Contos Diversos Volume 1.
16 Segundo Conto – As testemunhas.
Capítulo Seis – Hora do suspense.
Seus primeiros dias como Cuca foi um tédio, viver em uma casa isolada era como ser preso e encarcerado naquele lugar, mas ele não podia fazer nada, o assassino que fez apenas duas vítimas, uma delas morta há vinte anos, estava à solta, e para piorar, ele atacou Cal (vulgo Douglas) em sua própria casa, apesar de ser atacado pela sua mãe, e fez Lima (vulgo Raul) procurar pela polícia e agora todos eles estavam naquela casa em um programa de proteção a testemunha. Ele não esperava que sua paz terminasse naquele local.
Cuca (vulgo Tomas) estava pensativo, ele se aproximou em uma máquina de refrigerante e o pegou, quando olhou para trás ele se assustou.
– E aí cara, que isso? Não vem se aproximando de fininho não.
– Bom dia senhor Cuca...
– Não precisa dizer meu sobrenome. – Interrompeu Cuca.
– Pois bem, vim lhe informar que sou o novo segurança desse departamento.
– Tá bom, não precisava se apresentar.
– Qualquer coisa, me avise, eu irei vir o mais discreto possível.
– Se continuar sendo discreto desse jeito, vai matar alguém de susto.
– Hilário senhor. Hilário.
Cuca suspeitou daquele senhor, ele era discreto demais e talvez aquele lugar não fosse tão seguro quanto aparentava ser, provavelmente o assassino soubesse que as testemunhas do seu crime estavam nesse programa, no entanto ele pensou que o assassino não seria louco em atacar aquele casarão, e caso ocorresse eles não tinham por onde escapar.
Seus amigos perceberam a preocupação dele e logo eles o perguntaram o que havia acontecido.
– É esse novo segurança, ele é muito esquisito.
– Eu sei cara, pensei que morreria de ataque cardíaco quando ele se apresentou. – Comentou Cal.
– De certa forma ele é muito discreto, mas não tem nada com que se preocupar. – Comentou Psicopata.
– O que me preocupa é quanto tempo vamos ficar aqui? Essa busca pode demorar anos ou até décadas, me sinto dentro de uma prisão. – reclamou Lima.
– Não reclame, você procurou ajuda por conta própria.
– Sim, mas naquele momento eu estava correndo risco de vida.
– E nem para avisar os outros, nós dois estávamos preocupados.
– Eu não, eu queria que você se ferrasse mesmo. – Admitiu Psicopata.
– Ele só se finge de durão, ele chorou a semana toda depois que vocês desapareceram.
– Eu não sei, eu acredito na historia do Psicopata.
– Eu também. – Concordou Cal.
– Que tal jogarmos baralho? Sempre fugimos da escola e agora temos todo tempo para jogar.
– Não exatamente.
Novamente o segurança assustou todos de uma vez.
– De novo cara, para de chegar de fininho.
– Só vim lhe avisar que abriu um programa de estudos nesse lugar, e todos vocês serão obrigados a ir.
– É mesmo? Por quem?
– Apenas uma questão do programa, caso não quiserem participar não tem problema, entretanto vocês voltaram a suas vidas cotidianas e sofrerão riscos na sociedade, ouvi dizer que o assassino que estão perseguindo vocês é impiedoso e cruel.
– Está de brincadeira não é? – Indagou Cuca.
– Negativo, eu tenho os documentos que seus pais assinaram vocês ainda estão na responsabilidade deles, e aqui diz que vocês são obrigados a participar nesse projeto ou serão jogados para fora do casarão.
– Isso é mal, nós precisamos ficar aqui. – Reclamou Lima.
– Ué, você não estava reclamando que aqui parecia uma prisão?
– É, mas não quero ir lá fora até que aquele assassino esteja na cadeia.
– Eu concordo com o Lima. – Comentou Cuca.
– Como é que é?
– Sabe, não é tão ruim assim, e caso fossemos lá fora nós iríamos ter que se dedicar a escola também, a diferença é que aqui pelo menos é seguro.
Na manhã seguinte um aglomerado de pessoas desesperadas cercou uma sala onde havia várias faixas de “afaste-se” e vários policiais analisavam a situação, Cuca e os outros não entenderam o que havia acontecido e abriu caminho pelas pessoas.
Uma pessoa havia sido morta e um bilhete pregado em seu peito dizia.
NENHUM LUGAR É ÇEGURO...
– Retiro o que eu disse, aqui não é seguro. – Comentou Cuca.
– Que terrível, então para que serviu esse programa de proteção a testemunha?
As pessoas em volta reclamaram junto com aquela pergunta e os policiais tiveram que impedir que as pessoas se revoltassem.
– Acalme-se, estamos resolvendo o caso o mais rápido possível, no entanto como esse casarão estava trancado no acidente, todos vocês são suspeitos. – Comentou Beatrice que apareceu no meio dos policiais.
– Olha só, parece que o destino jogou suas peças. – Comentou Psicopata com certa malícia.
– Sugiro que todos vão para sala principal, iremos interrogar cada um de vocês e, por favor, sem alarde.
– Antes disso. – Disse psicopata ao passar no meio das pessoas. – Quando estará disponível?
– Por favor, senhor, para sala central.
– Não seja difícil, eu sei que você está interessado.
– Não estou de brincadeira senhor.
– Qual é! Apenas um encontro.
Beatrice pegou seu taser e eletrocutou o Psicopata.
– Toque mais uma vez em mim e eu frito seu cérebro.
Cuca se aproximou dele e disse.
– Eu disse que minha prima não gosta de crianças.
– Você podia pelo menos me ajudar não é mesmo? – Indagou Psicopata.
– Não sei você está pouco ligando para gente não é mesmo?
– Isso não tem graça, me ajuda a ir à enfermaria.
– Vamos para sala central pessoal, a não ser que vocês queiram ser eletrocutados também.
– Não me ignorem, é sério, não sinto minhas pernas, ei, EI!
Na sala central, as pessoas estavam angustiadas e temendo por suas vidas, aquele lugar havia deixado de ser seguro e todos naquela sala era um alvo em potencial e para piorar a situação, Cuca conhecia aquela caligrafia, era a letra do assassino que eles haviam testemunhado o crime e ele poderia ser qualquer um naquela sala.
– Muito legal abandonar seu amigo quando ele mais precisa. – Reclamou Psicopata.
– Eu falei para você não mexer com ela.
– É, mas eu não sabia que ela estava armada.
– Já tentaram abusar sexualmente ela umas duas ou três vezes se não me engano, por isso que ela ataca qualquer um que se encoste a ela sem a sua permissão.
Houve uma vez que ela eletrocutou uma idosa quando foi pagar as contas no banco só pelo fato de ela ter se esbarrado nela, isso aconteceu no ônibus ou no metro, onde consequentemente as pessoas a encostavam e logo um pilha de corpos tremendos pelos choques estavam a sua volta.
– Devia ter deixado essa história a limpo. – Comentou o Psicopata.
– E agora vai deixar ela em paz?
– Está brincando? Essa primeira interação foi chocante.
– Não sei como vocês conseguem brincar em uma situação como essa. – Reclamou Cal com cara fechada.
– Já que não temos como escapar, porque não brincar nos últimos momentos de sua vida?
– Nem brinque com isso Cuca, isso realmente está me assustando. — Disse Lima.
Assim iniciou o interrogatório, um a um as pessoas eram chamadas para serem interrogados, inúmeros pontos de vistas, até Cuca ser chamado para passar seu testemunho diante daquele crime.
– Então, parece que você aceitou participar desse programa Tomas.
– Na verdade meu nome nesse programa é Cuca.
– Enfim, continuando, você presenciou novamente o assassinato?
– Na verdade não, eu havia acordado de manhã quando percebi o aglomerado de pessoas e decidi verificar.
– Então, tenho uma má notícia, o mesmo criminoso que vocês testemunharam o crime semanas atrás assassinou essa pessoa.
É mesmo? Quem lhe contou isso?
– É mesmo?
– Sim, os bilhetes baterão, então temos um plano para resolver esse caso.
– Prender todo mundo nesse casarão até que reste uma pessoa viva.
– Não, isso seria estúpido, decidimos colocar câmera de vigilância?
Não brinca, uma casa onde deveria proteger as testemunhas de um crime não tem nem sequer câmeras de vigilância, e ainda se diz programa de proteção a testemunhas.
– Não demoraram demais para botar câmeras? Quer dizer, vocês esperaram alguém morrer para decidir isso.
– Não somos nós que decidimos, dependemos do estado para liberar verba e eles preferem liberar quando coisas acontecem, como as leis são criadas no País, eles esperam o pior acontecer para decidir criar uma lei que impeça que isso aconteça de novo, questão de economia.
Tomas percebeu que o estado estava pouco se importando com a população em geral, mas ele sabia de uma coisa, o assassino estava mais próximo do que deveria estar e no fundo ele sabe a única pessoa que pudesse ser discreto o bastante para assassinar alguém e ninguém perceber.
O novo segurança do programa de proteção a testemunhas.
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