo Conto – As testemunhas.


Capítulo Oito – Hora do acerto de contas.

Rodolfo não ia com a cara de Tomas e seus amigos deste a vez que eles pregaram uma peça aquele professor em relação ao alarme de incêndio, aquele professor acabou sendo demitido por culpa deles e ele temia que isso fosse acontecer com ele e para que isso não acontecesse ele decidiu tratar a turma da maneira mais hostil possível e por um período até que funcionou. Muitos alunos conseguiram alcançar o resultado esperado e com isso ele recebeu até mesmo promoção, no entanto a turma do Tomas sempre brincavam em suas aulas o que causou certa raiva aquele professor.

Tomas irritado com a atitude de Rodolfo decidiu armar inúmeras peças contra ele, mas Rodolfo era mais perspicaz que eles e sempre dava um passo à frente.

Em uma pegadinha clássica onde ele colocava alfinetes na cadeira do professor ele logo percebeu e aplicou essa mesma pegadinha contra eles.

Outra peça que eles tentaram aplicar sem sucesso foi à peça dos fogos de artifício da sacada, mas novamente o professor deu-lhe um passo a mais e trocou os fogos por simples confetes, ele logo mostrou a arte para o diretor e a turma foi obrigada a limpar a sujeira que Tomas e os outros fizeram, isso foi o estopim para fazer a sala toda se voltar contra ele.

– Não estou acreditando, esse professor idiota não cai em nenhuma peça que nós plantamos – Comentou Tomas.

– E para piorar ele está tornando as aulas em um inferno. – Acrescentou Raul.

Como essa história se trata do inicio entre a relação de Tomas com seu professor, eu os chamarei pelos nomes reais e não por causa do programa das testemunhas.

– Precisamos fazer algo épico, algo que faça o ser demitido, algo insano e perturbador. – Comentou Lucas.

O professor estava logo atrás deles na sacada ouvindo toda aquela conversa, de braços cruzados e apoiado na porta ele disse.

– Isso não será possível, eu sempre estarei um passo a mais de crianças birrentas.

– Nós ainda não perdemos.

– Errado, vocês perderam no momento que eu tornei seu professor, e agora se preparem, eu irei polir vocês até se tornarem as joias mais valiosas, mas para isso vocês deverão passar no inferno.

Tomas não aceitava isso e mesmo assim aceitou a ideia de Lucas em relação a criar uma peça tão memorável que o professor seria demitido da escola.

E foi o que eles fizeram, bolaram um plano para que aquilo acontecesse um plano que os faria vencer.

Um plano absurdo utilizando pó de mico, um ventilador e uma lixeira com um tipo de catapulta improvisada com esterco de vaca naquele lugar.

Eles planejaram um dispositivo aonde o pó de mico iria se espalhar na sala ao ligar o ventilador, e no instante que o professor fosse desligar ele, a catapulta seria ativada quando o professor puxasse uma corda que estaria perto do ventilador, pessoas se coçando correndo desesperado na escola e o professor completamente sujo de esterco, seria épico como eles imaginaram.

O professor entrou na sala suspeitando de qualquer atitude entre Tomas e seus amigos, eles sentaram em um canto da sala onde o pó não o atingisse, escondendo as risadas pela boca as pessoas mal suspeitaram de seus planos.

– Professor, você poderia ligar o ventilador? Está calor. – Comentou Paulo que sentava na carteira da frente.

– Nós vencemos professor. – Pensou Tomas.

– A vitória é nossa. – Pensou Raul.

– Isso vai ser insano de divertido. – Pensou Lucas.

– Dessa vez você não vai entrar em nosso caminho, polir até se tornar uma joia rara uma ova. – Pensou Douglas.

– Melhor, que tal trocarmos de sala? Conversei com o coordenador e ele me permitiu levar essa turma em um lugar mais fresco.

Todos concordaram com ele, e o plano entre eles foi para água abaixo.

– Mas que merda, como ele percebeu? – Indagou Tomas.

– Não, ainda não perdemos.

Lucas rasgou a folha de seu caderno e fez uma simples bolinha, ele mirava no interruptor que ligava o ventilador, e aquela atitude poderia custar uma coisa.

Ao sair de sua posição ele poderia ser atingido pelo pó de mico, mas aquilo era por uma boa causa, vencer o professor custe o que custar.

Lucas jogou, a bola voou metade da sala e quando estava prestes a atingir o interruptor, uma aluna da turma entrou na sala, levando a bolinha de papel no olho, ela gritou e pôs a mão no rosto.

– Mas que droga foi isso? – Gritou Clarisse.

– Lucas, vá para a diretoria.

– Mas eu queria atingir a lixeira.

– Eu disse vá para a diretoria, agora. – Gritou Rodolfo.

– Você morreu como um bravo guerreiro Lucas. – Pensou Tomas.

– As tribos irão cantar seu ato de heroísmo no futuro. – Pensou Douglas.

– Perdemos, é o nosso fim.

Lucas se dirigiu cabisbaixo até fora da sala enquanto o professor o olhava de maneira triunfante.

– Como pestes iguais a vocês poderiam me passar à perna, tente novamente.

Lucas passou pela porta e antes de sair ele se virou e disse.

– Está calor à beça.

Apertou o interruptor e o ventilador ligou, todo aquele pó voou por toda a sala que gritou desesperado, o professor logo correu para desligar o ventilador, mas ele tropeçou em uma linha que ativou a catapulta improvisada e atingiu ele com esterco de vaca.

– A vitória é nossa. – Comentou Tomas.

Lucas e muitos alunos foram parar na enfermaria por causa da alergia, mas para Lucas aquele sacrifício não foi em vão, Rodolfo tentava avisar sobre o plano de Tomas, mas a diretoria não tinha provas suficientes para incriminá-lo, por conta disso a sala inteira pagou pela atitude dos quatros, todos sabiam que era culpa do Tomas e seus amigos, mas não tinham como provar.

O fato de que ter vencido Rodolfo já foi o suficiente o fizeram parar de fazer pegadinhas contra eles, pelo contrário, eles decidiram faltar às aulas deles para jogar baralho na cabana perto da escola, mas Rodolfo odiava perder e de alguma forma ele iria se vingar daquele dia.

Voltando a historia atual, tudo estava preparado, Tomas enrolava para segurar os policiais enquanto seus amigos planejavam uma forma de capturar o assassino que estava infiltrado naquele programa.

A sala permaneceu escura, Lucas esperava o assassino sentado em uma poltrona e com pé de cabra em suas mãos, um olhar tenso naquela escuridão, a câmera havia sido desligado e os monitores mal perceberam tal ato.

– Já chega, estou cansado de ser enrolado, vamos verificar a câmera.

– Não!

O detetive estranhou a atitude do garoto.

– O que está tentando esconder?

– Nada, quer dizer, acho que tenho uma informação que é de seu interesse.

– É mesmo? – O detetive voltou a sentar na cadeira. – Diga logo.

Lucas esperava ansioso para colocar seu plano em ação e de alguma forma deu certo, o assassino surgiu na porta da sala com uma faca na mão.

– Vamos acabar com esse jogo de gato e rato. – Disse Lucas.

– O criminoso sempre volta no local do crime. – Comentou Douglas que estava escondido mobília ao lado.

O assassino correu em direção ao Lucas, mas uma das mobílias foi arrastada ao encontro dessas canelas, ele caiu no chão e logo uma corda amarrou em seu calcanhar, Douglas e Raul que apareceram atrás dele puxou uma corda, ele estava preso em uma roldana e sem esforços pendurou o assassino de cabeça pra baixo.

Tomas recebeu o recado, ele olhou discretamente para o celular e sorriu.

– Finalmente. – pensou Tomas.

– Eu sugiro que vocês deem uma olhada nas câmeras. – Recomendou Tomas.

– Porque logo agora?

Lucas esmurrava as costas do assassino com pé de cabra o que assustou Raul e Douglas.

– Para Lucas, vai matar ele.

– Eu não consigo parar.

Douglas agarrou Lucas que se debatia ao tentar acertar o assassino.

– Acalme-se cara, pense em algo positivo, respire fundo e pense em algo positivo.

Lucas respirou fundo e fechou os olhos, imaginou algo positivo e logo ele começou a parar de se debater.

– Obrigado Douglas.

– Não há de que?

Tomas aparece na porta com um sorriso no rosto.

–Então finalmente o pegamos, viu só detetive.

– Nada mal, não esperava que essa ideia fosse funcionar.

– Agora vamos descobrir quem é o assassino, apesar de que aposto que é o professor Rodolfo.

– Professor Rodolfo? Porque ele? – indagou o detetive.

– Ele de alguma forma era o único que conhecia a cabana atrás da escola e ele tinha certa rixa com o zelador discreto, logo tem que ser ele.

Tomas tirou a máscara do assassino que se mostrou ser outra pessoa.

– Quem é você?

– Eu sou João, dá para me soltar, acho que quebrei umas costelas.

– Não, não pode ser você é o assassino?

– Mas é claro que não, fui mandado para incentivar vocês a saírem daqui, até parece que ele iria invadir um local onde poderia ser preso pelos oficiais.

– Então você se passou de vitima para entrar no programa de proteção a testemunhas.

– Esse é o lance, ele sempre estava a um passo a frente de vocês.

– Mas Tomas você não disse que era o segurança discreto o assassino? – Indagou Raul.

– Sim, mas quando me lembrei da vez que pregamos uma peça contra o professor, me lembrei de que ele poderia ser o assassino, ele não aceita ser derrotado.

– Vocês são burros mesmos, enquanto está discutindo sobre quem é o verdadeiro assassino, o verdadeiro está prestes a causar uma próxima vitima Clarisse.

Toma gelou, ele correu para fora da casa com o intuito de avisá-la, logo ele ligou a ela.

Todos começaram a se mover ao ouvir aquela revelação, Tomas finalmente ligou para ela.

Clarisse atendeu em seguida.

– Alô?

– Você está sozinha em casa?

– Oi Tomas, como vai você?

– Você está correndo perigo Clarisse, saía dessa casa.

– Tá brincando? Andrea vai vir aqui e também não posso deixar a casa sozinha.

– Para de ser cabeça dura, o assassino está indo aí!

– Mas que absurdo Tomas.

A ligação caiu, Tomas já pensou o pior e acelerou o passo, enquanto isso Clarisse estava imersa a escuridão, alguém havia desligado a luz e o telefone não funcionava, ela logo ouviu um barulho na cozinha, o mal estava próximo a ela.