Contos Diversos Volume 1.

15 Segundo Conto – As testemunhas.


Capítulo 5 – Hora da proteção.

Tudo se tornará trevas na vida de Tomas deste que ele foi testemunha de um crime, tentando levar isso como caso de polícia, os policiais não o levaram a sério, consultou uma prima que trabalhava nessa área e logo descobriu que o corpo pertencia a uma mulher que havia falecido há vinte anos, Douglas desapareceu e na cabana onde eles costumavam jogar baralho ele encontra o zelador discreto que em seguida morre por hemorragia, para piorar Raul também some e ao tentar ligar para ele, o assassino atende afirmando que eles não teriam chances nesse jogo.

Tomas em sua casa refletiu sobre toda aquela situação avisou a policia sobre o desaparecimento de seu amigo e logo eles entendem o recado, Tomas, Lucas e Clarisse seguem até a delegacia onde é recebido por um delegado que havia começado seu turno recentemente.

– Quem é você? Cadê o delegado de barbicha? – Perguntou Tomas.

– O senhor Sousa foi transferido para outro departamento, agora eu sou o delegado dessa cidade, meu nome é Rafael.

– Certo, mas você disse sobre alguma coisa do tipo, programação de proteção a testemunhas?

– Exatamente, esse programa foi instalado recentemente e como o nome sugere, nós iremos lhe dar nomes e vidas falsas e realocar vocês até o momento que capturarmos os assassinos, o fato de o assassino souber que vocês sabem sobre os assassinatos deles o tornam em um alvo diante de toda sociedade, e logo gostaríamos que vocês conhecessem o novo lugar e as novas vidas que vocês irão viver agora.

– Isso parece radical demais. – Comentou Clarisse.

– Acredite. É para o bem de vocês.

– E quanto tempo demorará em que vocês peguem o assassino? Quer dizer, não quero fingir ser outra pessoa pelo resto da vida.

– Não sei, pode demorar dias, semanas, anos.

– Peraí, anos?

– Opa, seu carro chegou. – O delegado deu uma risadinha. – Vão gostar da localidade vocês dois.

– Peraí, e eu? – Indagou Clarisse confusa.

– Querendo ou não, o assassino não sabe de sua existência, só por isso você estará salva.

– Isso foi grosseiro da parte dele.

– Deste quanto deixar de ser alvo de um assassino em série é grosseria da parte dele? – Indagou Tomas confuso.

– Isso realmente parece divertido. – Disse animado Lucas.

– Não se preocupa Clarisse, aposto que a polícia vai trazer Douglas e Raul de volta.

– Sim, e tenha cuidado pessoal.

Ambos entraram no carro e um dos policiais entregou uma pasta para cada um.

– O que é isso?

– São suas novas identidades.

Tomas abriu a pasta e logo fez uma cara de interrogação.

– Cuca Beludo, mas que porcaria de nome é esse?

– Você não precisa dizer seu sobrenome.

– Psicopata Americano, eu curti esse nome. – Disse Lucas.

– Viu só, psicopata americano nem sequer é um nome, esse programa é uma piada.

– Quando salvarmos a sua bunda gorda de um assassino em série você irá agradecer.

E fechou a porta da viatura com certa ira.

A viatura seguiu o seu caminho até um casarão onde se podia ver um jardim imensurável e que se estendia até o horizonte, Tomas ficou fascinado com aquele lugar e ao sair da viatura mal conseguia fechar a boca de tão impressionado que estava.

Os dois foram guiados pelo policial até seus cômodos onde Tomas e Lucas permaneceria até o término do caso, ao abrir a porta eles tiveram uma agradável surpresa. Douglas e Raul estavam naquele cômodo.

– Douglas? Raul? O que fazem aqui?

– Não me chame de Douglas seu idiota, meu nome é Cal. – Disse Douglas, quer dizer, Cal.

– Eu sou Lima. S. – Disse Raul, quer dizer, Lima. S.

– Seu nome não é nada original.

– É eu sei. O autor não teve muita criatividade ao me chamar assim.

– Entendo, agora voltando ao assunto, o que fazem aqui? Vocês não foram pego pelo assassino?

– É uma longa história. – Disse Cal.

– Pois é. – Disse Lima.

Assim eles retornaram ao que estavam fazendo, um ajeitando o quarto e o outro jogando vídeo game.

– Legal, cadê a história.

– Ué, era para contar?

– Por favor.

– Pois bem, deixe-me recordar o que houve. – Cal forçou a mente e relembrou das horas atrás antes de desaparecer.

O assassino sabia onde ele morava assim ele invadiu sua casa, no entanto antes de ele chegar ao seu quarto acabou se deparando com sua mãe que estava segurando um pacote de pipoca, ela estava se preparando para assistir algum filme ou novela.

– Ladrão na casa.

– Isso mesmo senhora, fica pianinho antes que eu ti...

O assassino que tinha sua voz abafada por culpa da mascara, arregalou os olhos ao ver a mãe de Douglas correr em sua direção, e com um golpe de MMA, a mãe de Douglas o derrubou logo dando lhe uma chave de braço.

– Faz sentido, já que sua mãe já foi lutadora de MMA profissional. – Comentou Tomas, quer dizer, Cuca.

– Continuando a história.

Douglas ouvindo todo aquele barulho decidiu sair do quarto e se assustou com a sua mãe prendendo o suposto ladrão.

– O que está havendo mãe?

– Não se preocupa filho, eu peguei esse infeliz invadindo nossa casa.

–Mas ela pegou o assassino? – Indagou Cal interrompendo a história.

– Já vou chegar lá. – Disse Cal.

Assim, o assassino teve uma carta na manga, de alguma forma ele se soltou da chave de braço com flexibilidade corporal e correu para fora da casa, se jogando pela janela.

– Mais que droga, aquele infeliz era escorregadio demais. – Reclamou a mãe de Douglas.

Temendo o pior, Douglas foi para a delegacia avisar sobre o ocorrido, eles não tiveram escolha a não ser acreditar neles, já que ele tinha álibi da vizinhança que havia avistado o sujeito fugir da casa dele.

– Assim eu parei nesse programa de proteção a testemunha. – Comentou Cal.

– E não disse nada a sua mãe. – comentou Cuca.

– Para que o assassino não soubesse onde eu estava por ela.

– Enquanto a você Raul?

– É Lima. S.

– Desculpa. Lima. S.

No caso de Lima, foi bem mais simples, ele literalmente procurou pela polícia, pois estava temendo que o assassino o atacasse e logo foi parar no programa de testemunha.

– Que história mixuruca. – Comentou Cuca.

– Aposto que o autor dessa história não teve criatividade para criar uma história cativante para o desaparecimento do Lima. – Comentou Lucas, quer dizer, Psicopata.

– Até que isso faz sentido.

O casarão tinha horários certos de comer e dormir, era uma vida comum, eles eram protegidos pela lei, mas em troca deviam fazer trabalhos para manter aquele casarão em ordem, era praticamente uma prisão, a diferença é que eles estavam sendo protegidos em vez de ser afastados da sociedade como criminosos.

O fato de se manter longe da família para não causar problemas a eles era importante para o funcionamento do programa, eles nem sequer poderiam ter contato com seus familiares e isso entristecia todos que participavam naquele programa.

No meio da tarde, Cuca e os outros conheceram outros que estavam naquele programa sendo protegidos pela lei, alguns permaneciam naquele lugar praticamente três anos, isso porque o crime no qual elas foram testemunhas não havia sido resolvido.

Em uma das conversas, Cuca explicou a situação para Cal, o primeiro da trupe a sumir.

– Clarisse está muito preocupada contigo.

– Sério? Esperava que minha mãe também sentisse o mesmo.

– Ela disse que se descobrir que você está vivo, irá fazer você desejar nunca ter nascido.

– Ela não mudou nada, mas, porque você tocou nesse assunto?

Cuca pensou antes de dizer o quão arrependido estava.

– Porque, naquele momento eu desejei que você estivesse morto.

– Nossa. Obrigado pela sua consideração eu estou motivado.

– Deixe-me terminar. Eu apenas desejei isso, pois, eu queria que Clarisse notasse mais em mim, ela sempre teve olhos para ti e senti um pouco de inveja por isso.

– Interessante, deseja que eu morra e ainda tenta furar meu “olho”, você deveria ganhar o prêmio de melhor amigo do mundo.

– Deixe-me terminar, eu me arrependi por isso e sei que nunca Clarisse irá olhar para mim com os mesmos olhos que olha para ti, então eu só queria me desculpar e quando tudo isso se encerrar, já que está bem próximo, espero que você demonstre os seus sentimentos para ela, e sejam felizes...

– Cuca, é esse seu novo nome, tenho que dizer uma coisa, eu não tenho interesse nela, então tecnicamente você não me atingiu.

Cal saiu da varanda e deixou Cuca refletindo com aquela revelação, ele se culpou por não ter seguido o passo seguinte.

– Mas que filho da mãe. – Pensou Cuca em relação ao Cal