Contos Diversos Volume 1.

19 Segundo Conto – As testemunhas.


Capítulo Nove – Hora do perigo.

O perigo alertava suas entranhas de tal forma que ela sentiu uma forte cólica corroendo seu estomago, ela lentamente depositou o telefone no gancho e pegou uma cadeira que estava próxima a ela, andando devagar até que seus olhos começaram a se acostumar com a escuridão.

– Quem está aí? – Clarisse indagou, ela estava tensa e insegura. – Se for algum ladrão é melhor ir embora, eu estou armada.

Um novo barulho a deixou alerta, com um grito abafado ela olhou diretamente para a sala de jantar.

– Eu vou chamar a polícia.

Um vulto a assustou, derrubando o abajur que estava perto da porta da sala, ela se aproximou do abajur quebrado e se preparou para o pior, utilizando a luz do celular para iluminar sua volta, ela foi até a escrivaninha que ficava no canto superior da sala e tirou de lá uma vela, ela acendeu e quando virou para trás viu um homem mascarado a encarando.

– Olá!

No susto ela quebrou a cadeira nas costas daquele homem, o homem caiu no chão se contorcendo de dor.

– Sua vadia de merda, você quebrou minhas costas.

Ela desesperada correu até as escadas até seu quarto, mas o homem pegou seu calcanhar e ela logo caiu no chão, se arrastando de medo até os degraus ela começou a chutar o rosto do homem sem parar.

O homem suspeito pegou a faca e estava prestes a esfaquear a coxa de Clarisse, mas uma sequencia de chutes o fez errar o alvo e acertar o carpete, o homem sentindo muita dor a soltou para levar a sua mão no rosto e isso fez com que ela corresse até as escadas.

O homem recém-recuperado pegou a faca que estava cravada no carpete e também correu para a escada, mas logo em seguida desceu as escadas correndo temendo ser atropelado por uma mesa que descia descontroladamente nas escadas abaixo, em um momento de azar a mesa tombou em um dos degraus e virou, acertando as costas do suspeito que se espatifou no chão com o impacto tão forte que fez tremer as escadas.

– Você está morto? – Indagou Clarisse ao tentar olhar para o moço que estava espatifado no chão.

Ela se aproximou do homem usando o celular para iluminá-lo, e quando se aproximou ele começou a se mexer.

– Porcaria. – Resmungou o homem. – Você é difícil de matar em! Mocinha.

– Eu faço o possível.

– Mas não adianta...

Ele foi interrompido quando uma cesta voou na sua cabeça.

– Mas não adianta.

Novamente interrompido, dessa vez por uma cadeira.

– Não adianta...

Novamente interrompido, mas dessa vez por um vaso de acrílico que acertou sua cabeça.

– Dá para parar de jogar essas porcarias em cima de mim.

Ela parou quieta em cima da escada, segurando um banquinho de madeira prestes a atacar.

– Desculpa.

– Ótimo, como eu estava dizendo, isso não adianta...

O banquinho acertou sua cabeça fazendo o desmaiar e impedindo de concluir a frase.

Tomas correu uns duzentos metros após sair do casarão e já estava exausto, o detetive se aproximou dele com um carro, e dentro do carro estava Raul, Douglas e Lucas.

– Você pensou mesmo que chegaria até ela percorrendo uns vinte quilômetros a pé? – Indagou o detetive.

– Ela... Perigo... Precisa... De ajuda. – Disse Tomas completamente ofegante.

– Entra no carro, vamos chegar mais rápido.

Tomas decidiu entrar no carro e pensando mais claramente, ele notou que era idiota em percorrer tanta distancia a pé, até ele chegar ao local ela já vai estar morta. Tomas explicou a situação aos seus amigos e isso incentivou ao detetive correr mais rápido que o ideal naquela via, até ser parado por um oficial.

– Eu já disse, eu sou detetive.

– É mesmo? – Indagou o policial que anotava a multa dele por ultrapassar o limite da velocidade. – Mostre sua credencial.

– Nós estamos correndo contra o tempo, a moça correndo perigo.

– Eu não quero saber Doutor Watson, saía do veículo agora.

– Na verdade nos contos de Edgar Alan Poe o detetive é Sherlock Holmes e não doutor Watson. – Corrigiu Douglas.

– Eu sei disso, eu tentei ser irônico. – Comentou o policial.

– Entendi, pensei que você tinha sido levado ao fato de ter assistido aquele filme horrível feito por cara que fez o homem de ferro.

– Robert Downey Jr. E tenho que discordar, foi um filmaço.

– Nem pensar, eles fugiram demais da ideia do personagem, aposto que Edgar está se contorcendo de raiva no caixão após esse filme.

– A é, foi tão ruim assim, então me diga o porquê teve uma sequencia?

– Qualidade não tem nada haver com quantidade, Robert foi o pior Sherlock de todos os tempos.

– Você está brincando não é mesmo? Aquele autor foi perfeito em trazer uma atmosfera descontraída em um mundo leviano.

Enquanto Douglas e o oficial discutiam sobre o filme, Clarisse não corria mais perigo, ela praticamente estava dando uma chave de braço no bandido.

– Quem foi que ti mandou para me matar? Responde seu vagabundo.

De certa forma, sentir o corpo daquela mulher em cima dele o excitava, em vez de ser uma sensação dolorosa. Ele estava era se sentindo bem...

– Sua idiota, eu não estou sozinho.

– Que?

Um homem surgiu atrás dela e com um saco preto colocou em sua cabeça a sufocando até ela perder a consciência.

– Você é mesmo um fracote, apanhou pela segunda vez por uma mulher.

– Isso foi tática para que elas se esfregassem em mim, agora me ajude a amarrá-la.

– Você não vai matar ela?

– Não, prefiro matá-la enquanto Tomas estiver assistindo, ele deve estar vindo correndo para cá.

Enquanto isso na avenida onde o policial havia parado o detetive, Tomas e seus amigos estavam com um olhar entediado enquanto Douglas e o policial estavam discutindo sobre cinema.

– Zodíaco.

– Filme horrível. – Comentou o policial.

– Como assim, todo mundo gosta do zodíaco.

– Eu não gostei.

– Porque não gostou?

– Porque demora muito para as coisas acontecerem, eles ficam enrolando e segurando todo o clímax, parece que nunca termina.

– É porque você não entendeu a dramaticidade do assunto, por isso.

– Pessoal, Temos um trabalho a fazer. – Interrompeu Tomas.

Os dois olharam para ele e concordaram.

– Tem razão, escuta seu policial, deixa a gente passar, estamos correndo contra o tempo.

– Está bem, parece que não tenho escolha.

– Olha aqui minha credencial seu otário, eu acabei de achar.

– Ótimo. – O policial escreveu algo em seu caderno, rasgou a folha e o entregou – Ti vejo no tribunal por desacato a autoridade, otário.

O detetive abriu a porta luvas e depositou aquela multa junto com várias multas acumuladas, o policial olhou e novamente pediu para ele sair do carro.

– Sai do carro senhor, não posso permitir você transitar essa via com tanta multa pendente.

– Cara, eu acabei de mostrar minha credencial.

– Mesmo assim, não tentar ir acima da lei, eu irei apreender o veículo.

– Mas que merda. – Reclamou o detetive que saiu do carro.

Tomas olhou para o policial falando pela escuta e depois encarou o volante com a chave no contato, ele sem pensar duas vezes pulou para o banco da frente e engatou a primeira marcha (ou ele achou que engatou a primeira marcha, mas na verdade ele engatou a ré).

– O que está fazendo?

– Indo salvar a Clarisse.

Ele acelerou fundo e o carro chiou, o detetive e o policial encararam o carro completamente atônito e quando ele tirou o freio de mão, o carro voltou para trás com tudo acertando a viatura que subiu no parapeito e caiu no penhasco, em seguida o carro morreu e um olhar de desespero surgiu no rosto de Tomas.

– Mas que merda que eu acabei de fazer.

– É. Depois dessa não tenho escolha a não ser levá-los a delegacia.

Clarisse despertou completamente zonza, ela estava presa na cadeira e completamente assustada, dois homens mascarados revistavam sua casa procurando algo de valor, quando um deles percebeu que ela despertou.

– Você é uma garota muito malvada.

– O que pensam que vão fazer? Estuprar-me?

– Mas é claro que não, porque faríamos isso?

– Qual é? Não me acha gostosa suficiente para isso?

– Qual é o seu problema com esse tipo de conversa menina, nós só viemos de matar, não somos estupradores, somos assassinos.

– Tá vendo esse revolver, sabe o que vou fazer com ele? – Indagou o ladrão esfregando o revolver na testa dela. – Nada, porque essa arma é de brinquedo, mas valeu a pena assustar você um pouco.

– Vocês dois são um b ando de retardados.

– Olha lá como você fala, eu vou esfaquear seu bucho.

– Bobagem.

– Está caçoando de mim? – Indagou um dos suspeitos que apontava a faca para seu rosto. – Olha que eu posso estragar esse seu rostinho.

– Rostinho lindo?

– Você tem problema de autoestima ou o que?

De repente um carro invadiu a casa de Clarisse ao adentrar a sala, os dois desesperados apontaram suas armas para o veículo que estava com farol acesso mostrando toda aquela situação.

– Clarisse. – Disse Tomas saindo do carro. – Eu vim unicamente para salvá-la.